Montfort Associação Cultural

23 de fevereiro de 2006

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A volta para Casa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Mirian
  • Idade: 52
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Dona-de-casa (ex-jornalista)
  • Religião: Católica

Caro professor Orlando Fedeli e colaboradores,

criei coragem e vou contar como foi a minha volta para a Casa do Pai depois de quase 40 anos distante de Deus. Na verdade, já tinha pensado em escrever à Associação Montfort relatando a minha conversão. Depois, desisti. Achei acesso – ou excesso – de vaidade, jornalista gosta de contar é a história dos outros. Mas ao ler no site outros relatos, comoventes, achei avareza não repartir a minha história. Quis também fazer saber ao professor Orlando Fedeli que o site Montfort vem sendo um grande farol nesta minha volta. Sei que o professor dirá que é a mão de Deus que age. E é. Mas Deus escolhe os seus instrumentos. Que Ele vos abençoe.

Peço generosidade e compreensão pelo meu desajeito no trato dos assuntos de Deus. Tantos anos sem rezar fez com que o coração desaprendesse a delicadeza e a reverência necessárias quando falamos das coisas divinas. O cérebro, então, mais frio e prático, só vai aprender a ser doce com o tempo. Mas não posso falar mal da razão: foi também ela que me devolveu à fé. Eu sou assim, preciso compreender, sem lacunas, “redondo”, como se diz no jargão jornalístico. Só me seduzem e convencem as grandes elaborações, os pensamentos sofisticados . E o professor Fedeli seguiu a ordem do Mestre: “Ide e ensinai”. Eu confesso: sou aprendiz.

Comecei a fugir, devagarinho, da Igreja quando tinha meus 14 ou 15 anos. Em casa, meu pai – ateu – nada falou. Minha mãe, católica, não gostou, mas não admoestou; depois, se conformou. Menina inteligente, estudiosa, longe de qualquer estilo “rebelde sem causa” , cometi esta rebeldia porque, afinal, era moderno. No final dos anos 60 e início dos 70, o mundo estava de cabeça para baixo. Eu morava em Brasília, e de lá assisti a guerra do Vietnã, festival de Woodstok, maio de 68 na França, morte de Guevara, Beatles, AI-5, primavera de Praga, Tropicália, festivais e vai por aí. Neste admirável mundo novo, soava velho esta história de Deus e pecado. Religião só se fosse Dom Hélder Câmara, abaixo as carolas marchadeiras.

Em 72, passei no vestibular para jornalismo na Universidade de Brasília; em julho daquele mesmo ano, saía de casa para morar numa república de estudantes. O ambiente da universidade era muito politizado, éramos todos comunistas. Tanto é que, em junho de 73, passei 11 dias no DOI-CODI, entre empurrões, safanões, meia duzia de choques elétricos e noites apavorantes ouvindo gritos assombrosos de outros presos sendo torturados.

Marx me explicava tudo: as razões da opressão e o caminho para a libertação. E lá ia eu, vigiada pelos “ômi”, assistir às palestras de Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomás Balduíno. A religião era o ópio do povo, mas aqueles eram padres dos bons. Não porque eram padres, mas porque eram comunistas, graças a Deus!

Mas nem só de pão vive o homem. Eu queria também Paz e Amor. Amor livre, claro. Para libertar nossos corpos e nossas mentes a fórmula era conhecida: sexo, droga e rock n roll, aceitando-se outros ritmos musicais alternados ou simultâneos.

Tínhamos quase tudo: o som, o fuzil e a maconha. Mas faltava o “algo mais”, a espiritualidade. E, assim, num fiat lux cósmico, o raio da Nova Era iluminou a nossa existência. E foi um sem-fim de yin, yang, ioga, prana, sutra, maia e karma.

O cardápio podia variar, mas era sempre uma combinação de certos ingredientes: um prato de arroz integral com gergelim, um baseado, sair para dançar, ir para cama com mais um ou qualquer um, e cumprir o dever revolucionário de derrubar o governo.

Quando me senti no fundo do poço e tudo ia mal – trabalho, convivência com a família, saúde etc – eu disse basta, vou mudar”. Mudei. Parei de beber, de fazer sexo, me recolhi. Mas no lugar de voltar para Deus, fui para o analista. Da parte espiritual cuidava a macrobiótica, a que me submeti rigorosamente por sete anos. Ela era suficiente para me dar o Discernimento Superior e me harmonizar com a Ordem da Natureza. E a “macrô” ainda trazia a vantagem de reforçar a análise dialética e materialista da realidade: afinal yin-yang podia ser traduzido como capital-trabalho ou burguesia-proletariado. Perfeito!

Estava com 27 anos quando, no carnaval de 1981, reencontrei em São Paulo um jovem engenheiro paulista (ex-católico, como eu) com quem tinha tido um “flerte” tempos antes. Neste reencontro, decidimos, em cinco dias, nos casar, completamente apaixonados. Transferi-me de Brasília para São Paulo e passamos a viver juntos. Sem papel e sem padre. Era um casamento moderno, baseado no princípio do prazer e na superação de resquícios da moral pequeno-burguesa.

Como eu era natureba, o método de controle de natalidade era a tabelinha, período de fertilidade, por aí. Falhou, claro, porque o desejo era maior que a preocupação com uma possível gravidez.  Para mim, não era a hora de ser mãe, achava que nosso relacionamento estava começando, podíamos ainda nos divertir muito antes de pensar em filhos. E, afinal, eu era dona do meu corpo e daquela vida. Nossos corpos nos pertencem, era o lema da liber(t)ação feminista.

Na terceira gravidez, resolvemos assumir e nos casamos, só no civil. Quando meu filho nasceu, troquei as laudas pelas fraldas. Para cuidar dele, larguei uma glamurosa e promissora carreira de jornalista que eu havia retomado em São Paulo com brilhantismo depois de ter saído daquele fundo de poço, e me casado. Mas Deus continuava fora. Tanto é que não batizei meu filho, hoje com 21 anos. A mesma decisão foi mantida com as minhas duas outras filhas, 18 e 13 anos respectivamente.

Diante da insistência da minha mãe, pedi que ela mesma os batizasse, eu lhe atribuía a autoridade de um padre. E assim foram “batizados”. Quando tinha uns 4 anos, meu filho me perguntou quem era Deus. Respondi-lhe: “É o chefe do Bem”.

Penso que acabei de certa maneira criando meus filhos no espírito de que falou João Paulo II. Não acreditava em Deus mas vivia (quase) como se Ele existisse. Só que em vez de religião, ética. A crítica era à Igreja, e a visão era a marxista: ” ópio do povo, instrumento de opressão das classes favorecidas, ideologia mantenedora dos privilégios de classe, aliada do capital na escravização do povo” e outros blá blá blás.

Como me distanciei da Igreja ainda adolescente, fui aos poucos desaprendendo o que sabia da vida de Jesus Cristo e da doutrina da Igreja Católica. A ponte mais próxima com a religião era a minha mãe, mas eu não encontrava nela qualquer desafio às minhas heresias e incredulidades. Apesar de crer incondicionalmente, minha mãe não se interessava muito em conhecer mais profundamente a doutrina cristã, diz que a Seicho-no-iê a tornou melhor católica, gosta da Igreja “alegre e moderna” da Canção Nova e acha que o Padre Marcelo presta serviço a Deus.

E para azar meu, esta história de Jesus Cristo e de Deus desandou numa breguice só quando crentes e evangélicos infestaram o mundo e a televisão com aquela enxurrada de gente dando testemunho de que “aceitei Jesus no coração”. Onde quer que eu pusesse os olhos lá estavam as frases “Cristo salva”, “Deus é fiel” e “Jesus te ama”.

O pior é que Igreja Católica, que ainda era um reduto de decência, se modernizou ainda mais com o surgimento da Renovação Carismática e começou a trocar os slogans revolucionários da Teologia da Libertação – do prisioneiro político Jesus de Nazaré dos freis Boff e freis Betto – pelos apelos do “Deus é 10 e o CD é 15″.

Quanto ao Papa Woytila, eu valorizava a sua ação política a favor dos pobres, mas achava-o retrógrado e cheio de moralismos antigos principalmente nas questões sexuais. Já que era assim, eu preferia continuar sem transcendências, mas pelo menos com um pouco de elegância e sofisticação intelectuais.

