Montfort Associação Cultural

13 de julho de 2009

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Abusos em Missas celebradas no Rio Grande do Sul

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anonimo
  • Localizaçao: Xyz – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Boa tarde, professor O.Fedeli:

Espero que esteja bem de saude e animo forte.
Talvez se lembre de mim. Escreví-lhe alguns e-mails e lhe fiz uma visita ficando hospedada na casa da Lucia a quem mando lembranças bem como a sua família. Tambem apresento minhas lembranças à sua esposa.
Como talvez o senhor se lembre, eu estava pra me mudar pra uma cidade da serra gaucha, acabei indo pra outra, mas de qualquer forma estou na mesma região. Estou morando na cidade de Y/RS e trabalhando em cidades dessa região.
Professor, eu gostaria de entender porque aqui nessa região tão católica (todos descendentes dos primeiros colonos italianos), e fé católica tão enraizada, parece ser o centro, o reduto, a raiz do que o senhor chamaria “o modernismo”, na igreja do país. É estranho… é triste ver como esvaziaram a fé e a missa por aqui! Nem nas garndes capitais do país, ví semelhante coisa, semelhante desrespito, semelhante desobediência, semelhante desprezo pelas normas da Igreja. O povo parece meio abestalhado, aborrecido, mas inerte, como se realmente nada pudesse fazer. Se puxo conversa com um ou com outro, todos demonstram insatisfação mas parece que não são capazes de ir além disso. Se a gente critica um pouco mais eles se encolhem como a dizer “não nos diz respeito”.
Professor, eu sei que pro senhor a missa nova, qualquer que seja, é ruim. Mas o senhor há de convir: na falta de outra… que nos resta? Faltar a missa de preceito? E o exemplo para os filhos como fica? Ainda mais quando eles ainda não tem condição de compreender a atual situação e as vezes pouco falta pra descrerem de Deus ou entrar numa igrejinha protestante.
Mas o que eu queria era primeiro pô-lo a par do que acontece por aqui, afinal o senhor tem um site, pode ser útil. Depois perguntar-lhe se o senhor acha que há algo que eu possa fazer… além do que já fiz.
O vigário de uma paróquia (com mais ou menos 25000 pessoas) não faz ofertório (limita-se a levantar a patena e o calice juntos na hora do refrão do canto, isso se não estiver tocando violão, se estiver não faz nada, nem a oração de oferecimento das espécies, haja vista que canta o tempo todo. Desnecessario é dizer que não lava as mãos nem mais nada) e aqui vai uma pergunta: “Sem ofertório acontece a transubstanciação?”
A oração eucarística ele inventa na hora, mas é sempre pobre e as vezes ridícula, pra não dizer teologicamente errada. Não cita o papa nem o bispo (nem pelo cargo e muito menos pelo nome, o que me parece significar que não reza em comunhão com a Igreja romana). Por vezes não cita também a virgem Maria, nem os apóstolos, nem reza pelos falecidos. Oração de coleta e de ação de graças, quando tem, é criada na hora (cheia de abobrinhas). Leituras, bem , o senhor sabe, na missa nova são quatro (uma do AT, uma de epístolas ou do apocalipse, um salmo e uma do Evangelho) geralmente é feita só a da epístola e a do Evangelho, mas muitas vezes corta a epístola, e por duas vezes assisti missa em que não houve nenhuma leitura, sequer do Evangelho (coincidentemente nesse dia ele chamou os fiéis que alí estavam de preguiçosos porque não lêem a biblia em casa).. Alias ele fala muito da Bíblia, sacudindo-a de um lado pro outro como numa propaganda de sabonete.
Na semana santa ele conseguiu celebrar a missa de Ramos em 35 minutos, e foi uma celebração tão frustrante e aviltante que decidi não participar de mais nada nem da missa da vigília que é a mais significativa do ano litúrgico, apenas fui a missa no domingo de Páscoa numa cidade próxima. Qual não foi minha surpresa ao ver quase a mesma coisa acontecendo por lá?! Em cima da hora de começar a missa estavam escolhendo os leitores que, é claro, tropeçaram bastante nas leituras impedindo a compreensão das mesmas já que não tínhamos nada (nem mesmo folheto de missa) pra acompanhar. Altar sem vela, sem cruz, ofertório meio improvisado, também sem o lavar das mãos… Oração Eucarística meio capenga, umas partes do missal e outras inventadas… e por fim, pasme! Mudou as palavras da consagração do vinho, dizendo apenas “Ele tomou o copo, agradeceu e deu aos seus amigos, dizendo é o meu sangue que é dado por voces”. E nada de levantamento da hóstia ou genuflexão depois da consagração (aliás o outro padre tambem não faz isso).
Minha segunda pergunta: Aconteceu dessa vez a transubstanciação? O que eles fazem e dizem define essa presença ou só a Intenção? Será que esses padres com nítido desprezo pela Liturgia e sem fé no Presença real do sacramento tem a tal Intenção de consagrar? E se não tiverem, que estaremos recebendo? Pão? Cristo?
Minhas dúvidas são tais que raramente comungo. Só quando aparece um padre um pouquinho mais confiável e assim mesmo se ele distribuir hostias consagradas por ele naquela missa, pois se distribuir a do sacrário (que não sei quem nem se consagrou, prefiro não comungar pra não receber o Senhor com dúvidas). Mas infelismente eles geralmente só consagram uma hóstia e distribuem sempre as do sacrário. (Aliás, me pergundo: “ quando eles enchem o sacrário?”). Já soube até de um padre que ao terminar a comunhão pegou as hóstias não consagradas e misturou com as consgradas e guardou tudo no sacrário, pois estava precisando do recipiente.. Meu Deus!!!
Estou até com medo de estar ficando meio paranóica e tendendo a me afastar de tudo.
Já fui em outras cidades próximas (são centenas de cidades aqui de 8000 a 60.000 habitantes cada) e quase tudo está assim. Não que todos os padres sejam ruins mas mesmo os que parecem bem intencionados (que não é o caso dos que citei), acabam celebrando de forma inaceitavelmente desobediente às normas litúrgicas (antigas ou novas). Algumas dessas paróquias são de outra diocese,.
Eu penso ter feito o que podia: mandei um e-mail pro bispo, recebi resposta prometendo providências, fui pessoalmente lá falar-lhe depois de dois meses (pois nada havia mudado), repetí-lhe tudo cara-a-cara, ele me falou que “isso não é uma missa, é uma bagunça”. E ainda lhe contei outras coisas como o fato de crianças de primeira comunhão e crismando não serem ouvidos em confissão. Mas aparentemente não conseguiu mover uma palha. Mandei-lhe outro e-mail mais alguns meses depois mas ele não me respondeu. Mandei então um e-mail pro sr. Nuncio e quando liguei pra saber se haviam recebido, uma irmã (freira-secretária) disse que recebem mais de 800 e-mails por dia e não eles não têem condição de ler tudo (interessante, não!). Aí perguntei o que devia fazer pra que minha reclamação chegasse ao Nuncio. Ela disse pra mandar por fax. Mandei. E liguei pra saber se tinha recebido e ela disse que estava em suas mãos e passaria ao sr. Nuncio.
E lá se vão uns 4 meses e… pra não dizer que não mudou nada, mudaram um padre… um que era mais ou menos bom, e que parece não se dava bem com o vigário bagunceiro. Que coisa, não!!!
Soube que andaram fazendo um abaixo assinado pra tirar um vigário e ele não só não saiu como ainda esfregou o abaixo assinado (que foi parar em suas mãos) no nariz dos paroquianos descontentes, que provavelmente já debandaram da igreja, pois os que aí estão nada parecem acreditar poder fazer, como lhe disse.
Professor, o senhor deve conhecer muitos casos semelhantes, mas se puder e quiser denunciar este, fique a vontade, apenas não cite meu nome completo dessa vez, por motivos familiares. E se souber algo que possa me orientar pra fazer valer meus protestos, agradeço.
Paz e Coragem, Força e Graça, para o senhor e sua equipe, e que Deus tenha misericórdia de nós.
X

