Montfort Associação Cultural

12 de novembro de 2004

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A conexão eugenista

  • Consulente: Carlos Eduardo Monteiro
  • Localizaçao: Piracicaba – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

 fonte: site La Trêve de Dieu (http://www.trdd.org/EUGBROP.HTM)

A CONEXÃO EUGENISTA

É possível estabelecer em forma razoável uma relação entre as seitas New-Age, a Franco-maçonaria tradicional, o planejamento familiar, o nazismo, o aborto e a eutanásia, sem cair na paranóia do complô ou tentar saciar ódios doentios?

O enfoque de Thierry LEFÈVRE está baseado na metodologia científica que ele põe em prática na sua atividade como engenheiro: buscar vínculos, estabelecer conexões, descobrir as redes de funcionamento. Nos textos dos atores da política eugenista do Século XX, encontrou os fundamentos da sua busca: criar um mundo novo onde os homens que nascem com igualdade de direitos não nasçam e sobrevivam somente conforme os critérios de direito e dignidade que a sociedade lhes reconhece. Aqueles que não passam o exame ou cujo grupo não é reconhecido na sua total humanidade, já não têm direito de nascer ou .

Dali surge o temor de Axel KAHN, genetista, membro do Comitê nacional consultivo de Ética, “O que diferencia os homens, sua diversidade genética, poderia ser mais importante que aquilo que os une, sua humanidade”.

Margaret SANGER e seu segundo marido Noah SLEE, conhecido empresário da indústria do óleo “Trois-en-Un” (Três em um), de férias nos Alpes em 1927-28. Sua fortuna serviu para desenvolver a propaganda das idéias de sua mulher e corrigir sua reputação de racista.

O sorriso de uma “prole” de crianças colombianas de uma favela, consideradas, por Margaret SANGER, como uma raça inferior. Atualmente, a I.P.P.F tenta limitar sua “propagação”.


Índice

EUGENIA: A IDEOLOGIA DA CULTURA DA MORTE
O que é a eugenia?
As aplicações atuais da eugenia
Quem são os eugenistas?
A grande reorganização estratégica da eugenia: a cripto-eugenia
As palavras para dizê-lo

A HERANÇA EUGENISTA E RACISTA DO PLANEJAMENTO FAMILIAR
O “planejamento familiar”, propaganda e realidade
Retrato de Margaret Sanger
Uma estratégia pode ocultar outra

HISTÓRIA DE UMA MULHER OU OS INÍCIOS DO “PLANEJAMENTO” NA FRANÇA
Maternidade Feliz
A apropriação filosófica
Da contracepção ao aborto

EUTANÁSIA E EUGENIA
O projeto
O vocabulário
Os atores
As idéias
Na atualidade

O PLANEJAMENTO FAMILIAR, BRAÇO ARMADO DA NEW-AGE
O que é uma seita?
A Franco-maçonaria
A New-Age
A New-Age, inspiradora do nazismo
A New-Age, inspiradora do Planejamento Familiar
A estratégia oculta dos abortistas

CONCLUSÃO
ANEXO 1 :
ANEXO 2 :
NOTAS
Bibliografia
Revistas e publicações :

A EUGENIA: A IDEOLOGIA DA CULTURA DA MORTE

A eugenia é a ideologia da cultura da morte, cujas conseqüências mais assassinas são hoje o aborto e a eutanásia. É obra de homens e mulheres que odeiam o Criador e portanto amam a morte (Pv. 8:36). É preciso desmascará-la, especialmente nas organizações que inspira, como o Movimento Francês de Planejamento Familiar.

O que é a eugenia?

A eugenia é a filha dileta de Darwin: se as espécies se transformam por “seleção natural”, há  raças inferiores e raças superiores. Darwin declarava: “Entre os selvagens, os corpos ou as mentes doentes são rapidamente eliminados, os homens civilizados, entretanto, constroem asilos para os imbecis, os incapacitados e os doentes e nossos médicos põem o melhor de seu talento em conservar a vida de todos e cada um até o último momento, permitindo assim que se propaguem os membros fracos das nossas sociedades civilizadas. Ninguém que tenha trabalhado na reprodução de animais domésticos, terá dúvidas de que isto é extremamente prejudicial para a raça humana”.

