
Novena de Natal
Santo Afonso Maria de Ligório
Puer
Natus
1. Puer nátus in Béthlehem, allelúia:
Unde gáudet Jerúsalem, allelúia, allelúia.
In córdis júbilo, Christum nátum adorémus,
Cum nóvo cántico.
2. Assúmpsit cárnem Filius, allelúia,
Déi Pátris altíssimus, allelúia, allelúia.
In córdis...
3. Per Gabriélem núntium, allelúia,
Virgo concépit Filium, allelúia, allelúia.
In córdis...
4. Tamquam spónsus de thálamo, allelúia,
Procéssit Mátris útero, allelúia, allelúia.
In córdis...
5. Hic jácet in praesépio, allelúia,
Qui régnat sine término, allelúia, allelúia.
In córdis...
6. Et Angelus pastóribuis, allelúia,
Revélat quod sit Dóminus, allelúia, allelúia.
In córdis...
7. Réges de Sába véniunt, allelúia,
Aurum, thus, myrrham ófferunt, allelúia, allelúia.
In córdis...
8. Intrántes dómum invicem, allelúia,
Nóvum salútant Principem, allelúia, allelúia.
In córdis...
9. De Mátre nátus Virgine, allelúia,
Qui lúmen est de lúmine, allelúia, allelúia.
In córdis...
10. Sine serpéntis vúlnere, allelúia,
De nóstro vénit sánguine, allelúia, allelúia.
In córdis...
11. In carne nóbis símilis, allelúia,
Peccáto sed dissímilis, allelúia, allelúia.
In córdis...
12. Ut réderet nos hómines, allelúia,
Déo et síbi símiles, allelúia, allelúia.
In córdis...
13. In hoc matáli gáudio, allelúia,
Benedicámus Dómino, allelúia, allelúia.
In córdis...
14. Laudétur sáncta Trínitas, allelúia,
Déo dicámus grátias, allelúia, allelúia.
In córdis...
1º Dia - 16 de dezembro
Deus nos deu seu filho unigênito por
salvador
Eu te constitui em luz para os gentios,
para que minha salvação chegue até os confins da terra.
(Is. 49, 6)
Consideremos como o Pai eterno disse ao Menino Jesus no
instante de sua concepção estas palavras: Filho, eu te dei ao mundo como luz e vida das
gentes, para que busques sua salvação, que estimo tanto como se fosse a minha. É
necessário, pois, que te empenhes completamente em benefício dos homens. "Dado
completamente aos homens, e inteiramente entregue a suas necessidades". É
necessário que ao nascer padeças extrema pobreza, para que o homem se enriqueça; é
necessário que sejas vendido como escravo, para que o homem seja livre; é necessário
que, como escravo, sejas açoitado e crucificado, para pagar à minha justiça a pena
devida pelos homens; é necessário que sacrifiques sangue e vida, para livrar o homem da
morte eterna. Fica sabendo, enfim, que já não és teu, mas do homem. Pois um filho lhes
nasceu, e um menino lhes foi dado. Assim amado Filho meu, o homem voltará a amar-me a ser
meu, vendo que te dou inteiramente a ele, meu Filho Unigênito, e que já não me resta
mais o que lhe possa dar.
Assim amou Deus - oh, amor infinito, digno somente de um
Deus infinito - assim amou Deus o mundo de tal forma, que lhe entregou seu Filho
Unigênito. O Menino Jesus não se entristeceu com esta proposta, mas, ao contrário,
comprazeu-se nela e a aceitou com amor e alegria: "como um esposo procedente de
seu tálamo, exultou como gigante a percorrer seu caminho" (Ps. 18,6). E desde o
primeiro momento de sua encarnação se entregou por completo ao homem e abraçou com
gosto todas as dores e ignomínias que havia de sofrer na terra por amor dos homens. Esses
foram, segundo São Bernardo, as colinas e vales que com tanta pressa devia atravessar
Jesus Cristo, segundo o Cântico dos Cânticos, para salvar os homens. Ei-lo que vem
saltando pelas montanhas, brincando pelas colinas.
Reflitamos aqui como o Pai, enviando-nos seu Filho para ser
nosso Redentor e para selar a paz entre Ele e os homens, obrigou-se de certo modo a
perdoar-nos e a amar-nos, em razão do pacto que fez de receber-nos em sua graça, posto
que o Filho satisfaz por nós a justiça divina. Por sua vez, o Verbo divino, tendo aceito
a missão que lhe foi dada pelo Pai, o qual, enviando-o para redimir-nos no-lo deu,
obrigou-se também a amar-nos, não por nossos méritos, mas para cumprir a piedosa
vontade de seu Pai.
