Montfort Associação Cultural

26 de outubro de 2006

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A dura defesa da fé

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Matias S. Freitas
  • Idade: 26
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Caro sr. Orlando,

Em primeiro lugar, elogio as nobres intenções do senhor, bem como as de todos os seus colaboradores que vêem em sua Fé “a pérola preciosa” que nos foi concedida e que tratamos de defendê-la a todo o custo. Parabéns! Não conhecia o trabalho da Monfort até encontrar por acaso o webite há uma semana. Desde então tenho lido com muito interesse muitos dos artigos publicados. Ressalto desde já que não faço parte de nenhum movimento da Igreja e falo apenas na condição de fiel católico, uma ovelha no redil de Cristo.

No entanto, gostaria de perguntar ao senhor se este posicionamento “sempre ao ataque” antes de ajudar os demais a regressar (ou encontrar) a Fé, não acaba tendo o efeito contrário, espantando aqueles que com interesse e boas disposições tentam buscar informações sãs a respeito da Santa Igreja Católica?

Ou seja, ainda que não possamos em nenhuma vírgula distorcer ou amolecer o firme depósito doutrinal da Igreja, quer seja agradável e fácil quer não (e isso afirmo e defendo com todas as letras), tem-se a impressão de que muitas das respostas às cartas dadas pelo senhor são como uma batalha negativa, um estar cercado por inimigos que a qualquer momento podem avançar e destruir seu território.

Quando na realidade, deveríamos encher-nos de orgulho e tranquilidade ao saborear as palavras “eis que Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim dos tempos” ou “no mundo haveis de ter aflições, mas tende confiança Eu venci o mundo”. Não, o nosso território, o patrimônio da Fé, não será destruído, pois “se Deus está conosco, quem será contra nós?”. Devemos ter um espírito de superioridade, mas sem esquecer da caridade cristã que nos leva a AJUDAR aos demais e a corrijir seus erros. Nunca a jogar-lhe na cara seus erros, acusando-o publicamente de herege, sem dar o apoio necessário. Como diz o Evangelho, devemos a sós corrijir o nosso irmão e depois, caso seja necessário, recorrer à Santa Igreja, pois esta sim tem a autoridade de Pedro e a graça do Espírito Santo para guiar-nos a todos até Ele.

E da mesma maneira, críticas aos movimentos da Igreja, que contam com o apoio ainda que oral do Magistério e de Sua Santidade, dão uma estranha sensação de desunião no seio da Una e Santa Igreja. Sim, há desvios e erros porque a Santa Igreja é formada pelo povo pecador que somos nós, e devemos sim corrijir os erros, mas acho que a pedagogia, a cortesia e a finesse são grandes instrumentos que o próprio Cristo utilizou e que são essenciais para a propagação e defesa da nossa Fé.

Repare que não faço isso por querer criticá-lo, pois “todo Reino dividido contra si não resiste”, mas antes queria fazer uma sugestão para, unidos “in Corde Iesu” hastearmos a bandeira da Fé pelos 4 pontos cardeais.

Unidos em Cristo e à Nossa Senhora, despeço-me cordialmente e desejo um futuro amplo e belo neste caminhar pela estrada da vida até o nosso destino final, até a Felicidade!
Matias S. Freitas
Professor de Ensino Médio
São Paulo-SP

ps: Não faço questão de que o senhor publique esta carta em seu website, mas sinta-se à vontade caso deseje fazê-lo.

Muito prezado  Professor Matias,
Salve Maria.

     Em primeiro lugar agradeço suas palavras elogiosas a nosso trabalho, e rogo suas orações por nós da Montfort.
     Sendo um novato no acesso a nosso site, compreendo que tenha essa objeção sobre nosso modo de ser polêmico e que usar um método de ataque duro, firme e sistemático, o faça temer que isso seja mais prejudicial do que útil para as almas.
     Ora, esse método polêmico, foi aquele que Nosso Senhor usou, quando tratava com os fariseus, que pareciam ser muito bons, mas que, secretamente, eram hereges .
     Dou-he alguns exemplos do Evangelho, pedindo-lhe que reflita sobre eles. 
     Em São Lucas se conta que, um dia de sábado, quando Jesus foi a uma Sinagoga, encontrou e curou uma mulher encurvada e possessa pelo demônio, expulsando dela o diabo que a atormentava há 18 anos. Então, o Príncipe da Sinagoga achou ruim essa cura feita em dia de sábado e disse que os doentes tinham seis dias da semana para irem à sinagoga buscando cura e que não deveriam vir no sábado. Ao que Nosso Senhor, humilde e manso de Coração, retrucou com violência; “Hipócritas” (Cfr São Lucas, XII, 15).
     Doutra feita, tendo sido Jesus convidado a jantar na casa de um fariseu, durante a comida, e porque Jesus não lavara as mãos para comer, o fariseu pensou mal de Jesus por não seguir a tradição ritual judaica e Ele então os amaldiçoou. E continua o relato do Evangelho:

“Então, um dos Doutores da Lei, respondendo disse-Lhe: “Mestre, falando assim, ofendes também a nós Doutores da Lei”. Mas Ele respondeu-lhes: “Ái de vós também, doutores da lei” (São Lucas XI, 45). 

     E esse  ”Ái de vós” significa: “Malditos vós também, doutores da lei”.

     Será que Jesus nos teria dado um mau exemplo tratando tão violentamente os fariseus e Doutores da lei, que eram hereges?
Claro que não! Jesus nos deu um bom exemplo de como devemos agir e tratar com os hereges empedernidos.
     Façamos, então, como Ele fez quando tratamos com hereges pertinazes no erro.
     Por isso Sâo Paulo recomendou a Tito que atacasse duramente os hereges ao escrever-lhe: “Increpa illos dure” isto é, “Ataca-os duramente” (Tito, I, 13).
     Então, só faço imitar o que fez Jesus e que São Paulo recomendou.
     E qual o resultado desse método polêmico e nada diplomático usado pelo Site Montfort com os hereges que não querem se converter? E qual o resultado com o público?
     Com relação ao público, saiba que nosso site é de longe o mais visitado do Barsil em sua categoria, pois temos atualmente uma média de 280.000 acessos mensais. Quanto aos hereges, a graça de Deus tem abençaodo nosso apostolado, pois são inúmeras as conversões de hereges e pecadores, obtidas, com a graça de Deus, através das polêmicas que encetamos.
     Ademais são muito numerosos os leitores que inicialmente disputaram violentamente conosco, e que, depois, se arrependem e nos escrevem pedindo-nos perdão, reconhecendo o seu erro. Muitos deles se tornam bons amigos da Montfort e muitos ficam meus amigos pessoais. Basta você ver as cartas publicadas no nosso site, para constatar a verdade do que dissemos.
     Enquanto isso, qual o resultado dos sites que empregam um método “diplomático” de apostolado? Nem de longe eles obtém o êxito em conversões que Deus faz abençoando as polêmicas da Montfort.
     Portanto, continuaremos a seguir o exemplo de Nosso Senhor de combate duro e firme contra os hereges pertinazes, e de misericórdia para com os arrependidos.
     Um abraço bem amigo. 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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