E logo descobri o que havia de mais avançado no pensamento de esquerda no mundo: o grupo marxista alemão Krisis liderado pelo ensaísta Robert Kurz. Este grupo, ao fazer a crítica radical do sistema mundial produtor de mercadorias, conseguiu realizar um verdadeiro milagre: provar que Marx estava errado e certo ao mesmo tempo! Segundo Krisis, já não era a luta de classes que movia a História, como pregava o Marx jovem, mas as relações fetichistas, como concluia o Marx velho. Isto é que era revolução. Marx está morto, viva Marx!

Os novos críticos apontavam em Marx o defeito iluminista de crer que a Razão faria surgir o Homem Novo: em vez disso, o homem se tornara, isso sim, cada vez mais alienado, egoísta e violento – mesmo quando melhoravam as condições materiais objetivas de sua existência. Estão aí os Estados Unidos que não nos deixa mentir. Logo – concluíram os marxistas anti-marxistas: a solução dos problemas da humanidade terá de passar pela superação do próprio Iluminismo; de fato, o capitalismo é a mais exemplar expressão da racionalidade, pois do que mais se fala no capitalismo é de racionalização (visando sempre maximizar os lucros). A saída: mudar a Razão Pura em Razão Sensível, seja lá o que isto for. Como fazer a mudança o grupo Krisis até hoje não descobriu. Ou seja: ninguém sabe.

O desencanto com o marxismo foi acontecendo naturalmente. Um dia, lendo um texto de Eric Voegelin, me convenci de que o marxismo carecia completamente de fundamentação filosófica que o sustentasse. Depois, era só ver em que tinha dado o tal do “mundo comunista”. Sempre me martelava na cabeça a observação de que a Revolução Russa não podia mesmo ter dado certo. Afinal, tinha começado matando crianças – os filhos do Czar Nicolai.

Engraçado é que nada me fazia imaginar que eu já estava trilhando o caminho de volta a Deus. Certo dia, me caiu nas mãos um livro de um “erudito” judeu, chamado Zecharia Sitchin, que se apresentava como expert em arqueologia, História e línguas antigas (hebraico, sumério, acádio etc). Ele afirmava que as tábuas de argila encontradas na Mesopotâmia há 6 mil anos não eram mitos, mas relatos factuais da vinda de extraterrestres de um planeta de nome Nibiru.

Estes ETs, chamados de anunakis pelos sumérios, eram os Nefilim da Bíblia. A tradução de “caídos” era errônea: Nefilim queria dizer “os que desceram do Céu para a Terra” ou, mais precisamente, “os homens dos foguetes ou das naves espaciais”. Eles teriam colonizado a Terra há 500 mil anos, criado o Homem por manipulação genética. A palavra Elohim, escrita no plural no Gênesis, provava que Deus eram “deuses. Estes, depois de criarem o homem pela fecundação de um óvulo de mulher-macaco e o sêmem de um “deus” anunaki, deram a civilização à raça humana. Voltariam nos próximos anos, completando mais uma órbita de 3600 anos em volta do Sol.

A teoria era absolutamente ousada e desconcertante. Sitchin sugeria que uma Onipotência Universal poderia até existir, mas os que vieram à Terra foram chamados Deus e Anjos equivocadamente. Quem falou a Abraão e a Moisés foram estes viajantes de naves espaciais vindos de Nibiru. Eu pensava comigo: então, eu posso estar certa e a religião errada; o que nós chamamos de Deus pode ser apenas um extraterrestre. Resumindo: não havia nem metafísica nem transcendência.

Não que histórias de ETs me arrebatassem, mas – caramba – eu também tinha lido o livro “Eram os Deuses Astronautas” na adolescência! As evidências intrigantes, as “qualificações” do autor – que incluíam até a de consultor da Nasa – e as numerosas citações de fontes acadêmicas reconhecidas (Samuel Noah Kramer, para citar só um) acabaram me levando a ler todos os livros de Sitchin, além de muitos outros sobre pré-história, Mesopotâmia, sumérios, babilônios, assírios, caldeus, egípcios, mitologia grega e hindu, religiões antigas etc etc.

Aproveitei esta história de ET e anunaki para ler ainda, sem qualquer critério, tudo o que encontrei na Internet sobre ufologia, esoterismo, Fraternidade Branca, espiritismo, religiões orientais, calendário maia, teosofia e um sem fim de assuntos místicos”.
Não foi difícil, com o volume de informação que reuni, refutar completamente a teoria maluca dos anunakis. Não tinha sido, afinal, perda de tempo, pois aprendi muito. E mais: trechos do Antigo Testamento, citados por Sitchin, começaram a me fazer pensar. Eu jamais tinha lido a Bíblia e passei a me interessar e ler sobre assunto.

Foi, então, que um amigo me emprestou um livro de Rudolf Steiner, de quem eu sabia apenas que era o criador das escolas Waldorf e da Antroposofia. Lembro-me que, à época, o Papa João Paulo II já estava muito doente e se falava abertamente que ele não duraria muito. Eu, de minha parte, mantinha o espírito crítico de velha marxista e teimava em ver a Igreja e o Papa sob o ângulo político, apontando o interesse da instituição em tirar proveito daquele martírio, transformando-o num espetáculo midiático.

Como eu nunca tinha lido qualquer livro de Antroposofia, estranhei a observação deste amigo de que, para Steiner, o caminho era o Cristo. Era verdade, o autor mostrava Jesus Cristo como a maior dimensão de amor que se podia imaginar. Steiner considerava o Cristo como alguém absolutamente fundamental para a evolução espiritual do homem, o próprio Deus encarnado. Espantava-me a minha igorância sobre este Ser tão inigualável e me perguntava como é que eu nada sabia sobre Ele. E fui devorando os livros de Steiner.

Para explicar a encarnação de Cristo, Steiner monta uma sofisticadíssima teoria que remonta à Atlântida, passa por Zaratustra, junta com Hermes no Egito, engloba Moisés, Abrãao, essênios, budismo, Krishna , dois Jesus, duas Marias, dois Josés até chegar ao Mistério do Gólgota. De quebra, faz uma leitura dos Evangelhos como o mais puro e pedagógico manual de iniciação. Ou seja: a Palavra de Deus não é mais que sabedoria oculta. Miraculosamente, cada palavra dos Evangelhos corresponde a um símbolo com significado na escrita esotérica e na sabedoria dos mistérios. Para entender Steiner, comprei a Bíblia de Jerusalém e, pela primeira vez, li os quatro Evangelhos e o Apocalipse.

Mesmo sendo muito fabuloso e surpreendente, Steiner parecia consistente, lógico, sofisticado e verdadeiro. Cheguei até a pensar – na minha ignorância e que Deus me perdoe – que a Igreja Católica sabia de tudo, mas não o podia revelar, pois ainda não tinha chegado a hora, o homem ainda precisaria evoluir mais para compreender esta nova revelaçao.

Mas, de repente, me deu um estalo e eu pensei: “cè qualcosa que non va”. É que, para Steiner, Cristo é Deus mas também é uma entidade, um guia da evolução do homem; e Sua passagem pela Terra O teria ajudado a evoluir. Aí, eu achei demais: “Evolução, cara-pálida? Mas Ele é Deus! E Deus evolui?!”

É claro que não foi só a minha exuberante e prodigiosa capacidade intelectual que me fez compreender quem era verdadeiramente Jesus Cristo. Foi o coração que compreendeu, foi o Espírito Santo que agiu. Santo Agostinho escreveu ” Com certeza, louvarão o Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram”.

Quando ficou claro para mim que Steiner era uma grande bazófia, lembrei-me do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, que dizia ser a linguagem uma fonte de mal-entendidos. E é verdade. Muito do que nos confunde nestes livros esotéricos são as expressões “mundos espirituais”, “esferas superiores”, “dimensões supra-sensíveis”. Porque automaticamente nós relacionamos estes termos às coisas de Deus e dos anjos. Mas, na verdade, este é apenas o outro lado do mundo físico, sensorial e neste outro mundo vivem os espíritos que “non provengono da Dio, nonostante venga utilizzato quasi sempre un linguaggio damore e di luce”, nas palavras de um texto do Vaticano.

E foi assim que, através de uma heresia gnóstica como a Antroposofia, eu acabei sendo levada a redescobrir Deus!

Completamente apaixonada por Jesus Cristo, eu quis conhecê-lo. Precisava compreender para crer e crer para compreender. Para isto, fui atrás Dele no lugar certo: a Igreja Católica. Escrevi, brincando, num email para meus irmãos: “Não adianta: quem entende de Deus e Jesus Cristo é a Igreja Católica. É perda de tempo ficar lendo steiners, blavatskis ou dalai-lamas. O negócio é bater na porta da firma que tem o direito de texto e imagem e é proprietária da logomarca dos dois. Afinal de contas, a empresa existe há dois mil anos, sem fechar as portas um dia sequer!” A primeira providência foi ler inteiro o documento Dominus Iesus. Lá estava a confirmação da fé.

