Montfort Associação Cultural

18 de outubro de 2006

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Algumas considerações sobre a polêmica do Concílio Vaticano II e a Missa Nova

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Adilson Silva Correia
  • Localizaçao: Aracaju – SE – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Funcionário Público
  • Religião: Católica

Venho através desta carta lançar algumas dúvidas e luzes para o inteiro entendimento da questão que envolve a problemática do Concílio Vaticano II e suas repercussões na Doutrina e Liturgia da Igreja Pós-Conciliar.

Com a instituição deste Concílio, que se auto-intitulou de Ecumênico, parece que houve uma certa ruptura com os poderes eclesiásticos de então. De um lado -a maioria dos padres conciliares – os que aceitavam às mudanças propostas pela “Nova Ordem Conciliar”; do outro lado, os chamados “tradicionalistas”, que rejeitavam muitas das proposições elencadas pelo Bispos e Padres Conciliares de então.

Desta divisão resultou numa Igreja que já não andava e pensava de modo uníssono, pois os frutos não foram o que se esperava ser uma “Nova primavera da Igreja”, mas foram com um certo sabor de amargura e decepção para a cristandade.

Mas então me pergunto: Qual é a questão de fundo nisto tudo ? O Espírito Santo que é o guia e luz para a Igreja de todas épocas e tempos estava ou não presente neste Concílio ? Se estava, porque o resultado do mesmo foi tão desastroso para a “Ecclesia Dei” ? A assistência infalível do Espírito Santo prometido por Cristo Jesus para a Sua Santa Esposa tinha falhado neste momento ? Aonde estava a tão propagada Indefectibilidade e Inerrância da “Mater et Magistra” a guiar e iluminar os caminhos da humanidade rumo a Casa do Pai Celestial ?

São questões sensíveis que gostaria de uma resposta pormenorizada à luz da Doutrina e Tradição da Igreja como única portadora da Verdade revelada por Cristo Jesus. Para os Integristas, a Santa Igreja não seguiu o espírito dos Concílios anteriores que eram “Dogmáticos” e não “Pastoral”, como foi o último Concílio da Igreja. Mas então pergunto mais uma vez: Por ser definido como Pastoral, perde ele o caráter da assistência infalível do Espírito Santo ou não há nenhuma benção da Divina Trindade na condução da Sua amada Instituição ? Quais os efeitos de tudo isto para a Autoridade e Legitimidade da Igreja como a portadora das eternas e única verdades para as gerações futuras ?

Um ponto que chamo a atenção é sobre o dogma em si. Nas discussões em que leio no site da Montfort, não vejo sendo colocada a questão da Hierarquia dos dogmas de Fé. Sim, existe uma hierarquia dos Dogmas. A crença cristã de Adão e Eva e a história da maçã – embora todo o cristão deva acreditar neste valor de fé como o conhecimento das origens do homem, não tem o mesmo peso da crença da Encarnação Divina em Jesus Cristo, Sua Doutrina, Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Estas últimas têm o valor teológico absoluto de Verdade de Fé para nossa salvação. Enquanto que naquelas – a Doutrina da Criação Humana – por ser e refletir em símbolos que possuem uma linguagem enigmática e valores culturais de um tempo imemorial da história humana, tem um peso teológico relativo de valor de fé, embora, repito, deve ser crido por todos os cristãos na compreensão do conjunto na Doutrina da Salvação Bíblica.

Coloco todas estas questões candentes em discussão, pois acredito firmemente na condução da barca da Igreja por Nosso Senhor Jesus, conforme prometera a Pedro, que as portas do Inferno jamais prevalecerão sobre a mesma até o fim dos tempos ( Mt. 16, 18-19 ) e que o Senhor daria o Espírito Santo para relembrar todas as Verdades ditas aos Seus Apóstolos e por tabela ao Papas, Bispos e Padres posteriores.

Ora, diante de tudo isto, ou Cristo está na condução da Igreja ou não está mais presente na mesma; ou o Espírito Santo garantiu a Inerrância da mesma no último Concílio ou não deu garantia nenhuma e portanto a mesma é falível e humana. Não se pode haver meio termo mestas questões sensíveis de Fé.

