Montfort Associação Cultural

18 de julho de 2005

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39 Livros?

  • Consulente: Moisés Nascimento
  • Idade: 30
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Programador e Ass. administ.
  • Religião: Evangélica

A FORMAÇÃO DO CÂNON DO VELHO TESTAMENTO

Os Cristãos Católicos nos acusam de retirar livros da bíblia. Nos, Cristãos Evangélicos, não concordamos. Quais são os livros que pertencem ao Cânon do Velho Testamento? Por que só os 39? A Igreja Católica Romana, desde o Concílio de Trento, (1546), tem recebido outros livros como canônicos. Estes são 14 apócrifos, que vem do adjetivo grego “apokriphos” (ocultos). Estes livros são: 1° e 2° Esdras, Tobias, Judite, Adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Livro de Baruque, Eclesiástico, Sabedoria de Salomão, 1° e 2° Macabeus, Adições a Daniel, que inclui a Oração de Azarias, o Cântico dos Três Hebreus e Bel e o Dragão. Vamos examinar o conteúdo e origem destes livros duma maneira bem resumida, depois verificar porque não foram aceitos pela Igreja Evangélica.

Os Apócrifos, originaram-se do terceiro ao primeiro século AC. a maioria dos quais de autor incerto, e foram adicionados a Septuaginta, tradução grega do Velho Testamento, feita naquele período. Não foram escritos no hebraico da Tanach (Tanach (Velho Testamento)). Foram produzidos depois de haver cessado as profecias, oráculos e a revelação direta do Tanach (Velho Testamento) e Flavio Josefo rejeitou-os totalmente. Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte das Escrituras hebraicas. Nunca foram citadas por Jesus , nem por ninguém mais na Brit Hadasha (Novo Testamento). Não foram reconhecidos pela Igreja Primitiva como de autoridade canônica, nem de inspiração divina. Quando se traduziu a Bíblia para o latim, no segundo século A.D. sua Tanach (Velho Testamento) foi traduzida, não a Tanach (Velho Testamento) hebraica, mas da versão grega da Septuaginta da Tanach (Velho Testamento). Da Septuaginta esses livros apócrifos foram levados para a tradução latina; e daí para a Vulgata, que veio a ser a versão comumente usada na Europa Ocidental até o tempo da Reforma.

Os Evangélicos baseando seu movimento na autoridade divina da Palavra de Deus, rejeitaram logo esses livros apócrifos como não fazendo parte dessa Palavra, assim como a Igreja Primitiva e os hebreus antigos fizeram. A Igreja romana, entretanto, no Concílio de Trento em 1546 A.D. realizado para deter o movimento protestante, declarou canônicos tais livros, que ainda figuram na versão de Matos Soares, etc… (Bíblia Católica Romana).

Não podemos dizer que esses livros não tem nenhum valor, pois isso não seria verdade. Tem valor, mas não como as Escrituras. São livros de grande antigüidade e valor real. Em parte, preenchem a lacuna histórica entre Malaquias e Mateus, e ilustram a situação religiosa do povo de Deus naquela época.

PORQUE NÃO FORAM ACEITOS NO CÂNON DA TANACH (Velho Testamento)?

1) – Nenhum dos livros foi encontrado dentro do cânon hebraico. Um estudo da história do Cânon dos judeus da Palestina, revela uma ausência completa de referências aos livros apócrifos. Josefo, diz que os profetas escreveram desde os dias de Moisés até Artaxerxes, também diz, e verdade que a nossa história tem sido escrita desde Artaxerxes, não foi tão estimada como autoritativa como a anterior dos nossos pais, porque não houve uma sucessão de profetas desde aquela época. O Talmude, fala assim: “Depois dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo deixou Israel”. Não constam no texto dos massoretas (copistas judeus da maior fidelidade) entregar tudo o que consideravam canônico nas Escrituras da Tanach (Velho Testamento). Nem tão pouco parece ter havido “Targuns” (paráfrases ou comentários judaicos da antigüidade) ligado a eles. Para os judeus, os livros considerados “inspirados” são os 39 que hoje conhecemos como a Tanach (Velho Testamento). Eles os possuem numa ordem diferente da nossa por causa da forma pela qual dividem os livros.