Pode parecer, contando assim, que acreditar em Deus para mim é mero exercício intelectual. Mas o coração sabe que não é. Mesmo quando ainda não tinha voltado a crer, eu gostava sempre de repetir uma frase que ouvi de Leonel Brizola, quando lhe perguntaram, certa vez, se acreditava em Deus. Ele respondeu que era arrogância não acreditar em Deus. Hoje penso que, se não temos a pureza de coração para simplesmente crer, a razão acabará por nos levar inexoravelmente à Verdade.
Como me parece hoje absurdo não crer! Para mim, é impossível alguém conhecer a Verdade e não se deixar comover pelo amor de Deus por sua criatura nem se maravilhar com a perfeição e sabedoria do plano divino! Como pude viver tanto tempo sem a amizade de Deus!

Acho que o momento definitivo da minha volta para Deus foi aquele em que ouvi pela televisão o anúncio da morte do Papa Woytila; profundamente comovida e chorando, disse para o meu marido: “Este homem está há 25 anos tomando conta de nós”. Falo sempre que a minha conversão foi o último milagre de João Paulo II.

Ainda durante o conclave, comecei a conhecer o pensamento e a atuação do cardeal Ratzinger, e torci para que ele fosse o novo Papa. Nunca vou esquecer as suas primeiras palavras já escolhido para ser o sucessor de Pedro: “sono un umile lavoratore della vigna del Signore”. São Bento será, com certeza, o meu santo protetor, pois, além do nome do novo papa, a minha primeira confissão e comunhão, depois de quase 40 anos de escuridão, eu fiz no Mosteiro de São Bento, que fica próximo de onde moro. Que Deus ajude o Papa Bento XVI a recuperar a Igreja eterna que tantas deformações tem sofrido nos últimos anos. Que minha família O (re)encontre e que Ele abençõe a todos da Associação Montfort.

Mírian

Muito prezada Mirian,
salve Maria!
 
    Li sua carta entre lágrimas.
     Como Deus é bom! E como Ele escreve direito em linhas tortas!
    Quão admirável é a sua misericórdia que nos prura mesmo nos abismos, e nos leva pela mão entre abismos e penhascos, no meio das sombras da morte.
    Lembro-me de uma frase de Deus a um profeta, falando-lhe de Israel:
   
“Porque eu sou o Senhor teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: Não temas, eu sou o que te ajuda.” (Is 41,13 )

 
    Lendo sua tão comovente e tão sincera “A volta para Casa“, pensei como Deus a conduziu pela mão e como pode bem ter-lhe dito: “Como me esquecerei de ti, Mirian? Eu sou teu Deus que te tomo pela mão e te conduzo.” Dou, pois graças a Deus — entre lágrimas — pela beleza da ação de Deus em sua vida.
    Agradeço-lhe suas palavras bondosas relativas à minha pessoa. Só temo você estar equivocada e eu não poder ajudá-la, tanto quanto eu quereria, no que você necessita. 
    “Mais.. ce que j´ai , je vous le donne”.

    Eu lhe ofereço minhas orações e minha admiração, por ver em sua vida e em sua volta para casa uma ação clara da misericórdia divina.
    Gostaria de publicar sua carta no site Montfort, porque ela seria uma grande e bela labareda, que bem poderia iluminar outras almas, assim como outras cartas a incentivaram e iluminaram sua alma.
    E gostaria tanto de conhecê-la pessoalmente! 
    Gostaria tanto de, um dia, comungar a seu lado. Como se fosse uma minha irmã. Como você é minha irmã na Igreja Católica, minha irmã que voltou para a casa.
    Para casa… 
 
In corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli  
 
PS. Quando, depois de terminar esta minha pobre resposta à sua carta de tanto valor, fui ver a data em que você a escreveu. Foi no dia de Santa Teresa, no dia do professor. Que bom presente, você deu a um velho professor. Que Deus a recompense, e que Santa Teresa sempre esteja como um anjo a seu lado. OF 

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