Reza-se o Terço ...
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Amado Jesus, se é verdade, como diz a lei, que o domínio
se adquire com a doação, Vós sois nosso, por vos ter vosso Pai entregue a nós. Por
isso podemos com razão exclamar: Deus meu e meu tudo. E já que sois nosso, nossas são
vossas coisas, como nos afirma o Apóstolo: "Como não nos dará, juntamente com
seu Filho todas as coisas ?" Nosso é vosso sangue, nossos vossos méritos, nossa
a vossa graça, nosso vosso paraíso. E se sois nosso, quem jamais poderá separar-nos de
Vós? Ninguém poderá tirar-me Deus, exclamava jubiloso Santo Antônio Abade. Assim
queremos exclamar daqui em diante. Apenas por nossas culpas podemos perder-vos e
separar-nos de Vós, mas, Jesus, se no passado vos deixamos e perdemos, agora nos
arrependemos com toda a alma e nos resolvemos a perder tudo, mesmo a vida, antes que vos
perder, bem infinito e único amor de nossas almas.
Damo-vos graças, Padre eterno, por nos terdes dado vosso
Filho, e em troca de o terdes dado por completo a nós, entregamo-nos inteiramente a Vós.
Por amor desse mesmo Filho, aceitai-nos e apertai-nos com laços de amor a nosso Redentor,
de modo que possamos exclamar: "Quem nos apartará do amor de Cristo ?".
Salvador nosso, já que sois todo nosso, tomai-nos todos
para Vós; disponde de nós e de nossas coisas como vos agrade. Como poderemos negar
alguma coisa ao Deus que não nos negou nada, nem seu sangue nem sua vida ?
Maria, nossa Mãe, guardai-nos com vossa proteção. Não
queremos pertencer-nos mais, mas inteiramente a Nosso Senhor. Lembrai-vos de fazer-nos
fiéis. Em vós confiamos.
Adeste, Fideles
Adeste fideles, læti triumphantes;
Venite, venite in Béthlehem;
Natum videte Regem angelórum;
Venite, adorémus, Venite adorémus,
Venite, adorémus, Dóminum.
Ingrége relicto, húmiles ad cúnas
Vocati pastores appróperante;
Et nos ovánti grádu festinémus;
Venite, adorémus, Venite adorémus,
Venite, adorémus, Dóminum.
Aetérni Paréntis splendórem ætérnum
Velátum sub cárne vidébimus;
Déum infántem, pánnis involútum,
Venite, adorémus, Venite adorémus,
Venite, adorémus, Dóminum.
Pro nóbis egénum et foéno cubántem
Piis foveámus ampléxibus;
Sic nos amántem quis nom redamáret?
Venite, adorémus, Venite adorémus,
Venite, adorémus, Dóminum.
2º Dia - 17 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Aflição do coração de Jesus no seio
de Maria
Hóstias e oblações não quisestes,
mas formastes-me um corpo.
(Hebr. 10,5)
Considera a grande amargura com que devia sentir-se
afligido e oprimido o coração do Menino Jesus no seio de Maria, naquele primeiro
instante em que o Pai lhe propôs a série de desprezos, trabalhos e agonias que havia de
sofrer em sua vida para libertar os homens de suas misérias: "Pela manhã chama a
meus ouvidos..., não retrocedi..., entreguei meu corpo aos que me feriam" (Is.
50, 4-6). Assim falou Jesus pela boca do Profeta: "Pela manhã...", quer
dizer, desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez compreender sua
vontade: que eu tivesse uma vida de sofrimento e fosse, finalmente, sacrificado na cruz;
"não retrocedi; entreguei meu corpo aos que me feriam". E tudo aceitei
pela salvação das almas e, desde então, entreguei meu corpo aos açoites, aos cravos, e
à morte.
Pondera então quanto padeceu Jesus Cristo em sua vida e em
sua paixão; tudo lhe foi posto ante os olhos desde o seio de sua Mãe e tudo Ele abraçou
com amor; mas, ao consentir nessa aceitação e vencer a natural repugnância dos
sentidos, quanta angústia e opressão não teve que sofrer o inocente Coração de Jesus!
Conhecia bem o que primeiramente tinha que padecer; os sofrimentos e opróbrios do
nascimento numa fria gruta, estábulo de animais; os trinta anos de trabalho como
artesão; o considerar que seria tratado pelos homens como ignorante, escravo, sedutor e
réu da morte mais infame e dolorosa que se reservava aos criminosos.
