Montfort Associação Cultural

7 de janeiro de 2005

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Aplicação do Vaticano II na liturgia

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo
  • Localizaçao: Londrina – PR – Brasil
  • Religião: Católica

Caro professor Orlando Fedelli, minhas saudações! Fico realmente grato com um magnífico trabalho como este seu! Pude aprender muitas coisas que eu jamais tinha sabido antes, uma vez que a cataquese não ensina o que precisamos saber sobre a Igreja Católica. Eu, como um Católico, gostaria de saber as respostas de minhas dúvidas, e o senhor me parece a pessoa mais indicada para respondê-las:

1)É verdade que a Igreja Católica teria alterado os textos bíblicos a seu favor, conforme os Testemunhas de Jeová tanto gostam de falar? Se sim, como a Igreja procede perante este fato?

2)Apesar da Igreja renunciar ao Espiritismo, ela admite a existência de espíritos?

3) Afinal de contas, resumidamente, quais foram as mudanças ocorridas no Vaticano II, o qual vejo tantas referências no site?

4) Com o site de vocês, aprendi sobre a RCC coisas que eu não sabia. MAs, é fato que a RCC mudou a Igreja Católica. Antigamente quando se ia numa catedral, tínhamos aquela missa parada, com músicas clássicas e tradicionais, na qual o povo não via a hora de acabar a missa e ir embora. Porém, após ela, as missas ficaram mais participativas, com músicas mais animadas, até mesmo em catedrais. Tenho consciência que isso muitas vezes acarreta o Indiferentismo Religioso, mas se a Igreja condenar estas práticas (bater palmas, músicas mais agitadas – não necessariamente rock, o que considero um absurdo numa missa católica -, entre outras), muita gente, os “adeptos” do Indiferentismo Religioso, iriam abandonar a Igreja. Como a Igreja pode reverter este quadro? Você acha que o missal católico precisaria ser reformulado? Se sim, como você acha que deveria ser este novo missal (mudanças principais)?

5) A Igreja Católica tem o direito de nomear uma pessoa de “Santa”? Afinal, quando nos lembramos dos falecidos, o missal nos diz: “cuja fé só Tu conhecestes”. Vejo esta história de santo como um culto à imagens. As pessoas simplesmente fazem promessas muitas vezes tolas aos santos, nem vão à Igreja, e esperam que simplesmente vá surgir um milagre.

6) A respeito das músicas, tem que ser necessariamente canto gregoriano? Há várias e belas músicas tocadas nas missas, capazes de comover as pessoas. Veja bem, não estou defendendo o tipo de música dos “Padres pops”, mas acredito que mantendo uma missa mais alegre e mais participativa, com as músicas que costumam tocar hoje em dia, o povo poderia largar o Indiferentismo Religioso (graças em parte, à cataquese, que não ensina nada do que precisamos saber, apenas afasta os jovens da Igreja) e realmente se tornarem católicos convictos.

Desculpe-me se estas questões já foram esclarecidas, mas como passei a acessar o site nesta semana, não pude ver tudo ainda, pois tamanha é a minha vontade de ter estas respostas. Ah, por fim, você pode ter notado que mencionei bastante a cataquese, saí dela há 3 anos, e ela sinceramente não resultou em nada. Se a função delas é aprimorar o conhecimento do católico, pode-se dizer que a mim não serviu em nada. Tudo o que sei sobre a Igreja, é porque eu realmente sempre me interessei por ela, desde criança.

Que Jesus e Maria te guie em sua jornada, e que mais pessoas conheçam o site para que possam aprimorar seus conhecimentos sobre a Igreja Católica!

Muito prezado Leonardo, salve Maria!

Que Deus lhe pague suas palavras de gratidão pelo site Montfort. Suas palavras somente me levam a reconhecer minha responsabilidade e meu dever de ensinar através desse meio eletrônico. Creio que jamais tive uma audiência de dezenas de milhares de pessoas numa sala de aula.