Galton, primo de Darwin, inventou a teoria eugenista aplicada aos seres humanos: a substituição da seleção “natural” por uma seleção mais voluntarista. Com efeito, as organizações caritativas, ao assumir o cuidado dos pobres e dos doentes (qualificados como tarados, incapazes e inferiores), impedem o funcionamento da “seleção natural”. Exagerou-se enormemente, portanto, o impacto da transmissão das “taras”, o “atavismo”, para justificar dois objetivos complementares:

  • favorecer as raças chamadas superiores, eugenia positiva;
  • fazer desaparecer as raças chamadas inferiores, eugenia negativa.

Esta visão cientificista, exclusivamente materialista, onde o homem é apenas uma engrenagem de um mecanismo maior: a sociedade ou o Estado, pretende “melhorar” a raça humana até gerar o “super-homem”. A eugenia nasceu na época em que a ciência triunfante revolucionava o mundo da técnica. No materialismo existia uma grande tentação de utilizar o homem como um material ou animal, que pode ser melhorado por meio de cruzamentos e uma seleção “científica”. A sociedade deve tratar aqueles que considere vítimas de taras, “disgênicos”, inferiores, inadaptados, mal desenvolvidos, como membros gangrenados e amputá-los por razões de higiene social, sem levar em conta as proibições de uma moral “burguesa” derivada da superstição “judeu-cristã”. A relação com o médico ou o biólogo se transforma, então, numa relação que envolve três partes: o Estado, o médico e o doente.

As aplicações atuais da eugenia

O denominado aborto “terapêutico”: não tem nada de terapêutico porque não cura ninguém e porque os progressos da obstetrícia fazem com que já não seja absolutamente necessário para “salvar a mãe”. Os médicos, porém, exercem pressão psicológica nas mulheres grávidas, especialmente nas maiores de 35 anos. O diagnóstico pré-natal (que, aliás, pode prejudicar o bebê) tem a finalidade quase exclusiva de propor o aborto se o bebê tiver alguma probabilidade de malformação. Em forma hipócrita, preferiram chamá-lo de aborto “terapêutico” em lugar de aborto “eugenésico”.

O aborto legalizado sob a denominação de “Interrupção voluntária da gravidez” : veremos numa segunda parte como a interrupção voluntária da gravidez provém de uma manipulação das mentes, normalmente acompanhada de pressões econômicas e psicológicas, cuja finalidade é impedir que os pobres tenham filhos. Para a imposição deste tipo de aborto, foram utilizados diversos mitos. O principal é do filho “desejado” (ver o anexo “Filho desejado e eugenia”).

O aborto provocado involuntário: em geral é praticado nos países ocidentais com o nome de “contracepção”, mas mediante procedimentos que na verdade são abortivos, (mecânicos ou químicos), já que intervêm depois da concepção. Entre estes, destaca-se o D.I.U., dispositivo abortivo intra-uterino, que começou a ter difusão durante a primeira metade do século. Sua criação foi financiada pelos movimentos para o Controle da Natalidade (especialmente por Margaret Sanger). Na França, o D.I.U. foi erroneamente classificado, como um contraceptivo. Supõe-se que as pílulas “anticoncepcionais” de mini ou microdose, por sua escassa dosagem hormonal, têm um efeito “preventivo” impedindo a concepção e eventualmente “curativo” destruindo o fruto; ou seja, um efeito “abortivo”, que os fabricantes e os publicitários se cuidam muito bem de explicar a seus clientes. A pílula abortiva, RU 486 e outras drogas abortivas, como NORPLANT, estão destinadas a ser difundidas como anticoncepcionais na parte pobre do hemisfério, no Sul. Têm a vantagem de ser mais baratas e fáceis de administrar, e portanto, mais acessíveis para a população que as pílulas diárias. O pretexto invocado é o risco que correm as mulheres, devido aos abortos ilegais, supõe-se que numerosos. (Para a OMS 200.000 mulheres morrem anualmente no mundo devido a abortos ilegais). Estas mentiras já foram utilizadas para obter a legalização do aborto.

A fecundação in vitro com transferência de embriões: Realiza-se assim o sonho dos eugenistas: separar totalmente a procriação da sexualidade. Se o pai receptor é estéril, seleciona um doador de “qualidade” e depois entre os embriões, é escolhido aquele que será implantado em função de critérios de “qualidade”. Testard denunciou esta “eugenia democrática”. A Fecundação in vitro com transferência de embriões, mesmo não havendo seleção, é muito mortífera: são fecundados uma quantidade de óvulos, procriando assim uma quantidade de seres humanos embrionários. Deles apenas uma minoria tem alguma probabilidade de chegar a termo.

A esterilização involuntária ou forçada : surgiu nos Estados Unidos, na Grã Bretanha e na Suécia, países onde houve uma eclosão da eugenia. Também foi praticada na Alemanha sob o Terceiro Reich, período em que foram realizadas muitas pesquisas sobre meios de esterilização de massa, que foram continuadas depois da guerra pelos movimentos eugenistas nos países anglo-saxões. A esterilização forçada é aplicada hoje na China pelo governo comunista, no contexto de uma política abertamente eugenista. A esterilização involuntária é praticada em muitos países do Sul: quer seja esterilizando as mulheres sem elas saberem, por ocasião de outras operações, quer seja submetendo-as a campanhas de “vacinação” que incluem um esterilizador na vacina.

A eutanásia: (ver o capítulo “Eutanásia e eugenia” ). Atualmente é praticada em grande escala na França e em todos os países ocidentais, legal e ilegalmente. Sua finalidade é reduzir o custo de manutenção das pessoas de idade avançada e de aquelas que se tornaram socialmente “inúteis” e por não alcançar certas normas de “qualidade de vida”, são consideradas “indignas de viver”. O sistema permite perpetuar os sistemas de aposentadoria para as pessoas ativas com boa saúde. Aqui também há uma grande hipocrisia: fala-se em redução do sofrimento dos doentes, de qualidade de vida, de morte digna.

O projeto do genoma humano é um velho projeto dos eugenistas. Foi lançado pela Sociedade Americana de Genética Humana (ASHG), fundada pelo Dr. Franz J. Kallmann (membro da Sociedade de Eugenia Americana) que trabalhou com os nazistas. O conhecimento do mapa do genoma humano permitirá afinar a seleção dos filhos antes do nascimento, e inclusive sua produção industrial, dentro da visão de Francis H. Crick (prêmio Nobel em 1962 junto com James D. Watson pela descoberta do DNA): “Nenhum recém-nascido deveria ser declarado humano enquanto não houver passado com êxito certos testes relativos a seu patrimônio genético, e em caso de fracasso frente a tais controles, deveria ser privado do direito de viver.” (Pacific News Service, 01/1978). Estas pesquisas são apresentadas como animadas pela finalidade da “terapia genética”; mas na verdade a “terapia genética” é a morte do doente; neste caso, a de seres humanos embrionários.

A ingerência do estado na família: é exercida de várias maneiras. Na China, o Estado, com ajuda da I.P.P.F., obriga as famílias a terem um único filho, às vezes dois, por meios coercitivos (abortos ou esterilização forçados) e de propaganda (forte repressão dos rebeldes). Outras nações implementam políticas que prejudicam as famílias numerosas ou as estimulam à esterilização.

Na mesma ordem de idéias, costuma acontecer que o Estado pretenda se intrometer na educação dos filhos, sendo que este âmbito pertence aos pais e eles somente delegam sua autoridade.