2) – Todos estes livros foram escritos depois da época quando a profecia cessou em Israel, e não declaram ser mensagem de Deus ao homem. Fora dois deles, Eclesiástico e Baruque, os livros são anônimos, e no caso de Eclesiástico, o autor não se diz profeta, nem asseverou que escreveu sob a inspiração de Deus. O livro de Baruque que se diz ser escrito pelo secretário de Jeremias, não pode ser aceito como genuíno, pois contradiz o relato bíblico. Os livros de Macabeus não tem nenhuma pretensão para autoria profética. Mas registra detalhes sobre as guerras de independência em 165 A.C. quando os cinco irmãos macabeus lutaram contra os exércitos da Síria. I Macabeus é geralmente considerado como de maior valor histórico do que o II.

3) – O nível moral de muitos destes livros é bastante baixo. São cheios de erros históricos e cronológicos, por exemplo, Baruque 1.1, diz que ele está na Babilônia, enquanto Jeremias 43.6, diz que ele está no Egito. Baruque diz que os utensílios do templo foram devolvidos da Babilônia, enquanto Esdras e Neemias revelam o contrário. Baruque cita uma data errada para Beltesazar e diz que o cativeiro era de sete gerações 6.3, o que contradiz as profecias de Jeremias e o cumprimento de Esdras. Tobias e Judite estão cheios de erros geográficos, cronológicos e históricos. Tobias 1.4,5 contradiz 14.11. Mentiras, assassinatos e decepções são apoiados por este livro. Judite é um exemplo. Temos suicídios (4.10), encantamentos, magia e salvação pelas obras (Tobias 12.9 ; Judite 9.10,13).

4) – Não foram incluídos no Cânon até o fim do 4° século. Como já observamos, os livros apócrifos, não foram incluídos no cânon hebraico. Os livros apócrifos foram incluídos na Septuaginta, a versão grega do Tanach (Velho Testamento) e que não é de origem hebraica, mas de Alexandria, que é uma tradução do hebraico. Os Códices Vaticanos, Alexandrinos e Sinaíticos, tem apócrifos entre os livros canônicos. Porém temos de notar vários fatores aqui.
Nem todos os livros apócrifos estão presentes nos Códices e não tem ordem fixa dentro dos Códices. Por ser um livro de origem egípcia, pois vem de Alexandria, a Septuaginta não tinha os mesmos salvaguardas contra erros e acréscimos, pois não tinham massoretas orientando a obra com o mesmo cuidado que usaram no texto hebraico.
Manuscritos, naquele tempo, ficavam em rolos, não livros e são facilmente misturados, e seria fácil juntar outros que ficaram numa mesma caixa.

O preço de material para escrever pode influir também. Não era tão fácil calcular o espaço necessário para fazer um livro. Que fariam se cortassem o couro e descobrissem 30 ou 40 páginas de couro sobrando no livro? Naturalmente encheria com conteúdo devocional. A tendência seria de misturar livros bons com os canônicos até o ponto que os não canônicos fossem aceitos como canônicos. Os livros não canônicos não foram recebidos durante os primeiros quatro (4) séculos. Melito, o bispo de Sardes em 170 D.C., visitou a Judéia para verificar o número certo de livros do Tanach (Velho Testamento). A lista que ele fornece, inclui os livros canônicos do Tanach (Velho Testamento), menos Ester (porque não reconheceu entre os apócrifos) e não incluiu os apócrifos.

ORÍGENES, o erudito do Egito, com uma grande biblioteca, incluiu os 39 livros da Tanach (Velho Testamento), mas em 22 e seguindo a lista ele fala: “Fora destes temos os livros dos Macabeus”. Outros pais da Igreja, como Atanásio, Gregório de Nazianzus de Capadócia, Rufinus da Itália e Jerônimo, nos deixaram com uma lista que concorda com o cânon hebraico.

