Prezado Giovani, Salve Maria!
Sua dúvida está bem expressa, mas não é difícil de esclarecer. De fato, vivemos,
hoje, em tempos bem confusos.
Você percebeu bem que, de um lado, temos "teólogos" que se dizem racionalistas
e que pregam a adesão ao materialismo marxista (Teologia da Libertação). De outro,
temos uma corrente que nega a razão, entregando-se a uma verdadeira histeria emocional
sob a forma do que se chama carismatismo.
Ambas as correntes acabam negando a Fé; uma por exagerar o valor da razão, outra por
negar a razão, quando a Fé, chamada de "obséquio razoável", exige uma
adesão da razão às verdades ensinadas por Deus e que estão acima de nossa
compreensão.
A quem seguir?
Evidentemente, a Igreja Católica, acatando os seus ensinamentos de sempre.
Exatamente uma das causas da confusão atual decorre da substituição do magistério
infalível do Papa pelas elocubrações de pretensos teólogos, pregadores de heresias.
Essa foi precisamente uma das metas da heresia modernista, condenada por São Pio X na
encíclica Pascendi e no Decreto Lamentabili.
Outra heresia do Modernismo foi a de afirmar que a revelação era um sentimento
interior em cada homem. Desse modo, todas as religiões seriam verdadeiras, mas nenhum
credo seria verdadeiro. Daí o malfadado ecumenismo, hoje triunfante.
Você mostra bem que, enquanto se prega o ecumenismo para fora, a desunião interna
entre os católicos cresceu. E cresceu exatamente porque, desgraçadamente, já não se
crê de fato na infalibilidade papal.
Só na adesão ao magistério infalível do Papa é que está a chave para a união,
porque só na mesma Fé se pode ter a unidade.
Também vejo razão no que você pergunta sobre a tolerância que se tem hoje para com
tantos hereges que envenenam as almas com suas doutrinas malévolas e erradas.
Siga então tudo o que os Papas sempre ensinaram, especialmente nos documentos e
concílios que foram dogmáticos e, portanto, infalíveis. Jogue na lixeira os falsos
teólogos racionalistas e pseudo místicos. Siga o que ensinaram os Padres e Doutores da
Igreja.
A respeito de sua pergunta sobre a união de corpo e alma que constitui realmente o
homem, deve-se dizer que, quando o homem morre, a alma se separa do corpo. Morte é
separação. O corpo é sepultado e apodrece porque perdeu sua forma substancial, que é a
alma humana. Esta é julgada por Deus, e vai então para o céu, ou para o purgatório, ou
para o inferno.
No fim do mundo haverá a ressurreição dos corpos e o juízo final, como se afirma no
Credo e se ensina no catecismo, seguindo o que nos ensinou Nosso Senhor Jesus Cristo.
Enquanto as almas estiverem separadas dos corpos, antes da ressurreição final, elas
estão de certa forma em estado de violência, que não permite que sua felicidade seja
completa, porque o normal para a alma é estar unida ao corpo.
Por isso, haverá a ressurreição. Não teríamos felicidade perfeita no céu se
ficássemos para sempre separados de nossos corpos. Ademais, a justiça exige que nossos
corpos, como constituintes de nosso ser, sejam premiados ou punidos por sua cooperação
em nossa obras boas ou más.
Esperando te-lo ajudado, e a seus amigos, despeço-me
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.