Montfort Associação Cultural

5 de abril de 2006

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Arautos do Evangelho e Reino de Maria

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo De A. Lemos
  • Localizaçao: Campos dos Goytacazes – RJ – Brasil

Na verdade, o sr. João Scognamiglio Clá Dias disse que de 2005 não passava, passou. Como eu parei de frequentar os arautos, eu não sei quando vai ser (segundo eles) o que eles nomeiam de “bagarré” , que nada mais é do que a passagem para uma nova era, era essa que seria o “reino de Maria”. É claro que segundo os Arautos, eles é que tomariam conta desse reino.

Prezado Leonardo, salve Maria,

    Louvo a Deus que você tenha recebido do céu a graça de ver a falsidade da profecia pregada por Plínio Corrêa de Oliveira, e agora insuflada por Scognamiglio, o substittuto do profeta de Higienópolis — que, para piorar a situação dele, se tornou Padre: a de que virá um castigo universal (a Bagarre), depois do qual se instauraria um “Reino de Maria” milenarista, no qual as ruas seriam de porcelana e a geração humana deixaria de ser por via sexual.

    Imaginou você quantas fraturas do fêmur aconteceriam nesse reino maluco depois de uma chuvarada? E que multiplicação da natalidade aconteceria feita só pelo pronunciar de uma palavra ?
    E, claro, esse seria um Reino em que Plínio e a mãe dele ressuscitariam e governariam numa muito duradoura Belle Époque.     
    Quando da instauração desse Reino milenarista, Igreja e o Estado deveriam se prostrar, lambendo o chão diante do profeta de Higienópolis.
    Você deve conhecer bem essas coisas…”parâmicas”…
    Graças a Deus, você constatou o fracasso da profecia que lhe garantiram ia ocorrer em 2005.
    Não ocorreu.
    2.005 passou.
    Como passaram 1960, 1965, 1970, como passaram Mitterand, o soldado Han, a epidemia do centurião, a invasão das Malvinas, a quebra do dolar, a invasão do Iraque, tantos outros fatos, todos entusiasticamente e catastroficamente apresentados como a chegada da Bagarre, que nunca veio.
    Para mim, Plínio disse, em 1954, que se ele vivesse 60 anos, ele veria esse castigo da Bagarre. Portanto, que a Bagarre viria lá por 1968.
    Não veio.
    Depois, foram adiando a Bagarre para 1970, 1980, e dai por diante. Cada fato internacional importante ou belicoso, cada nova doença epidêmica eram festejados e vistos como a chegada da Bagarre, catástrofe libertadora.
    A tal Bagarre é posta balançando à frente dos arautos como espiga diante do burro que puxa a carroça: na esperança de alcançar a espiga, o burro corre, puxando o veículo a que está atrelado.
    Assim, marcham os rapazes da banda do Scognamiglio, vestidos de cavaleiros medievais. Só vestidos de cavaleiros. Correm atrás da espiga da Bagarre, se exibem cantando, tocando e desfilando, enquanto pedem gordos donativos… E enquanto o agora Padre Scognamiglio…vive ”profetizando”.
    Parece cômodo e enriquecedor profetizar, no mundo atual
    Se você foi arauto, sabe o resto.
    Mas talvez você não saiba o que me contaram. Certa feita, no início de uma invasão qualquer de tropas americanas, — devia ser no Oriente Médio — Scognamiglio disse a Plínio, que continuava ainda imortal:
    ”Dr. Plínio, me diga se é mesmo agora que vem a Bagarre. Porque, se não vier agora, desta vez eu quebro. Tantas vezes o senhor anunciou a bagare, tantas vezes ela não veio, que, se desta vez ela não vier, eu arrebento”. Foi o que me contaram… 
    E sabe que respondeu o Profeta de Higienópolis ao atual profeta substituto?
    Deu uma grande gargalhada, e lhe respondeu.
    “Meu João, como eu é que vou saber quando será a Bagarre?”
***
    Assim falam os falsos profetas.
    Assim eles gargalham dos que neles crêem.
    Escreva-me sempre.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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