JERÔNIMO, que fez a Vulgata, não quis incluir os livros apócrifos por não considera-los inspirados, porém, os fez por obrigação do bispo, não por convicção, mesmo assim só traduziu Judite e Tobias, os outros apócrifos foram tirados diretamente dos versos latinos anteriores. Parece que a única figura da antigüidade a favor dos apócrifos era Agostinho, e dois Concílios que ele mesmo dominou (393 e 397). Porém, outros escritos dele (A cidade de Deus) parecem revelar uma distinção entre os livros canônicos e os apócrifos (17.24; 18.36,38,42-45).

GREGÓRIO,O GRANDE, papa em 600 D.C., citando I Macabeus falou que não era um livro canônico, e o cardeal Ximenis no seu poligloto afirma que os livros apócrifos dentro de seu livro, não faziam parte do cânon. Os livros apócrifos não foram aceitos como canônicos até 1546 quando o concílio de Trento decretou: “Este Sínodo recebe e venera todos os livros da Tanach e Brit Hadasha (Novo Testamento), desde que Deus‚ o autor dos dois, também as tradições e aquilo que pertence a fé e morais, como sendo ditados pela boca do Messias, ou pelo Espírito Santo”. A lista dos livros que segue inclui os apócrifos e conclui dizendo: “Se alguém não receber como Sagradas e canônicos estes livros em todas as partes, como foram lidos na Igreja Católica, e como estão na Vulgata Latina, e que conscientemente e propositadamente contrariar as tradições já mencionadas, que ele seja anátema”. Para nós o fator decisivo é que Cristo e seus discípulos não os reconheceram como canônicos, pois não foram citados pelo Messias nem os outros escritores da Brit Hadasha (Novo Testamento)!

Moisés Moriah

Caro Moisés, salve Maria “mãe do meu Senhor” (Lucas 1: 43)

Você faz uma defesa equivocada da mutilação da Bíblia pelos protestantes.

Podemos começar a discutir o assunto por um dos fundamentos do protestantismo, a Sola Scriptura.

Se só a Bíblia contém a verdade revelada, onde, na Bíblia, está relacionado o cânon da Bíblia?

Esperamos a muitos anos algum protestante que nos responda. Ainda não recebemos nenhuma resposta, talvez pelo fato de não existir descrição do cânon na Bíblia!

Destruida assim a Sola Scriptura protestante, passemos aos seus argumentos:

Você diz que os livros deuterocanônicos Foram produzidos depois de haver cessado as profecias, oráculos e a revelação direta do Tanach (Velho Testamento) e Flavio Josefo rejeitou-os totalmente.”

Então Moisés, como poderiamos saber como e quando cessaram , “as profecias, oráculos e revelação direta do Tanach”?  Cite o trecho da Bíblia dizendo especificamente que depois da data tal, acabaram-se as revelações, as profecias e os oráculos de Deus…

Ora, isto não consta da Bíblia. De onde você tirou isto então? Veremos mais tarde…

Se os deuterocanônicos, aos quais os protestantes ousam chamar apócrifos,Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte das Escrituras hebraicas” por que os setenta sábios judeus incluíram estes livros na Septuaginta?  A Septuaginta não era tida pelos judeus como escritura hebraica? Ela não era uma versão inspirada da Bíblia?

Pois Cristo e os Evangelistas usaram largamente a Septuaginta em suas citações. Se a Septuaginta não fosse considerada inspirada os judeus teriam o melhor argumento para acusar Cristo: Ele usava uma versão não inspirada da Bíblia! Porém, não vemos sequer uma vez no Evangelho se levantar qualquer suspeita sobre as fontes de citação de Nosso Senhor.

Os deuterocanônicos, conforme você diz, Nunca foram citadas por Jesus, nem por ninguém mais na Brit Hadasha (Novo Testamento).” Tal argumento falha em provar a falta de inspiração dos deuterocanônicos ao constatarmos que os livros de Ester, Eclesiastes, Cânticos, Esdras e Neemias também não são citados no Novo Testamento. O fato do Novo Testamento não os citar não faz destes livros, que também estão na bíblia protestante, menos canônicos. Ainda, São Judas cita explicitamente o “Livro de Enoque” que é reconhecido universalmente como apócrifo (e que não faz parte de nenhuma Bíblia – Judas, 14) e no versículo 9 ele tira de outro apócrifo a “Assunção de Moisés”. Isto basta para provar que a citação pelo Novo Testamento não dá provas de canonicidade dos livros.

