Montfort Associação Cultural

4 de maio de 2013

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A fome no mundo não veio. Mas a obesidade nos fará morrer mais cedo.

“Pela primeira vez na história da humanidade, poderá haver declínio da expectativa de vida”… por culpa da obesidade.

“Et qu’importe à Cyrano?”, perguntava um personagem do teatro francês. E à Montfort,  que importa que o mundo esteja cheio de obesos?  

Importa-nos porque, ironicamente, a fome foi um dos grandes argumentos usados pela feroz campanha anti-natalista que dominou o mundo a partir da segunda metade do Século XX. Era a velha tese malthusiana, desmentida historicamente tantas vezes, que nos era martelada aos ouvidos, pelos governos, pela midia… e até dentro da Igreja! Estávamos na Era Paulo VI e dominava os espíritos a “paternidade responsável”.   A escassez de alimentos sobreviria inevitavelmente à irresponsabilidade de cada casal que tivesse mais do que três filhos, depois dois, depois um filho…

Como se a humanidade, durante milênios, tivesse sido leviana ao seguir o preceito do Genesis:  “Crescei e multiplicai-vos”. 

No entanto, a fome não veio…

Mas não veio porque houve o controle populacional e, em consequência,  hoje todos podem comer moderada e satisfatoriamente?

Não. Não só não veio a escassez, mas houve uma abundância de comida advinda da superprodução.  Além disso, a geração egoísta que veio das famílias “quanto menor melhor” quer comer bem e muito… E a obesidade avança – com suas graves sequelas – em todas as classes sociais, nos países ricos e pobres.

Antes tivéssemos olhado “os lírios do campo” ao invés de nos preocupar inutilmente com “a fome no mundo”…

 

Comentário Lucia Zucchi

Artigo de Paulo Vasconcelos,

Publicado em Valor Econômico,

Disponível em Idec  

Um problema extragrande

Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde aponta que a obesidade tem crescido a uma taxa de 1% ao ano no país. Hoje atinge mais de 15% da população. Já são 29 milhões de brasileiros obesos. Nada menos de 1,5 milhão sofre de obesidade grave – que é quando o índice de massa corporal (IMC), um indicador internacional estabelecido quando se divide o peso pela altura ao quadrado, é igual ou superior a 40. Quase 95 milhões já enfrentam problemas de sobrepeso ou IMC acima de 24,9 kg/m2.

Democraticamente, a obesidade cresceu em todas as regiões do país, em todas as faixas etárias e em todas as classes sociais. E reserva um legado ameaçador. De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos estava com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2008/2009. O índice de jovens de 10 a 19 anos com excesso de peso passou de 3,7%, em 1970, para 21,7%, em 2009. (…) Uma em cada dez crianças brasileiras já chega aos 6 anos com excesso de peso. Pesquisa do Projeto AvanSesc, realizada com mais de 20 mil alunos de 2 a 17 anos de 83 escolas da rede Sesc em 23 Estados e no Distrito Federal, constatou que 22,3% dos estudantes estavam acima do peso normal e 15,2% sofriam de obesidade.

(…)

“O Brasil ocupa uma liderança indesejável no mundo quando se trata de obesidade”, afirma Almino Ramos, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Problemas de alimentação atingem mais de um terço da população mundial. Até há pouco tempo, o dilema maior era a fome, que ainda afeta 1 bilhão de pessoas. Mas já há no planeta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,5 bilhão de gordos ou enormes de gordos porque comem demais.

(…)

A pandemia de obesidade, dizem os especialistas, é resultado de uma combinação trágica: a mudança de comportamento provocada pela era tecnológica misturada ao aumento do poder aquisitivo nos países emergentes e o marketing agressivo da indústria alimentícia.

“O metabolismo humano foi preparado para a privação. Se não temos a privação, engordamos rápido. Alguns mais que os outros, por causa da herança genética”, diz Luiz Guilherme Kraemer de Aguiar, professor de pós-graduação em endocrinologia da Uerj. Além de comer mais vezes com cada vez menor esforço para garantir a sobrevivência, as pessoas também estão substituindo a comida tradicional por alimentos processados com baixo valor nutritivo.

Alguns indicadores alertam para o perigo. A OMS estima que a falta de atividade física é a quarta causa mais importante de mortes no mundo. Seu relatório Estatísticas Mundiais de Saúde 2012 revela que mais de 2,8 milhões de pessoas morrem a cada ano de doenças associadas à obesidade. Pior: pela primeira vez na história da humanidade poderá haver declínio da expectativa de vida daqui a duas décadas. Na China, que experimenta ciclo de crescimento econômico, os homens ganharam 13 centímetros de cintura. A taxa de excesso de peso no país duplicou nos últimos 15 anos. Atualmente, afeta 33% dos homens e 25% das mulheres. Na Índia, outra das nações emergentes, saltou 20%, de 1998 para 2005. Cerca de 20% dos homens e 17% das mulheres do país estão acima do peso.

(…)

Considerado um problema de países ricos, o sobrepeso ultrapassou todas as fronteiras nas últimas duas décadas e agora atinge indiscriminadamente nações pobres e em desenvolvimento.

(…)

Os EUA são também a maior potência mundial em excesso de peso. Nada menos de 35,7% dos americanos são obesos, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

(…)

 

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