Montfort Associação Cultural

31 de janeiro de 2005

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A missa é uma festa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jonatas Rodrigues da Silva
  • Idade: 17
  • Localizaçao: Jundiaí – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Profissão: esteudante
  • Religião: Católica

Sou seminarista e lendo suas respostas a perguntas enviadas a sua pessoa, fiquei um tanto abismado com as coisas que disse. Creio que até uma distorção da palavra e da tradição da igreja.
Quando você disse que a missa é uma celebração triste, citando a carta de São Paulo, eu vi um tanto de exagero no que você disse. A missa é a celebração da alegria, de vivermos o sacrifício de Cristo como nossa salvação. E sua ressurreição como sua vitória gloriosa.
Agora devemos nos entristecer por sermos salvos? Isso é uma ignorância tremenda. É como chorar na sexta feira da paixão na procissão de Cristo morto: até parece que não sabem que Ele já ressuscitou, que aquilo é só uma memória do preço pago pela nossa salvação. A própria igreja diz: “Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição Maranatha”. Por isso, a missa é uma festa, a Ceia do Senhor, onde Ele é o alimento.
Você disse que bater palmas dentro da igreja é profano. Mas como você explica o salmo em que Davi fala:Aleluia batei palmas povos todos (Salmo 47[46])? E não diga que estou contra a sabedoria da Igreja porque amo e sirvo a Igreja. Quando o Papa pediu para não se bater palmas, se referiu a inculturação da Igreja na Africa e no Brasil que estava excessiva. Não há nada de errado em bater palmas na igreja para parabenizar algo ou alguém ou simplesmente louvar a Deus. Peço que você pense melhor no que disse, pois se você for criticar tudo que você cosidera errado, ao seu bel-prazer por sinal, então se prepare pra criticar até mesmo o Papa. Pois, se houve o louvável
Concílio Vaticano II, foi para que a Igreja se tornasse mais espontânea. Mas é pessoas como você que distorcem essa realidade, considerando errado tudo o que Padres, como o Pe Jonas Abib, escrevem. O que acontece? Até parece que você não acredita no poder do Espírito? Pro seu governo o que você considerou errado nos livros do Pe Jonas, foi lido pelo Papa, e ele na sua sabedoria não disse que estava errado. Agora cabe a você acolher com caridade isso. Espero que mude a sua conduta. Agora medite sobre essa passagem de uma das cartas de Paulo: “Se seu irmão estiver errado corriga-o fraternalmente. Se ele não aceitar, leve-o a Igreja. se ele não aceitar a correça~oda Igreja anátema sit”

Aguardo respostas suas

Caritas Christi urget-nos!

Um forte abraço

Muito prezado Jonatas,
Salve Maria!
 
    Obrigado por sua carta.
    Então você quer me provar que  eu ignoro a doutrina católica e me diz que a Missa é ceia!
    Ora, o Concílio de Trento declarou:
“Se alguém disser que no sacrifício da Missa não se oferece a Deus um verdadeiro e próprio sacrifício, ou que oferecê-lo não é outra coisa que Cristo nos ser dado a comer, seja anátema” (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, Cânon 1, Denzinger 918).
    E você me escreveu:
   ”a missa é uma festa, a Ceia do Senhor, onde Ele é o alimento”.
   
    O que você escreveu é a tese luterana sobre a Missa.
    Você é luterano.
    E o Padre que lhe ensinou isso, num seminário católico, ele também não é católico.
   
    Provo-lhe que você é luterano.
    
Você escreveu: 
1- “a missa é uma festa,”     
2 – “a Ceia do Senhor, onde Ele é o alimento“.              
                                                                                                      
O Concílio de Trento ensinou infalivelmente:   
1 – A Missa é sacrifício
2 – A Missa não é outra coisa que Cristo nos ser dado a comer, seja anátema.
    E João Paulo II, na encíclica Ecclesia de Eucharistia repetiu, com o Concílio de Trento, nove vezes que a Missa é a renovação do Sacrifício da Cruz.
 
