Montfort Associação Cultural

19 de outubro de 2006

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A Igreja Católica é a favor da pena de morte para a mulher?

Autor: Lucia Zucchi

  • Consulente: Rafael Tom
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Autor
  • Religião: Outras – escreva abaixo

Vou ser direto.

-Se você é a favor da criminalização do aborto (ou melhor, para vocês é bonitinho intitularem-se contra o aborto) é porque vocês são a favor da pena de morte para a mulher que aborta.

Nas regiões em desenvolvimento, calcula-se que as mortes atribuíveis ao aborto em condições de risco chegam a 100 mortes por cada 100.000 abortos na América latina, 400 mortes por cada 100.000 abortos na Ásia e 600 mortes por cada 100.000 abortos na África (92). Em contraste, a taxa agregada de mortalidade devida às complicações do aborto legal em 13 países, a maioria desenvolvidos, para os quais estão disponíveis dados exatos, é de 0,6 mortes por cada 100.000 abortos (94). A taxa de mortalidade é baixa porque nestes países os abortos são realizados principalmente por provedores competentes que usam equipamento apropriado em condições assépticas.
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4549&ReturnCatID=1827

–Como se não bastasse, vocês que não querem a legalização do aborto são a favor do aborto.

Nos países onde o aborto é legalizado, caiu o número de mortes maternas e também o de interrupções de gravidez
http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=234449

Já dissemos isso várias vezes, mas isso vocês não querem saber. —-Nós queremos que não haja aborto, enquanto vocês querem—-. Vocês querem a mulher num picadeiro de circo sendo a palhaça principal, querem a mulher que não quer a sua gravidez como a Maria Madalena no dia que encontrou o seu salvador. Isso é o que vocês desejam para todas elas: a morte, a humilhação, a marginalização, o aborto.
E enquanto vocês não assumirem este desejo para a mulher, eu sempre vou chamá-los de hipócritas, porque é isso o que vocês são. Entenderam agora?
.

Prezado Rafael,
Salve Maria!
 
     Você está nervoso!
     Talvez a derrota de sua candidata ao Senado, defensora do projeto de lei que liberaliza o aborto no pais, senhora Dra. Jandira Feghali, o tenha aborrecido! Bem, já que você é do Rio e pró legalização do aborto, suponho que ela fosse sua candidata e uma das incluídas no “nós” que você menciona em certo momento! Estou errada?
     Pois é, todas as pesquisas davam vitória folgada a ela… Erraram as pesquisas ou as pessoas mudaram de idéia?
     Note, entretanto, que a verdadeira pesquisa eleitoral – A DAS URNAS! – mostrou apenas o que todo mundo já sabia: que os brasileiros são contrários ao aborto. Ela, aliás, também já sabia disso: por isso escondia cuidadosamente seu trabalho na Câmara dos Deputados e ficou muito alterada quando uma campanha de esclarecimento – movida por um grupo contra o aborto que não conhecemos – tentou lembrar ao eleitorado o que a Deputada Sra. Jandira Feghali vinha fazendo contra o direito à vida do Embrião humano.
     Nesse momento, aflorou a raivosa militante do PCdoB, que os tempos políticos tinham transformado em democrática, e ela exigiu na Justiça um mandato de busca e apreensão de um material a respeito dela, que supostamente estaria no Palácio Episcopal do Rio de Janeiro. Na ação policialesca que se seguiu não foram poupadas sequer as gavetas da escrivaninha do Emmo.Sr. Cardeal, e nada foi encontrado! (leia mais).
     Mas a ordem judicial recebida pela Arquidiocese exigia mais: que fossem orientados “todos os párocos, vigários paroquiais e diáconos ou eventuais celebrantes de ofícios religiosos, no sentido de que se abstenham de qualquer tipo de comentário ou referência político-ideológica, sob pena de caracterizar-se desobediência à presente ordem judicial” (leia mais).
     Uaaaai! Não foi à custa da Teologia da Libertação que o PT nasceu e a esquerda cresceu no Brasil? Antes podia falar de política, agora não pode mais? 
     No mesmo dia, o colegiado do TRE cassou a tal liminar, por cinco votos a um. Ficou bem claro, entretanto, até onde a ex-candidata, seu partido e sua coligação estão dispostos a chegar, enquanto ainda estão disputando o próximo governo. O que podem esperar os que pretendem se opor a suas leis homicidas, quando eles estiverem instalados para um novo mandato?    
     Bem, deixemos por algum tempo a Dra. Pediatra pró-liberação do aborto Jandira Feghali. Correm boatos de que Lula, caso seja eleito, vai torná-la Ministra da Saúde. Pobres bebês!
     
     Vamos a suas dúvidas, caro Rafael!
 
“-Se você é a favor da criminalização do aborto (…) é porque vocês são a favor da pena de morte para a mulher que aborta.”
 
