Montfort Associação Cultural

5 de dezembro de 2011

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A Santa Missa Tridentina em Contagem

 Rafael Horta

Deo Gratias!

 Hoje, 2 de novembro de 11, dia dos fiéis defuntos, é uma data que vai ficar na história da cidade. Depois de mais de 40 anos, o Santo Sacrifício da Missa é celebrado segundo o rito de São Pio V, rito que tinha sido esquecido, abandonado depois da reforma litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II.

Rito maravilhoso, que enche os olhos e, sobretudo, a alma; pleno de piedade e respeito, que enternece os fiéis; cheio de veneração e adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo. Digno quadro de um mistério insondável, que manifesta plenamente a fé católica.

 Durante anos o povo católico assistiu à destruição do sagrado, do venerável – por vezes consciente e proposital – por meio de teatro e danças impróprias, por uma prolixidade inesgotável, por músicas e músicas sem fim… Rock, rap, funk, caipira… De tudo um pouco, menos gregoriano. Destruição levada a cabo por padres cheios de criatividade e improvisações.

 Mas hoje, dia 2 de novembro de 11, um padre e um grupo de fieis trazem de volta para a vida da paróquia, aquilo que nunca deveria ter saído dela: todo o sagrado, o sobrenatural da Missa de Sempre, a liturgia bi-milenar que tantos santos celebraram e que por meio dela se santificaram.

 Antes do início pede-se silêncio. Reza-se o terço. Prepara-se o corpo pelo silêncio e a alma pela oração para participar da renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor e receber seu divino Corpo no Banquete Sagrado.

 Desde a procissão de entrada à procissão final, o que se viam eram olhares atentos, alguns curiosos, outros admirados, para os paramentos do padre, as vestes dos acólitos, a disposição e beleza do Altar, a santa Cruz em seu centro. Acrescenta-se a isso a suave melodia do gregoriano.

 Os gestos, as orações, do padre e dos fiéis, feitos com muito respeito e dignidade. Gestos e orações feitos com devoção, sem pressa nem improviso.

 A igreja cheia, muito mais do que esperávamos! Muitos rostos que já conhecíamos: vários da paróquia e comunidades vizinhas; além de fiéis de Belo Horizonte e Betim, todos presentes para testemunhar esse momento histórico.

 Senhores e senhoras, rapazes e moças, dignamente vestidos para tão grande festa. Senhores e rapazes vestidos socialmente, alguns mesmo de terno e gravata. Senhoras e moças de saias longas e algumas com véus. Tudo como pede a santa modéstia católica para a Casa de Deus.

 Todos ouvem, atentos, o sermão do padre; famintos para receber o alimento da Palavra divina e não um palavrório sem fim, que não leva a nada e não sacia ninguém.

 No momento da Consagração, todos de joelhos, na adoração devida a Deus Nosso Senhor, que se digna descer sobre nossos altares. O padre, profundamente inclinado, presta adoração primeiro Àquele que nos salva de nossos pecados; em seguida os fiéis o fazem também, tudo no mais profundo e sereno silêncio.

 Na Comunhão, mais uma vez Nosso Senhor se deu a seus fiéis, pelas mãos do sacerdote. Olhares sedentos de Deus, todos em fila, aguardavam sua vez; para muitos parecia ser a primeira Comunhão. Chegado o momento, se colocavam de joelhos e recebiam Nosso divino Redentor diretamente na boca, voltando plenos de comoção.

 No fim da Missa, várias pessoas vieram cumprimentar o padre e lhe agradecer a grande graça de devolver aos fiéis a Santa Missa de sempre. Olhos cheios de lágrimas de senhoras e senhores que foram espoliados de um grande bem, de seu maior tesouro, mas que, a partir desse momento, sentiam-se novamente na posse de tudo aquilo que era deles.

 Enquanto eu, na sacristia, guardava os paramentos do padre, uma senhora com os olhos rasos d’água, me diz de repente: “ Que Missa linda! Muito solene! Digna da Majestade de Nosso Senhor!” Ela resumiu todo o meu comentário de modo simples e humilde, com um coração de criança que agrada infinitamente a Nosso Senhor.

 No dia de finados, a Missa no rito de sempre, que parecia morta em nossa cidade, volta a ter vida. Cumpre-se mais uma vez o Santo Evangelho: “Ela não está morta. Apenas dorme.” Cf. Mt 9, 24

 Glórias sejam dadas a Deus, que jamais abandona sua Igreja e seus filhos.

 Graças sejam dadas a Maria Santíssima que nos concede, sempre, imensas graças.

 

Obrigado ao Santo Padre Bento XVI que nos concedeu a graça de podermos ter, novamente, em nossas paróquias a Missa no rito de São Pio V.

 

Obrigado ao padre Jair Gonçalves, CMF, que desde o princípio se mostrou verdadeiro pai para os paroquianos e todos os amantes da Santa Missa.

Publicado no blog Pela Missa Tridentina em Betim e Região.

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