“A ameaça dos homens inferiores. Os delinqüentes masculinos têm uma média de 4,9 filhos, um casal de delinqüentes: 4,4 filhos ; pais de filhos fracos na escola (3,5) ; a família alemã: 2,2 filhos; um casal de boa extração, 1,9 filhos” de Otto Helmut, em Volk in Gefahr (Povo em perigo), Munique, 1937.

Esta imagem mostra bem as raízes da eugenia e as origens do preconceito contemporâneo contra as famílias numerosas. Os nazistas aplicaram métodos brutais. Os cripto-eugenistas de hoje têm a mesma mentalidade que os nazistas, mas preferem manipular suas vítimas para que elas acreditem que o aborto e a contracepção constituem o exercício da liberdade de escolha para atingir o bem-estar.

Quem são os eugenistas?

Entre os eugenistas encontramos duas grandes famílias (ver o anexo “Alguns eugenistas famosos”):

* capitalistas oportunistas ou livre-pensadores (Rockefeller, Kellog, Mellon, Ford, Carnegie, Agnelli, Mac Cormick, etc.), que encontram na eugenia uma justificativa a seu egoísmo e um pretexto para destruir povos que são competidores potenciais (com o pretexto de seu progresso e felicidade);

* os socialistas materialistas, internacionalistas ou nacionalistas (mais tarde denominados nacional-socialistas, nazistas), que se tratavam nos ambientes intelectuais das grandes cidades.

Logo depois os primeiros financiaram os segundos.

Teria sido possível pensar que a revelação das atrocidades nazistas teria criminalizado definitivamente a eugenia. No entanto, “os anos posteriores à guerra não foram de uma condena horrorizada e enérgica à eugenia. O discurso eugenista é mais infreqüente, porém,  não desapareceu e quando se expressa,  ele o faz sem grandes dificuldades” ( 1 ) .

O ativismo eugenista na França é praticado mais por extremistas neomalthusianos (libertários e socialistas) que por médicos. Estas minorias garantiram e garantem a propaganda e o apoio da eugenia anglo-saxã, que produz uma associação muito mais fácil entre dinheiro,  médicos e ativistas. Isso não significa que os médicos franceses não sejam eugenistas. Não o são abertamente, mas muitos adquiriram os reflexos eugenistas através da sua formação, como conseqüência das ações que realizou o lobby pró-aborto a partir dos anos 50.
 

Na França, a propaganda dos eugenistas, que se confundem com os neo-malthusianos, foi reprimida a partir de 1920, devido à  preocupação do Estado pela  população. Recomeçou nos anos 50, principalmente por iniciativa da franco-maçonaria. Os militantes do “Controle da Natalidade”, com efeito, encontraram há muito tempo importantes apoios e um terreno favorável entre as correntes que o M.F.P.F. qualifica como “racionalistas”: a Franco-maçonaria, a Liga dos Direitos do Homem, os Livres-pensadores, e a União Racionalista. O conjunto destas correntes é na verdade uma aliança de seitas esotéricas e anticlericais violentas, que compartilham o ódio pelo cristianismo.

A Grã Bretanha, por sua parte, oficializou desde os anos 20 as práticas neomalthusianas. A Suécia também. Os Estados Unidos e o Japão também não conheceram uma verdadeira repressão da eugenia. Isso talvez explique por que estes países são os principais promotores da eugenia no mundo.

A Sociedade Eugenista inglesa fundou, com a colaboração de eugenistas notáveis (entre os que se encontram Margaret Sanger e C.P. Blacker), a Federação Internacional de Planejamento Familiar (I.P.P.F.), com sede nos mesmos escritórios da Eugenics Society em Londres. De 1969 a 1975, o presidente do comitê de diretoria da I.P.P.F. foi George Cadbury, membro da Sociedade Eugenista inglesa.

A I.P.P.F. continua sendo membro da Eugenics Society inglesa em 1977. A I.P.P.F. é uma federação internacional de todos os movimentos de Planejamento Familiar, em especial o Movimento Francês para o Planejamento Familiar.

