Montfort Associação Cultural

20 de janeiro de 2010

Download PDF

Antropocentrismo do mundo moderno

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Edson de Souza
  • Localizaçao: Sete Quedas – MS – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação em andamento
  • Profissão: Engenheiro Agronomo
  • Religião: Católica

Muito prezado amigo orlando, salve Maria,

Estou fazendo um curso de pedagogia e tem na malha curricular uma disciplina que se chama história da educação, onde correlaciona a historia e o movimento educacional de cada época, pois bem estavamos estudando a idade média e os autores que descrevem sobre a idade media tem uma versão diferente das que o professor Fedeli comenta, vou transcrever um pequeno resumo e queria uma opinião do professor Orlando Fedeli sobre este texto.
 
“Idade Média foi a expressão imprópria aplicada ao período de mil anos que se iniciou no Ocidente com a derrocada do Império Romano em 476, quando se deu a queda de Roma sob o reinado de Rômulo Augústulo, enquanto em Bizâncio se mantinha o Império Romano do Oriente que se prolongaria até a queda de Constantinopla sob os ataques dos turcos em 1453. Os parâmetros da educação na idade média se fundam na concepção do homem como criatura divina, de passagem pela Terra e que deve cuidar, em primeiro lugar, da salvação da alma e da vida eterna. Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e razão, recomenda-se respeitar sempre o princípio da autoridade, que exige humildade para consultar os grandes sábios e intérpretes, autorizados pela igreja, sobre a leitura dos clássicos e dos textos sagrados.
Evita-se, assim, a pluralidade de interpretações e se mantém a coesão da igreja. Predomina a visão teocêntrica, a de Deus como fundamento de toda a ação pedagógica e finalidade da formação do cristão. Quanto às técnicas de ensinar, a maneira de pensar rigorosa e formal cada vez mais determina os passos do trabalho escolar.
A educação era marcada pela influência da Igreja, que ensinava suas doutrinas religiosas, o latim e as táticas de guerra, que eram uma das principais formas de obtenção de poder, e um meio pelo qual a Igreja aumentava seu poderio de terras. A grande parte da população medieval não tinham acesso aos livros. Não sabiam ler nem escrever. Eram analfabetos.
Da contestação às instituições sociais e políticas do Império Romano, surge o Cristianismo. Pregava-se a igualdade, o amor ao próximo e a felicidade pós morte. Sanavam-se assim, os anseios dos escravos miseráveis e acabavam por conquistar inclusive a nobreza. Houve uma evolução estrondosa quanto ao poder e a importância da Igreja, todavia, da mesma forma crescia a crise do escravismo e entrava em decadência o Império Romano.
Logicamente a atitude da Igreja no período medieval impunha um regime que brutalmente incapacitava a mente humana de desenvolver intelectualmente. A religião foi monopólio da Igreja para elevar o clero à condição divina forçando para um celibato desumano, advogando idéias e opiniões sem base lógica e senso comum. A interferência da Igreja era presente em todos os assuntos. Contudo, torna-se lógica a compreensão do tamanho poder da Igreja mantida por mais de mil anos consecutivos. Porém, inaceitável e condenáveis as atitudes da Igreja em tais atos, já que esta pregava ser harmonizadora da fé e da razão. O poder da Igreja era tão grande nessa época que aqueles que enfrentavam seu poder eram chamados de hereges ou infiéis. Herege é uma palavra de origem grega, que significa “aquele que escolhe”, mas na Idade Média passou a denominar a pessoa ou o grupo que defendia doutrina contrária à Igreja ou discordava dos seus dogmas, das suas verdades. Uma das penalidades aplicadas pela Igreja aos hereges era a morte na fogueira. Para enfrentar os hereges e consolidar seu poder na sociedade, a Igreja Católica instituiu o Tribunal do Santo Ofício que perseguia os hereges e aqueles que tinham comportamentos e preferências contrários aos seus ensinamentos morais e disciplinares”.
 
In Corde Jesu, semper,
Edson de souza.

Muito prezado Edson,
Salve Maria.
 
     O que está escrito nesse livro é um amontoado de tolices e mentiras incoerentes que revelam uma incrível ignorância histórica, senão má fé. O texto desse livro prova que não adianta saber juntar letras e pensar que se lê.
     Os resultados dos exames do ENEM e dos vestibulares provam a enorme decadência do ensino hoje.
     Veja a ignorância do autor que diz ser o homem “criatura divina”. O coitado queria dizer que na Idade Média se acreditava que o homem foi criado por Deus.
     Ora, “criatura divina” exprime mal essa idéia, pois insinua ambiguamente que o homem seria divino.
     Mas, que o homem foi criado por Deus, para Deus e para o céu é verdade. Hoje se acredita que o homem veio do macaco e existe para comer no McDonald`s e ouvir rock.
     Entre fé e razão não pode haver contradição. Harmonizando Fé e razão a Idade Média construiu uma civilização do mais alto valor, enquanto nossa época cientificista e sem fé construiu campos de concentração e fez guerras de destruição e ódio como jamais se viu na História.
     Seguir a autoridade da Sagrada Escritura e dos sábios é inteligente. Nossa época, despreza autoridade. Por isso o que vale é a maioria ou a metralhadora. Daí, a confusão e a violência reinantes.
     Daí hoje vigorar a pluralidade de interpretações o que fez de nosso tempo um hospício onde cada um crê no que quiser. Inclusive pode pensar que é um guarda chuva ou Napoleão. Com a livre interpretação de tudo se caiu no relativismo total e no caos.
     Nossa época tirou Deus do centro de tudo e nesse centro colocou o Homem. O problema é saber quem é o homem. Cada um quer ser o centro. Daí, as guerras e as lutas infindáveis. Na realidade, o centro de tudo ou é Deus, causa e fim de todas as coisas, ou se perde o centro. E uma roda cujo eixo não está no centro, não gira corretamente. Alguma coisa gira corretamente no mundo atual antrpocêntrico? Não.
     A educação na Idade Média levava os homens irem assistir debates entre filósofos. Hoje, se vai assistir o Mike Tyson bater na cara do Maguila. A educação medieval produziu um São Tomás de Aquino. A educação atual fez o Lula ter o poder. Ou o Obama.
Repare bem na ciência dos governantes e dos modelos de hoje.
     Os analfabetos medievais escreviam e discutiam os mais profundos problemas de metafísica. Hoje, se discute quais as diferenças entre o Ronaldão e o Ronaldinho. Ou entre o Padre Fábio de Melo ou o Padre Marcelo Rossi. E se assiste o Jô Soares. E se tem como ídolos Michael Jackson ou John Lenon. E se lê Paulo Coelho.
     E o coitado do autor desse livro nada entende do que a Igreja combatia nos hereges, e repete tolices sobre a Inquisição que só combatia a propaganda de erros. Hoje, se faz o contrário: a propaganda de todo erro e heresia são livres. Só é proibido ensinar o certo.
     E a Idade Média nunca pregou a igualdade. Pelo contrário, como ela queria tudo ordenar e como só se podem ordenar coisas  desiguais, a Idade Média amava a desiguladade (por favor, leia meu texto Desigualdade e Igualdade: considerações sobre um Mito).
     Jogue fora esse livro cheio de bobagens e de erros grosseiros porque é com livros desse tipo que se destrói a cultura.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

 

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: A condenação de Galileu - Emerson Chenta

Artigos Montfort: Boabdil chorava - Marcelo Andrade

Cadernos de Estudo: Elementos messiânicos na seita ismaelita de Alamut - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais