Montfort Associação Cultural

26 de fevereiro de 2008

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A derrota da Espanha (Felipe II) para a Inglaterra (Elizabeth)

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Professor Orlando Fedeli.

Tenho procurado na internet pessoas que possam me ajudar com história, e já tinha visto em seu site e estou agora escrevendo para perguntar o seguinte, espero que possa me responder.

Na guerra entre Espanha (Filipe II) e Inglaterra (Elizabeth) como os espanhois perderam (armada invencível) esta guerra pois estava em maior número? O filme, Elizabeth a idade de ouro, que está passando nos cinemas tenta retratar este momento da história destes dois países. O senhor, por favor, pode me ajudar?

Paulo.

Muito prezado Paulo,
Salve Maria!
 
     Não assisti, e nem pretendo assistir esse filme.
     Se é difícil encontrar livros de História de real valor, imagine-se filmes históricos, que visam, antes de tudo, difamar a Igreja, e ter sucesso de bilheteria! Normalmente filmes históricos são anti históricos. Porque são anti católicos.
     E não basta ler um bom livro de História. É preciso lê-o sem prevenções.
     Digo isso, exatamente por causa do problema que você coloca. Não o problema de que um país pequeno possa vencer um país grande. Isso é muito comum na História. E por razões bem diversas. Por exemplo, a Inglaterra, com uma força militar mínima, venceu os argentinos, bem mais numerosos, nas Malvinas. Ou, o Vietnam, grande produtor de estilingues, venceu os Estados Unidos com tecnologia avançadíssima. 
     No caso anglo argentino, a preparação militar profissional dos ingleses venceu facilmente o despreparo das forças platinas. No caso do Vietnam, quem venceu não foi o estilingue vietcong, mas a imprensa americana, que derrotou as tropas yankees, tirando-lhe a razão de combater. Corroendo sua fibra.

     No caso da derrota da Espanha diante da Inglaterra, o problema é bem mais complexo.  
     Acontece que tive que enfrentar pessoalmente esse mesmo caso histórico, certa vez, em minha vida.
     Conto-lhe como foi isso.
     Naquele tempo, fazia eu parte do grupo do jornal Catolicismo, já transformado em TFP, e lá era eu sistematicamente mantido no “gelo”, por não me enquadrar no culto delirante ao dirigente máximo da TFP, Plínio Corrêa de Oliveira. 
     Ora, Dr. Plínio, promovia com entusiasmo a admiração por Felipe II, — o “Felipão” como ele o chamava.
     Nesse tempo, já aprendera eu a ler. Li então uma biografia de Felipe II – a de Thomas Walsh que era bem recomendada por Dr. Plínio. E a  biografia foi surpreendente. O grande Felipão parecia um tanto felipinho, no livro de Walsh, que, entretanto, elogiava aumentativamente o valor desse rei espanhol. Não quero negar, absolutamente, minha admiração pela morte do Rei Felipe II de Espanha. Mas não posso esconder minha decepção com sua vida.
     Nem vou aqui, nessa simples carta, fazer uma biografia dele. Conto apenas um caso.
     Felipe II, conta Walsh, se apaixonou pela Rainha Isabel I, da Inglaterra, a assassina, herética e feiticeira, A Rainha Virgem… Com muitos amantes.
     Apaixonou-se a tal ponto, que a protegeu contra o Papa. Protegeu-a contra a excomunhão papal. Foi a proteção de Felipe II a Isabel, que acabou por fazer triunfar o anglicanismo na Inglaterra. 
     Por “amor”…
     Foi como castigo por esse amor estúpido e errado de Felipe II por uma rainha péssima, que levou Deus a permitir a derrota da Invencível Armada por ventos e tempestades. Porque Deus atua também na História. Ele, o Onipotente, é o principal agente na História. Ele, mesmo dormindo na barca de Pedro, levanta-se, e ordena aos ventos que parem.
     Isso aconteceu, um dia, no mar da Galiléia.
     Isso não aconteceu nos mares do norte, no tempo de Felipe II e de Isabel de Inglaterra.
     E a Invencível Armada afundou.
     Em minha história pessoal, Dr. Plínio promoveu, um dia um debate — que não procurei–, fazendo um argentino, admirável por seu grande valor, defender Felipe II, exatamente com base no livro de Walsh. Ora eu, baseado nesse mesmo livro, havia criticado Felipe II e seus amores absurdos por Isabel de Inglaterra.
     O debate foi curto.
     Felipe II afundou.
     O que fez subir à tona outro ídolo admirado por Dr. Plínio: o espetacular Príncipe de Condé. O Grande Condé.
     Que foi homossexual.
     Que foi um sacrílego, apesar de sua genialidade militar e de sua coragem admirável como soldado. 
     Afundei também esse novo ídolo teefepêico.
     É preciso saber ler. 

In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

 

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