Montfort Associação Cultural

23 de agosto de 2005

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A história dos Papas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ruy
  • Localizaçao: – Brasil

Na página http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=tfp&artigo=20040728172707&lang=bra o senhor emite alguns juízos contra o Papa Paulo VI sem denegrir a pessoa dele, mas que me deixaram perplexos.

Por ocasião desse fato venho agora sugerir e até rogar a ti, que disponha na Web dentro do Site Montfort a história dos Papas.

O senhor bem sabe como os historiadores mentem, como entende também que os jornalistas e os historiadores exercem a mesma atividade; e é predominante nos meios de comunicação e especialmente nas faculdades de história uma maioria que esconde um ilimitado ódio contra Deus e sua Igreja. Eu perscrutando as entranhas da Igreja na internet, há algum tempo encontrei o portal Montfort e nele tenho visto por tuas obras o teu testemunho, Prof. Orlando Fedeli, e é esse teu testemunho que me leva a confiar a ti o pedido que fiz acima, isto é, relatar e documentar a história dos Papas.

Não leve em conta a falta de inteligência de minhas palavras. “O vosso esforço no Senhor não é vão”. Esforce-se nessa empresa, pois o lucro em almas para Deus tanto para o presente quanto para a posteridade depois de ti é imensurável. A tua perseverança, experiência, sapiência e fidelidade não podem ir para o túmulo, conforme diz o Senhor: “Eu vim para que produzais frutos e os vossos frutos permaneçam.”
E onde permanecerão esses frutos? Ora, nos corações daqueles que buscam diligentemente e com sinceridade a Deus, os quais já estão sedentos e aqueles que estão ainda por vir com a mesma sede. Se o mundo divulga sua palavra mentirosa contra Deus e contra sua Igreja é um dever do senhor, Prof. Orlando Fedeli não deixar o talento que o Espírito do Altíssimo te deu embrulhado num lenço dentro do teu caixão. O que o senhor sabe sobre o passado e o presente a respeito dos Papas é um tesouro valioso e o valor dele é tanto quanto vale o resgate das almas naufragadas nas mentiras derramadas pelo demônios e seus servos sobre as nações.

A cada revelação sobre o passado que o senhor fizer sobre cada Papa será aberta uma possibilidade para a vida eterna correspondente a cada revelação feita. Assim, quem está iludido e preso nas veredas da mentira incapaz de conceber qualquer idéia correta sobre os fatos, terá portas abertas para a verdade. “Conhecereis a verdade e ela vos libertará.”
Não despreze a minha súplica. Empreenda essa obra. Tenha como incentivo o lucro para Cristo, que será o louvor que lhe é devido. Será grande a caridade que o senhor realizará em capacitar a multidões de praticar a justiça de confessar de coração que Jesus é o Senhor.

Motivo da súplica

É que os espíritos embusteiros estão dentro da Igreja em grande número e é preciso arrancar-lhes as peles de ovelhas de forma que possamos distinguí-los dos cordeiros, para fugir de suas falsas doutrinas e ir em busca dos ensinamentos de Cristo que são fornecidos por intermédio de seus pastores.

Não sou historiador, mas sei que essa situação que vivemos hoje já vem desde a origem da Igreja através das seguintes fontes: São Paulo já nos atesta sobre a presença deles dentro da Igreja durante o seu ministério, como por exemplo em: 2Cor 11,26 “…perigos entre falsos irmãos!” ; Gal 2,4 “Mas, por causa dos falsos irmãos, intrusos…” . Além de várias citações sobre essas ocorrências como o senhor sabe muito bem, São Paulo ainda declara que após o término de sua missão esse fato se repetiria: Atos 20,29 “Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lôbos cruéis, que não pouparão o rebanho.”
São Pedro profetiza para todos as gerações seguintes o que temos visto hoje: 2Ped 2,1 “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas…”
O próprio Senhor Jesus nos diz explicitamente: “…muitos virão em meu nome…”
Portanto, não há desculpas para os que crêem em tudo que vem de dentro da Igreja e não exercitam continuamente o discernimento dos espíritos.