Você escreveu: “Não foram reconhecidos pela Igreja Primitiva como de autoridade canônica, nem de inspiração divina. “ Ora, nos escritos sub apostólicos, ou seja, que foram escritos pelos discipulos diretos dos Apóstolos como Clemente de Roma, Policarpo, do autor da Carta de Barnabas, das homillias do pseudo Clemente e do “pastor” de Hermas, encontram-se citações implicitas ou alusões aos deuterocanônicos com excessão de Baruc (que naqueles tempos sempre vinha unido a Jeremias) e     I Macabeus e às adições de Daniel.

Portanto, os primeiros sacerdotes cristãos já usavam os deuterocanônicos em sua pregação!

Prosseguindo:Os Evangélicos baseando seu movimento na autoridade divina da Palavra de Deus, rejeitaram logo esses livros apócrifos como não fazendo parte dessa Palavra, assim como a Igreja Primitiva e os hebreus antigos fizeram. A Igreja romana, entretanto, no Concílio de Trento em 1546 A.D. realizado para deter o movimento protestante, declarou canônicos tais livros, que ainda figuram na versão de Matos Soares, etc… (Bíblia Católica Romana).” até aqui você.

O único motivo pelo qual os protestantes (a palavra evangélico é uma invenção posterior) retiraram os deuterocanônicos foi porque eles contrariam diretamente o que os protestantes renegam (como a existência do purgatório, por exemplo). E Lutero ainda quis fazer o mesmo com a Carta de Tiago, que chamou de “carta de palha” (Erl. LXIII, 115), porque esta diz que “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em sí mesma” (Tiago 2: 17)  contrariando o princípio de Sola Fide que ele defendia e que hoje todos protestantes defendem. A propósito, o livro do Apocalipse, tão querido dos protestantes pentecostais, foi dito por Lutero como não sendo “nem apostólico, nem profético” (Erl. LXIII, 169), portanto mais um candidato a ser excluido da Bíblia protestante.

Lutero acabou por excluir os Deuterocanônicos de sua bíblia porque sentiu-se encurralado por Eck, numa disputa em Leipzig, em 1519, que usou um texto de II Macabeus para provar a doutrina do purgatório. Lutero contestou então a canonicidade dos deuterocanônicos e os excluiu de sua Bíblia.

O concílio de Trento foi convocado para acabar com a confusão provocada pelos protestantes e estabeleceu em definitivo o cânon baseado na Septuaginta, que já era universalmente aceito e usado pela Igreja, diga-se de passagem…

Agora vejamos os motivos alegados para a rejeição dos deuterocanônicos:

1) – “Nenhum dos livros foi encontrado dentro do cânon hebraico. Um estudo da história do Cânon dos judeus da Palestina, revela uma ausência completa de referências aos livros apócrifos. Josefo, diz que os profetas escreveram desde os dias de Moisés até Artaxerxes, também diz, e verdade que a nossa história tem sido escrita desde Artaxerxes, não foi tão estimada como autoritativa como a anterior dos nossos pais, porque não houve uma sucessão de profetas desde aquela época. O Talmude, fala assim: “Depois dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo deixou Israel”. Não constam no texto dos massoretas (copistas judeus da maior fidelidade) entregar tudo o que consideravam canônico nas Escrituras da Tanach (Velho Testamento). Nem tão pouco parece ter havido “Targuns” (paráfrases ou comentários judaicos da antigüidade) ligado a eles. Para os judeus, os livros considerados “inspirados” são os 39 que hoje conhecemos como a Tanach (Velho Testamento). Eles os possuem numa ordem diferente da nossa por causa da forma pela qual dividem os livros. ” até aqui você.

Se Flavio Josefo e o Talmude falam que “Depois dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquis, o Espirito Santo deixou Israel”, e portanto não houveram mais texto inspirados, Nosso Senhor diz o seguinte a respeito de João Batista:

Mas, o que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais que profeta. Porque este é aquele de quem escrito: Eis que eu envio meu anjo adiante de ti, o qual preparará o teu caminho diante de ti (Ml 3,1). Na verdade vos digo que entre os nascidos das mulheres, não veio ao mundo outro maior que João Batista.” (Mateus 11: 9 -11). “Porque todos os profetas e a lei, até João, profetizaram. (Mateus 11: 13).

