Montfort Associação Cultural

14 de abril de 2005

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A Controvésia de Valladolid

  • Consulente: Rafael Schaeppi
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Prezado Professor Orlando,

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pelo esforço que deve ser manter um site como esse. Espero que saiba o quão útil ele é para aqueles que buscam informações sobre a nossa igreja em tempos tão contrários a mesma.
Escrevo essa carta para questionar sobre a controvérsoa de Valladolid. Tive que apresentar um trabalho na faculdade sobre essa questão. O estudo feito para tal tarefa, devido ao curto espaço de tempo e as obrigações do dia a dia, foi bem superficial, confesso.
Pelo pouco que pesquisei, tive uma boa impressão sobre “las Casas”. Ele me pareceu ser uma pessoa que visava catequizar os índios sem abusos ao contrário de Sepúlveda, que defendia uma exploração do índio, muito mais que uma catequização.
Ao ler uma de suas respostas, encontrei diversas críticas a “Las Casas” mas nenhuma citação do seu posicionamento na controvéssia de Valladolid. Mas, como já falei, como meus estudos nessa questão foram muitíssimos superficiais, gostaria que o senhor se apronfundasse mais nela para esclarecer essa minha dúvida.

Muito Obrigado.

Rafael Schaeppi

Muito prezado Rafael,
Salve Maria!
 
    Muito obrigado por suas palavras de apoio ao nosso trabalho no site Montfort. Reze por nós.
    Las Casas é visto com bons olhos, hoje, por todos os inimigos da Igreja.
    Na realidade, ele não foi nada bom. E foi muito contraditório.
    Las Casas jamais aprendeu a língua dos índios e nunca se interessou em ensinar-lhes a religião Católica. Ele mais utilizou a questão indígena para aparecer e tirar vantagens explorando-a demagogicamente.
    Ele que tanto defendia os índios na teoria, tinha escravos negros. Ele que falava de abusos sobre milhões de mortos pelos espanhóis, colocando-se como testemunha visual dos abusos que relata, jamais cita o local e as circunstâncias dos fatos que narra, sempre de modo hiperbólico. Para Las Casas, os espanhóis eram monstros, e os índios anjos.
    Frei Motolinia diz que Las Casas “Nem aprendeu a língua dos índios, nem se aplicou a ensiná-los” (Miguel Garcia Olmo, Oh Desdichada España, in Joaquin Jareno Alarcóne Miguel A. Garcia Olmo, Humanidades para un Siglo Incierto, Universidad San Antonio, Quaderna Editorial, 1996, p. 56).
    Las Casas acreditava-se um enviado de Deus e agia tão contraditoriamente que vários autores o consideraram paranóico ou demente. Menendez Pidal põe em dúvida seu equilíbrio mental e fala em paranóia. Salvador de Madariaga mostra como Las Casas se apodera da causa indígena e vive dela e conclui:
    “Las casas era um enfermo mental que lutava com a paranóia” (Apud Ob cit p. 57).
    É claro que os escritos de Las Casas  foram acolhidos com entusiasmo nos países protestantes. Na Holanda protestante, seu livro Brevíssima Relação da Destruição das Índias, teve 21 edições.
    Agora, Las Casas é usado em nossas faculdades para denegrir a colonização católica. Hoje se fala, sem cerimônia que os espanhóis massacraram a população indígena do México. Como se explica então que a população índia seja de tão alta porcentagem no México, e que nas antigas colonias espanholas haja tão poucos espanhóis puros? Sempre, em todas as colônias espanholas prepondera o elemento índio ou mestiço, nunca o branco.
   
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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