Tudo aceitou nosso amável Redentor a cada momento, e a
cada momento em que o aceitava, padecia reunidas todas as penas a abatimentos que depois
padeceria até sua morte. O próprio conhecimento de sua dignidade divina contribuía para
que sentisse mais as injúrias recebidas dos homens: "Tenho sempre presente a
minha ignomínia". Continuamente teve diante dos olhos sua vergonha,
especialmente a confusão que sentiria ao ver-se um dia despido, açoitado, pregado com
três cravos de ferro, entregando assim sua vida entre vitupérios e maldições daqueles
que se beneficiavam com sua morte. "Feito obediente até a morte e morte de cruz"
(Phil. 2,8) e para quê ? Para salvar-nos, a nós, míseros e ingratos pecadores.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Amado Redentor nosso, quanto vos custou desde que entrastes
no mundo, tirar-nos do abismo em que nosso pecados nos haviam submergido. Para livrar-nos
da escravidão do demônio, ao qual nós mesmos nos vendemos voluntariamente, aceitastes
ser tratado como o pior dos escravos; e, nós que o sabíamos, tantas vezes tivemos a
ousadia de amargurar vosso amabilíssimo Coração, que tanto nos amou. Mas já que Vós,
nosso Deus, sendo inocente, aceitastes vida e morte tão penosas, aceitamos por vosso
amor, Jesus, todas as dores que nos venham de vossas mãos. Aceitamo-las e abraçamo-las
porque procedem daquelas mãos transpassadas um dia para livrar-nos do inferno, que tantas
vezes merecemos. Vosso amor, nosso Redentor, ao oferecer-vos para sofrer tanto por nós,
obriga-nos a aceitar por Vós qualquer pena e desprezo. Dai-nos a aceitar por Vós
qualquer pena e desprezo. Dai-nos, Senhor, por vossos méritos, vosso santo amor, que nos
torna doces todas as dores e todas as ignomínias. Amamo-vos acima de todas as coisas,
amamo-vos com todo o coração, amamo-vos mais que a nós mesmos. Vós, em vossa vida, nos
destes tantas e tão grandes provas de afeto e nós, ingratos, que prova de amor vos
damos? Fazei, pois, ó nosso Deus, que durante os anos que nos restam de vida vos demos
alguma prova de amor. Não nos atreveríamos, no dia do juízo, a comparecer diante de
Vós tão pobres como somos agora e sem fazer nada por vosso amor; mas que podemos fazer
sem vossa graça? Apenas rogar-vos que nos socorrais, e ainda essa nossa súplica é
graça vossa. Oh, Jesus, socorrei-nos pelo mérito de vossas dores e do sangue que
derramastes por mim.
Maria Santíssima, recomendai-nos a Vosso Filho, já que
por nosso amor o tivestes em vosso seio. Lembrai-vos que somos daquelas almas por quem
morreu vosso Filho.
Cântico: Adeste, Fideles
3º Dia - 18 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Jesus faz-se Menino para conquistar nossa
confiança e nosso amor
Um menino nos nasceu, um filho nos foi
dado.
(Is. 9,6)
Consideremos como depois de tantos séculos, depois de
tantas orações e pedidos, veio, nasceu e se deu todo a nós o Messias, que não foram
dignos de ver os santos patriarcas e profetas; o desejado pelos gentios, o desejado pelas
colinas eternas, nosso Salvador: "Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado".
O Filho de Deus se fez pequeno para fazer-nos grandes: deu-se a nós para que nos
déssemos a Ele; veio mostrar-nos seu amor, para que lhe déssemos o nosso. Recebamo-lo,
pois com afeto, amemo-lo e recorramos a Ele em todas as nossas necessidade. As crianças,
diz São Bernardo, facilmente concedem o que se lhes pede. Jesus veio como criança, para
mostrar-nos que está disposto a dar-nos todos os seus bens. "No qual se acham
todos os tesouros" (Col. 2,3). "O Pai...entregou tudo em suas mãos"
(Jo. 3,35). Se queremos luz, Ele veio para nos iluminar; se queremos força para resistir
aos inimigos, Ele veio para nos fortalecer; se queremos o perdão e a salvação, Ele veio
precisamente para nos perdoar e nos salvar; se queremos, em uma palavra, o supremo dom do
amor divino, Ele veio para nos abrasar; e, para isto, sobretudo, se fez menino e quis
apresentar-se a nós pobre e humilde, para parecer mais amável, para tirar-nos todo o
temor e conquistar nosso afeto: "Assim devia vir quem quis desterrar o temor e
buscar a caridade", diz São Pedro Crisólogo.