Ora, Nosso Senhor diz que existiram profetas até João Batista, e o Talmude diz que não. Com quem você fica então, com o que diz o próprio Jesus Cristo ou com o que diz o Talmude?

Ora, o próprio Talmude diz a respeito de Jesus (Deus me perdoe a citação): “Jesus era um bastardo nascido de um adultério” (yabamoth 49b, p. 324); Maria era uma prostituta; Jesus (Balaam) era um homem mau” (Sanhedrin 106a &b, p. 725); “Jesus era um mágico e um tolo. Maria era uma adúltera” (Shabbath 104b, p. 504). A respeito da Virgem Maria, o Sanhedrin 106a. diz que a mãe de Jesus era uma prostituta: “Ela que era descendente de principes e governadores se prostituiu com carpinteiros”. E ainda diz que Jesus está no inferno mergulhado em excrementos (Talmud Gittin 56b-57a).

Então Moisés, você ainda aceita, depois disso, a autoridade do Talmude?

Quem tem a autoridade para estabelecer o cânon, tanto do Antigo quanto o Novo Testamento é a Igreja, e não os judeus! São Justino Martir, que viveu de 100 a 165 dC, e portanto conheceu discipulos diretos dos apóstos já comentava naqueles tempos que a Igreja tinha um conjunto de escrituras do Antigo Testamento diferente das dos judeus e proclamava que a Igreja era auto suficiente para estabelecer o Cânon, e não era dependende da sinagoga com relação a isto.

2) – “Todos estes livros foram escritos depois da época quando a profecia cessou em Israel, e não declaram ser mensagem de Deus ao homem. Fora dois deles, Eclesiástico e Baruque, os livros são anônimos, e no caso de Eclesiástico, o autor não se diz profeta, nem asseverou que escreveu sob a inspiração de Deus. O livro de Baruque que se diz ser escrito pelo secretário de Jeremias, não pode ser aceito como genuíno, pois contradiz o relato bíblico. Os livros de Macabeus não tem nenhuma pretensão para autoria profética. Mas registra detalhes sobre as guerras de independência em 165 A.C. quando os cinco irmãos macabeus lutaram contra os exércitos da Síria. I Macabeus é geralmente considerado como de maior valor histórico do que o II.” até aqui você.

O seu argumento é baseado em sofismas, pois que o próprio Pentateuco, que é universalmente aceito como de autoria de Moisés, não diz em lugar algum quem foi o seu autor ou seus autores. E é o livro da Lei, o mais sagrado para os judeus e de maior importância no Antigo Testamento. Diria você que o Pentateuco, ou seja, Genesis, Êxodo, Números, Deuteronômio e Levítico, são livros que não são canônicos? 

Nos livros I, II, III, e IV Reis (ou I e II Samuel e I e II Reis, respectivamente, na bíblia protestante), além de seu autor não se apresentar, não alega também que eles sejam de inspiração divina. Por causa disso, você diria que não são canônicos? Estes mesmos livros (I, II, III e IV Reis) são considerados livros históricos, da mesma forma que I e II Macabeus. Os próprios protestantes reconhecem existir livros históricos na Bíblia. Portanto, suas acusações são infundadas.

3) - “O nível moral de muitos destes livros é bastante baixo. São cheios de erros históricos e cronológicos, por exemplo, Baruque 1.1, diz que ele está na Babilônia, enquanto Jeremias 43.6, diz que ele está no Egito. Baruque diz que os utensílios do templo foram devolvidos da Babilônia, enquanto Esdras e Neemias revelam o contrário. Baruque cita uma data errada para Beltesazar e diz que o cativeiro era de sete gerações 6.3, o que contradiz as profecias de Jeremias e o cumprimento de Esdras. Tobias e Judite estão cheios de erros geográficos, cronológicos e históricos. Tobias 1.4,5 contradiz 14.11. Mentiras, assassinatos e decepções são apoiados por este livro. Judite é um exemplo. Temos suicídios (4.10), encantamentos, magia e salvação pelas obras (Tobias 12.9 ; Judite 9.10,13).” até aqui você.

