Montfort Associação Cultural

12 de dezembro de 2012

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Aprendendo com o presépio

Autor: Rafael Acácio

 

Em muitos lares católicos, no tempo do Natal, é costume as famílias montarem seus presépios, desde os mais simples até os mais elaborados, mas todos com a imagem do Menino Jesus envolto em panos, deitado em uma manjedoura, junto com sua Santíssima Mãe, a sempre Virgem Maria, o fiel São José, os três Reis Magos, um boi e um burro.

 


 

São Francisco de Assis, no ano de 1223, deu início a esse costume ao montar o primeiro presépio, com o objetivo de ensinar aos fieis a importância do Natal.

Todo presépio ensina.

Ensina que devido ao pecado de Adão o homem não teria como se salvar, uma vez que nenhuma ação humana é capaz de limpar a culpa, de tamanho infinito, cometida por este primeiro homem.

Era preciso, portanto, que um Homem de valor infinito se sacrificasse por toda a humanidade, pois esse foi o preço da dívida de Adão.

Era preciso que Deus se encarnasse.

E Ele o fez.

 

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (São João, 1, 14).

 

Por ter um amor infinito à criação, Deus nos deu seu Filho unigênito, Jesus Cristo, o Verbo, que se encarnou.

Encarnou-se por amor ao homem.

Encarnou-se devido ao pecado do homem:

 

- Que fazeis, menino Deus,

Nestas palhas encostado?

- Jazo aqui por teu pecado.

- Ó menino mui formoso,

Pois que sois suma riqueza,

Como estais em tal pobreza?

- Por fazer-te glorioso

E de graça mui colmado,

Jazo aqui por teu pecado.

- Pois que não cabeis no céu,

Dizei-me, santo Menino,

Que vos fez tão pequenino?

- O amor me deu este véu,

Em que jazo embrulhado,

Por despir-te do pecado.

- Ó menino de Belém,

Pois sois Deus de eternidade,

Quem vos fez de tal idade?

- Por querer-te todo o bem

E te dar eterno estado,

Tal me fez o teu pecado.

                    Padre José de Anchieta.

 

 

 

O presépio mostra que o Nascimento de Nosso Senhor foi o início da Redenção do homem, que mais tarde se concretizaria com o sacrifício do Calvário. Na festa do Natal lembramos o primeiro passo de Cristo em direção à Cruz.

O presépio ensina mais.

Ensina que o Menino Deus nasceu em uma cocheira, porque os homens, aos quais veio dar salvação, não O acolheram:

 

“Não havia um lugar para eles na estalagem” (São Lucas 2, 7).

 

Os homens renunciaram a Nosso Senhor Jesus Cristo pela primeira vez, antes mesmo de seu nascimento. Negaram abrigo à Santíssima Virgem e a São José.

Desse modo, a Sagrada Família só encontrou acolhimento num estábulo, entre animais, na cidade de Belém.

Belém (Bethlehem), cujo nome significa “Casa do Pão” acolheu o Salvador. Ora, a casa do pão é a Igreja, morada do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor, a Santa Hóstia.

 

“Jesus tomou o pão e, tendo-o abençoado, partiu-o e, distribuindo aos seus discípulos, disse: ‘Tomai e comei, isto é o meu corpo” (São Mateus 26, 26, 28).

 

O único lugar onde encontramos o Menino Jesus é a Igreja Católica, a Casa do Pão.

Explica Hugo de São Victor que, do mesmo modo que os animais deixam suas sujeiras no chão do estábulo e vão se alimentar no cocho, assim também o católico deixa sua sujeira no confessionário e vai se alimentar na mesa da comunhão.

No estábulo Cristo nasceu entre animais, um boi e um burro:

 

“O boi conhecerá o seu dono, e o burro conhecerá o presépio de seu Senhor” (Is. 1, 3).

 

O boi, no presépio de Nosso Senhor, simboliza o povo judeu, pois, do mesmo modo como o boi puxa o arado na terra, o judeu trabalha na vinha do Senhor.