A importância de documentar a história dos Papas

A profecia de São Paulo: 2 Tessalonicenses 2,4 “o adversário, aquêle que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus.”
Essa profecia alude à ousadia dos perversos de avançar sobre os cargos mais altos da hierarquia da Igreja e até onde será dada a essa ousadia atingir. E muitos fatos semelhantes já ocorreram. Porém, devido à ausência de uma obra histórica honesta e feita por algum cristão, nem eu nem o mundo pode hoje em dia conhecer como tudo se passou.

Informações imprecisas e duvidosas vêem à tona; como no tempo dos feudos na Europa, um senhor feudal munido de um exército forte nomeou e impôs um pseudo-papa, forçando o Papa a refugiar-se a noroeste da Itália até a morte desse senhor feudal. Não sei se isso é verdade, mas um professor de história bem materialista o ensinou na tv. Também chegam informações que muitos Papas foram estabelecidos por forças alienígenas ao Reino de Deus.

Dessa falta de informação surge um campo vasto para toda sorte de imaginações perversas originadas nas aparências dos fatos e transformadas pelas bocas mentirosas, formando imagens capazes de iludir a maioria das pessoas. É o que se dá com o tempo da inquisição e as blasfêmias que hoje são proferidas contra a Autoridade da Igreja e seu sagrado Magistério, especialmente em cursos de teologia dentro da própria Igreja ministrados por seguidores de Leonardo Boff, cujo teor é falar contra o Papa e a santa Sé.

Sem saber o que se deu precisamente com cada Papa não se tem como calar os argumentos contra Deus, os quais são necessariamente derivados das más ações desses que se insinuam disfarçadamente dentro da Igreja geração após geração com os corações cheios amor à maldade e ódio a Deus.

Do conhecimento da história dos Papas, decorrerá também o conhecimento (por analogia) dos atos de todos os outros pastores e os interesses e as forças que os fizeram ocupar os seus cargos. Como, por exemplo, o que nós conhecemos aqui no nosso tempo com o frei Betto, suas razões de entrada no seminário e o porque das palavras de suas pregações.

Conclusão

Não posso ensinar o padre a rezar a missa, muito menos falar ao senhor sobre a importância do conhecimento da história. E o senhor sabendo da importância dessa ciência é o mais apto para entender a miséria da nossa conciência num mundo onde a história é ficção e não revelação. Muito mais no Brasil. E muito mais a respeito da história do Reino de Deus.

Daí o senhor pode medir sem orgulho o grande dom e força que o senhor tem nas mãos e o grande serviço que é capaz de prestar a Deus levando a público tudo o que o senhor viu em tua vida.

Não nos deixe a mercê dos inimigos. Compile os Atos dos Papas e os publique no site Montfort.

Obrigado pela atenção dispensada.

Que o Senhor Jesus Cristo retribua a ti cem vezes mais, já no presente, em perseguições e vitórias e no porvir a vida eterna, por cada renúncia tua em favor do Evangelho.

Em Jesus e Maria Santíssima, Ruy.

Muito prezado Ruy,

salve Maria!

Sua mensagem me tocou profundamente. É claro que tenho bem presente, em minha consciência, o dever de não deixar perder as informações, que Deus me permitiu ter, sobre a História da Igreja. Eu as tenho passado a meus amigos da Montfort em muitas palestras e cursos. Tenho também escrito alguns capítulos dessa História. E tenho todos os livros bem marcados, para que, no futuro, caso que eu venha a morrer antes de publicar o que você me sugere, meus alunos possam fazê-lo.

Entretanto, mais do que escrever em papel ou na internet, é importante escrever nos corações.

Quanto à publicação desses dados, aqui no Brasil, — porque na Europa eles são bem mais conhecidos — isso envolve alguns problemas complexos.

Como você bem sabe, a instrução religiosa de nosso povo é muito deficiente.