A I.P.P.F. e seus satélites nos diferentes países, obtiveram:

  • a legalização da contracepção artificial e mais tarde do aborto, nos países ocidentais, como ferramentas de “liberdade de escolha” na revolução sexual (o termo “escolha” é sinônimo de “seleção”…); ;
  • a esterilização involuntária e a disseminação de abortivos sob a aparência de serviços de saúde no Sul;
  • a esterilização e o aborto obrigatórios na China comunista.

Pode-se resumir em alguns pontos a política geral da I.P.P.F.:

Violação e exploração da lei: “As associações de Planejamento Familiar e as outras O.N.G. não devem utilizar a falta de leis ou a existência de uma lei desfavorável como desculpa para sua inação; a ação fora da lei, e inclusive em violação da lei, faz parte do processo que estimula a mudança.” ( 2 ) .

A coerção: a I.P.P.F. apóia a política de abortos forçados na China, “a mais notável de todas as políticas de planejamento familiar ” ( 3 ) .

O apoio governamental: A I.P.P.F. sustenta-se com o dinheiro dos contribuintes britânicos desde 1967, ano de introdução do aborto na Inglaterra. Em 1980 o governo britânico doou à  I.P.P.F. 22 milhões de francos; em 1987, 66 milhões de francos.

Os ataques a outras culturas nacionais: “Especial prioridade foi dada, dentro da região européia, à ajuda da I.P.P.F. a países que têm barreiras culturais ou religiosas contra o planejamento familiar, a  países com políticas favoráveis ao nascimento…” ( 4 ) .

O estímulo à promiscuidade sexual: mediante a literatura e a distribuição sem controle de meios chamados “contraceptivos”. A homossexualidade e a pedofilia são comportamentos sexuais também fomentados, por serem estéreis. A I.P.P.F. e suas filiais pretendem lutar contra a AIDS, reduzir a gravidez na adolescência, melhorar as condições de vida das mulheres. Mas os resultados que se observam são exatamente os opostos, com efeitos não difundidos que concordam com os objetivos eugenistas: por exemplo, o aumento da taxa de abortos na população negra dos EUA. ( 5 ) .

Os lobbies no plano internacional: a I.P.P.F. tem grande influência na ONU e nas suas agências, como por exemplo a UNICEF (a UNICEF subsidia as atividades de planejamento familiar), a OMS e a UNESCO (o primeiro secretário geral da UNESCO, Sir Julian Huxley, era presidente da Sociedade Eugenista inglesa). As conferências internacionais sobre população, organizadas pela ONU, devem-se a iniciativas eugenistas.

A grande reorganização estratégica da eugenia: a cripto-eugenia

A mais famosa das eugenistas foi Margaret Sanger, ao mesmo tempo socialista extremista e com o dinheiro de seu marido capitalista (Slee, do óleo “Três em um”, ver foto na capa) à sua disposição, fundadora do “Planejamento Familiar”, que teve vários nomes ao longo deste século:

  • de 1922 a 1939, American Birth Control League (Liga americana para o controle da natalidade);
  • de 1939 a 1942, Birth Control Federation of America (Federação americana para o controle da natalidade);
  • de 1942 a nossos dias, Planned Parenthood (A paternidade planejada), ou bem “Planejamento Familiar”; todas as associações nacionais se agruparam a partir de 1952 na I.P.P.F. (International Planned Parenthood Federation, federação internacional para o planejamento familiar).

Veremos depois, no capítulo “A herança eugenista e racista do Planejamento Familiar” como, seguindo os conselhos de um consultor em relações públicas, o movimento aceitou, embora a desgosto, abandonar em público o discurso revolucionário e eugenista para aparecer como promotor dos valores nacionais e familiares. Esta manipulação trouxe ao Planejamento Familiar, a admiração e o respeito de quase todo o país, e em especial de todas as pessoas envolvidas nos serviços sociais.

