Montfort Associação Cultural

10 de maio de 2006

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A Oração do Pai Nosso

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcos
  • Idade: 47
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Muito Prezado Professor Fedeli

Saudações!

Em uma reunião informal, onde havia só engenheiros, alguém começou a falar sobre religião.

De repente, o tema virou a “Oração do Pai Nosso”, e a perplexidade foi geral, ao se constatar que cada um possuía um entendimento diferente sobre cada trecho da referida oração.

Os questionamentos já começaram com o trecho “Pai nosso que estás nos céus” (S. Mateus, VI, 9). Alguém disse: mas Ele Não está em toda a parte? “Nos céus” então quer dizer “em toda a parte”? Por conseguinte, então nós estaríamos também “nos céus” ou em “algum céu”?

E as dúvidas se estenderam para todo o restante da oração.

Ora, se engenheiros estão tendo dúvidas desse tipo, imagine só a grande maioria de nossa população!

Imagino, pois, que seria oportuno e útil se o senhor pudesse responder a esta mensagem com uma explicação sobre cada parte da Oração do Pai Nosso.

Um grande abraço e Fique com Deus!

Marcos

Muito prezado Marcos, salve Maria !

Apreciei muito sua carta pela simplicidade e humildade com que você colocou a questão.

Você tem muita razão.

As questões religiosas são sempre difíceis, e, se engenheiros, com curso superior, têm dificuldades de compreensão, o que dirá o povinho mais simples?

(E quase acrescento: que dirá os padres deformados nos seminários modernos e modernistas, onde aprendem — quando aprendem – Teologia da Libertação, isto é, como agitar o povo?).

Explico-lhe inicialmente, e com muito prazer, sua primeira indagação, sobre a presença de Deus nos Céus, e em toda a parte.

Toda a dificuldade da questão provém do termo presença, que é uma palavra análoga. Há vários modos diversos de estar “presente”.

Deus está presente em toda a parte, até no inferno, mas, lá, Ele está presente por sua justiça, e não pessoalmente.

Deus está presente nas coisas materiais pela ordem, pela bondade delas, pelas leis que as regem. Assim, a lei da gravitação universal, ou a lei da gravidade tornam a vontade de Deus presente nessas coisas puramente materiais. Também a ordem que existe nas coisas torna presente a Sabedoria de Deus nelas, como um efeito reflete a causa, por exemplo como o fogo, que, de certo modo, se torna presente no calor da panela.

No mundo vegetal e animal, a presença de Deus é ainda mais clara pela vida, que possui uma ordem e uma bondade superior . E assim por diante, na criação.

No homem e ns anjos, Deus está presente também por sua imagem, visto que Deus é Inteligência e Vontade infinitas, e nos homens e anjos há inteligência e vontade finitas.

Mais ainda, de modo mais profundo e elevado Deus está presente nos homens batizados, e naqueles que não estão em pecado mortal, pela graça santificante, ou graça habitual, que é uma participação na própria vida divina.

Deus está presente num crucifixo por sua figura, mas na Sagrada Escritura, Ele está presente por sua palavra, por seu pensamento.

Na Hóstia consagrada, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Filho de Deus encarnado, está realmente e substancialmente presente com seu Corpo Sangue, Alma e Divindade.

Você vê bem, meu caro Marcos, que a noção de presença é variada, Possui vários graus e modos.

Faço-lhe outros paralelos para seus amigos engenheiros, que eu gostaria de conhecer:

Numa fábrica bem organizada está presente a inteligência do engenheiro que a planejou. Também numa máquina inventada está presente a inteligência do inventor, claro que não substancial e realmente, mas como resultado, como efeito da inteligência do inventor. No filho desse inventor, ele está presente de modo diverso: pelos gens que lhe transmitiu, e que tornam o filho semelhante ao pai, de modo muito mais profundo do que na máquina que ele inventara.

Creio que deve lhe ter ficado bem claro que a idéia de presença é análoga e não unívoca, isto é, ela não se dá de m só modo.

Deus está presente nos céus de modo real, substancial, pessoalmente presente.

No Pai Nosso, Cristo, antes de tudo, nos faz chamar Deus de Pai, para que compreendamos que antes de temê-lo, devemos amá-lo já que Ele é nosso Pai porque é nosso criador, que nos deu existência e vida, nos fez à sua imagem, e nos ama como Pai. Devemos, pois, confiar absolutamente nEle, como filhos confiam no pai

E seguida, Cristo nos lembra que esse Pai é também Deus onipotente que está nos céus.

E que adiantaria que Ele fosse nosso Pai, se Ele não tivesse poder para nos ajudar?

E que terrível seria se Ele fosse onipotente, mas não nos amasse como Pai?

Como Pai nosso, devemos amá-Lo e confiar nEle.

Como Deus onipotente, devemos temê-Lo, obedecê-Lo e confiar em seu poder protetor e infinitamente justo.

Haveria mito mais a dizer, mas o tempo faz deter-me por aqui.

Aproveito, porém para mandar-lhe um trabalho que já foi publicado no site Montfort (O Pai Nosso e os vícios capitais), mas que o copio para você, — para poupar-lhe o tempo de busca — explicando a relação dos sete pedidos do Pai Nosso com os sete vícios capitais.

Espero que aproveite.

Ainda aproveito o ensejo, para desejar-lhe um santo Natal, para você, para sua família, e também para os seus amigos engenheiros, que eu gostaria de conhecer, um dia, indo eu a Curitiba.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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