Montfort Associação Cultural

27 de dezembro de 2007

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A greve de fome do bispo Cappio e a transposição do Rio São Francisco

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Eldo Luis Andrade
  • Localizaçao: Aracaju – SE – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Servidor Público Federal
  • Religião: Católica

Prezado Orlando Fedelli. 
Apesar de me declarar católico, tenho que ser honesto e afirmar que há muito tempo não vou à Missa e que também tenho dúvidas sobre muitos dos dogmas da Igreja Católica.
Não me deterei nisto. Não vamos discutir o sexo dos anjos. A questão é mais carnal, deste nosso mundo real, que é um vale de lágrimas e não o paraíso prometido: a greve de fome de Dom Luís Cappio para evitar as obras de transposição do Rio São Francisco.
Como a Montfort encara os episódios que envolveram o bispo e diversos movimentos sociais?
Diante da doutrina da Igreja é válida tal tentativa de mudar o rumo dos acontecimentos, arriscando a própria vida, dom de Deus, por meio de uma greve de fome para uma causa discutível, embora aparente ser nobre?
Sei que vocês da Montfort em matéria política são notóriamente conservadores e contra qualquer movimento social que conteste a autoridade do Estado. Como se sentem sabendo que os apoiadores de Dom Luís Cappio são além de movimentos em defesa do meio ambiente, composto de partidos de esquerda, tais como o PSOL da ex-Senadora e candidata a Presidente de República Heloísa Helena, que acham que o Governo Lula é conservador? E creio que voces consideram o governo Lula também esquerdista e que o regime dele não é muito diferente do da extinta União Soviética, embora tenha chegado ao poder pelas regras do jogo democrático, que também sei que vocês ao que parece não prezam muito. Por vocês, seríamos ainda uma monarquia medieval.
Interesssante que o bispo teve de desistir da greve de fome. Após decisão do STF liberando as obras. E o Lula disse que o Estado não poderia ceder. Que o Estado brasileiro era um Estado laico. A greve de fome (ou jejum) não sensibilizou as autoridades da República. E parece que César teve sua parte, embora eu ache que o Rio São Francisco é de Deus. E que quem prejudicar tal obra divina responderá. Neste mundo ou em outro. Se houver outro além deste.
Como se sente a Montfort neste caso específico em que de alguma maneira a Igreja Católica se dividiu, com alguns religiosos contra a greve de fome e alguns dizendo que era bíblico tal procedimento? Vocês não tomaram e não tomam partido por lado algum?

Muito prezado Eldo,
Salve Maria.

    A Igreja Católica não se dividiu no caso da absurda e escandalosa greve de fome desse Bispo demagogo, que queria aparecer como um Gandhi de Cabrobó.
    Quem se dividu e se contradisse foi a CNBB.
    Greve de fome — objetivamente – é pecado. E o Bispo causou escândalo.
    Por isso, o Vaticano, pela segunda vez, interveio, mandando esse Bispo parar imediatamente com essa tentativa de barrar uma ação do Estado (discutível, ou não) ameaçando a própria vida. E o Vaticano, pela segunda vez, conseguiu fazer esse Bispo parar de fazer greve de fome, que os modernistas da CNBB tentaram chamar demagogicamente de ”jejum”.
    Mesmo do ponto de vista puramente natural, se o ato do Bispo fosse válido, o Estado estaria destruído, pois qualquer um poderia paralisar uma ação do poder público, ameaçando matar-se.
    Seria o fim do Estado. Seria o triunfo da anarquia. O particular imporia sua vontade à autoridade pública.
    Não se trata, então, de apoiar ou de combater Lula. Não se trata de desviar ou não o rio São Francisco. Trata-se de uma questão mais profunda: destruir ou não o estado.
    A CNBB se contradisse escandalosamente, pois primeiramente elogiou o ato escandaloso do Bispo, e, depois, o criticou.
    Lamentável.
    A Montfort, sem discutir a questão do desvio do rio São Francisco, se sentiu contentíssima com a intervenção do Vaticano, que obrigou esse Bispo a parar com seu ato absurdo e escandaloso, que desviava a doutrina católica e o ensinamento de São Francisco.
    Que é bem mais importante que o rio que tem seu nome.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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