Montfort Associação Cultural

22 de novembro de 2013

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A verdadeira falsa entrevista de Francisco ao La Repubblica!

Eugenio Scalfari, fundador do La Repubblica, admitiu ter atribuído ao Papa palavras que este não disse!

Ainda a guerra na Cúria Romana… Ela se dá também a golpes de entrevistas, pois “os escritos são armas”, como lembra Dom Bosco. E a imprensa, que deu grande destaque à entrevista, sequer vai mencionar o desmentido!

Atualização: Passadas seis horas da publicação desse texto no Forum Catholique, nenhum comentário foi feito. Totalmente diferente foi a reação à entrevista ao La Repubblica, que mereceu discussões imediatas, que duraram por vários dias… Aparentemente, católicos desse forum dito tradicional e a grande imprensa estão juntos quando se trata de identificar o Papa como progressista.

Jean-Marie Guénois, em Le Figaro

Publicado em 22/11/2013

Tradução Montfort

Os bastidores da verdadeira falsa entrevista do Papa

 

Eugenio Scalfari, antigo diretor do La Repubblica, finalmente reconheceu ter atribuído ao Papa Francisco afirmações que esse último nunca fez em uma entrevista publicada na Italia em 1º. de outubro último.

 

O imbroglio da verdadeira-falsa entrevista do papa Francisco, em 1º. de outubro, no La Repubblica, quotidiano de esquerda italiano, continua a provocar ondas. O site oficial do Vaticano acaba de retira-la para evitar toda confusão entre “texto jornalístico” e “magistério do Papa”. Quanto ao autor da entrevista, Eugenio Scalfari, 89 anos, fundador desse jornal, ele reconheceu, ontem, ter ”posto entre aspas” frases que nunca foram pronunciadas pelo Papa, afirmando, entretanto, ter reportado fielmente o essencial do que lhe tinha dito Francisco em uma conversa espontânea. E, sobretudo, que ele tinha recebido o sinal verde, antes da publicação, de um dos dois secretários pessoais do Papa.

 

Contudo, vê-se agora, claramente, que o encontro concedido por Francisco a esse jornalista era de ordem pessoal e que jamais fora previsto como uma entrevista propriamente dita. Sem anotações e sem gravação, Eugenio Scalfari, portanto, reconstruiu uma entrevista, como reconheceu quinta-feira em Roma, afirmando que sempre trabalhou assim ao longo de sua brilhante carreira.

 

Um imbroglio embaraçoso

Ficou claríssimo também que um dos dois secretários do Papa, acusado publicamente por Scalfari, deu sinal verde à publicação. O jornalista fizera questão, de fato, de submeter o texto final à aprovação, antes da publicação, mas Francisco, posto diante do fato consumado, não teria tomado o tempo de reler, “confiando”, segundo Scalfari, no seu trabalho.

 

Resumindo, um imbroglio do começo ao fim, que constrange hoje profundamente o Vaticano: utilização e manipulação de uma conversa particular para transforma-la à revelia do Papa em uma entrevista; autorização evidentemente subtraída ao Papa para a publicação de um texto que ele não reviu pessoalmente; escusas do autor, uma das referencias do jornalismo italiano, para encobrir o fato de que ele escreveu de memória, do começo ao fim, essa pseudoentrevista.

 

Na Igreja Católica, essa “entrevista”, publicada em três páginas do La Repubblica tinha suscitado uma profunda incompreensão e um grande mal estar. As formulações chocantes e sem nuance do Papa Francisco o faziam aparecer como um verdadeiro “progressista”, na linha do chamado “espírito do Concílio Vaticano II”, portanto, em ruptura total com o pontificado de Bento XVI. Em outras palavras, como digno herdeiro daquele que foi o adversário do Papa alemão – o Cardeal Martini. Esse último, hoje falecido, era amigo próximo de Scalfari, o qual é, por sua vez, declaradamente laico [ou seja, ateu!]. São encontradas, aliás, formulações “martinianas” características na entrevista, que nunca antes tinham sido pronunciadas pelo Papa Francisco! Eis aí o inconveniente da memória, que não hesita em projetar e a tomar seus desejos pela realidade…

 

Teria sido uma posição extremada do Papa Francisco, que não combinava nem com o exame dos fatos e gestos, nem com os discursos efetivos de seu pontificado. No dia seguinte dessa estranha publicação, Le Figaro, que havia logo e diretamente verificado junto a Eugenio Scalfari as condições de seu encontro com o Papa, foi a primeira mídia a questionar a autenticidade e a credibilidade desse “documento” que merece, como um caso modelo, o título de “verdadeira falsa entrevista”.

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