Montfort Associação Cultural

27 de março de 2006

Download PDF

Antigamente, os tolos calavam-se…

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maximo Maria da Costa
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Aeronauta
  • Religião: Católica

Prezados amigos da Montfort

Lendo alguns artigos do Gustavo Corção encontrei esta pérola para, se possível, ser publicada por vocês!

Decidi fazer este pedido a vocês devido a tantos “doutores”, “mestres” e “intelectuais” que lhes fazem perguntas recheadas de “eu acho”! O “achismo” vem se reivindicando como a nova religião do século 21 para em seguida monstrar a sua verdadeira e maléfica face que é a tirania de se ter opinião pra tudo!

É claro que estou me referindo àqueles que “acham” de má-fé e, por orgulho, soberba, vaidade e ingratidão, se atrevem a formular perguntas como se a Igreja Católica não tivesse uma resposta muito superior as suas míseras “profundas” expectativas de “acharem” que são “intelectuais” demais e por isso mesmo não terão uma resposta á altura!

Ora, “a Igreja Católica não só pensou, como já pensou em tudo” (Chesterton).

Mas o que vemos no site da Montfort são resposta cheias de caridade, sabedoria, prudência e orientação para uma real e verdadeira conversão, pelo simples fato de nos comunicarem sempre a mesma sã doutrina da Igreja de Cristo, a Católica Apostólica Romana!!!

Ora, para uma pergunta baixa (“profunda”) somente uma resposta superior elevará a conversa!

Gostaria de vê, ao menos de vez em quando, os que “acham” ter certeza nas suas incertezas!

Receio que muitos deles têm uma certeza! Uma triste certeza: “Sei e estou certo de que a Igreja Católica Apostólica Romana é a única, por isso mesmo verdadeira, Igreja de Jesus Cristo, mas mesmo assim não quero segui-La!”

Meu Deus! Logo essa certeza? Livrai-os Senhor de tal abismo!

Eles “acham” tudo! Eles “acham” demais”! Mas quase sempre continuam perdidos!

Mesmo lendo e vendo as resposta com uma argumentação irretorquível eles continuam “achando”!

Eles só não “acham” que:

“Viu, poderia dormir sem essa!”

“Você perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado!”

“De maledicência, astúcia e dolo sua boca está cheia; em sua língua só existem palavras injuriosas e ofensivas”. (Sl 9,28)

“É do fruto de sua boca que um homem se nutre; com o produto de seus lábios ele se farta”. (Pr 18,20)

“Há ouro, há pérola em abundância; jóia rara é a boca sábia”. (Pr 20,15)

“Quem vigia sua boca e sua língua preserva sua vida da angústia”. (Pr 21,23)

“Acautelai-vos, pois, de queixar-vos inutilmente, evitai que vossa língua se entregue à crítica, porque até mesmo uma palavra secreta não ficará sem castigo, e a boca que acusa com injustiça arrasta a alma à morte”. (Sb 1,11)

“O coração dos insensatos está na boca, a boca dos sábios está no coração”. (Eclo 21,29)

“Bens escondidos em uma boca fechada são como preparativos de um festim colocados sobre um túmulo”. (Eclo 30,18)

“A boca fala daquilo de que o coração está cheio” (São Lucas 6,45 )

“Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido”. (São Mateus 12,36)

Bem disse um sábio: “Feliz o homem quando não tem nada para falar, cala-se”!

Por este ditado logo verificamos que atualmente poucos são os “felizes” e demasiados os “infelizes”!

Os que sempre “acham” acreditam “piamente” que tudo que os inimigos da Igreja Católica Apostólica Romana dizem e escrevem são verdades eternas que não precisam evoluir! Paradoxal demais! Pois logo eles que defendem a evolução!!! Na verdade o que eles falam não se escreve, pois não evolui!

Eis o artigo:

