Montfort Associação Cultural

23 de abril de 2006

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A caridade Ecumênica da Canção Nova

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcela Ribeiro Bueno Teles
  • Idade: 20
  • Localizaçao: Goiânia – GO – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Católica

Salve Rainha, queridos!

Gostaria de um esclarecimento de vocês sobre o movimento Renovação Carismática Católica. Senti-me intrigada ao ver um artigo aqui neste sítio em que vocês criticam negativamente a RCC e à Rede Canção Nova, pois sou admiradora deste movimento, assito à TV Canção Nova e minha paróquia é carismática. Peço que me informem sobre este assunto.
Obrigada pela atenção.

Muito prezada Marcela,
Salve Maria!
 
 
    Critiquei os graves erros contra a Fé existentes nos livrecos do Padre Jonas Abib, da Canção Nova.
    Livrecos, sim. Livrecos pelo aspecto material, mas muito mais livrecos pelo seu conteúdo sem valor, cheio de erros contra a Fé, como já demonstrei em artigos e cartas no site Montfort.
    Padre Jonas defende, sem a menor cerimônia, várias heresias.
    A sua falta de conhecimento doutrinário é patente. Mas quem não conhece a doutrina católica não deveria se abalançar a escrever sobre ela. Muito menos a pretender guiar milhares de pessoas no caminho que pretende ser de Deus, mas que é o do erro. Padre Jonas, por exemplo, defende que temos certeza da salvação. E isso é contra a Fé. Ele defende uma segunda vinda de Cristo na terra, quando Jesus nos disse que só virá para o juízo final.
    Padre Jonas é milenarista. Por ignorância, ou não, ele é milenarista. E o milenarismo está errado.
                                                                                   