Você primeiro diz que os deuterocanônicos têm valor, e agora diz que são de nível moral baixo? Decida-se… Tal acusação, além de blasfema, é leviana, pois você não dá citação nenhuma para provar a sua pretenciosa alegação.

Depois você se arvora em tentar provar a contradição entre os deuterocanônicos e os protocanônicos, porque estes “têm erro cronológico, geográfico e histórico”.  Para sua informação, a Bíblia não é um tratado de geografia nem de cronologia. É um livro teológico, que além do sentido literal, tem um sentido moral, um sentido mistico e um sentido analógico. Ademais como você, baseado apenas nas interpretações literais da Bíblia, e sem ter o magistério da Igreja para lhe auxiliar, explica as seguintes contradições, dentro dos protocanônicos (que também estão na bíblia protestante):

IV Reis. 8:26: “Tinha Ocozias , filho de Jorão, 22 anos quando começou a reinar, e reinou um ano em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Atália, filha de Amri, rei de Israel”
II Crônicas, 22:2:  “Ocozias tinha 42 anos quando começou a reinar e reinou um ano em Jerusalém, e sua mãe chamava-se Atália, filha de Amri.”

Então Moisés, Ocozias tinha 22 ou 42 anos quando começou a reinar? Esta contradição invalida o Livro IV Reis (para você II Reis) ou II Crônicas? Não seriam eles canônicos?

II Reis. 23:8: “Eis os nomes dos valentes de Davi: Jesbaão, que senta em cadeira, principe sapientíssimo entre 3… , e ele foi o que de uma só vez matou oitocentos homens.”
I Crônicas. 11:11: ” E é este o número dos valentes de Davi: Jesbaão filho de Hacamoni, chefe dos 30. Este levantou a sua lança sobre 300, que feriu duma só vez”.

Então Moisés, Jesbaão matou 800 ou 300 com a sua lança? Ele era chefe de 3 ou de 30? Isto para você torna II Reis (para você II Samuel) e I Crônicas não canônicos?

Percebe agora a infantilidade do seu argumento? Sem a Igreja para explicar, acaba-se por cair em contradição. Além disso, a Bíblia não é um tratado de aritmética, nem uma enciclopédia, e o fato Ocozias começar a reinar com 22 ou 42, e de Jabaão matar 300 ou 800 não faz diferença alguma para a salvação das almas nem invalida o conteúdo da Bíblia.

E você ainda diz, usando de seus sofismas, que nos deuterocanônicos “temos suicídios, encantamentos, magia”. Nos protocanônicos não existem descrição de tais coisas? As filhas de Lot engravidaram dele, depois de o embebedar (Gênesis, 19: 30-36). Saul consultou uma pitonisa (I Reis 28: 8). Como é que você pode criticar os deuterocanônicos que falam de suicídio, encantamentos e magias cometidos pela infidelidade dos judeus, sendo que toda a Bíblia contém inúmeros relatos a respeito?

Com relação à salvação pelas obras (Tobias 12.9 ; Judite 9.10,13) que na verdade é pela Fé e pelas obras, você atesta a heresia da Sola Fide. Ora, São Tiago, como vimos, condenou a Sola Fide. Então você também arrancaria da Bíblia a carta de São Tiago (Tiago 2: 17) já citada? Ademais, foi justamente pelo motivo de rejeitar algumas doutrinas que os protestantes mutilaram a Bíblia, arrancando delas os deuterocanônicos.

Você não apresenta argumentos, apenas sofismas baratos…

4) – “Não foram incluídos no Cânon até o fim do 4° século. Como já observamos, os livros apócrifos, não foram incluídos no cânon hebraico. Os livros apócrifos foram incluídos na Septuaginta, a versão grega do Tanach (Velho Testamento) e que não é de origem hebraica, mas de Alexandria, que é uma tradução do hebraico. Os Códices Vaticanos, Alexandrinos e Sinaíticos, tem apócrifos entre os livros canônicos. Porém temos de notar vários fatores aqui.
Nem todos os livros apócrifos estão presentes nos Códices e não tem ordem fixa dentro dos Códices. Por ser um livro de origem egípcia, pois vem de Alexandria, a Septuaginta não tinha os mesmos salvaguardas contra erros e acréscimos, pois não tinham massoretas orientando a obra com o mesmo cuidado que usaram no texto hebraico.
Manuscritos, naquele tempo, ficavam em rolos, não livros e são facilmente misturados, e seria fácil juntar outros que ficaram numa mesma caixa. ”
até aqui você.