O burro, por sua vez, simboliza o povo pagão, que não manifesta sabedoria.

Cristo nasceu entre ambos, pois trouxe a Redenção para todos os homens.

O presépio tem muito a nos ensinar.

Ensina que Cristo nasceu de uma Mulher, a Virgem Maria. Virgem antes e depois do parto.

No momento de seu Nascimento Nosso Senhor dignificou ambos os sexos, pois nasceu Homem e nasceu de uma Mulher, a mais perfeita das criaturas, a Santíssima Virgem.

Diz Santo Agostinho:

“Que se voltem para o segundo homem todos os que haviam sido condenados pelo primeiro (Adão). Uma mulher nos induzira à morte. Uma outra trouxe-nos a Vida. Dela nasceu um filho, semelhante à carne do pecado (Rm 8, 3), a fim de que fosse purificada a carne do pecado…”

Cristo, Deus e Homem, nasceu de uma Mulher para provar que é Homem. Nasceu de uma Virgem para provar que é Deus.

O presépio nos ensina que devemos ir a Deus por meio da Virgem Maria, pois Ela foi o meio pelo qual Cristo veio até nós. Foi Ela quem primeiro envolveu a sabedoria de Deus com panos, foi Ela quem ensinou o Verbo a falar, foi Ela quem alimentou o Menino Jesus. Enquanto o mundo dava as costas para o Salvador, Maria o servia.

Um Menino envolto em panos…

Claro que o Menino Jesus fora envolto em panos por pudor e para protegê-lo do frio, mas, antes de tudo, Ele foi envolto em panos porque “A glória de Deus consiste em encobrir a palavra; e a glória dos reis está em investigar o discurso” (Prov, 25, 2).

Aos sábios, cabe a interpretação, à Santa Igreja cabe ensinar. A palavra foi envolta em panos para que não fosse profanada por aqueles que se julgam sábios, os falsos pastores.

 

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. (São Mateus, 7, 15).

 

Só a Igreja Católica, única Igreja de Cristo, tem a verdadeira interpretação.

O presépio ensina tanto.

Ensina que três Reis visitaram o Menino Jesus.

 

 

Urna contendo as relíquias dos três reis magos

 

Guiados por uma estrela, os Reis foram adorar a Criança. Cada um levou consigo um presente: ouro, incenso e mirra.

São Tomas explica que os três reis e seus respectivos presentes representam todas as nações descendentes dos três filhos de Noé, que estavam sendo chamadas à fé.

Nesse sentido, diz Santo Agostinho:

“Toda a Igreja dos Gentios quis que esse dia fosse celebrado com a máxima devoção, pois, que são os Magos senão as primícias da gentilidade?”

O Papa são Leão Magno ensina que os Reis ao chegarem até o Menino, adoraram o Verbo na carne, a Sabedoria na infância, a Força na fraqueza, e o Senhor de majestade na realidade de um Homem. E, com o intuito de manifestarem sua fé a Cristo ofereceram incenso a Deus, mirra ao Homem e ouro ao Rei, manifestando, desse modo, a consciência da unidade entre a natureza divina e a natureza humana de Cristo, o Salvador.

Aprendemos muito ao olhar um presépio.

Aprendemos que devemos ir até a Igreja e nos prostrar diante de Jesus Cristo e adorá-Lo na Santa Hóstia.

Aprendemos que o Natal é a data em que comemoramos o Nascimento do Salvador, o início da Redenção do homem, a misericórdia infinita de Deus.

Aprendemos que devemos ir a Deus por meio de Maria.

Neste Natal, devemos ir até Belém, a Igreja Católica, e oferecer presentes para o Menino Jesus, oferecer nossos corações.

É tempo de se comemorar.

Um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado.

Montemos nossos presépios.

É Natal, o aniversário do Senhor.

Salve Maria!

Rafael Acácio.

 

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