     Seu raciocínio absolutamente capenga só pode ser fruto do nervosismo! Ou será de fato uma certa deficiência de formação lógica?
     Porque, ainda que se admita que certa ação é criminosa, nem sempre se proporá para ela a pena de morte…
     Entretanto, em muitas épocas da história houve, sim, pena de morte contra o crime de aborto, pois ele era entendido como um homicídio. É evidente: se o feto humano é um ser humano – e não creio que você possa considerá-lo um peixe, um anfíbio, uma ave, por mais superficial que possam ser seus conhecimentos científicos! – matá-lo é homicídio e é normal que a pena para ele seja assemelhada à do homicídio.   
 
“ou melhor, para vocês é bonitinho intitularem-se contra o aborto”
 
     Pouco nos importa se ser contra o aborto fica bonitinho ou feinho, na sua opinião! É, isso sim, absolutamente racional, justo e conforme a lei de Deus e o ensinamento da Igreja, defender o direito à vida humana desde a concepção até a morte natural. Indispensável para qualquer católico, como nós nos orgulhamos de ser!
 
“Nas regiões em desenvolvimento, calcula-se que as mortes atribuíveis ao aborto” etc. etc. (vide acima…) “a taxa agregada de mortalidade devida às complicações do aborto legal em 13 países, a maioria desenvolvidos, para os quais estão disponíveis dados exatos, é de 0,6 mortes por cada 100.000 abortos”
 
     Sua leitura do site “boasaude” foi bastante superficial, digamos no mínimo.
     Você cita estatísticas de mortes maternas em conseqüência do aborto, sem distinguir aborto INDUZIDO e aborto ESPONTÂNEO, como faz em certos trechos o texto atribuído a uma certa Johns Hopkins School of Public Health, de Baltimore. Note-se: o texto, que é pró-aborto, é obrigado a dizer em certo ponto:
 
“No Egito, por exemplo, um terço das mulheres que procuraram tratamento nos 86 hospitais do setor público, aparentemente haviam sofrido um aborto espontâneo, ou seja, não manifestaram nenhum sinal de aborto induzido e afirmaram que a gravidez foi planejada e desejada.”
 
     Você lembrou de descontar só um terço, por exemplo, nas suas estatísticas “estimadas”? Já que, sobre os abortos espontâneos, a lei não tem nenhum efeito…
     Depois o texto compara – e você acha digno de citar! – estatísticas absolutamente certas “de 13 países, a maioria desenvolvidos”, com estatísticas absolutamente “chutadas” (“nos países em que o aborto é legalmente restrito, as estatísticas sobre o aborto são meros cálculos”), referentes a continentes inteiros, que incluem países – da África – que são incapazes de conhecer mesmo o número exato de suas populações. Difícil tirar conclusões com esses dados, não? Mesmo em Baltimore, onde a ciência estatística deve ser mais desenvolvida que aqui!
     Veja esse outro trecho:
 
“Dos estimados 5,3 milhões de abortos induzidos na Índia, em 1989, 4,7 milhões ocorreram fora de estabelecimentos de saúde aprovados, consequentemente, possivelmente em condições potencialmente inadequadas.”
 
     Por que o texto não nos conta também que na Índia, onde o aborto é amplamente legal, ocorrem 25% das mortes maternas no mundo ? (consulte o texto transcrito em nosso site La legalización del aborto no reduce las tasas de mortalidad materna) Ou ele pretende que, além de aprovar o aborto, o país exija que todos os matadores de fetos tenham padrão Primeiro Mundo? Quando muito mais coisas no país carecem de recursos mínimos de qualidade? Por exemplo, os partos? 
     Paciência! Mas ele cita outro campeão do direito ao aborto, a antiga União Soviética, onde o aborto foi permitido por Lênin, já em 1920 (!), e a Albânia – um dos últimos países comunistas do mundo:
 
“as complicações do aborto realizado em tais condições são a causa principal da mortalidade materna, sendo responsável, por exemplo, por 25% a 30% de todas as mortes maternas na Rússia e de 50% na Albânia.”
 
     Ora, aí temos três países com aborto legal, e portanto, nos quais as estatísticas podem ser sinceras, em que o aborto mata uma multidão de mães!
     O texto explica: há países, como a Turquia, em que há aborto legal, mas recorre-se também ao clandestino…
     Para os abortos “realizados em clínicas médicas, ocorrem 49 mortes por cada 100.000 procedimentos, enquanto que para mulheres cujos abortos ocorrem fora das clínicas médicas, o risco de morte quadruplica, isto é 208 mortes por 100.000 procedimentos”.
     Ué, 49 mortes para 100.000 abortos, só dos legais e realizados nas melhores condições? Sem falar nas outras 208 mortes maternas para cada 100.000 “procedimentos” inadequados, que não foram evitadas pela liberação do aborto? Será que a Turquia não entrou na lista daqueles 13 países com porcentagem de 0,6 para cada 100.000? Talvez porque os 13 tenham sido selecionados a dedo, entre os que já tinham as taxas menores de mortalidade materna, independente de maior ou menor liberdade para o aborto???
     Que método honesto de fazer estatísticas! Com ele, consegue-se até provar que liberando um tipo de assassinato, diminuem as mortes!
     É verdade que as 100.000 mortes de seres humanos em cada 100.000 abortos praticados no mundo inteiro também não foram computadas… Pois se o aborto, legal ou ilegal, traz riscos para a vida da mãe, ele traz a CERTEZA DA MORTE para o filho indefeso! Procure lembrar-se de citá-los, caro Rafael, na próxima vez em que escrever sobre o aborto.
     Infelizmente, as dúvidas do pobre Rafael ainda não foram todas respondidas…
 
“Nos países onde o aborto é legalizado, caiu o número de mortes maternas e também o de interrupções de gravidez.”
 