Além disso, Jesus Cristo quis vir criança, para que o
amássemos não só com amor apreciativo, mas com amor terno. Todas as crianças sabem
conquistar para si afetuoso carinho daqueles que a rodeiam e, quem não amará com ternura
seu Deus, vendo-o criancinha, com frio, pobre, humilhado e abandonado, que chora sobre as
palhas de um presépio?
Vinde amar Deus feito menino e feito pobre, e que é tão
amável que desceu do céu para entregar-se por completo a nós.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Ó amável Jesus, tão desprezado por nós! Descestes do
céu para resgatar-nos do inferno e dar-vos por completo a nós, como pudemos tantas
vezes, voltar-vos as costas, ó Deus! Os homens são tão gratos às criaturas que se
alguém lhes dá um presente, se lhes envia um cumprimento, se lhes dá qualquer prova de
afeto, não se esquecem e se sentem forçados a corresponder. E, pelo contrário, são
tão ingratos convosco, que sois seu Deus, e tão amável que por seu amor não recusastes
dar o sangue e a vida. Mas, ai de nós, nós fomos ainda piores que os outros, porque
fomos mais amados e mais ingratos. Ah! Se as graças que nos destes, as tivesses dado a um
herege, a um idólatra, talvez se tivessem santificado, e nós vos ofendemos. Por favor,
não vos lembreis, Senhor, das injúrias que vos fizemos. Dissestes que, quando um pecador
se arrepende, esquecei-vos de todos os pecados cometidos: "Nenhum dos pecados que
cometeu lhe será recordado" (Ez. 18, 22). Se no passado não nos amamos, no
futuro não queremos senão vos amar. Já que vos destes completamente a nós, damo-vos em
troca toda a nossa vontade; com ela vos amamos e que vos amamos queremos repetir para
sempre. Queremos viver repetindo-o e repetindo-o morrer, para começarmos desde o instante
que entramos na eternidade a amar-vos com um amor contínuo que durará eternamente.
Entretanto, Senhor, nosso único bem e único amor, propomo-nos a antepor vossa vontade a
todos os nossos prazeres. Por nada queremos deixar de amar quem nos amou tanto; não
queremos mais desgostar a quem devemos amor infinito. Secundai, Jesus, nosso desejo com
vossa graça.
Rainha nossa, Maria, reconhecemos que todas as graças
recebidas de Deus são devidas à vossa intercessão; continuai a interceder por nós,
alcançai-nos a perseverança, vós que sois a Mãe de todas as graças.
Cântico: Adeste, Fideles
4º Dia - 19 de dezembro
Cântico: Puer Natus
A paixão de jesus cristo durou toda sua
vida
Minha dor está sempre diante de mim.
(Ps. 37,18)
Consideremos como naquele primeiro instante em que foi
criada e unida a alma de Jesus Cristo a seu corpo, no seio de Maria, o Padre Eterno
mostrou a seu Filho sua vontade de que morresse pela redenção do mundo; e naquele mesmo
instante lhe mostrou todas as penas que devia sofrer até a morte para redimir os homens.
Mostrou-lhe então todos os trabalho, desprezos e pobreza que devia padecer em sua vida,
tanto em Belém como no Egito e em Nazaré, e depois todas as dores e ignomínias da
paixão: açoites, espinhos, cravos e cruz; todos os tédios, tristezas, agonias e
abandonos no meio dos quais havia de terminar sua vida no Calvário.
Abrão, conduzindo seu filho à morte, não quis afligi-lo
dizendo-lhe antecipadamente que morreria, e isso no pouco tempo que era necessário para
chegar ao monte. Mas o Eterno Pai quis que seu Filho encarnado, destinado como vítima de
nossos pecados à sua justiça, padecesse imediatamente, pelo conhecimento delas, todas as
penas a que depois teria que sujeitar-se durante sua vida e em sua morte. Daí, a tristeza
padecida por Jesus no Horto, capaz de tirar-lhe a vida, como ele declarou: "Minha
alma está triste até a morte" (Mt. 26,38), padeceu-a também constantemente
desde o primeiro momento em que esteve no seio de sua Mãe. Assim, desde então sentiu
vivamente e sofreu o peso reunido de todas as dores e vitupérios que O esperavam.
