Montfort Associação Cultural

10 de outubro de 2005

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Agradecimento e dúvida sobre Concílios

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rodrigo L. G. Silva
  • Localizaçao: Ribeirão Preto – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Farmacêutico
  • Religião: Católica

Sr. Orlando e amigos da Monfort.

Venho através desta agradecer e também perguntar. Primeiramente agradecer, pois sinceramente, a Montfort trouxe o reavivamento da minha fé e uma mudança de vida, não só minha, mas como de muitos amigos aqui, na qual fiz a indicação do site, inclusive estou escrevendo por todos. Digo até mudança de comportamento, pois o que antes, eu evitava discutir com pessoas de outras religiões (evangélicos principalmente), creio por não ter uma base tão sólida e preferir a humildade de tentar achar um meio termo nas discussões, hoje tenho embasamento e conhecimento suficientes pra poder discutir e “impor” o verdadeiro ensinamento cristão, tudo graças ao seu site. Realmente a Montfort está sendo uma escola pra mim, pq o que eu estou aprendendo com vcs está servindo, e muito, pra eu abrir os olhos contra o perigo eminente das seitas, dos movimentos, dos partidos, enfim, considero-me outra pessoa, de olhos bem abertos pra tudo. Apesar de ser novo (28) sempre gostei das coisas mais tradicionais da Igreja, da “missa antiga”, do canto gregoriano que o padre da paróquia introduzia na missa, das belas Igrejas e cerimônias e sempre quis me aprofundar nos assuntos pertinentes a ela, e me identifiquei muito com a Montfort, pelo conhecimento e didática que vcs tem, colocados de uma forma “clássica”, num estilo que classifiquei como “tolerância zero”, que agradou muito a mim e a todos aqui, e hoje acho que é assim que se deve tratar. Sr. Orlando, considere que o senhor tem admiradores que realmente estão orando muito pelo senhor e pela associação. Agradecemos por todo ensinamento colocado a disposição de nós leigos.Obrigado de coração.

Minha pergunta é a seguinte: Não sei como, quando e em que casos se convoca um novo Concílio, mas com tantos movimentos criados dentro da Igreja e a dispersão de alguns do ensinamento tradicional e a entrega ao modernismo e ao ecumenismo, o senhor acha que seria viável a convocação para um novo Concílio para tentar resgatar os princípios católicos ou não haveria necessidade disso, apenas uma imposição maior do Papa seria acatada por todos? Se sim, o senhor acha que a partir daí, poderia haver uma união maior da Igreja ou seria perigoso haver novos cismas? Quais seriam os critérios para a convocação de um novo concílio?

Que Deus abençoe a todos vcs. Muito obrigado

Muito prezado Rodrigo,
salve Maria!
 
    Sua carta me trouxe viva alegria e uma grande felicidade.
    Já comparei meu trabalho, aqui, no site Montfort, à lida do semeador que joga a semente e nem sabe onde ela cai.
    De repente, ele vê, um dia, espigas douradas balouçando ao vewnto e ao sol.
    Que alegria!
    Para mim, que estou bem velho, cansado e mesmo sofrendo um tanto, “que a voz tenho rouca e enfraquecida”, é uma alegria e uma grande consolação ver que Deus continua a abençoar o campo em que semei.
    Agora, você me manda sua bela carta que me faz saber que tenho mais um amigo e mais um companheiro de cruzada em Ribeirão Preto!
    E você me anuncia não só uma espiga, mas me diz de vários outros que estão com você, lutando pelo Igreja Católica.
    Que Deus os abençoe!
    Como eu quisera estar ainda hoje aí, em Ribeirão, para conhecê-los!
    Neste mês, tenho várias viagens marcadas, mas, logo que puder, irei vê-los e, quem sabe, dar-lhes uma palestra.   
    Quando julgam que isso lhes seria possível?
    Anseio que seja logo!
    Escreva-me dando os nomes de todos, porque quero, pelo menos, saber já os nomes daqueles que Deus suscitou para a luta em prol da Fé, lendo minhas pobres cartas. Diga-me o quanto antes os nomes de todos. Conte-me quem são, e como se conhecem. Como se reúnem. Contem-me saus lutas. Contem-me tudo.
    Tudo. Porque já os tenho como os Amigos da Montfort de Ribeirão Preto.
 
