Montfort Associação Cultural

4 de novembro de 2004

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Arca de Noé – 2

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Leonardo
  • Localizaçao: SP – Brasil

Obrigado por sua resposta sobre Noé e a Terra. Fui mesmo um tolo ao năo
perceber certos detalhes da narrativa.

Mas fiquei com uma dúvida. O senhor disse que sua interpretaçăo năo viola o
sentido literal, justamente com a intençăo de se distanciar do modernismo
maldito. Beleza !
Mas, entăo qual é o valor da palavra “todos” quando a Bíblia diz que Deus
mandou que Noé pegasse casais de todos os animais ?

I) Como conservar o literal e botar aspas nas palavras bíblicas para
esvaziar o seu sentido literal ??? Gostaria que o senhor superasse essa
dificuldade.
II) Como dizer que “todos os animais terrestres” significa “alguns” animais
terrestres ?

Afinal era casal de todos os animais ou năo ? Como couberam todos na arca
sem afundá-la ??

 Prezado Leo, salve Maria!

Somente agora me chegou às mãos sua nova pergunta. Apresso-me em respondê-la.

Sua dúvida é pertinente e me permite tratar de um assunto importante que é a interpretação das Sagradas Escrituras.

Em primeiro lugar, como já mencionei outras vezes, a Bíblia não é um livro de ciências, donde se espera agradar somente os leitores matemáticos e estatísticos, que procuram sutilezas para satisfazer uma curiosidade técnica. Porém, na Bíblia não há contradições e espera-se que o Autor, que é o próprio Espírito Santo, destine o Santo Livro a leitores seletos, que possam aproveitar a parte que lhes cabe da sabedoria posta naquelas palavras e explica-las a nós, que não podemos alcançar tal elevação.

As palavras das Sagradas Escrituras têm diversos sentidos, podendo ser distinguidos em três grupos: sentidos unívocos, equívocos e análogos.

No primeiro caso, temos palavras que expressam um e apenas um sentido, como as palavras “chicote” ou “baleia”.

As palavras equívocas, são aquelas que apresentam mais de um sentido para uma mesma forma, sem ter relação alguma entre si, como as palavras “vela” e “manga”.

O terceiro caso, as palavras análogas, designam a maioria das palavras da Bíblia, que são aquelas que apresentam muitos sentidos, com relação entre si, como as palavras “pai”, “casa”, “pé” e “terra”.

Desse modo, fica fácil compreender como é possível que Deus tenha mandado colocar um casal de cada um dos animais terrestres, em sua totalidade, sem que essa “totalidade” se refira a um sentido universal da palavra “todos”.

Se, mesmo hoje, nem mesmo os melhores museus do mundo apresentam exemplares de todos os animais da Terra, que dirá Noé, que nem patrocínio da National Geographic tinha.

É natural que a Bíblia seja escrita para homens sábios e de todos os tempos. Os doutores do tempo de Nosso Senhor, por exemplo, leriam essa passagem e não se preocupariam com animais que talvez habitassem em continentes que eles não faziam nem idéia se existiam.

Imagine se eu entro em uma sala de aula de faculdade e peço: “todos os que têm mais de 20 anos que me dêem um real!”. Num sentido absoluto da palavra “todos”, eu sairia de lá multimilionário. Porém, me referia a todos, sem exceção, que estavam naquela sala.

Assim, quando Deus manda Noé pegar exemplares de todos os animais que habitam sobre a terra, Noé, que era sábio, apressou-se em fazer a vontade de Deus, que é sempre proporcionada ao homem. Colocou dentro da arca casais de todos os animais da terra habitada e que era possível (proporcionado) a ele coletar. E isso é proporcionado à arca que Deus mandou construir, inclusive com as medidas. E, porque Deus quis que se conhecesse exatamente como era a arca, deu inclusive suas dimensões e como haveria de calafetá-la. Desse modo, os matemáticos, vendo que não é possível colocar “todos” os exemplares em absoluto dentro do volume daquela arca, concluem o sentido da palavra “todos”, adequado àquele santo homem que foi Noé, que era sábio, mas não biogeógrafo.

Espero assim ter podido ajudá-lo. Fique à vontade em nos escrever.

No Coração de Maria Santíssima,

Fábio Vanini

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