A vida inteira e todos os anos de nosso Redentor foram
cheios de penas e lágrimas: "Na dor se consome minha vida, e em soluços meus
anos" (Ps. 30,11). Seu divino Coração não teve um momento livre de
sofrimentos; quer vigiasse ou dormisse, quer trabalhasse ou descansasse, rezasse ou
falasse, sempre tinha diante dos olhos essa amarga representação, que atormentava mais
sua santíssima Alma do que atormentaram aos santos mártires todas as suas penas. Eles
padeceram, mas, ajudados pela graça divina, padeceram com alegria e fervor. Jesus Cristo
sofreu, mas sofreu sempre com o coração cheio de tédio e tristeza, e tudo aceitou por
nosso amor.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Ó doce, ó amável, ó amante Coração de Jesus, assim
desde menino fostes amargurado e agonizáveis no seio de Maria ? Tudo isto sofrestes,
Jesus, para satisfazer pela pena e agonia eterna que nos cabia padecer no inferno por
nosso pecados. Vós pois, padecestes sem nenhum alívio para salvar-nos, depois de nós
termos nos atrevido a abandonar a Deus e voltar-lhe as costas, para satisfazer nossos
gostos miseráveis. Graças vos damos, Coração amante e aflito de Nosso Senhor.
Agradecemo-vos e nos compadecemos de Vós ao considerar que padecestes tanto pelos homens
e que estes não se compadecem de Vós. Como são grandes o amor de Deus e a ingratidão
dos homens. Ó Redentor nosso, como são poucos os homens que pensam em vossas dores e em
vosso amor. Ó Deus, como são poucos os que vos amam. E desgraçados de nós que também
vivemos tantos anos sem lembrarmo-nos de Vós! Vós padecestes tanto para que vos
amássemos e não vos amamos. Perdoai-nos, Jesus, perdoai-nos que queremos nos emendar e
queremos vos amar. Pobres de nós, Senhor, se resistirmos à Vossa graça e por nossa
resistência nos condenarmos. Quantas misericórdias usastes conosco e especialmente vossa
voz que agora nos convida a amar-vos, seriam nossas maiores penas no inferno. Amado Jesus,
tende piedade de nós, não permitais que vivamos mais ingratos a vosso amor; dai-nos luz
e força para vencer tudo e para cumprir vossa vontade. Escutai-nos, rogamo-vos, pelos
méritos de vossa Paixão.
De Vós esperamos tudo e de vossa intercessão, ó Maria.
Querida Mãe, socorrei-nos, Vós que nos alcançastes todas as graças que recebemos de
Deus; continuai a nos ajudar, pois se não o fazeis seremos infiéis, como o fomos no
passado. Vós sois toda a nossa esperança e toda a razão de nossa confiança.
Cântico: Adeste, Fideles
5º Dia - 20 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Jesus cristo se ofereceu desde o
princípio por nossa salvação
Foi imolado, porque Ele mesmo quis.
(Is. 53,7)
O Verbo divino, desde o primeiro instante em que se viu
feito homem e criança no seio de Maria, se ofereceu por si mesmo às penas e à morte
para resgate do mundo. Sabia que todos os sacrifícios dos cordeiros e dos touros
oferecidos a Deus na Antigüidade não tinham podido satisfazer pelas culpas dos homens,
mas que era necessário que uma pessoa divina satisfizesse por eles o preço de sua
redenção. Pelo que disse, como afirma o Apóstolo: "Não quiseste hóstia nem
oblação, mas me formaste um corpo. Então eu disse; Eis-me aqui presente" (Heb.
10,5). Meu Pai, disse Jesus Cristo, todas as vítimas que vos foram oferecidas até agora
não bastam nem bastarão para satisfazer vossa justiça; destes-me um corpo passível
para que com a efusão de meu sangue vos aplaque e salve os homens: eis-me aqui presente,
"ecce venio", tudo aceito e tudo submeto a vossa vontade.
A parte inferior de sua vontade experimentava,
naturalmente, repugnância e recusava-se a viver e a morrer entre tantas dores e
opróbrios, mas venceu a parte racional, que estava completamente subordinada à vontade
do Pai, e aceitou tudo, começando Jesus a padecer desde aquele instante, todas as
angústias e dores que sofreria nos anos de sua vida, assim agiu nosso divino Redentor
desde os primeiros instantes de sua entrada no mundo.
