Montfort Associação Cultural

10 de fevereiro de 2005

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Ái dos ricos… em

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo Dorneles Gonçalves
  • Idade: 23
  • Localizaçao: Rio Grande – RS – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Digitador
  • Religião: Católica

Caros Amigos.
Venho acompanhando as discussões de vcs por este meio e notei muita agressividade de ambas as partes.
Tenho medo disso. As pessoas agressivas são as principais responsaveis pela destruição da Igreja de Jesus.
Falo aqui para os consevadores:
Com base no que fazem tais afirmações?
Se fazem na bíblia tais fundamentações, não sabem que a própria Igreja aqui no Brasil em harmonia total com o Vaticano estuda a Cristologia. Essa cristologia nos mostra um cristo real. Bem mais real que podemos imaginar. Um Jesus divino também. Mas acima de tudo um cristo que veio para todos, com opção preferencial pelos pequenos. Isso está escondido nas entrelinhas do evangelho e só quem tem capacidade e pureza suficiente pode entender isso.
Sugiro para os fundamentalistas que façam uma análise aberta da vida de Jesus. Vejam os métodos que utilizou para implantar o reino de Deus. Qual a importancia que dava ao coletivo. Analisem com carinho de vários pontos de vista e percebam é muito grande para somente ficar escondido atrás de um hostensório recebendo pedidos e adorações. Ele precisa de respotas nossas, e essas respostas só saberemos dar o dia que aprendermos a relacionar fé e vida.
Por fim, muito cuidado com a Bíblia, fundamentalistas. Ela sendo usada como vcs a usam podem ser fonte de muito dinheiro como fazem as Igrejas evangélicas, RCC, e comunidades consevadoras e elitizadas as quais vcs estão acostumados a frequentar…muito cuidado, porque isso não tem nenhuma identificação com o Jesus que devemos seguir..

Leonardo – Diocese do Rio Grande RS

RESPONDENDO  A  AGRESSÕES
 
                    OU
 
  ÁI DOS RICOS… EM  “OPÇÕES”
 
Muito prezado Leonardo,
Salve Maria!
 
    Sua carta o revela como um adepto da Teologia da Libertação. Da seita de Boff e quejandos, pois você fala de um Cristo que fez opção pelos “pequenos”.
   
    Copio a frase reveladora de sua “opção”  teológica:
 
     ”um cristo que veio para todos, com opção preferencial pelos pequenos. Isso está escondido nas entrelinhas do evangelho e só quem tem capacidade e pureza suficiente pode entender isso”.
 
    Ora, isso é falso, pois Cristo — como você bem o reconhece  — veio para todos.
    
    Então, como, logo em seguida, você afirma, que ele fez “opção preferencial pelos pequenos”?
 
    Já no Antigo Testamento se lê —nas linhas – claro! E claramente :    
 
    “O rico e o pobre se encontraram; o Senhor criou-os ambos” ( Prov.XXII, 2).
 
    Será que você pode me dizer o que está escrito entre essas duas linhas?
 
    Como está escrito também:
 
    “O pobre e o credor se encontraram; o Senhor é que ilumina um e outro”(Prov. XXIX, 13).
 
    O credor!
    O pré “capitalista”!
 
    De fato o sol ilumina a ricos e pobres, e Deus dá graças a todos. E há pobres bons, e há pobres maus. E há ricos maus, como há também ricos bons.
 
    Por exemplo, Abraão era rico e muito bom.
 
    Isso compreende quem lê o que está escrito nas linhas  -e que você apoda de fundamentalistas “sem capacidade e pureza suficientes” .
 
    Feliz você,  que pode rezar a Deus, dizendo:
    
    “Graças vos dou, Senhor meu Deus, porque não me fizestes um cego fundamentalista, que só lê e entende o que está escrito. A mim, Senhor, vós me destes “a pureza e a capacidade suficientes”, a graça de ter uma visão que lê o que não está escrito, mas o que quisestes dizer nas entrelinhas”.
 
    Se Deus, no Antigo Testamento – nas linhas— afirmou que  criou e ilumina ricos e pobres, sem opções de pessoas só por serem ricas ou pobres, o Filho de Deus, no Novo Testamento não veio salvar só uma classe de homens, nem faz acepção de pessoa, nem faz “opção” por alguém por causa da grossura ou da finura da carteira das pessoas. Deus não ama as pessoas pelo saldo positivo ou negativo de sua conta bancária.
 
    Deus Nosso Senhor faz “opção” pelos bons, pelos que guardam a Fé e obedecem os seus mandamentos.
  
    A estes Ele dará o Céu.     
 
    Aos demais, dará o inferno.
 
    Eterno.
 
    Isso está escrito nas linhas do Evangelho.
 
    Cristo não fez “opção” de pessoa, nos diz São Paulo:
 
    “Todos os que fostes batizados em Cristo, revestiste-vos de Cristo. Não há judeu, nem grego; nem há servo nem livre; não há homem, nem mulher. Todos vós sois um só em Jesus Cristo” (Gal. III, 28).
 