 
    Depois da campanha movida pela Montfort contra o uso de células embrionárias, membros da entidade que presido foram convidados a participar de programas na TV da Canção Nova, em apoio à campanha, em boa hora lançada pelo Padre Jonas Abib, contra a lei do aborto anunciada por Lula.
    Apesar dos erros da Canção Nova e do Padre Jonas Abib, autorizei os membros da Montfort a apoiarem essa campanha em defesa da lei de Deus, visando obter 1.000.000 de assinaturas contra a lei de aborto.
    Apoiei e apoio essa campanha contra o aborto, porque, quando se trata de defender a Lei de Deus e a justiça, ninguém pode negar a sua colaboração. Mandei que os membros da Montfort, convidados a falar na TV Canção Nova, não deixassem de afirmar que eram da entidade que presido. Várias vezes eles disseram que eram da Montfort, e até mesmo, no ar, indicaram este site. Julguei então que os membros da Canção Nova colocavam, como é de justiça, a defesa da lei de Deus acima dos interesses de sua entidade e do prestígio pessoal do Padre Jonas.
    Ledo engano.
    Nesta semana, quando ia ser votada a lei de biossegurança, fui convidado a falar em programas da TV Canção Nova.
    Fui, com prazer, ajudar a defender a lei de Deus, e agradeci a Canção Nova a oportunidade que me dava de colaborar nessa campanha pela salvaguarda da moral católica e do direito dos embriões à vida. Disse isso mesmo, num primeiro programa de que participei, e pelo qual obtive efusivos cumprimentos, quer da Senhora apresentadora do programa, Sra. Glória, como até mesmo dos câmeras que trabalhavam no estúdio.
    A seguir, deveria eu falar noutro programa, após uma hora de “louvor”, que nem imaginava eu o que seria, pois jamais assisti programas da Canção Nova.
    O tal “louvor” seria das 11 horas ao meio dia, do dia 3 de março.
    Eu deveria falar depois das orações de “louvor”.
    Entrando no estúdio, vi o que nunca assistira: uma senhora declamando frases sentimentais diante de um crucifixo, num exibicionismo piegas e afetado, diante de um punhado de pessoas simples, sentadas diante dela, com música de fundo sentimental, e balançando-se lentamente. Parecia uma cena de hipnose, na qual as pessoas se esforçavam em colaborar para entrar em pseudo transe místico.
    Isso seria uma brincadeira de mau gosto, se não fosse erro crasso em matéria mística, erro que pode ter conseqüências bem graves.
    Logo após uma ordem-convite, as pessoas em auto hipnose, começaram a balbuciar palavras desconexas, e compreendi que estavam praticando a famosa oração em línguas. Programada, ordenada e obedecida. Como se o Espírito Santo estivesse à disposição para aquele palavrório vazio e sentimental.
    Evidentemente, não poderia eu participar daquela encenação.
    Que fazer?
    Preparei-me para criticar tal exibicionismo afetado e pretensiosamente místico.
    Ia ser um reboliço diante das câmeras.
    Mas a verdade deveria ser dita.
    Comecei a rezar imediatamente um terço, pedindo a Nossa Senhora que me ajudasse a agir prudentemente, mas sem contradição. Ou que fizesse acontecer algo, de última hora, que me poupasse a participação naquela pantomima pseudo mística.
    Quase no momento em que deveria ser chamado para participar do programa, — e eu estava decidido a atacar o que estava sendo feito, o que não seria nada diplomático, mas que a justiça exigia, pois a verdade está acima da diplomacia e da etiqueta — quando, na quarta dezena do terço, inopinadamente, fui chamado para conversar com dirigentes da Canção Nova.
    Uma funcionária me informou que, por um imprevisto, o programa da tarde, com o Professor Felipe de Aquino, infelizmente não seria realizado.
    Logo desconfiei qual seria a razão imprevista: minhas criticas ao Padre Jonas Abib.
    Isto significava que a Canção Nova colocava o prestígio do Padre Abib, a pessoa dele, acima da lei de Deus.
    Um crítico do Padre Jonas não poderia colaborar na defesa da lei de Deus, na TV da Canção Nova. 
    Dito e feito.
    Fui levado a uma saleta, a uma mesa, onde, à minha frente, sentaram-se dois rapazes chamados Márcios, que foram educados, embora quase calados, e a meu lado, numa ponta lateral da mesa, com ares de moderno “inquisidor” uma pessoa que se apresentou como sendo Ricardo Sá.
    Ele endossava uma camisa com um Jesus Cristo multi colorido, para provar ao mundo seu amor tecnicolor ao Filho de Deus encarnado.
    A pessoa que disse chamar-se Ricardo Sá se queixou de que eu atacara Padre Jonas Abib no site Montfort assim como a ele também.
    Na verdade, não fui eu que o ataquei.
    Um leitor do site Montfort me mandou uma carta, criticando esse Ricardo Sá, porque ele dissera, em certa ocasião, que São José fora “um omisso”.
    Essa afirmação é uma injúria que raia a blasfêmia.
    Pena que não me lembrava desse absurdo dito por Ricardo Sá, porque então eu protestaria contra essa ofensa feita por ele contra o santo pai adotivo de Cristo.
    Disseram-me os dirigentes da Canção Nova que houvera um engano em me convidar, pois não haviam atinado que tinham convidado uma pessoa que atacara as obras do Padre Abib.   
    E Ricardo Sá me perguntou por que chamara eu de “livrecos” os livros de Padre Jonas Abib.
    Confirmei que eram mesmo livrecos, material e formalmente livrecos, e que continham heresias.
    Perguntou-me Ricardo Sá, candidato a “inquisidor” com fisionomia de pedra, se eu lera todos os livros do Padre Jonas.
    Respondi incontinenti que não os lera a todos, claro, porque, assim como pelo dedo se conhece um gigante, por uma heresia se conhece a má doutrina de um autor. Se uma corrente tem um anel partido, pode-se dizer que a corrente está partida, sem precisar examinar todos os demais anéis dela. Quando se constatou que uma pessoa tem câncer, pode -se dizer que ela é cancerosa. Quando um Padre diz algo herético, em livro, pode-se julgá-lo com má doutrina.
    Contestou-me ele que eu era muito incisivo. E que mesmo falando a eles eu continuava incisivo.  
    Respondi que aprendera esse estilo no Evangelho, pois Cristo, convidado por um fariseu a comer em sua casa — assim como eu fora convidado a falar na TV Canção Nova — acusou os fariseus de hipócritas e de serpentes. E quando um Doutor da Lei reclamou dizendo: “Mestre, falando assim, também ofendes a nós, Doutores da Lei” (Luc. XI, 52). Nosso Senhor contestou: “Malditos vós também, Doutores da Lei” (Luc. XI, 52).
    A linguagem do Evangelho é a do sim, sim, não, não.
    O “Inquisidor” da Canção Nova disse-me que deveria compreender que assim era “inviável” minha participação nos programas deles.
    Respondi que compreendia que eles pensassem assim. Mas que, apesar disso, eu apoiaria a campanha deles contra o aborto, porque todo católico é obrigado a cooperar na defesa da lei de Deus, mesmo que não o aceitassem.
    Disse que compreendia a atitude deles. Era fácil perceber a falta de elevação dessas pessoas, especialmente do candidato a “Inquisidor”, Ricardo Sá, com sua camisa multicolorida, espalhafatosamente comprovante de seu amor extremado a Deus Nosso Senhor. Esse pretenso “inquisidor” permitia-se injuriar São José, mas não ao Padre Jonas.
    Ele vestia a camisa de um Cristo tecnicolor.
    Para defender Padre Abib.
    Desse modo ficou comprovado que a Canção Nova coloca o nome e a pessoa do Padre Jonas Abib acima da defesa da lei de Deus.
    Retirei-me.
    Essa recusa da Canção Nova em aceitar minha colaboração na defesa da muralha da Fé está em completo contraste com o modo ecumênico com que Padre Jonas e a Canção Nova recebem os hereges.
    Para comprovar o que digo, veja-se a seguinte notícia da Canção Nova, e registrem-se as palavras acolhedoras do Padre Jonas Abib, recebendo amistosamente hereges protestantes que recusam reconhecer a honra da Virgem Maria:
 