     Certeza que a Radiobrás escreveu mesmo isso??? Sim, citando uma mulher da ONG Católicas pelo Direito de Decidir… isto é, da “Organização Internacional Pseudo-católicas pelo Suposto Direito de Matar os Próprios Filhos”. A notícia refere-se a um debate em que intervêm várias pessoas. Mas a Radiobrás dá a manchete a essa afirmação INVENTADA! Que feio
     Esse é um axioma dos pregadores pró-aborto, que tem se revelado totalmente falso, diante das mais elementares constatações.
     Preste atenção a esses dados:

     
Entre 1924 e 1928, o aborto na cidade de Leningrado multiplicou-se por OITO! Conseqüência da liberação promovida por Lênin em 1920…
     Entretanto, ao longo do século XX, sobe regime, cai regime, o aborto continuou a avançar. Atualmente a Rússia conta DOIS ABORTOS POR CADA NASCIMENTO, mesmo com medidas do governo para evitar a quebra populacional, conseqüência de 900.000 mortes por ano A MAIS DO QUE NASCIMENTOS.
     Na Espanha, o número de abortos cresce constantemente desde sua despenalização, o que é motivo de constrangimento para seu governo extra-liberal (vide artigo reproduzido em nosso site: En España hubo 80.000 abortos en 2002, cifra similar a la población de la provincia de Soria).
     
Segundo dados publicados pela União Européia, nos últimos dez anos (1996-2006), o número de abortos na Espanha cresceu 75% (CRESCEU SETENTA E CINCO POR CENTO!, desculpe ter que falar alto, mas parece que a Radiobrás não tem o costume de escutar o que acontece no mundo), na Bélgica cresceu 50% (a liberação se deu lá em 1990), na Holanda 45%. Um aborto acontece a cada trinta segundos na Europa! (vide: En Europa se realiza un aborto cada treinta segundos) Essas são as conseqüências da liberação do aborto e não a diminuição de seu número.
     No Japão, o aborto foi aprovado em 1948. Rapidamente, ele passou de 246.104 em 1949, a 1.068.066 em 1953. Que tal?
     Nos Estados Unidos, a violenta campanha que culminou com a liberação do aborto em janeiro de 1973 estimava – exageradamente, dizem hoje os comentaristas – em 100.000 os abortos anuais. Pois, durante o ano de 1973, houve 615.831 abortos provocados. 41.216.423 abortos oficiais aconteceram nos trinta anos que se sucederam e pesquisas mostram que uma alta porcentagem de mulheres que praticaram aborto afirmam que não o teriam feito se ele fosse ilegal! 
     
Na França, o aborto liberado em 1975, subiu imediatamente a um total de cerca de 200.000 por ano ou 14 abortos em cada 1000 mulheres. E PERMANECE PRATICAMENTE IDÊNTICO DESDE ENTÃO, unido a um recurso CADA VEZ MAIS FREQUENTE à contracepção! Explique, se puder! Você pode se basear em um grande número de artigos de sociólogos e de especialistas em demografia, todos eles pró-aborto, que tem tentado explicar esse fenômeno…
 
     Difícil, não? O melhor é admitir logo a realidade dos números: a liberação do aborto É UM GRANDE INCENTIVO PARA SUA PRÁTICA e, ao invés de diminuir, AUMENTA em muito SEU NöMERO!
     Não sei o que você quer dizer com “palhaça no picadeiro” nem com “gravidez de Maria Madalena”… Talvez essas afirmações venham de alguma literatura de baixíssima qualidade que nem você teve coragem de citar!
 
“Isso é o que vocês desejam para todas elas: a morte, a humilhação, a marginalização, o aborto.”
 
     Não, filhinho, nós desejamos para as mulheres a vida, delas e de seus filhos; a honra – por isso pregamos o mandamento de Deus: “Honrar pai e MÃE”; a inclusão, ao ensinar que a mulher deve ser respeitada, que as famílias devem ser formadas no cumprimento da lei de Deus, que o vínculo matrimonial é indissolúvel, que os filhos são um bem a ser desejado e não um mal a ser evitado ou ELIMINADO e que as crianças têm direito à vida e a uma educação familiar estável até chegarem à idade adulta. E desejamos também A ERRADICAÇÃO DA PRAGA DO ABORTO, como um grande benefício para a mulher e para a sociedade!
 
     Deus tenha a misericórdia de nos ouvir!
 
In Christe Jesu,
Lucia Zucchi

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