Montfort Associação Cultural

29 de outubro de 2004

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Aos nossos prezados críticos do site

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: diego pessanha gomes
  • Idade: 22
  • Localizaçao: Campos dos Goytacazes – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: tecnico de informatica
  • Religião: Católica

Caro Sr. Orlando

Vejo por diversas vezes, pessoas que abrigam-se no seio da igreja Católica, escrevar para este site criticando o que é transmitido através de sua cartas. Quando mandam suas dúvidas e o sr. as responde, espera-se que essas pessoas leiam sua resposta ponham alguma contraresposta se estam de acordo e abaixo a cabeça do seu ego frente a ides professadas pela Igreja e não vocês, ou se continuam a propagar erros que já foram refutados e só percistem por o homem de posse do seu orgulho esquece o primeiro mandamento e passa a amar seu próprio raciocínio (que não lhe serve de muita coisa).

Obrigado
Diego Pessanha Gomes

LARGA PLANÍCIE… VELHOS AMIGOS…
 
Muito prezado Diego, 
Salve Maria!
 
    É sempre uma alegria, para mim, receber uma carta de Campos dos Goytacazes, cidade onde Dom Mayer foi Bispo, e para onde ele me chamou, tantas vezes, para dar palestras. Para fazer apostolado.
    Lá, era eu bem conhecido.
    Lá, eu tive muitos amigos…
   
    Hélas! Où sont les amis d´antan ?
   
    Tenho ainda lá alguns.
    Não muitos.   
    Mas bem fiéis.
   
    Há amizades fracas que se congelam como a neve, não, claro, ao calor da caridade, mas ao sopro frio da calúnia e da murmuração.
    Ainda hoje li um sermão — muito ruim — de Dom Williamson, que citava Shakespeare, — Imagine? Um Bispo tradicionalista citando Shakespeare !!! — e no qual ele dizia, brincando que «  homo est homini lupus, mulier est mulieri lupior, sacerdos est sacerdoti lupissimus «. (« O Homem é um lobo para o homem, a mulher é ainda mais loba para outra mulher, mas o mais lobo de todos é o padre para outro padre”).
 
    Não concordo com isto que disse Dom Williamson.
   
    Não concordo, aliás, com muitas coisas que ele disse, e que ele diz.
    O maior lobo — quem o disse foi Nosso Senhor – o maior lobo é o mau pastor. E a quem o lobo estraçalha normalmente são as ovelhas.
    
    Concordo, porém com outro provérbio– americano esse, e muito bem dito – que ele cita, criticando certos pastores, que pensam mais em tosquiar as ovelhas do rebanho do que em apascentá-las.
   
    E o provérbio é : Pray, pay and obey” (Reze, pague e obedeça)
    Sobretudo pay.
    Principalmente pague!
   
    Quantos Bispos não há que percorrem o mundo, fazendo coletas de dólares, em vez de se contentar só em rezar a “coleta” da Missa…
    Pois no mundo se podem fazer vários tipos de coleta. E o que coletamos aqui, pagaremos lá.
   
    Pois me é uma alegria bem grande receber sua carta, uma carta vinda da planície larga de Campos.
     
    Ela me fez lembrar os canaviais, as casas de fazenda, um doce em compota — muito bom – o “chuvisco”,  que comprava lá até numa rodoviária horrível, as aulas que dei para tantos moços, os cantos que fiz para eles, e que os fiz cantar…
     
    Sobretudo sua carta me trouxe o sorriso amigo, já meio apagado pela distância do tempo, de meus velhos amigos que conheci na casa de Dom Mayer.
    No “palácio” de Dom Mayer.
   
    Eles, os amigos, ficaram velhos…
    Eu fiquei velho.
   
    Meu coração é o mesmo.
    Meu combate é o mesmo.
   
    Em que pesem as murmurações lupíssimas.
 
    Agradeço suas palavras de apoio ao site Montfort e às minhas respostas e explicações.
    
    Em contrapartida, lhe peço um favor: diga à larga planície de sua terra que não a esqueço.
    Diga aos velhos amigos que conheci no “Palácio” de Dom Mayer,que sou o mesmo.
    Com a mesma amizade, com o mesmo ardor. Diga-lhes que o Professor não mudou e que de longe os saúda: “Salve Maria!”
    Diga a meus velhos amigos da casa de Dom Mayer, que a oração que ele fez por mim, pouco antes de morrer, recostado e fraco numa cama de doente, o desejo que ele exprimiu para mim ao me abençoar pela última vez, ela se realizou plenamente.
    Pois ele me disse depois de me abençoar e como adeus:
 
    “Fedeli, Deus o faça feliz . Muito feliz!”.
   
    Deus me fez feliz!
    Muito, muito feliz!
    No combate.
    Em meio ao ódio e à murmuração.
    À murmuração que não consegue apagar dos ouvidos de minha alma um canto que fiz, e que cantávamos pelas ruas da planície cheias de sol e de ardor:
 
                                                “Católicos somos,
                                                    fiéis à Tradição”.
   
    Pois meu caro Diego, a felicidade consiste nisso: em ser fiel a Deus e à Igreja.
    Em ser fiel à verdade. Em ser fiel aos amigos. Em ser fiel a uma canção bravia que o vento fez vibrar, um dia, no mais profundo de nossas almas. Em ser fiel aos ecos de uma canção bravia, que cantarolamos até a velhice. Com voz rouca e cansada. Mas fiel.
 
    Minha canção é a mesma.
    Ainda hoje.
    Depois de tantos anos.
               
    Que Deus o faça feliz Diego, meu novo amigo campista.
    Que Deus o faça feliz. Muito feliz!
     
    Que Deus o faça fiel. 
    Para ser muito feliz.
    Jamais deixe de prestar atenção à canção bravia que Deus faz ecoar no mais profundo de uma alma jovem e sedenta de heroísmo, e sedenta de grandeza.
                                                              
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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