Montfort Associação Cultural

12 de novembro de 2004

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A vida na terra é infinitamente pequena

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo
  • Idade: 50
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Caro prof. Fedeli, obrigado pela atenção dispensada:  

 Não acredito na reencarnação, não sou espírita e sim , desde pequeno,  católico, mas é impossível porque Deus me deu o livre-arbítrio a  inteligência ( não importa quanto) e a curiosidade para tentar saber  profundamente as coisas ,e sem dúvida, quanto mais se pesquisa mais se fica  no vazio. Se puder me dar uma luz:   Se a vida é eterna, seja para os cristãos ou religiões reencarnacionistas, a  passagem pela Terra não é muito breve?

 Se o eterno é o hoje sempre, a nossa existência em uns poucos anos nos faz  termos tudo aquilo que espiritualmente deveríamos absorver?

 O Universo é finito porem tão grande que somos incapazes de mensura-lo, só  há vida no planeta Terra, e se não fossemos criados o que existiria,  milhões de planetas vazios, criados para que?

 se Deus criou o homem tinha um motivo, qual?

 ser adorado por eles, praticar seus mandamentos, por que fomos criados, não  sei. Dou minha palavra que não sei, vejo gente boa sofrendo, miséria,  guerras, deficientes físicos, uns seres humanos com privilégios outros sem  nenhum, gente que morre com um ano de idade (como poderá ser julgada uma  pessoas assim?) não se trata de querer a igualdade, pois sei, como você sempre  explicou, e é evidente que o mundo tem que ser desigual, mas porque tanta  distorção e tanta injustiça. Se não me apego ao dinheiro vivo mal, se me  apego sou condenado, se peço um sinal nas minhas orações a Deus e nada  recebo caio em desespero. Mas afinal Deus me criou, mas não me ensinou a  viver. Como manter a fé? Como viver neste mundo de tanta dor física e  emocional, como não se sentir triste vendo um outro ser humano sofrendo?

 como. Alguém poderia me explicar.

 Como entender uma doença que arrasa uma pessoa de tanta dor e sofrimento  sendo que esta pessoa sempre andou pelo caminho do bem? Como explicar à uma  mãe que seu filho morreu num acidente e que apesar disto ela deve se  conformar com a vontade de Deus. Como não termos certeza de para onde vamos?

 ou é céu ou inferno e para sempre.

 alguém agüenta tanto sofrimento se uma passagem na Terra seja por 10, 20, 30  50… Anos é ínfima perto de toda a eternidade.

  Despeço-me sem mais, obrigado e desculpe a ortografia estou escrevendo de  um micro que não é o meu e o seu teclado é completamente diferente do meu.

   Paulo

Muito prezado Paulo, Salve Maria!

Deus nos criou para sermos eternamente felizes, com Ele, no Céu.

Para isso nos fez livres, e nos deu uma vida bem curta, aqui, na terra.

Só quem é livre pode ser responsável, e pode então ser premiado ou castigado. Deus nos fez livres para poder nos premiar com o céu onde teremos eterna e segura felicidade, sem receio de perdê-la.

“Ó sem desejos, — [porque já teremos tudo] – segura riqueza” diz Dante (“O sanza bama, sicura richezza!“)].

Todos os nossos sofrimentos nesta vida, tão curta, são também curtos.

Com eles pagamos nossos pecados que, estes sim, são de culpabilidade infinita, porque a gravidade de nossa culpa cresce conforme a pessoa ofendida. Portanto, a ofensa feita a Deus é infinita.

É com os sofrimentos, com a cruz, que pagamos nossos pecados. A dor é a moeda com a qual pagamos e adquirimos, com Cristo, a entrada no céu.

Lembre-se, meu caro Paulo, que um homem vale pelo que é capaz de sofrer, e não pelo que é capaz de gozar.

Você me pergunta por que Deus fez tantas estrelas desabitadas no céu.

Lembrei-me de uma peça de Claudel, na qual camponeses rústicos comentam:

“para que as estrelas no céu? Não seria melhor que elas caíssem de lá, e se transformassem, para nós, em batatas?”.

Não, isso seria péssimo, porque mais que as batatas vale a luz das estrelas nas trevas da noite. Porque as estrelas, brilhando no céu escuro, nos ensinam que não existe a treva absoluta. Que não existe o mal e a desgraça absolutas. As estrelas na noite são a promessa de Deus Nosso Senhor de que a luz do sol voltará. Que a luz vence as trevas.

Lembrei-me, agora de outro verso, de outro poeta — Rostand — que faz corujas e outros animais noturnos, símbolos dos maus e dos demônios, dizerem, num hino às trevas da noite, que o único defeito da noite é o ter estrelas…

Deus nos mostra, pela infinidade dos astros que Ele criou, só para enfeitar a noite e encantar nossos olhos, que mais que a comida vale a verdade que brilha nas trevas do erro.

Meu caro Paulo, Jesus sofreu muito, e sofreu por nós, por nossos pecados, morrendo na Cruz. É na cruz que encontramos a paz e a verdadeira felicidade. Porque amar é nosso fim, e o amor se prova sofrendo por quem se ama.

Sejamos corajosos. Amemos, mesmo sofrendo. Amemos a Cruz.

Recomendo-lhe então um pequeno livro de São Luis de Montfort: “Carta Circular aos Amigos da Cruz.”

Esse livrinho, bem pequeno, lhe fará bem.

Recomendo-lhe ainda que leia a Paixão de Jesus nos Evangelhos.

Faça sempre o sinal da cruz, bem largamente, sobre seu peito, em sinal de que não se revolta com as dores que Deus permite que tenhamos, pois Deus jamais nos dá uma cruz maior do que aquela que somos capazes de suportar.

E Ele, carinhosamente, a carrega conosco.

Que Deus o sustente e que Nossa Senhora o console.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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