Muito prezada Dona X, Salve Maria!
 
     Lembro-me, sim, da senhora. Como vai? Obrigado por suas lembranças que comunicarei às pessoas que a senhora cita.
     O que a senhora me conta das Missas aí é de estarrecer. Até o Bispo diz : “Isso não é uma missa, é uma bagunça”.
     Como se chama esse Bispo?
     Seria interessante a senhora fazer um relatório completo citando nomes dos Padres e suas paróquias e dioceses e mandar para a Comissão Ecclesia Dei, e para a Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos em nome do Cardeal Cañizares.
     Querendo, eu poderei encaminhar o seu relatório para Roma. Só que para mandar para lá é preciso ter firma reconhecida. Porém, eles mantém segredo completo.
     Querendo então faça o relatório e mo envie, que cuidarei do caso.
     Sobre a Missa, procure um padre que consinta em celebrá-la, e fale com o Bispo se ele permite que um padre celebre a Missa de sempre.
     Sua preocupação com a Hóstia não é paranóia. É uma preocupação real. Misturar hóstias não consagradas com consagradas, impede de comungar.
     Na primeira sexta feira de Julho, irei dar palestras em Ipanema, a 60 km de Florianópolis. Não sei se lhe seria possível ir até lá. Caso fosse, poderíamos conversar mais em detalhes sobre o que fazer. A senhora me permitindo, publico sua carta tirando seu nome e seu e mail e até sua cidade, colocando apenas norte do Rio Grande do Sul.
     Sua carta causaria impacto.
     Que Nossa Senhora a proteja.
     Escreva-me mais amiúde.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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