******
    Passo a responder sua pergunta.
    O Papa pode convocar um Concílio, quando quiser.
    Convocar um novo Concílio, atualmente, teria imensos problemas materiais e doutrinários. E os doutrinários seriam bem mais graves que os de organização…
    Ainda agora, domingo, vai começar o Sínodo contra os abusos praticados na Missa .
    Muito provavelmente haverá grandes disputas, porque os modernistas não aceitam o que o Papa manda, e ameaçam separar-se da Igreja.
    Na última reunião dos Bispos, em Itaici, soube que houve muitos Bispos protestando contra o Papa Bento XVI, porque ele mandou restabelecer os confessionários nas igrejas, e com a grade, para quem se confessa.
    Imagine você, agora, o que acontecerá, quando o papa vai exigir que não haja mais rock, cuíca e bateria nas Missas! Imagine a tempestade, quando o Papa for propror — ou melhor, mandar – que os padres rezem as Missas de costas para o povo. Vai ser o fim das Missas show. Em certos locais será o fim da “pagodeira”. O fim da auto demolição da Igreja.
    Os modernistas não tolerarão isso.
    Há um princípio que diz que, quando há uma grande crise, não se convocam assembléias, que só criam tumulto e impedem medidas rápidas e urgentes.
    Se há um incêndio num navio, o capitão deve mandar, e não convocar uma assembléia dos marujos e dos passageiros para se discutir o que fazer. Antes que termine a discussão, o navio afundou.
    Se um prédio pega fogo, é loucura o síndico convocar uma reunião dos condôminos para decidir que medidas tomar.
    Assim também, a crise atual da Igreja exige uma medida decisiva do timoneiro da Barca de Pedro. Só um Papa, usando todo o seu poder, pode mandar o que deve ser feito. E, quando esse Papa mandar, os modernistas se revoltarão e o matarão.
    É o que se vê na visão do Terceiro Segredo de Fátima: um Papa que caminha “vacilante e cambaleante” para um monte encimado pela Cruz. Para um Calvário. E o altar da Missa é um Calvário onde se renova, se atualiza o único sacrifício do Calvário.
    Será Bento XVI esse Papa que marchará “vacilante e cambaleante” para um monte encimado pela Cruz? Para o martírio ?
    Só Deus o sabe.
    Na luz pálida e nebulosa em que se misturam a profecia e a História, nada vemos claramente. Sabemos apenas que haverá um Papa que caminhará “vacilante e cambaleante” para um monte encimado pela Cruz e para o martírio.
   Bento XVI, por vezes, parece caminhar “vacilante e cambaleante” no caminho da liberação da Missa, na direção da promulgação de um Novo Edito de Milão para a Missa de sempre.
    Será ele o Papa da visão de Fátima?
    Só Deus o sabe.
    Mas o Papa que realizará a visão do Terceiro Segredo, caminhando “vacilante e cambaleante” para o Calvário, se parecerá muito com Bento XVI. E tanto que se pode perguntar, pelo menos, se Bento XVI não o prefigura, tanto se parece com ele.
    Tanto que não se sabe se Bento XVI parece com ele, ou se é ele que parece Bento XVI.
    E se eu estiver enganado nessas conjeturas?
    Só ficará provada uma coisa que sei há muito tempo: que sou inacertante. 
    Só ficará provada uma segunda coisa: que desejei tanto, tanto, o triunfo da Igreja, que cheio de desejo fixo o horizonte onde nascerá o Sol, esperando o primeiro raio de luz no horizonte negro e longínquo. Como o vigia, no alto da gávea de um veleiro olhando e esperando o horizonte
    Custos quid de nocte?
    O primero sinal da alvorada e do fim da tormenta. O primeiro sinal do Porto e da praia esperada.
    Deus amanhece bem devagar.
    Mas amanhece!!!.
    Um dia!… Um dia!!!…
    Um dia amanhecerá!!! 
    Rezemos pelo “Sol” da Igreja.
    Rezemos pelo Papa, e pelo triunfo da Igreja.
    Desiderium desideravit. 
    Desejei com grande desejo.
    Deus amanhece devagar.
    Bem devagar…
    Se ainda não é de manhã, a luz de Deus já resplandece no horizonte.
    Deus amanhece devagar.
    Bem devagar.
    Mas amanhece !!!
    Sursum corda!
    Amanhece!!!
           
******
 
    Que Deus amanheça nas almas de meus novos Amigos da Montfort em Ribeirão Preto.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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