Sobre o Papa, existem duas posições opostas e contraditórias. Poucos acreditam seriamente na infalibilidade – que é um dogma da Igreja — mas, ao mesmo tempo, esses católicos mal formados, que mal crêem na palavra do Papa, mesmo quando ele se pronuncia ex cathedra, crêem de pés juntos numa pseudo impecabilidade do Papa.

Essa deformação da fé no que é o Papa é muito explorada pelos inimigos da Igreja. Se alguém critica um ato puramente humano do Papa, logo se o acusa de herege. Mas, os mesmos que lançam essa acusação falsa de heresia, estão prontos a aceitar– como você bem notou — todas as calúnias feitas contra o Papado.

Essa fraqueza doutrinária tem, como uma de suas conseqüências, a delicadeza de se criticar o Papa enquanto pessoa, de criticar a sua política, de criticar seus pecados, ainda que públicos. Os católicos mal formados — ou deformados — estão assim numa situação parecida com a de um agonizante muito fraco, que não suporta nem tomar o remédio que o poderia curar. Isso cria o problema da oportunidade de publicar certos fatos verdadeiros.

Não defendo que se deva ser oportunista, evidentemente. Mas a Igreja pode condenar uma obra por inoportunidade, quando uma obra, embora diga a verdade sobre certos fatos históricos, pode criar situações que mais farão mal do que bem.

Além de ter que se respeitar a autoridade constituída, deve-se também evitar escandalizar as pessoas que ainda têm uma fé muito fraca. Deve-se ainda pesar que vantagens tirarão os inimigos da igreja, os sectários de todos os tipos, da publicação de fatos escandalosos.

É claro, entretanto, que um dia a verdade terá que ser dita aos quatro ventos e a plenos pulmões. Um dia virá a ocasião oportuna.

Esse problema da oportunidade é explorado pelos hereges infiltrados na Igreja. Caso um historiador católico dissesse tudo sobre fatos da História dos Papas no século XX, ele seria tremendamente atacado pelos lobos travestidos de pastores…

No meu caso concreto, isso significaria deixar de fazer um pouco de bem que o site Montfort faz. A prudência manda, então, que se espere a ocasião oportuna de dizer a História toda, e bem claramente, sem entretanto trazer prejuízo para o bem que se pode fazer, e que se faz, e sem causar escândalos inoportunos.

Há, porém, outras maneiras de contar os fatos da História, sem provocar escândalos inconvenientes. Você veja, meu caro Ruy, como o próprio Nosso Senhor nos deu exemplo disso.

No tempo de Cristo, os judeus estavam dominados pela seita gnóstica dos fariseus, que ocultava muito bem o seu veneno sob a capa de práticas muito “virtuosas”. Os fariseus tinham a fama de ser os mais santos de Israel… Eram os piores.

Nosso Senhor atacou — e atacou violentamente –os fariseus e sua doutrina, mas guardou-se de atacar, diretamente, o Sumo Sacerdote, que era dominado pelos fariseus e pelos saduceus.

Imitemos, pois a prudência de Nosso Senhor que nos ordenou sermos mansos como as pombas, e prudentes como as serpentes.

Nosso Senhor recomendou aos Apóstolos que se guardassem do fermento dos fariseus, isto é, da doutrina dos fariseus, mas sempre usou de prudência, até mesmo retirando-se para a Galiléia, quando a situação em Jerusalém ficava tensa demais, antes da hora.

É o que faço atualmente em palestras: falo abertamente contra as doutrinas heréticas e sobre os responsáveis por elas, mas tomo cuidado de não escandalizar contando fatos que poderiam minar a fé dos mais simples, ou serem aproveitados pelos inimigos da Fé, para destruir a honra da Igreja.

Você veja, por exemplo, os fatos escandalosos agora vindos a público nos Estados Unidos. É claro que a política seguida pelas autoridades eclesiásticas americanas só fez crescer o câncer do homossexualismo entre os padres. Mas a publicação escandalosa desses casos, hoje, pela imprensa, evidentemente não visa apenas purgar o clero, mas se aproveita do escândalo para tentar destruir a Igreja.