    Portanto, se não há mais, entre os cristãos, nem servos, nem livres, também não há mais nem ricos, nem pobres, diante de Deus, pois ricos e pobres, no Batismo somos feitos todos filhos adotivos de Deus. Está escrito, então, que Cristo não faz acepção de pessoas, não faz “opção” de pessoas por critérios raciais, nacionais, políticos ou econômicos.
    
    Isso é o que está escrito na Revelação.
 
    Mas, para você, entre o que está escrito e o que você diz que está entre as linhas, vale o que você afirma estar entrelinhas….
   
    O Evangelho conta, em sua linhas — e não nas entrelinhas – que Jesus foi amigo de Lázaro, que era rico, e que quem lhe deu um sepulcro rico foi uma pessoa importante e rica: José de Arimatéia.
 
    Jesus declarou bem aventurados os pobres de Espírito — não os pobres simplesmente materiais — e condenou os que vêem tudo sob o prisma do dinheiro, como “vêem” os cegos da Teologia da Libertação, através de seus óculos marxistas e materialistas.
 
    E é bem conhecido como fazem “opção” de viver na pobreza, em austeras celas de convento, certos frades, e até certos cardeais franciscanos, que recusam viver em bons apartamentos, ou em casas com piscina, como se fossem ricos capitalistas…
 
    Ái dos ricos!.. Bem aventurados os pobres de espírito!…
 
    Ái dos que se fazem de pobres e de campeões dos pobres, mas que vivem como ricos!
   
    Ninguém é mais rico espiritualmente do que um membro do MST e de ONGs socialistas, que vivem pensando em pegar o que é dos outros.
    
    Aliás, de onde será que vem o dinheiro das famosas ONGs esquerdistas que se multiplicam como cogumelos muito bem alimentados?
 
    E elas tem sempre muito dinheiro…
   
    Você critica a agressividade — “de ambas as partes” — nas polêmicas do site Montfort.
 
    Como você é imparcial e moderado!
 
    Como você é ponderado!
 
    Se eu fosse rico, eu o contrataria para conselheiro espiritual!
   
    E  você me diz que tem medo da agressividade. Vai ver que, sendo eu — a seu ver — tão agressivo e tão “fundamentalista”, além de ser bem pobre, que é por isso que você não aceita ser contratado por mim, como conselheiro espiritual.
 
    Você me testemunha seu medo:
   
    ”Tenho medo disso. As pessoas agressivas são as principais responsaveis pela destruição da Igreja de Jesus”.
 
    Não sabia que a Igreja de Jesus estava destruída. Não sabia que Jesus não conseguiu cumprir a sua promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam sobre a Igreja.
 
    Em que entrelinhas do Evangelho você leu – e compreendeu — que a Igreja Católica foi destruída?
 
    Que eu saiba, ela continua viva, e que a palavra de Nosso Senhor permanece para sempre.
 
    Que eu saiba, a Igreja Católica é imperecível e indefectível.
 
    Como você me garante que ela foi “destruída”?
 
    Volto à sua declaração de que você  tem medo da agressividade…
 
    Esse seu medo me intriga…
   
    Não compreendo isso…
 
    Como você defende teses e “opções” da  Teologia da Libertação e diz temer a agressividade?
    
    Por acaso você não sabe que  a Teologia da Libertação, seguindo Medellin, defende a liceidade do uso da força, para impor o socialismo contra a violência capitalista?
 
    Por acaso você não sabe que os Teólogos da Libertação, — Boffes, Bettos e Arns – defendem a legitimidade da guerrilha castrista e o seu paredón?
 
    Ignora que eles aceitam o lema que se atribui a Che Guevara: “Hay que endurecerse sin perder la ternura”.
O que quer dizer: fuzilem-se no paredón, os capitalistas e os fundamentalistas com balas de mel… calibre 38.
 
    Nada como morrer docemente…
 
    Um cantor nacional cantava, antes da Revolução cubana: “É doce morrer no ar nas ondas verdes do mar”.
 
    Os Teólogos da Libertação — aprenderam com Che e Fidel Castro — que, embora aparentemente seja duro, é também muito cheio de ternura morrer no paredón de La Habana!
 
    É uma”opção”!
    
    Da agressividade cubana e de suas guerrilhas “defensivas”, então, você não tem medo?
 
    Vai ver que assim como você faz “opções teológicas”, você faz também  “oções” de medos e de agressividades…
 
    Disso, desse espírito guerrilheiro e explosivo – literalmente explosivo — você não tem medo.
 
    Compreendo…
 
    Isso deve ser  porque a agressão castrista – como a preconizada pela Teologia da Libertação – é uma “contra agressão”.
 
    “Contra agressão” não é agressão.
 
    Seria uma forma de legítima defesa.
 
    A riqueza dos ricos proprietários, ainda que sem armas, é uma violência contra os proletários do PC, e contra os favelados.
 
    Como explicava o terno Dom Helder Cãmara, é a violência dos ricos proprietários, em suas cômodas mansões, que gera a violência dos proletários em suas favelas, como mera e terna resposta, ainda que dura.
 
    Ainda que dura, cheia de ternura!
 
    Sendo esta segunda violência meramente reacionária – oh ! Perdão! — sendo uma violência revolucionária, ela seria válida. Como recomendava o Che: apesar de ser dura, cheia de ternura.
 
    Curiosas as suas “opões” de medo…
 
    São seletivas.
 
    Opcionais, claro.
   
    Meu caro, sua declaração de ter medo da agressividade de polêmicas é puramente demagógica, para se apresentar como moderado e calmo. Para se fazer de bonzinho.
 
    Aliás, é preciso ler o Evangelho pelas entrelinhas — isto é, pelo que ele não diz, pelo que nele não está escrito – para afirmar ter medo da agressividade, esquecendo de que Jesus agrediu os vendilhões do Templo a chicote.
   
    Você não ouviu — nas entrelinhas do Evangelho — os gritos de dor dos vendilhões do Templo?
   
    Ou você fez “opção” de só ouvir, hoje, os sofismas dos vendilhões da Fé?
 
    E você me apresenta o fruto de seu estudo de Cristo: sua “Cristologia”.
 
    Isto é, a Cristologia da Igreja aqui, no Brasil, em harmonia total com a Cristologia do Vaticano.
 
    Garante-me você
 
    Que bom!
 
    Que bom saber que a Cristologia da Igreja, no Brasil, está em harmonia com a Cristologia do Vaticano!
 
    Ainda bem, não é?
 
    Só que o Papa João Paulo II, seguindo a Cristologia de sempre ensinada no Vaticano, acaba de recomendar, em vários documentos e discursos, que se deve retomar o antiqüíssimo costume da adoração perpétua de Cristo exposto no ostensório…
 
    Como você, me diz, então: “percebam[Jesus] é muito grande para somente ficar escondido atrás de um hostensório recebendo pedidos e adorações”.
 
    Meu caro, Leonardo, sua “Cristologia” não está em harmonia com a do Vaticano!
 
    Vai ver que João Paulo II não sabe ler nas entrelinhas.
 
    Quem sabe você sugira a ele que venha fazer um curso rápido de leitura entrelinhal na sua diocese de Rio Grande.
 
    O cursinho que você parece ter feito.
 
    E você, em sua leitura bíblica entrelinhal, me garante que você considera com a Igreja no Brasil, e com o Vaticano, na Itália,  que “Jesus é divino também!”
 
    Que bom!
 
    Ainda bem, não é?
 
    Eis abaixo a sua confissão de Fé entrelinhal, muito consoladora:
    “Essa cristologia nos mostra um cristo real. Bem mais real que podemos imaginar. Um Jesus divino também”.
 
    Que bom!
 
    Você acredita que Jesus foi divino também!
 
    Ainda bem, não é ?
 
    Só não entendi bem como entra a nossa imaginação para imaginar “um Jesus bem mais real do que podemos imaginar”.
 
    Nós, pobres mortais, que lemos as linhas das Escrituras e procuramos entendê-las à luz da interpretação dada pela Igreja, nós não nos permitimos imaginar Jesus.
 
    Aceitamos como Ele se nos mostrou no Evangelho, como a Igreja nô-Lo explicou em sua Cristologia.
    
    Sem imaginação.
 
    Dogmaticamente.
 
    Para nós, leitores de linhas, que procuramos conhecer a verdade à luz da Fé —e não da imaginação – Jesus é Deus e Homem. Ele é o filho de Deus feito homem.
 
    Só para vocês, adeptos da Teologia da Libertação, é dado usar a imaginação para conhecer as entrelinhas. Bem aventurados, vós a quem foi dado imaginar o que não foi revelado nas linhas, mas que está invisível nas entrelinhas!
 
    E ái dos, miseráveis “fundamentalistas”, que são cegos das entrelinhas, e que só lêem as linhas!
 
    Ái dos conservadores, que pretendem conservar a Fé e guardar as tradições!
 
    Vós sois enganados pelas linhas de Paulo que escreveu; “Guardai as tradições”“Tenete traditiones” (II Thess. II, 14).
 
    “Bem aventurados”, vós, Teólogos da Libertação, que optais pelas entrelinhas, e que, nessa Epístola de São Paulo, em vez de ler “Mantende as   tradições”, vós ledes, nas entrelinhas, “Mantende as traições”.
 
    Meu caro Leonardo, deixe de imaginações, e deixe de opções.
 
    Aceite o que a Santa Igreja sempre ensinou.
 
    Aceite simplesmente o que está dito no Credo.
 
    É o que lhe desejo, do fundo de minha alma,
 
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
 
PS. E não use etiquetas. E mais ainda não as coloque em lugar errado.
Não sou conservador, nem tradicionalista, nem capitalista e nem fundamentalista.
Sou Católico Apostólico Romano.
Só isso.
Graças a Deus.
Como sempre foram os Católicos Apostólicos Romanos.
E, nessa Fé, quero viver e morrer!
OF

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