Montfort Associação Cultural

13 de março de 2009

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Aborto e Excomunhão – Carta aos médicos

Autor: Lucia Zucchi

  • Consulente: Fabiane Machado Vilela
  • Localizaçao: Anápolis – GO – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Funcionária Pública
  • Religião: Católica

Comentário sobre o aborto de gêmeos da menina de nove anos ocorrido em Pernambuco:

Sou formada em Direito, especialista em Direito Penal e trabalho com casos de violência sexual contra menores. É muito triste ver a inocência de uma criança perdida em tenra idade. Porém, a indignação da sociedade deve ser debruçada sobre o autor do estupro, e não sobre o Arcebispo e, principalmente, não sobre os bebês que a menina esperava.

Jogou-se toda a repugnância referente à atitude do padrasto na gravidez permitida por Deus.

Conheço um caso de estupro praticado contra uma moça com paralisia cerebral. Os médicos disseram que ela não conseguiria levar a gravidez em frente, por ter mau formação do útero, e sugeriram a interrupção. A mãe da moça não permitiu que isso acontecesse. A gravidez prosseguiu, mesmo sendo de alto risco. O organismo da moça foi se adaptando a situação e ela deu à luz a uma criança saudável que ajudava a avó a cuidar da mãe. Doze anos após o nascimento dessa criança, a avó morreu, mas deixou a neta para cuidar da filha que necessitava de atenção especial. Se a gravidez tivesse sido interrompida, a moça com paralisia estaria desamparada. Deus escreve certo por linhas que nós enxergamos tortas.

Vi e li diversas opiniões sobre a atuação do Arcebispo ao excomungar todos os que participaram do aborto e, por várias vezes, tive vontade de rir sobre as opiniões a favor do aborto e contra a atitude do Arcebispo. Acho ridículo alguém que não tem conhecimento de um determinado assunto falar sobre ele com propriedade de doutor. Acaba sempre falando bobeiras. É o que o jornalismo das televisões e rádios estão fazendo. Os jornalistas não têm formação alguma sobre Direito e Doutrina Católica, falam besteiras e a população compra o que eles estão dizendo e saem repetindo por aí. As televisões sequer têm uma assessoria jurídica para ajudá-los a não falar bobagens ridículas.

Para exemplificar, há alguns dias, assisti no Jornal Nacional uma reportagem sobre trânsito e motocicletas, na qual a jornalista falava sobre as imprudências dos motociclistas no trânsito. A jornalista montou na garupa de um motociclista sem afivelar o capacete e seguiu no trânsito. Todos sabemos que afivelar o capacete é básico para se andar em motocicletas, além de ser obrigatório. Mas ela não o fez. A edição de jornalismo da rede de televisão não percebeu o erro e veiculou a reportagem. Conclusão: A repórter não tem noções básicas de trânsito em motocicleta e mesmo assim fez a reportagem, todo mundo assistiu e achou uma maravilha.

Quem discorda da atitude do Arcebispo deve estudar um pouco sobre Direito Canônico. As hipóteses de excomunhão são taxativas. O Arcebispo não pode mudá-las. Uma parte das hipóteses é dirigida diretamente ao clero, ou seja, pessoas comuns não podem praticá-las. A outra parte é dirigida a todos como é o caso da apostasia, heresia, cisma e aborto. Nenhuma outra previsão de excomunhão se encontra também como crime no Direito Penal, a não ser o aborto. Por isso, tanta polêmica.

Quando há um homicídio simples, a Legislação Penal determina pena de reclusão de seis a vinte anos. O juiz não pode dar outra pena que não essa. Ele não pode dar uma pena de prisão simples, nem de detenção, nem de multa, nem prisão perpétua, nem pena de morte, nem deixar de punir. O mesmo ocorre com o Direito Canônico. A penalidade prevista para o aborto é a excomunhão. Então, o Arcebispo deve aplicá-la e ponto final.

Fico impressionada com o fato das pessoas lutarem pela não extinção do mico-leão dourado, pela preservação da Mata Atlântica, pela não extinção da tartaruga marinha, etc.. A única instituição que luta pela vida humana até as últimas consequências, desde seu início e até o seu fim, é a Igreja Católica. A Igreja permanece ao nosso lado desde o início de nossas vidas com o Sacramento do Batismo, nos acompanha durante toda a vida com os sacramentos da Confissão, Eucaristia, Crisma, Sacerdócio e Casamento. E está conosco, também, no final de nossas vidas, com o Sacramento da Extrema Unção. Nenhuma outra religião ou instituição luta pela vida como a Igreja Católica. E mesmo assim, nós mesmos, seres humanos por ela protegidos, a atacamos.