Depois da segunda guerra mundial, a Sociedade Eugenista Americana muda também a estratégia: passa à cripto-eugenia sem modificar nada de seus objetivos. Frederick Osborn, que tinha presidido a Eugenics Society americana de 1946 a 1952, declarava em abril de 1956 :

“Faz 86 anos Galton publicou “Le génie héréditaire”; faz 86 anos (…) ele via o movimento eugenista como algo que varreria o mundo e tornaria o homem amo de seu próprio destino sobre a terra. Isso não aconteceu. O movimento eugenista é apenas um pequeno punhado de homens em vários países; aqui na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Índia, na França. Eles não têm influência na opinião pública. Inclusive a palavra “eugenia” está desacreditada em alguns lugares. Eu, entretanto, continuo acreditando no sonho de Galton. A maioria de vocês também, acho. Devemos nos perguntar: – qual foi nosso erro?

Penso que não levamos em conta um traço de caráter quase universal, muito instalado na natureza humana. As pessoas simplesmente se negam a aceitar a idéia de que a base genética que forma seu caráter é inferior e que não deveria repetir-se na geração seguinte. Pedimos a grupos inteiros de pessoas que aceitassem esta idéia. E têm se negado em forma constante, e com isso, o que fizemos foi  matar o movimento eugenista.

As pessoas podem aceitar a idéia de um defeito hereditário específico. Eles vão a uma clínica de genética e perguntam qual é o risco que eles têm de ter um filho defeituoso. Comparam este risco com a probabilidade de ter um filho são e, em geral, acabam tomando uma decisão inteligente. Mas não aceitarão a idéia de que, em geral, são de segunda classe. Temos que nos apoiar em outras motivações.

Em circunstâncias normais, os homens têm uma quantidade de filhos proporcional à sua capacidade para cuidá-los. Se eles se sentem financeiramente seguros, se gostam de assumir responsabilidades, se têm uma resposta afetiva cálida, se são fisicamente fortes e competentes, é provável que tenham famílias grandes,  contanto que estejam psicologicamente preparados para isso. No entanto, os que não podem alimentar os filhos que têm, temem as responsabilidades, se sua resposta afetiva é escassa, não vão querer ter muitos filhos. Se dispõem de meios eficazes de planejamento familiar, não terão muitos. Nossos estudos demonstraram que isto é válido em todo o mundo. Com base nisso, é certamente possível construir um sistema de seleção voluntária inconsciente Mas os argumentos invocados devem ser aceitáveis de maneira geral. Devemos parar de dizer a todos que eles têm uma qualidade genética globalmente inferior, porque eles não concordarão jamais. Devemos apoiar nossas propostas no desejo de ter filhos (nascidos) em famílias onde serão cuidados com carinho e com responsabilidade, talvez assim nossas propostas sejam aceitas.

Acho que se a eugenia quer progredir como deveria, tem que ter políticas novas e reafirmar-se, e deste renascimento talvez possamos, em vida, ver como atinge os elevados objetivos que Galton estabeleceu”. (Eugenics Review, abril 1956, v.48 Nro.°1).

Em general, Osborn é considerado responsável pela reforma do movimento eugenista depois da segunda guerra mundial; dizem que ele o purgou do racismo. Ao mesmo tempo que efetuava esta “reforma”, porém, ele foi presidente em forma secreta do Pioneer Fund, de 1947 a 1956. O Pioneer Fund é uma organização muito conhecida por apregoar a supremacia branca. Logicamente, um racista encoberto não pode purgar o racismo; pode purgar o racismo aberto conservando ao mesmo tempo, uma política que pode ser considerada “cripto-racista”.

Em 1973, a Sociedade de Eugenia Americana modifica seu nome: atualmente se chama: Sociedade para o Estudo da Biologia Social .

Em finais dos anos 50, o doutor Carlos Paton Blacker, que tinha sido dirigente da Eugenics Society desde 1931 (Secretário primeiro, depois secretário geral e finalmente diretor e presidente), fez esta proposta:

“Que a Sociedade de [Eugenia] deveria perseguir objetivos eugenésicos por meios menos visíveis, ou seja, uma política de cripto-eugenia, que aparentemente é um êxito na Eugenics Society americana”.