Apresentação evangélica no Hosana Brasil .
 Domingo, 05/12/2004   08h13m
 
    “A Canção Nova apresenta um espaço evangélico na manhã deste domingo, 05 de dezembro, no Novo Centro de Evangelização, dentro do evento Hosana Brasil.
    “Esse momento evangélico conta com as presenças do Ministério Vencedores por Cristo, existente há mais de 30 anos, desenvolvendo um trabalho musical por todo o Brasil. São músicos, na maioria profissionais, que dedicam parte de seu tempo para compartilhar o amor de Deus às pessoas através de seus talentos e dons.
    “A outra presença é do cantor evangélico João Alexandre, músico, intérprete, compositor e arranjador, que já participou de muitas produções e trabalhos marcantes da música evangélica, recebendo o apoio da missão Vencedores por Cristo, que atualmente distribui, divulga e presta serviços na área de propaganda e vendas para João Alexandre.
“Queremos viver a espiritualidade da Comunhão. Que este espaço esteja aberto a todos aqueles que estão dispostos a anunciar o Evangelho, levando-o a todas as pessoas”, disse Pe. Jonas Abib no final do show, alegrando-se com a presença dos músicos evangélicos na Canção Nova.
Adriana Tomazella Jornalismo Canção Nova
http://www.cancaonova.com/portal/canais/noticias/cnj_nprev.php?id_materia=12933
 

   
    Quer dizer que Padre Jonas Abib se alegra com a presença de músicos evangélicos, como anunciadores do Evangelho, na Canção Nova, embora esses hereges recusem reconhecer a Virgindade perpétua de Nossa Senhora e aceitar o Papa como pastor supremo da Igreja.
    Mas, se alguém ataca — com justiça — as heresias de Padre Jonas, então a pessoa que ousou praticar esse crime de lesa Abib não é bem vinda na Canção Nova. Mesmo que seja para cooperar na defesa da lei de Deus contra uma lei iníqua que permite matar embriões.
    Assim é o ecumenismo: todo sorriso para hereges. Todo multicoloridamente duro para com católicos.
    Num outro de seus livrecos, Padre Jonas Abib escreveu sobre os hereges protestantes:
 
[Eles] São irmãos nossos, e nós os amamos, porque trazem alguns traços da nossa família. Por isso não os desprezamos– eles sim nos desprezam, nos atacam — mas sabemos que são irmãos e os queremos como irmãos” (…) 
“Nós, católicos, precisamos nos preparar para recebê-los de volta. Em vez de continuar cedendo aos ataques protestantes, especialmente das seitas que nos consideram fora da salvação e nos rotulam de idólatras e de tantas outras tantas inverdades, precisamos nos preparar para receber de volta nossos irmãos que se separaram. Eles nos atacam: nós os recebemos como irmãos que precisavam voltar à única Igreja, que começou há mais de dois mil anos, quando Jesus entregou a Pedro as chaves do Reino dos Céus, dando-lhe autoridade” (Padre Jonas Abib, Reinflama o Carisma, edições Loyola, São Paulo, 2.003, pp 76-77).
 
    Não foram palavras semelhantes que me dirigiu o senhor que se me apresentou como sendo Ricardo Sá, em nome da Canção Nova, aquele que se permite chamar São José de “omisso”.
    O “amor” ecumênico só vale para hereges que atacam o Papa e Nossa Senhora. 
    Quem ataca Padre Jonas Abib, para esse, não há palavras acolhedoras, mas convite para se retirar, ainda que ele esteja cooperando para a defesa da lei de Deus.
    Isso comprova como o ecumenismo da Canção Nova coloca a reputação do Padre Jonas Abib acima da honra de Nossa Senhora e do Papa. Recusar os dogmas marianos e a suprema autoridade do sucessor de São Pedro não torna os hereges protestantes impossibilitados de participar de atividades da Canção Nova. Porém, atacar Padre Jonas Abib pelas heresias que escreve em seus livrecos, ah! Isso é imperdoável.
    Assim “raciocina” a Canção Nova. Assim julga seu candidato a “inquisidor”, que disse chamar-se Ricardo Sá, aquele que se permite chamar São José de “omisso”, mas que exibe sua fé impoluta através de uma camisa com um Cristo multicolorido.    
    Contradições da Canção Nova.
    Contradições do ecumenismo, ainda que muticolorido.
    Que Deus tenha pena deles.
 
In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

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