Ora, você se fia mais na opinião dos teólogos Judeus do século II do que na da Igreja. Que autoridade os judeus têm para definir o cânon, afinal?

Claro que tinham autoridade para definir o cânon antes da Igreja, mas o auto intitulado concílio de Jamnia só aconteceu no ano 90 DC. Até lá a Septuaginta era usada sem restrições, tanto que os Apostolos a citavam. Tal “concílio” reunindo os rabinos judeus em Jamnia se reuniu justamente para proibir os livros do Novo Testamento que já circulavam nas comunidades Judaicas de então. Então o concílio de Jamnia resolveu por fim proibir os livros deuterocanônicos. Aliás, quase que o Concílio de Jamnia tirou do antigo testamento o Cântico dos Cânticos. Se assim tivesse sido, sua Bíblia teria 8 livros a menos…

A propósito, para respeitar inteiramente os rabinos judeus e o concílio de Jamnia, você deveria considerar todo o Novo Testamento como não sendo canônico…

Quanto ao uso dos deuterocanônicos pelos primeiros cristãos, já foi provado acima,  e continuaram a ser usados até que o primeiro canon fosse adotado pela Igreja, que assim fez devido ao grande número de apócrifos, muitos deles gnósticos, surgidos no começo do cristianismo.

É engraçado como os protestantes rejeitam a Tradição Apostólica mas recorrem à Tradição Judaica (Talmud, Mishna, etc) para contornar suas contradições… Eles ficam entre Jesus e a sinagoga. E alguns acabam optando pela sinagoga!

Por fim, para “provar” a falta de canonicidade dos deuterocanônicos você cita dois padres da Igreja.

Orígenes, se não aceita os livros I e II Macabeus, aceita os outros deuterocanônicos. E São Jerônimo, que fez a Vulgata, a melhor tradução da Bíblia feita até hoje, porque além de ter sido escrita por um grande santo, ainda teve como base as cópias mais antigas do texto as quais alguém poderia ter acesso, talvez até mesmo a alguns originais. Obviamente são Jerônimo errou ao definir que os deuterocanônicos não tinham canonicidade, contudo, cabe aqui dizer que São Jerônimo não era infalível. Não foi a ele quem recebeu de Nosso Senhor as chaves da doutrina, mas Pedro e seus sucessores, os papas, que definiram o cânone atual da Bíblia.

 Deixamos para o final a sua maior contradição. Eis a sua relação dos Deuterocanônicos,  aos quais você chama apócrifos:

“1° e 2° Esdras, Tobias, Judite, Adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Livro de Baruque, Eclesiástico, Sabedoria de Salomão, 1° e 2° Macabeus”

Os dois livros de Esdras são protocanônicos, isto significa que também estão na bíblia protestante. A propósito, você já leu mesmo a sua bíblia protestante?

A tal Oração de Manassés é realmente um apócrifo e não existe na Bíblia Católica. A propósito, você consultou um Bíblia católica para fazer o seu líbelo?

Por fim, você conclui dizendo:

“Para nós o fator decisivo é que Cristo e seus discípulos não os reconheceram como canônicos, pois não foram citados pelo Messias nem os outros escritores da Brit Hadasha (Novo Testamento)!”

Portanto, para você também não são canônicos os livros: Ester, Eclesiastes, Canticos dos Canticos, I e II Esdras e Neemias!

E os protestantes continuam a sua sanha mutiladora da Sagrada Escritura, escolhendo, como hereges que são, ao seu bel prazer, o que lhes interessa e o que não lhes interessa nos livros sagrados.

Auxilium Christianorum, ora pro nobis

Paulo Sérgio Pedrosa

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