Dever-se-ia ter extirpado desde o início o câncer do homossexualismo clerical –que se apoda de pedofilia. Pedofilia praticada por homens adultos se chama homossexualismo… – — com tolerância ZERO desde o início, e não só agora que a praga veio à tona. Mas é claro que os inimigos de Deus podem se aproveitar dessa desgraça. Há que se ter prudência na divulgação desses fatos escandalosos, e firmeza absoluta no combate a eles.

Tolerância ZERO, para os criminosos.

Tolerância ZERO para os Bispos tolerantes do mal.

E estes podem ser ainda mais culpados do que aqueles, pois que a defesa do crime pode ser pior que o crime. E a falta de punição para os escandalosos pode incentivar outros a caírem no mesmo pecado.

Perguntar-me -á você: “Mas, então, os crimes devem ser abafados ? “.

Respondo-lhe que a política de abafamento só serviu para a expansão do mal.

Constatando-se pela biópsia que há um câncer no organismo, ele não se cura rasgando-se a biópsia.

Há que extirpá-lo o quanto antes. Tolerância ZERO para o câncer.

Mas a Tolerância ZERO não exige que se faça o desnudamento das mazelas e das chagas em público. O câncer pode ser extirpado em salas de cirurgia. Os males do clero, se puderem ser extirpados sem escandalizar, melhor será.

“Ninguém pode saber desses fatos escandalosos”, indagar-me-á ainda você.

Claro que as autoridades devem saber. Assim como devem saber o que se passa todos os fiéis que tem uma Fé que suporta carregar o peso desses males sem esmorecer no seu Credo e na sua defesa da Igreja.

Na guerra, os oficiais devem estar a par de toda crise no fronte, mas é inconveniente que os soldados mais fracos saibam das fraquezas da situação, porque isso mais ajudaria o inimigo a vencer, do que a defender a cidade.

Pesando esses paralelos para a situação do Vaticano e para a História da Igreja no século XX, devo dizer-lhe que uma exposição total e pública dos fatos, neste momento da batalha, poderia ser inoportuna, e mais ajudaria os inimigos da Fé do que incentivaria os débeis.

Pergunta-me, finalmente, você: “Mas então, o que o senhor sabe será perdido?”.

É claro que para alguns “médicos”, de Fé mais firme, e que não esmorecerão no combate ao “câncer”, devo deixar documentos da “biópsia”. A eles devo dar os documentos que tenho, e a exposição total dos fatos.

Repare que falei de fatos. Doutrinas devem ser expostas sempre aos gritos e nos telhados. Mas roupa suja, se lava em casa.

Para um auditório firme na Fé, para o qual não há perigo de se contarem fatos terríveis sem causar escândalo, e sem correr o risco de interpretações desonestas, aí sim deve-se contar todos os fatos, por piores que sejam, para que eles possam ajudar no combate contra o mal.

Repito: como se diz popularmente, roupa suja se lava em casa.

Dia virá em que o bem da Fé exigirá que a História completa possa ser publicada e gritada do alto dos telhados. Porque Nosso Senhor, que nos recomendou a prudência, nos ordenou também que devemos proclamar a verdade do alto dos telhados, e que nada há de oculto que não venha a ser revelado. Em hora conveniente. Sem que se produza um escândalo que seja mais prejudicial do que o pecado existente.

Será preciso dizer-lhe que sua carta me deixou extremamente satisfeito e contente?

Será preciso dizer-lhe que vi, em sua “súplica”, um ardente amor à verdade inteira?

É claro que sim! Pois vi em sua missiva o pensamento de alguém que compreendeu bem o que escrevi. E que sua Fé é tão firme que não ficará abalada com as ondas da mídia explorando os crimes de sacerdotes traidores de Deus, da Igreja e de sua vocação.

Gostaria mesmo de ter um contato maior consigo, e convidá-lo para algum curso na Montfort. Escreva-me, então, dando-me o seu telefone e endereço, para que possamos nos encontrar. Aguardando essas informações, me despeço, bem contente por seu apelo, que não vejo a hora de atender.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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