Sei que o Direito Brasileiro prevê a possibilidade do aborto em casos de estupro e, mesmo trabalhando com o Direito, não concordo com essa permissão. Antes de ser formada em Direito, sou Católica. Antes de ser Católica, sou Cristã. Antes de ser Cristã, sou Filha de Deus.

Os maiores absurdos são ditos por pessoas que não conhecem a Doutrina Católica. A Igreja Católica é Santa. Sua Doutrina não se amolda ao que nós queremos, mas sim ao que é certo e àquilo que foi pregado por Cristo durante Sua passagem pela Terra. Tudo aquilo que a Igreja Católica diz que não está de acordo com aquilo que nós queremos, nos causa revolta. Quando a Igreja não apóia o uso da camisinha é porque ela prega que as pessoas devem permanecer virgens até o casamento. Se assim fizessem, não necessitariam de camisinha. Quem discorda da virgindade acha abominável o que a Igreja prega. Quando a Igreja não apóia o divórcio é porque ela acredita que a família é única, assim como Cristo pregou. Os divorciados se revoltam com a Igreja. Quando a Igreja é contra o aborto em qualquer circunstância é porque ela acredita que o ser que está por vir é filho de Deus e tem todo o direito a vida, podendo mudar o mundo. A Igreja tem fé no ser humano.

As pessoas reclamam da Igreja Católica dizendo que os tempos são outros e que ela tem que evoluir. Os tempos são os mesmos; nós somos os mesmos; Deus é o mesmo. Apenas perdemos a vergonha e o temor a Deus.

Há tantas coisas que acontecem e que são inexplicáveis pela medicina. Tantas pessoas que estão com enfermidade grave e se recuperam. É um milagre que acontece. O corpo da menina de nove anos até poderia não estar preparado para uma gravidez, mas aos poucos Deus proveria a adaptação necessária, ministrando mais um milagre. Ninguém espera a gravidez de uma menina de nove anos. O que ocorreu a essa criança foi um milagre de Deus, é lindo. Se vissem a gravidez como um milagre e não como uma maldição…

Os pais, os médicos e o juiz que estão envolvidos no aborto interromperam a realização de um MILAGRE!

“SENHOR, PERDOAI-OS, POIS ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM!” (JESUS CRISTO DE NAZARÉ).

Médicos, peço a Deus que lhes dê consciência do pecado cometido, a fim de que se arrependam a tempo e encontrem a salvação em Jesus Cristo. Procurem as respostas às suas dúvidas dentro de seus corações, não dentro de seus cérebros.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, disse Cristo. Não há verdade além Dele. Ele não permitiu o aborto. Ao contrário, sempre pregou a vida e, principalmente, a vida eterna. Vocês, médicos envolvidos em aborto, estão jogando fora a vida eterna de vocês. Não estou os julgando. Apenas tento abrir-lhes os olhos. Não são vocês que salvam vidas. É Deus que lhes usa. Usem o conhecimento de vocês em prol da vida. Vocês sabem que a gravidez poderia prosseguir por mais um tempo. Não era caso de morte iminente. Era uma suposição da medicina que poderia muito bem não se confirmar.

Ouvi uma reportagem de um médico que participou deste aborto, no programa “Mais Você” da Rede Globo. Ele disse que não era católico praticante, mas que acreditava em Deus. Lamento discordar. Você, médico, não crê em Deus. Você sabe que Ele existe, porque alguém lhe ensinou, mas não crê. Saber e crer são coisas distintas. Você crê na sua medicina e fecha seus olhos ao Poder de Deus. Se você acreditasse, saberia que Ele estava pronto para tomar todas as providências no sentido de dar seguimento à gestação. Quem crê em Deus, confia Nele. Você seria usado por Ele, como já foi, para ajudar a menina durante toda a gravidez. Infelizmente, você preferiu ser usado por outras forças.

A vida é muito rara. Entre milhões de espermatozóides, apenas um fecunda o óvulo. Tente enxergar a gravidez assim, como uma bela raridade e como um perfeito milagre. Não como uma desgraça na vida desta ou daquela pessoa. Não é. Mesmo se a mãe for vítima de violência, a gravidez é uma permissão de Deus.

Acalente os corações das mães vítimas de violência sexual. Ajude-as a enxergar a gravidez como uma bênção. É essa a sua função como médico. Pense nisso!!!!

Fabiane.

Cara Fabiane
Salve Maria.
 
Muito bons seus argumentos e o caso impressionante que você conta.
 
Como leigos católicos defendermos a doutrina da Igreja dentro do alcance de nossa vida profissional.
 
Escreva-nos sempre.
 
In corde Iesu, 
Lucia Zucchi

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