Infelizmente, você tem razão: hoje os católicos quase não tem a quem recorrer em suas dúvidas. E isso acontece pelo completo abandono da catequese especialmente por aqueles que defendem o pastoral Vaticano II: a obediência à pastoralidade significou o fim do pastoreio.

A Igreja jamais mudou nada da Sagrada Escritura.

Quem sempre fez isso foram os hereges. Lutero, em sua tradução da Bíblia acrescentou e retirou palavras. Os Testemunhas de Jeová então tem uma Bíblia “manuseada” por retirar dela palavras que deixam clara a Divindade de Cristo, que eles negam.

Espírito é aquilo cuja substância não é material. Nossas almas e os anjos são espirituais, isto é, não materiais. O que a Igreja, junto com a Bíblia, condena é a invocação de almas ou de anjos. Isso está proibido por Deus, no Deuteronômio XVIII, 9-15.

Quanto às mudanças decorrentes do Vaticano II, fica difícil resumi-las em poucas palavras pois que o que mudou foi o posicionamento doutrinário. No Vaticano II, resumidamente, se defendeu a liberdade de religião, o ecumenismo, a colegialidade na Igreja, isto é, que o papa deveria governar junto com os Bispos, mas isso expresso de um modo que insinua que o Papa não tenha o supremo poder sozinho, o diálogo com as demais religiões e não o ensinamento, a idéia de que a revelação não é de verdades mas sim da própria substância divina, a idéia de que Deus colocou no homem um germe divino, a correspondência entre Igreja e humanidade, a igreja posta a serviço do homem, em lugar de Deus, etc. Recomendo-lhe que leia meu trabalho sobre as doutrinas modernistas no site Montfort, trabalho intitulado Doutrinas Modernistas no Vaticano II, Resposta ao Instituto Paulo VI de Brescia. Recomendo-lhe que leia também a encíclica Pascendi de São Pio X e você verá lá o que mudou entre o que dizia São Pio X e o que disse o Vaticano II.

O que você diz a respeito da Missa demonstra que você ignora o que é a Missa.

Como o Papa João Paulo II repetiu nove vezes na encíclica Ecclesia de Eucharistia, Missa é a renovação do único e mesmo sacrifício do Calvário. Na missa, Cristo morre misticamente, não cruelmente, por nós, oferecendo sua vida para pagar nossas culpas.

A Missa é para Deus e não para o povo. É dita para salvação das almas, mas não é um show.

As pessoas que vão à Missa para se divertirem, nada entenderam da Missa, e se vão lá para isso, então, praticamente de nada adianta irem, porque não sabem o que fazem e o que se faz na Missa. Essas pessoas, no fundo, não crêem na Missa. Seria necessário instruí-las, como bem lembrou o Cardeal Ratzinger.

O que eu acho sobre a Missa não tem nenhuma importância. O que importa é o que Papa diz sobre isso, e o Papa João Paulo II determinou que palmas, danças e aplausos devem ser eliminados da Missa que é a renovação do sacrifício do Calvário. E é inconcebível que, no Calvário, enquanto Cristo morre, se dance e se aplauda.

A Igreja não nomeia ninguém santo. A igreja reconhece que uma pessoa foi santa e modelar em sua vida, e faz isso infalivelmente pela manifestação dos milagres que Deus permite que a pessoa santa realize depois de sua morte.

Quanto ao culto das imagens, peço-lhe que leia no site Montfort o que escrevemos muitas vezes sobre isso, provando que o culto das imagens é legítimo.

A música na Igreja não visa, em primeiro lugar, a comover o povo. Visa a dar glória a Deus e nada faz melhor isso que o canto gregoriano. É o que lembrou o Papa João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia. As musiquinhas protestantosas que se tocam , hoje, na Igreja, são ridículas e feias, muito feias. E musicalmente miseráveis. Muito miseráveis. E ensinam erros. O que é o pior de tudo.

Acredito perfeitamente que você tem toda razão ao dizer do resultado de três anos de “catequese” que você cursou com resultado praticamente zero.

Procure ler os Documentos da Igreja publicados no site Montfort e você aprenderá bastante.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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