Em 1960, esta proposta de Blacker foi adotada pela Eugenics Society inglesa. Esta resolução declarava, entre outras coisas:

“As atividades da Sociedade em cripto-eugenia deveriam ser continuadas com energia, em particular, a Sociedade deveria aumentar o apoio econômico à F.P.A. [Associação de Planejamento Familiar, área inglesa de planejamento familiar] e a I.P.P.F. [International Planned Parenthood Federation] e entrar em contato com a Sociedade para o Estudo da Biologia Humana [Society for the Study of Human Biology], que já tem grande quantidade de membros ativos, para ver se lá havia projetos interessantes com os quais a Eugenics Society pudesse colaborar.

A I.P.P.F. nasceu da Eugenics Society. No momento em que esta resolução foi adotada pela Eugenics Society inglesa, Blacker era o presidente administrativo da I.P.P.F.

As palavras para dizê-lo

O número de setembro de 1994 do Correio da UNESCO (cujo primeiro secretário geral foi presidente da Eugenics Society inglesa) trata sobre a bioética, ou mais exatamente, sobre “a ética da engenharia no homem”. Georges B. Kutukdjian, filósofo e antropólogo, chefe da unidade de bioética da UNESCO, explica ali a posição da UNESCO :

A primeira pergunta que se deve formular está referida ao diagnóstico prévio à implantação, realizado em embriões fecundados artificialmente, que em virtude de sua maior simplicidade e do menor custo tem todas as possibilidades de substituir a terapia gênica nos casos, escassos, de doenças genéticas. Isto implica uma escolha [compreender "seleção" NDLR] cujo marco já foi definido em termos éticos.

A segunda pergunta é saber se o trabalho que se faz atualmente não corre o risco de concentrar-se exclusivamente nos genes que se referem ao comportamento das pessoas: “sua sexualidade, por exemplo”, seus talentos e capacidades e inclusive seus “desvios”. Isto poderia conduzir a uma espécie de reducionismo genético no qual as pessoas seriam definidas exclusivamente em termos de seu genoma, ou bem a uma situação na qual alguns indivíduos ou grupos poderiam ser estigmatizados pela sociedade, isolados ou inclusive eliminados. Isto implicaria adotar uma política eugenista.”

Este discurso é uma notável tentativa de subversão da linguagem: a eugenia já não seria a seleção dos seres humanos conforme métodos reservados aos animais, constituiria apenas excessos eventuais da alta tecnologia, quase irrealizáveis hoje. Este deslocamento semântico é compartilhado por boa parte da mídia e da população que não vê a “eugenia democrática” que denuncia Testard.

Caro Carlos Eduardo,
salve Maria!
 
Muito obrigado por fazer a citação do site do Sr. Lefèvre, site este que conheço e considero bastante interessante, pois revela verdades que são silenciadas pela mídia moderna sobre a eugenia e seu estreito vínculo com a genética.
 
Contudo, gostaria de indicar-lhe para leitura o livro “Guerra Contra os Fracos”, editora Girafa, edição de 2003, do famoso jornalista americano Edwin Black. O livro é fartamente documentado e trás declarações terríveis dos principais personagens deste capítulo trágico da ciência moderna e também fatos surpreendentes, que demonstram como o genocídio perpetrado pelo criminoso regime Nazista sofreu sua gestação dentro do sistema democrático americano, onde a elite intelectual defendeu e promoveu a Eugenia Negativa no início do século XX. O livro ainda tem um interesse adicional pelo fato do autor ser um jornalista liberal, e portanto insuspeito, e pelo fato de que o livro teve o apoio da Planned Parenthood, uma sinistra ONG que promove o aborto e a contracepção mundo afora. Inacreditável.
 
Sancte Michael Archangele, Defende nos in praelio. 
Paulo Sérgio R. Pedrosa.

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