Montfort Associação Cultural

3 de fevereiro de 2010

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Alteração na oração "Pai Nosso"

Autor: Marcelo Fedeli

  • Consulente: Miguel Frasson
  • Localizaçao: São Carlos – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Professor da Usp
  • Religião: Católica

Caríssimos da Montfort
Salve Maria Santíssima

É patente que a Oração do Senhor, o Pai Nosso, em toda parte — nos Evangelhos, em latim, e antigamente em português — menos na nossa língua nos dias de hoje, diz

Perdoai as nossas DÍVIDAS
Assim como nós perdoamos OS NOSSOS DEVEDORES

ao passo que hoje o povo reza

Perdoai as nossas OFENSAS
Assim como nós perdoamos A QUEM NOS TEM OFENDIDO

Tem isso relação com o modernismo? Um amigo observou que a dualidade “ofensa X dívida” pode ter relação com a dualidade “culpa X pena”, onde a “culpa” é perdoada pelo Sacramento da Confissão e a “pena” purgada por indulgência de Deus. Isso tem algo de correção ou fomos longe demais?

Afinal de contas, PORQUE se alterou a Oração do Senhor? Temos um Pai Nosso “melhor” que o antigo? Não seria o caso do nosso clero fazer-nos (a todo o povo) voltar ao Pai Nosso de sempre?

Cordialmente,

Miguel Frasson

Caro Miguel, salve Maria!
 
     Agradeço a pergunta, muito oportuna, pois, de fato, parece que só na língua portuguesa houve a alteração no Padre Nosso, conforme você indica: DÍVIDAS substituida por OFENSAS e a expressão ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS OS NOSSOS DEVEDORES , por Assim como nós perdoamos A QUEM NOS TEM OFENDIDO
 
     Isso aconteceu pouco antes do Concílio Vaticano II. Em Missais do ano de 1957 já se encontram aquelas alterações, na linha de algumas modificações litúrgicas iniciadas naquele tempo.
 
     À época, diziam os progressistas de então, que a expressão “DÍVIDAS”  tinha um sentido muito “capitalista”… assim precisava sr alterado.
 
     Ora, quem nos ditou o PADRE NOSSO, com DÍVIDAS e DEVEDORES foi Nosso Senhor Jesus Cristo e por essa razão jamais deveria ser mudado.
 
     De fato, todos nós temos dívidas com Deus por todos os motivos, tanto no campo natural como no espiritual, tanto pelos bens naturais como nos bens espirituais que Deus nos deu de graça. Além disto, nós temos também dívidas pelas penas temporais decorrentes dos pecados que cometemos, pois o Sacramento da Confissão apaga as penas eternas dos nossos pecados, mas não as temporais que podem ser diminuidas e até apagadas por sacrifícios, orações, ou seja, por boas obras que viermos a praticar. Tais penas ainda podem ser apagadas pelas indulgências que a Igreja concede a determinadas práticas religiosas, podendo ser temporárias ou plenárias.
 
     E aqui se chega no nó da questão que já pretendia uma “aproximação” à doutrina de Lutero que afirma só a Fé ser necessária para a salvação, pois somos incapazes de praticar bons atos, além de que todos os nossos pecados JÁ TEREM SIDO PERDOADOS pelas morte de Cristo. Portanto, para Lutero, nada de confissões, nada de boas obras e nada de indulgências, que foi o motivo alegado por Lutero para eclodir a sua Reforma.
 
     Nós continuamos a rezar o Padre Nosso conforme Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou e a Igreja sempre pregou.
 
     Rezemos um Padre Nosso para que esta explêndida oração volte a ser rezada por todos conforme Nosso Senhor no-la ditou.
 
In Corde Jesu, semper,
Marcelo Fedeli



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Oração: “Pai Nosso”

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