Outro ponto que coloco em discussão é sobre a questão da Missa que os Tradicionalistas e os Senhores seguem, que é a Missa Tridentina. Segundo a argumentação dos Integristas, a missa deveria ser no Rito Tridentino em Latim, conforme o Missal aprovado pelo Concílio de Tentro. Neste ponto eu vou mais longe e questiono por que não deveria ser a Missa rezada na língua aramaica – língua esta falada por Cristo Jesus na época que esteve neste Orbe. Digo isto porque a rigor, teologicamente falando, somente houve na história religiosa uma única missa, que foi a celebrada por Nosso Senhor Jesus Cristo no Cenáculo quando da Instituição da Eucaristia na quinta-feira Santa. As missas que celebramos hoje são apenas a atualização – torna-se presente para os tempos hodiernos – o único sacrifício de Cristo Jesus feito de uma vez por todas na cruz. Sei que existe no Oriente Médio um grupo de cristãos que assim praticam a missa em aramaico. Se não estou enganado são os cristãos armênios.

Assim, a questão do vernáculo e as variações do significado do mesmo e simbologia nas várias línguas existentes no mundo seria dissipada pela instituição da linguagem aramaica única e universal dita por Cristo Jesus no dia da instituição da Eucaristia, obedecendo Suas intenções e cujos efeitos seriam profundamente salutares para toda a Igreja. Coloco este ponto para a reflexão e discussão dos Senhores e Tradicionalistas.

Sem mais para o momento, agradeço a atenção a mim dispensada.

(Autorizo a publicação desta discussão no site para todos os leitores ) .

Muito prezado Adilson,
Salve Maria.
     Antes de tudo devo dizer-lhe que o Concílio Vaticano II não se auto intitulou ecumênico. Ele foi realmente ecumêncio por decisão papal que convocou todos os Bispos católicos de todo o mundo. 
    Num Concílio, assistência divina do espírito Santo só se dá quando o Papa aprova com autoridade infalível uma decisão conciliar. É a proclamaçao dogmática solene de uma tese conciliar pelo papa que é o sinal da ação do Espírito Santo. Portanto, está errado pensar que o Espírito Santo se manifesta em tudo o que se faz num Concilio. Por exemplo, os Bispos modernistas do Concílio  Vaticano II apelidaram o barzinho que funcionava sob as arquibancadas da Basílica, de “Bar Abás”, isto é Barrabás.
Essa piada de mau gosto não foi causada pelo Espírito Santo.
     A promessa de assistência do Espírito Santo feita por Cristo à Igreja Católica significa que jamais um papa ensinará infalivelmente um erro. Quando o Papa ensina com os poderes dados por Cristo a Pedro, sobre Fé e Moral, para toda a Igreja, decidindo uma coisa e condenando a oposta aí o Espirito Santo assiste o papa e ele não pode errar.
     Se o papa tratar de economia, história, química, etc., ele pode errar.
     Um Concílio pode tratar de temas dogmáticos sem ser dogmático. 
     Recentemente, soube com espanto, que um padre que se julga tradicionalista, argumentou com um amigo meu que o Concílio Vaticano II era infalível porque emitiu documentos dogmáticos.
     Pobre padre que não sabe que tratar de um assunto dogmático não significa, necessariamente, tratar de modo dogmático ou infalível. 
     O assunto desta carta é dogmático, mas minha carta não é dogmática. Assim também, o vaticano fez documentos dogmáticos, mas não se pronunciou dogmaticamente, infalivelmente.
     Você está completamente errado na questão da criação do Homem. Tudo o que está na Sagrada Escritura sobre Adão e Eva é dogmático, e negar isso é heresia. 
     Na Sagrada Escritura nunca se falou em maçã. Isso é uma lenda. A sagrada escritura fala que o fruto proibido era o fruto da árvore da Ciência do Bem e do Mal. 
     Aconselho que consulte o site Montfort sobre isso. Coloque na janela google as palavras “pecado original maçã” e terá as respostas que precisa.
     O Espírito Santo nunca abandona a Igreja, mas o Vaticano II nunca foi dito pela Igreja que era um Concílio infalível. Você está fazendo uma grande confusão. Estude mais e reze antes de acreditar em suas opiniões e antes de escrevê-las.
     E saiba que o Espírito Santo que guiou a Igreja através dos séculos e a fez rezar a Missa em Latim, no Ocidente, dispensa a minha opinião — e a sua — sobre o que teria sido melhor fazer.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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