Montfort Associação Cultural

23 de agosto de 2005

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Aderir ao Papa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcelo Delfino
  • Idade: 28
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Católica

Prezados irmãos em Cristo Jesus

Nesta hora em que oramos e agradecemos a Deus por nos ter dado por 26 anos um Papa tão dedicado à sua missão, como foi o saudoso João Paulo II, e também pedimos que Ele acolha a alma de nosso recem-falecido pontífice, gostaria de lançar algumas perguntas que os membros da Associação Montfort, conscientes de seus deveres de católicos, saberão responder sabiamente.

Nosso dever, enquanto católicos, é aderir totalmente ao Papa, guardião maior da fé católica apostólica e da moral.

Não importa quem seja o Papa.

Todo Papa é infalível nestas tarefas primordiais (guardar a fé e a moral), pois tem o Espírito Santo como orientador, e o próprio Jesus prometeu a Pedro, com relação à Igreja: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Convenhamos que a apostasia por parte do Papa ou da Igreja seria a maior “prevalência das portas do inferno” possível, mas é a própria Trindade Santa quem providencia a fidelidade do Papa e da Igreja.

Sempre foi assim, e assim continuará sendo.

É por isso que apóio o slogan que li certa vez, no portal da Montfort: “Viva o Papa”!

Sou contra slogans tipo “Viva Leão XXIII”, “Viva Pio XXI”, “Viva Pio XXII”, “Viva João XXIII”, “Viva Paulo VI” ou mesmo “Viva João Paulo II”, pois, ao meu ver, isto pareceria apenas uma adesão exclusiva ao ocupante atual da cátedra de Pedro, parecendo que o compromisso se encerraria com a sua morte, não havendo compromisso com os papas dos pontificados seguintes.

Aderir exclusivamente ao Papa do tempo presente, sem aderir incondicionalmente aos seus sucessores, é atitude típica destes hereges e/ou pagãos que elogiam o Papa quando ele faz algo que lhes agrade, e logo depois o criticam, quando o pontífice os desagrada.

Sabendo que a fé e a moral são os únicos pontos que unem perfeitamente todos os papas (devido à assistência do Espírito Santo e às promessas de Jesus), é possível apontar várias diferenças entre os papas, nos pontos secundários ou seculares (ou seja, que não envolvem fé ou moral).

É por isso que falam tanto que o clero atual, incluindo os membros do Conclave, se divide, nestas questões secundárias, em “conservadores”, “moderados”, “progressistas” ou outros adjetivos usados pelos intelectualóides de plantão ao bel prazer.

Já que fiz uma exposição prévia dos motivos de minhas perguntas, posso agora lança-las.

Qual será o posicionamento da Montfort perante o próximo papa:

- Se ele continuar permitindo a existência das apostasias milenaristas e/ou “carismáticas” (e suas “orações em línguas”, suas semelhanças com o adventismo, etc) dentro da Igreja?
- Se, pelo contrário, ele combater estas apostasias milenaristas e/ou “carismáticas”?
- Se ele continuar permitindo a existência dos grupos “católicos” influenciados pelo marxismo, pelo comunismo ou pelo marxismo (teólogos da libertação e outros grupos)?
- Se, pelo contrário, ele combater estes marxistas ou assemelhados?
- Se ele continuar permitindo a invasão do liberalismo na Igreja?
- Se, pelo contrário, ele combater a invasão do liberalismo na Igreja?
- Se ele continuar permitindo a influência do Modernismo na Igreja?
- Se, pelo contrário, ele combater a influência do Modernismo na Igreja?
- Se ele continuar mantendo o diálogo com os católicos orientais e/ou com os protestantes?
- Se, pelo contrário, ele quiser colocar este diálogo nos termos corretos (de que o único futuro correto é todos voltarem a ser católicos)?
- Se ele continuar mantendo o diálogo com líderes não-cristãos (judaístas, islâmicos, budistas, hinduístas, etc)?
- Se, por outro lado, ele perceber que a fé católica apostólica não pode se misturar com estes credos?

Talvez alguém me pergunte: “Ah, então você não gostou do pontificado de João Paulo II, pois ele permitiu isto tudo e participou pessoalmente de algumas destas coisas”.

Eu respondo: gostei do pontificado de João Paulo II, sim. Não só do dele, mas também dos de Paulo VI, de João Paulo I (estes três, os papas da Igreja, nestes meus 30 anos de vida), de São Pedro e de todos os outros.

Porque todos foram fiéis a aquelas promessas de Cristo Jesus, e mantiveram intactas a fé e a moral transmitidas aos apóstolos.

E é isso, somente isso, que me importa, com relação a qualquer Papa.

Quanto aos outros aspectos dos pontificados de João Paulo II, de todos os antecessores e de todos os sucessores, prefiro deixar o julgamento para o Juiz dos juízes. Deste Juiz, nenhum Papa e nenhum de nós escapará.

Estou pronto a aderir incondicionalmente ao Papa que for eleito pelo Conclave a ser iniciado nos próximos dias. Seja ele quem for.

Queria encerrar com uma perguntinha curta:

Notei que o cardeal Joseph Ratzinger é o preferido pela Montfort. E o que vocês diriam, se ele se tornasse Papa agora?

Agradeço antecipadamente pelas respostas.

Muito prezado Marcelo,
Salve Maria!
 
    Concordo com todas as suas afirmações sobre a adesão que os católicos devem ter ao Papa, qualquer que ele seja, e ainda que sua política pessoal não nos agrade.
    Concordo também com você no que diz de tantos Padres e Bispos que, agora, elogiam João Paulo II, só para estar na onda da mídia, mas que durante a vida do Papa João Paulo II jamais acataram ou obedeceram seus decretos, por exemplo sobre os confessionários, ou contra os abusos sacrílegos que se vêem nas Missas.
    Quanto mais escândalo causam certos teólogos que largaram  a batina, e dirigem Cursos de Teologia – até na PUC – e se atrevem a propor modelos de Papas a serem eleitos, segundo suas perspectivas heréticas.
    Você me faz perguntas com muitos “ses”.
    Respondo-lhe de modo genérico.
    O dever do fiel é sempre o de aceitar o que o Papa ensina ex cathedra e também no seu Magistério ordinário, desde que ele repita no Magistério Ordinário o que sempre a Igreja ensinou.
    Se um papa ensinar pessoalmente, como pessoa particular, algum erro ou mesmo heresia, o que diz São Roberto Belarmino é que se deve resistir ao ensinamento errado, sem contestar a autoridade do Sumo Pontífice, nem negá-lo como Papa.
    Negar a autoridade do Papa como fazem, hoje, os chamados sede vacantistas é cair em cisma e muito possivelmente em heresia.
    Nesse sentido, a Montfort não tem preferência por qualquer Cardeal atual para ser eleito Papa.
    Aquele que for legitimamente eleito será o Papa, e a ele nos submetemos antecipada e inteiramente.
    Nessa questão não podemos esquecer que Deus age, e que Deus pode fazer de um Cardeal muito ruim doutrinariamente falando, um excelente papa. Pois se Deus pode fazer das pedras filhos de Abraão, porque não poderia fazer de um Cardeal mau um santo Pontífice?
   “Oremus pro pontífice”.
    E pela Igreja.
    Sempre.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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