Montfort Associação Cultural

20 de julho de 2007

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Amar a Verdade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vítor
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Salve Maria!
Montfort e Prof. Orlando Fedeli,

Meu coração fica disparado só de estar começando a escrever esta carta. Há algum tempo estou para escrever-lhes, mas sempre desisto nas primeiras linhas, pois não me acho digno, tenho medo de algo, medo de falhar, talvez. Mas a certeza que eu tenho dentro de mim precisa ser mais forte do que isso. 
Já faz algum tempo (mais de dois anos) que leio o site da Montfort, quase todos os dias, já li vários artigos e cartas. 
Esta é mais uma carta de um jovem que realmente passou a admirá-los pela coragem e pelo amor que vocês transmitem com todo esse trabalho. 
Sempre me considerei um jovem católico e sempre tive muito amor pela Igreja sem mesmo conhece-la muito. Não tive uma catequese muito decente, afinal, é coisa raríssima hoje em dia nas paróquias por aí… Minha família, embora a maior parte seja católica, nunca foi um impulso muito grande para mim em relação à Igreja, pelas razões que conhecemos já: o modernismo e o relativismo que fazem tantos se afastarem sem nem mesmo se dar conta. 
É engraçado (agora que já percebo o meu erro e ignorância) eu lembrar que quando comecei a ler o site pelas primeiras vezes (achei em algumas pesquisas que fiz sobre temas católicos) ficava muito assustado e até mesmo com raiva de tantas coisas duras que vocês diziam até mesmo de “católicos”, nossos irmãos de fé. Não entendia o porquê de tanta raiva (é claro que hoje sei que não era raiva) contra todas essas pessoas. 
Nunca participei diretamente de nenhum movimento como o da RCC (nem tive muitas afinidades), mas o meio em que eu convivia e conhecia era esse, então me assustei quando descobri todos os erros que o senhor apontava nessa Igreja “moderna”. Demorei a entender isso, senti repulsa pelo site e pelo seu fanatismo; mas, por algum motivo, eu continuei a ler o site, pois os argumentos eram tão bons e lógicos, racionais e cheios de fé, que a minha razão me levava a concordar com tudo o que diziam, pois era mais sensato. E a minha fé em Cristo e na Igreja como guardiã da Verdade foi mais forte do que meu desejo de não ler tudo aquilo que me parecia tão impróprio e exagerado. Depois entendi que além de sensatez, tratava-se de dizer a Verdade, pois há uma Verdade, há a “verdadeira Fé católica, revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo e custodiada unicamente pela Igreja Católica na pessoa do Papa auxiliado pelos Bispos”, para usar as palavras de Sérgio Menezes numa das cartas respondidas. E comigo funcionou exatamente como muitas vezes o senhor, Prof. Orlando Fedeli, diz. A Verdade tem que ser dita e ela é uma Espada, que tem me atingido e ensinado muito. E tenho aprendido a amar a Verdade e a desejá-la cada vez mais. Admiro muito esse lado de vocês, o tom desafiante das respostas e dos argumentos, que atrai. Pois quem tem a Verdade, não deve temer. Essa idéia, aliás, tem mexido muito comigo e tem me dado coragem de muitas vezes defender a Igreja de Cristo de tantas calúnia, e mentiras que pregam contra ela. Porém, faço isso tão imperfeitamente e por culpa tão somente minha, que, muitas vezes, me sinto fraco, indigno e incoerente. É mais ou menos disso que eu falava no início desta carta: do meu medo de ser incoerente ao me expor, ou do receio que ainda insisto em ter (por alguma desconfiança boba) em buscar me aprofundar nas coisas quando tenho que me relacionar com o desconhecido, mais especificamente com outras pessoas. 
Muitas vezes me sinto sozinho na caminhada que tento seguir diariamente, pois já não encontro pessoas que pensem como eu tenho pensado, ou busquem conhecer como eu tenho querido conhecer, ou que concordem comigo e queiram também tentar viver inteiramente como servo do Senhor, a serviço da única Verdade, ensinada pela Igreja. A não ser, é claro, vocês da Montfort, que realmente me inspiram e são muito responsáveis por isso. 
Mas, ao mesmo tempo, quando eu vejo as oportunidades eu tento me esquivar de alguma forma, sempre arrumo um motivo. É por isso que acho que preciso contar isso nesta carta, para não perder a oportunidade. Oportunidade de agradecer, oportunidade de declarar que vocês são uma grande luz, um grande bem para tantas pessoas! Neste mundo de relativismo – em que aprendi História com um pensamento marxista impregnado, em que tudo parece ser permitido (e incentivado pelas novelas) porque é prazeroso, neste mundo em que vemos tanta ignorância – o que seria de mim (e de tantas pessoas que têm lido o site) se Deus não nos tivesse concedido a graça de ter esse site e essas pessoas que bradam com convicção e fé o tempo todo a Verdade ensinada pela Igreja, e, portanto, revelada por Cristo? Verdade que tanta gente (e muitas vezes eu ainda…) insiste em não ouvir…
Obrigado, obrigado, obrigado!
Mas hoje já sou capaz de defender com mais racionalidade a minha Igreja, a minha mãe Maria, tudo quanto for preciso, superando minhas dúvidas e timidez. E tenho defendido com mais racionalidade porque tenho aumentado minha fé; quanto mais eu vivo e estudo, mais eu amo e tenho certeza do caminho estreito e único (e necessário para a salvação) que Cristo nos disse que temos para chegar a Ele.
Por isso peço que continuem assim, e rezo para que Deus continue lhes dando toda a força, toda a coragem, e humildade, para que continuem fazendo essa bela obra. De conversão. De catequese. De amor pela Verdade e, portanto, por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Estou muito feliz especialmente nestes dias porque, se Deus quiser, estarei numa palestra que o senhor, Prof. Orlando Fedeli, fará em Brasília. E terei finalmente a oportunidade de conhecê-lo. Depois de tanta espera, estou decidido a começar a agir por mim mesmo e buscar cada vez mais conhecer e me aprofundar, para poder fazer o bom combate.
Permita-me agora, por último, usar a mesma “saudação final” que o senhor sempre usa nas respostas de suas cartas.

In Corde Jesu, semper,
Vítor

Muito prezado Vitor,
Salve Maria.
 
    Li com alegria e com emoção sua bela carta na qual transparece uma alma juvenil com suas incertezas, temores, e desejos ardentes de conhecer a verdade e de lutar por ela. Meu filho, anseio por conhecê-lo e dizer-lhe de viva voz: “Coragem!”.
    Deus é a nossa força.
    Foi Jesus que disse que nos ampararia, quando fôssemos questionados, e nos daria as palavras necessárias para transpassar e para converter.
    Gostei muito que você tenha percebido que é “o tom desafiante das respostas e dos argumentos, que atrai”.
    Sim. Essa convicção da verdade católica é que deve transparecer no estilo de quem é católico de verdade.
    É a Verdade de Cristo que deve arder em nossos lábios como uma espada de fogo.
    É a luz da verdade católica que atrai.
    Venha, então, conosco para lutar pela Igreja Católica.
    Não é este velho professor que o convoca. Quem o chama a aprender e a lutar não é a Montfort, que não tem importância maior, mas sim é a Igreja que nos pede que a defendamos, por estar ela, hoje, tão perseguida e tão abandonada.
    Lutemos, pois, meu caro Vitor, para bem defender a Jesus atormentado por tantas heresias e tantas traições. Consolemos a Nosso Senhor por nossa fidelidade.
    Venha.
    Vamos estudar.
    Vamos lutar.
    Um abraço de um velho professor a um jovem que quer ser heróico.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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