Montfort Associação Cultural

7 de janeiro de 2005

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Ambigüidades do Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: João Ricardo
  • Idade: 27
  • Localizaçao: – Brasil
  • Profissão: Advogado
  • Religião: Católica

caros senhores:

li mais uma vez com agrado o vosso site,que embora eu nao concorde na totalidade e muito positivo.

vou entao expor os pontos de discordia:

1—quanto ao vaticano2 concordo que abalou a eucaristia e gerou a duvida em muitos catolicos o que me desagrada muito.

no entanto,se o espirito do concilio fosse cumprido nao teria havido aproveitamentos indevidos.na minha optica o problema reside no comodismo de alguns clerigos que ja nao pregam a cruz mas sim o camino largo sera uma manobra de outra organizaçao?

sera que nao se percebe que flexibilizar nao e desagregar?

e os ensinamentos de cristo face a abnegaçao e serviço aos outros?

concordo que isso do povo imperar pode dar como resultado uma vitoria ao marxismo ou neo marxismo aliado a ciencia imparcial racionalista ou misticismo gnostico .e facil acentuar a razao ou a vontade em deterimento do dever cristao ja o fizeram marx freus,darwin,rock,romanticos,etc(muitos).

mas mais uma vez acho bem que a missa seja um pouco mais flexivel que na antiguidade(sem negar a sua estrutura).

2—-no que toca ao evolucionismo nao poderia ser uma forma de deus criar-nos?

3—–o que pensam do opus dei?

que jesus os abençoe e maria tambm

ricardo(vosso amigo que rezara por vos)

Muito prezado Dr João Ricardo, salve Maria!

A grande polêmica sobre o Vaticano II é o núcleo de toda a crise da Igreja, em nossos dias. O fato de que o Concílio Vaticano II foi declarado pastoral por João XXIII e por Paulo VI impediu que esse Concílio definisse questões doutrinárias de modo infalível. Conseqüentemente, ele não obriga como os Concílios dogmáticos.

Ainda recentemente o Padre Blet, professor de História da Igreja da Universidade Gregoriana de Roma, e amigo pessoal do Papa João Paulo II, declarou que o Vaticano II não é dirimente, e que cada um pode pegar dele o que quiser, como também recusar o que quiser.

Além desse caráter meramente pastoral — não infalível –os textos do Vaticano II foram escritos propositadamente de modo “diplomático”, isto é, de modo ambíguo, podendo ser interpretados de várias maneiras.

Quem declarou que os documentos do Vaticano II eram escritos de modo ambíguo foi o teólogo Schillibeekckx, que acrescentou: “depois do Concílio, extrairemos desses textos escritos em linguagem diplomática, aquilo que nos for interessante“.( Cfr Romano Amerio, Jota Unum). Portanto, não faltou malícia na redação “diplomática”, isto é, ambígua ou até equívoca., dos textos do Vaticano II.

O resultado foi a quase imediata divisão dos teólogos e dos fiéis, quanto à interpretação dos textos do Vaticano II.

Alguns se atém à interpretação literal deles. João Paulo II, Ratzinger, e os que seguem essa linha dominam, hoje, na Cúria Romana.

Outros querem interpretar os textos segundo “o espírito do Vaticano II”, e não segundo a letra. O líder desta corrente, atualmente, é o Cardeal Kasper. Seguem essa linha o Cardeal Martini, o cardeal Lehman, entre os mais importantes e conhecidos.

Os que defendem o “espírito do Vaticano II”, contra os que defendem a sua “letra”, querem a convocação de um futuro Concílio Vaticano III.

Afirma-se que estes defensores do “espírito do Vaticano II ” pretendem abolir todas as decisões dos Concílios anteriores e mesmo transferir a Santa Sé para Jerusalém. . Querem a ordenação de mulheres, o fim do celibato, etc.

Essa divisão é tão profunda que, em Roma, se teme que, no futuro e próximo Conclave, ocorra um Cisma como jamais se viu na História da Igreja.

Quanto ao “caminho largo”, jamais ninguém, pregou caminho mais largo do que o Vaticano II, com o ecumenismo e a liberdade de religião: hoje, devido ao Vaticano II, se pensa normalmente, que qualquer religião salva.

A Missa foi instituída por Cristo como renovação do sacrifício do Calvário. Isso não pode ser “flexibilizado”.

Quanto ao evolucionismo moderado, ele jamais pode ser aceito. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Se Deus tivesse tomado o corpo de um animal e colocado nele uma alma humana, ela funcionaria tão bem quanto um programa altamente avançado de computador num simples PC.

E depois, Deus não poderia tomar um macaco: teria que tomar dois, um macho e uma fêmea. E se tivesse sido assim, Eva não viria de Adão.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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