    E no decreto Redemptionis Sacramentum João Paulo II escreveu:
    “De nenhum modo se combine a celebração da Santa Missa com o contexto de uma ceia comum nem se a coloque em relação com análogo tipo de convívio” (João Paulo II, Redemptionis Sacramentum, n* 77).
 
    Como você garante que conhece a doutrina católica, que não é ignorante dela como eu, concluo então que você, sabendo o que está dizendo, conscientemente repeliu o que  a Igreja ensinou infalivelmente em Trento,  e que foi repetido  pela voz de João Paulo II.
    Logo, você não é mais católico. Você é protestante, porque defende a tese de Lutero que a Missa é apenas uma ceia.
 
    Você escreveu: “aquilo [a Missa] é só uma memória do preço pago pela nossa salvação”.
 
    Ora, o Concílio de Trento condenou quem diz isso ao determinar que:
“Se alguém disser  que o sacrifício da Missa é só de louvor de ação de graças, ou mera comemoração do sacrifício do sacrifício cumprido na cruz, porém que não é propiciatório(…) seja anátema” (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, Cânon 3, Denzinger 918. O sublinhado é meu).
    Você me pergunta: “Mas como você explica o salmo em que Davi fala:Aleluia batei palmas povos todos (Salmo 47[46])?”.
 
    Isso é simples.
    Davi dançou diante da Arca da Aliança, que era trazida pelas ruas de Jerusalém, Arca que não continha a Deus realmente presente.
    Nem no Antigo Testamento se dançava diante da Arca, dentro do Templo, nem se dançava, quando se sacrificavam carneiros, touros e bodes.
    Você, ao querer que se dance e batam palmas no sacrifício da Missa, você equipara o sacrifício da Missa, onde Deus está realmente presente em Corpo Sangue, Alma e Divindade, com o que Davi fez, no Antigo Testamento, nas ruas, e diante Arca da Aliança, que não continha  Deus realmente presente como nós o temos na hóstia consagrada, na Missa.
    Você reparou que, na Instituição da Eucaristia, nem Jesus, nem os Apóstolos dançaram?
    Meu caro, sua defesa das profanações que se fazem, hoje, nas Missas, recorrendo ao exemplo de Davi, é completamente estapafúrdia.
   
    Você me escreveu:
    “Quando o Papa pediu para não se bater palmas, se referiu a inculturação da Igreja na Africa e no Brasil que estava excessiva”.
 
    Quem lhe revelou a intenção do Papa?
    O que se conhece é o que ele escreveu.
    A intenção dele só Deus conhece.
    Devemos fazer o que ele decretou contra os abusos na Missa que a tornam semelhante a outros eventos humanos,  como reuniões políticas, festinhas  e outras comemorações naturais.
 
    Você me faz uma acusação:
 
“Mas é pessoas como você que distorcem essa realidade, considerando errado tudo o que Padres, como o Pe Jonas Abib, escrevem“.
 
    De onde você tirou isso ?
    Eu nunca disse que “tudo” o que Padre Jonas Abib escreveu está errado. Acusei que ele errou em vários pontos doutrinários bem graves. Isso não significa que tudo o que ele escreveu está errado.
    Por exemplo, ele não errou ao escrever o nome dele.
    Meu caro tudo significa tudo sem excluir nada.
    Até você, em sua carta  com tanta coisa errada, escreveu alguma frase certa.
    Por exemplo: acredito que você acerou ao me escrever:
 
Sou seminarista e lendo suas respostas a perguntas enviadas a sua pessoa, fiquei um tanto abismado com as coisas que disse”.
 
    Está bem certo isso: você é um seminarista abismado. Abismado em erros e heresias . Como tantos outros, hoje, em dia.
   
    Outra coisa que você acertou (Mas não na ortografia): “Charitas Christi urget nos!”.
    Sim, “a caridade de Cristo nos constrange”(II Cor. V, 14).
   
   A você, a caridade de Cristo certamente deve constrangê-lo a estudar melhor a doutrina católica e a não escrever cartas com tantos erros que contrariam o que a Igreja sempre ensinou, e com a evidente presunção de que conhece muito.
    Que Deus o esclareça, é o que lhe deseja  in Corde Jesu, semper,
                                                                                        Orlando Fedeli

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