“ANTIGAMENTE CALAVAM-SE…
Gustavo Corção

Um amigo que se julga ateu ou não-católico telefonou-me outro dia, e logo me atirou pelos fios esta pergunta aflita: “Meu caro C. me diga uma coisa: a Igreja antigamente era ou não era uma coisa muito inteligente?”
Ia responder-lhe com ênfase: “Era!” Mas enquanto vacilei alguns segundos meu amigo desenvolveu a idéia: “Olhe aqui. Eu bem sei que antigamente existiam padres simplórios, freiras tapadíssimas, leigos ainda mais simplórios e tapados. A burrice não é novidade, é antiqüíssima. Garanto-lhe que ao lado do artista genial que pintava touros nas cavernas de Espanha, anunciando há quarenta mil anos a brava raça de toureiros, havia dois ou três idiotas a acharem mal feita a pintura.
— Mas, calavam-se, disse eu.
E logo o meu amigo uivou uma exclamação que trazia na composição harmônica de suas vibrações todas as explosões da alma: a alegria, a angústia, a aflição de convencer, a tristeza de um bem perdido e até a cólera…
— Pois é! CALAAAVAM-SE!!!
Contei-lhe então uma história de antigamente. Teria eu dezoito ou dezenove anos, e meu heróis dezessete ou dezoito. Ele era o aluno repetente de uma escola qualquer, e eu seu “explicador” de matemática. Eu sentia a resistência tenaz que, dentro dele, se opunha às generalizações matemáticas. Ficava rubro, vexado e alagado de suor.
Recomeçava eu a explicar certo problema quando ele, numa decisão brusca, me deteve e suplicou:
— Explica devagar, devagarzinho, porque eu sou burro.
Na outra ponta do fio meu amigo de hoje explodiu:
— Que gênio! QUE GÊNIO!!
Era efetivamente genial aquele moço de antigamente. Não segui sua trajetória e não sei se ele hoje amadureceu e desabrochou aquele botão de sabedoria em flor, ou se virou idiota e portanto intelectual. O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo “mutação” surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo “um mundo em mutação”.
Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?
— “Receio muito”, gemeu a voz de meu amigo, “você não leu os jornais da semana passada?”
— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.
— A descoberta do capim!
Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man, de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.
* * *
Estas reflexões amaríssimas, como diria o “agregado” de Machado de Assis, vieram-me hoje ao espírito depois da leitura de La Documentation Catholique, e principalmente depois da casual leitura de um volume encontrado entre outros livros de vinte anos atrás: O personalismo, de Emmanuel Mounier.
Nunca lera nada desse personagem que fundou a revista Esprit e que fez escola. Abri a página 42 da tradução editada pela Livraria Duas Cidades e li: “O homem é um ser natural”. Detenho-me nesta proposição seguida desta outra: “Será somente um ser natural?” E depois: “Será, inteiramente, um joguete da natureza?” Ora, é fácil de ver que nenhuma dessas proposições têm sentido, e nenhuma conexão se percebe entre elas. Ou então, se o leitor quiser ser mais exato, diremos que todo aquele fraseado joga com a polivalência te termos equívocos pretendendo com essa confusão transmitir ao desavisado adepto do “personalismo” um sentimento de profundidade ou de rara acuidade. O que quer dizer “um ser natural”? Dotado de natureza própria todos os seres o são, desde o átomo de hidrogênio até Deus. Tenho diante dos olhos o dorso de um livro de Garrigou-Lagrange: Dieu, son existance et sa nature. Logo, Deus é um ser natural. Se por natural se entende tudo o que pertence ao Universo criado, todos os seres, exceto o Incriado, serão seres naturais: a água, um gato, São Miguel Arcanjo. Se o termo natural se contrapõe a artificial, todos nós sabemos que um homem não é montado como um rádio de pilha, ou como uma máquina de costura. Logo, é um ser natural. Mas não se entende por que razão foi preciso fundar Esprit, lançar o progressismo, atirar-se nos braços do comunismo, comprometer Jacques Maritain, excitar tanta gente em torno de tão óbvia proposição.
Emmanuel Mounier já morreu coberto de glória há mais de dez anos. Podemos tranqüilamente dizer que era burro, apesar de tudo o que foi escrito em francês a seu respeito, como já podemos dizer tranqüilamente que Teilhard de Chardin era meio tantã. Dentro de cinqüenta anos ninguém mais saberá em que consistiu o “personalismo” de Mounier, ou o “phenomène humain” de Teilhard de Chardin. Essas obras foram o consolo e a volúpia de muitos leitores que, não entendendo nada do que liam, ao menos se aliviavam com este pensamento balsâmico: todos os livros são escritos para ninguém entender. E assim os idiotas do mundo tiveram um decênio ou dois de júbilo.
Passarão esses autores, mas se é verdadeira a descoberta das propriedades do capim, muitos novos autores surgirão a perguntar “se o homem é um ser natural”. Já se houve o tropel… Mas — quem sabe — talvez o próprio capim, entre suas virtudes estudadas em Estocolmo ou Copenhague, entre duas Pornôs, traga uma espécie de calmante que nos devolva o genial tipo clássico do burro que se conhecia e que não fundava revistas católicas nem rasgava novos horizontes para a Igreja.
(O Globo, 22/08/70)”

Muito prezado Maximo,
Salve Maria.
 
    Muito obrigado por suas palavras de elogio ao site Montfort, assim como pelo artigo tão inteligente e tão bem escrito — E com tanta verve! — por Gustavo Corção. Publicaremos com muito gosto sua carta e esse artigo estupendo de Gustavo Corção.
    Só numa coisa se enganou Corção nesse irônico e veraz artigo: foi quanto à duração da febre asinal dos idiotas ovantes.       
    Corção previa umas duas décadas de triunfo dos idiotas convictos e satisfeitos.
    Errou.
    46 anos depois da redação desse seu brilhante artigo, os burros continuam no pódio.
    Ufanos.
    E o conciliarismo e “o mundo em constante evolução” continua fixado na burrice e admirando Mounier e suas sandices muito personalistas e muito comprometidas com o comunismo, unindo Esprit e materialismo, como na Teologia da Libertação. 
    E o achismo continua, pois continuamos no reino sem sabedoria e sem verdade do Concílio Vaticano II.
    Não é mais dos púlpitos que nos caem sobre as cabeças as tolices do nova cleresia, mas das edições das editoras ditas católicas, expondo as descobertas dos novos teólogos, mas sim das “homilias” nas Missas-show.
    Creio que os novos pratos da culinária descoberta na Dinamarca a que alude Corção tornaram-se de consumo universal.
    Por toda a parte, há repastos e, sobretudo, pastos.
    E os relinchos se tornaram universais.
    Personalistas?
    Não!!!
    Pós modernos!
    Estereotipados!!!

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: Uma Nova Igreja? - Orlando Fedeli

Cartas: Bibliografia para estudo da Idade Média - Orlando Fedeli

Cartas: Católico tolerante - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais