Montfort Associação Cultural

6 de fevereiro de 2007

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Agradecimentos pela minha volta a Igreja de sempre!

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: José Aildo Carneiro
  • Localizaçao: Cachoeiro de Itapemirim – ES – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Enfermeiro
  • Religião: Católica

Saudações, em Cristo, a todos da Montfort!

Professor Orlando, como o senhor está?

Estou lhe escrevendo para agradecer pela sua resposta a minha carta, muito obrigado, professor, pois ela me alegrou profundamente. Por isso, gostaria de contar um pouco da minha vida, e minha trajatória dentro da Igreja. Como milhões de brasileiros, sou batisado, desde criança, e acompanhava meus pais as missas de domingos. Mas, ainda criança, meus pais se desviaram da Igreja, e começaram a frequentar cultos protestantes, e de várias denominações, enfim, foi uma época confusa, e que chegou a durar muito tempo, infelizmente. Por isso, acabei por “herdar” um pouco do pensamento protestante, mas, no meu coração, ainda tinha algo que não me deixava ser totalmente protestante, não sei dizer o que era, mas, talvez por isso, mesmo criança, tenha tido uma certa influência nos meus pais, pois nós depois de muito” bater cabeça”, retornamos para a Igreja.

Ao voltar para a Igreja Católica, entrei e fundo, na RCC, com suas pseudo-orações em linguas, e curas diárias, além de até ouvir falar, e muito, em exorcismos, à moda protestante, lógico, não poderia ser diferente! A princípio, nada via de errado nessas práticas, pois, por ignorância minha, achava isso correto, e ia viver em erro, se não fosse por dois detalhes importantes: primeiro, uma entrevista que eu assisti, na Canção Nova (tinha que ser lá… ), com uma das fundadoras da Renovação Carismática Católica, da qual não me recordo o nome, e achei decepcionante o fato de descobrir que esse movimento, que eu até então admirava, ter sido fundado sob o fundamento do protestantismo. Isso me deixou meio atordoado, e então, mesmo não saindo imediatamente do movimento, começei a ficar com o pé atrás, e fui me informar cada vez mais, e cada vez mais o que encontrei foram contradições. Aqui já gostaria de deixar minha primeira pergunta: como pode um movimento desses acontecer dentro da Igreja, e o que é pior, crescer cada vez mais, sem que as autoridades eclésiásticas tomem as devidas providências?

Mas, continuando, ainda assim não me afastei da RCC, só que comecei a ficar decepcionado com esse movimento, e pensava em como seria a Igreja, ou até mesmo a minha pessoa, fora dela (da RCC), pois até então não via “vida fora da RCC”, pois ela está em todas as esteras da Igreja, e o que eu vou dizer é a mais profunda realidade: A RCC está em quase tudo o que e a Igreja hoje em dia, sem exageros, pois como o senhor me disse, na sua resposta a minha carta anterior, que poderia vir aqui na minha cidade dar alestras para mim e mais algumas pessoas, então, não consegui formar um grupo, pois a todos os que eu falava sobre a montfort, inclusive a minha própria irmã, e minha mãe, não conseguia incutir neles que a RCc pode estar na Igreja, mas ela NÃO É A IGREJA. E é exatamente isso que está acontecendo, as pessoas, assim como eu, no começo, não conseguem visualisar nossa Igreja sem a RCC, isso é fato, pois fui até acusado de estar me tornado protestante! Eu, que luto contra o protestantismo na minha Igreja!
O segundo, e mais importante motivo para eu abandonar de vez esse movimento, foi, com certeza, a descoberta do site montfort, através de uma pesquisa sobre Nossa Senhora de Fátima, e foi a primeira vez que ouvi falar que o Concílio Vaticano II errou, ou foi, no mínimo, mal interpretado. E isso foi um choque, pois acreditava que esse concílio foi um dos mais importantes para a Igreja. Mas, não fiz como a maioia das pessoas que eu conheço, pois mesmo não concordando, a princípio, com o posicionamento da montfort, fui a fundo, investiguei, e pude constatar que o CVII errou, sim, e trouxe vários erros para o seio da Igreja, como a Teologia da Libertação, e a já citada RCC.

Aqui já gostaria de deixar algumas perguntas, se o senhor permitir: é verdade que o CVII deixou algum documento dotado da infalibiliade papal? Esse concílio, mesmo sendo pastoral, pode ser considerado parte do Magistério da Igreja? Se sim, somente por esse fato, ele poderia ser considerado infalível?

Gostaria de finalizar por aqui minha já grande carta, e lhe agradeçendo, professor, por todo o carinho e atenção que o senhor dedicou a esse humilde aluno, e também lhe peço mil desculpas pela demora em retornar a escrever ao senhor, e quero dizer, do fundo do meu coração, que gostaria, e muito, de conhece-lo pessoalmente, e lhe dar um forte abraço, professor Orlando, pelo imenso bem que fez e faz a minha pessoa, serei eternamente grato ao senhor, pois, sou um leitor assíduo do conteudo do site montfort, e estou sempre, quase diariamente, lendo algo publicado nele.

Muito obrigado por tudo, professor, mestre, e meu amigo, Orlando Fedeli, que Deus lhe conceda muitos anos de vida, e lhe conserve a coragem de combater o bom combate!

Do seu aluno;
José Aildo

Muito prezado  José Aildo,
Salve Maria.
 
    Dou muitas graças a Deus por seu retorno à Igreja. E foi a graça de sua conversão que o fez perceber logo que a RCC era de origem protestante.
    Você me pergunta como se permite que um movimente protestantoso como a RCC prolifere na igreja, sem que as autoridades tomem providências contra.
    Infelizmente, isso também se deve por na conta do Concílio Vaticano II e de seu ecumenismo. Pois se o Vaticano II defendeu o ecumenismo, e o diálogo com os hereges, por que rejeitaria a RCC, filha do protestantismo? Portanto, a proliferação dos erros pentecostais carismáticos na Igreja é conseqüência do Modernismo do Vaticano II.
    O Concílio Vaticano II não foi dogmático, não proclamou nenhum dogma, e não fez nenhum pronunciamento infalível. Veja o que disseram a esse respeito o próprio Papa Paulo VI e o Cardeal Ratzinger, hoje, Bento XVI:
    Em Janeiro de 1966, Paulo VI disse que no Concílio Vaticano II não houve solenes definições dogmáticas ex-cathedra. Evitou-se proclamar dogmas em forma extraordinária. 

Há quem se pergunte que autoridade, que qualificação teológica o Concílio quis atribuir aos seus ensinamentos, pois bem se sabe que ele evitou dar solenes definições dogmáticas envolventes da infalibilidade do Magistério Eclesiástico. A resposta é conhecida, se nos lembrarmos da definição conciliar de 6 de março de 1964, confirmada a 16 de novembro desse mesmo ano: dado o caráter pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu a seus ensinamentos a autoridade do supremo Magistério Ordinário“. (destaques meus)
   

    No Concílio Vaticano II, disse Ratzinger, “não há dogmas, nem mesmo na proposição sobre a sacramentalidade do episcopado. Resta, portanto, dar uma explicação positiva, isto é, que grau de certeza apresentam os textos promulgados? Esta questão não ficou de todo clara, nem mesmo com as palavras da comissão teológica.” (Joseph Ratzinger, Das Neue Volk Gottes – Enwürfe zur Ekkleseologie, Patmos-Verlag, Düsseldorf, 1969, trad. br. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus, São Paulo, Paulinas, 1974, p.190, destaques nossos).
 
    O Concílio, por declaração de Paulo VI, pertence ao Magistério Ordinário da Igreja. Ora, o Magistério Ordinário so é infalível, se repete o que a Igreja sempre ensinou. E o Concílio Vaticano II não repetiu o que a Igreja sempre ensinou.
    Além disso, todo Magistério tem quer ser claro e não ambíguo. Magistério que cada um pode interpretar à sua maneira não é magistério. Logo, o Vaticano II não ensinou infalivelmente nem como Magistério Ordinário.
    Também, finalizando, quero lhe dizer que o tenho como amigo e aluno muito particular. Se Deus quiser ainda irei à sua cidade, um dia, para lhe dar meu abraço pessoalmente. Deus o guarde e a todos os seus.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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