E como nos portamos nós com Jesus Cristo, desde que,
chegados ao uso da razão, começamos a conhecer, com as luzes da fé, os sagrados
mistérios da redenção? Que pensamentos, que desígnios, que bens temos amado? Prazeres,
passatempos, soberbas, vinganças, sensualidade, eis os bens que aprisionaram os afetos de
nosso coração. Mas, se temos fé, mudemos de vida e de amores; amemos a um Deus que
tanto padeceu por nós. Lembremo-nos das penas que o Coração de Jesus padeceu por nós
desde criança, e assim não poderemos amar senão esse Coração, que tanto nos amou.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Senhor nosso, quereis saber como nos portamos convosco em
nossa vida? Desde que começamos a ter o uso da razão começamos a menosprezar vossa
graça e vosso amor. Mas melhor que nós o sabeis vós e, apesar disso, nos suportastes
porque nos amais muito. Fugíamos de Vós, e vós vos aproximastes chamando-nos. Aquele
mesmo amor que vos fez baixar do céu para buscar as ovelhas perdidas, fez com que nos
suportásseis. Jesus, agora nos buscais e nós vos buscamos. Percebemos que vossa graça
nos assiste; assite-nos com a dor de nossos pecados, que odiamos mais que todos os outros
males; assisti-nos com o desejo que temos de vos amar e de vos dar gosto. Sim Senhor
nosso, queremos amar-vos e tanto quanto possamos. Certo que tememos por nossa fragilidade
e debilidade contraídas por causa de nossos pecados, mas muito amor é a confiança que
vossa graça nos infunde, fazendo-nos esperar em vossos méritos e dando-nos grande ânimo
para exclamar: "Tudo posso naquele que me conforta" (Phil. 4,13). Se
somos débeis, Vós nos dareis força contra nossos inimigos; se estamos enfermos,
esperamos que vosso sangue seja nossa medicina; se somos pecadores, confiamos em que nos
santificareis. Confessamos que no passado cooperamos com nossa ruína porque deixamos de
recorrer a Vós nos perigos. De hoje em diante, Deus e esperança nossa, a Vós queremos
recorrer e de Vós esperamos toda ajuda e todo o bem. Amamos-vos sobre todas as coisas e
nada queremos amar fora de vós. Ajudai-nos, por piedade, pelo mérito de tantos
sofrimentos que desde o princípio sofrestes por nós. Eterno Pai, por amor de Jesus
Cristo, aceitai que vos amemos. Se vos iramos, aplacai-vos ao ver as lágrimas do menino
Jesus, que vos roga por nós: "Põe teus olhos na face de teu ungido"
(Ps. 83,10). Não merecemos graças, mas merece-as esse Filho inocente, que vos oferece
uma vida de penas para que sejais conosco misericordioso.
E Vós, Maria, Maria, Mãe Misericordiosa, não deixeis de
interceder por nós; sabeis quanto confiamos em Vós, e sabemos bem que não abandonais a
quem recorre a Vós.
Cântico: Adeste, Fideles
6º Dia - 21 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Jesus no seio de Maria
Sou contado entre os que descem à cova,
tornei-me como um homem sem força.
(Ps. 87,5)
Consideremos a vida penosa por que passou Jesus Cristo no
seio de sua Mãe. Era livre, porque se tinha feito voluntariamente prisioneiro de amor,
mas o amor o privava do uso da liberdade e o mantinha em cadeias tão apertadas que não
podia mover-se. Ó grande paciência do Salvador! Ao pensar nas penas de Nosso Senhor
ainda no seio de sua Mãe.
Vejamos a que se reduz o Filho de Deus por amor dos homens:
priva-se de sua liberdade e se encadeia para livrar-nos das cadeias do inferno. Muito,
pois, merece ser reconhecida com gratidão e amor a graça de nosso libertador e fiador,
que, não por obrigação, mas por afeto, se ofereceu para pagar e pagou nossas dívidas e
nossas penas, dando por elas sua vida: "Não te esqueças do benefício que te fez
o que ficou por teu fiador, porque ele expôs a sua vida por ti"(Eccli. 29,20).
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
"Não te esqueças do benefício que te fez o que
ficou por teu fiador".Sim, ó Jesus, com razão nos adverte o Profeta de que não
nos esqueçamos da imensa graça que nos fizeste. Nós éramos devedores e réus, e, Vós
inocente. Vós, nosso Deus, quisestes satisfazer por nossos pecados com vossas penas e com
vossa morte. E depois esquecemos esta graça e vosso amor e nos atrevemos a voltar-vos as
costas, como se não fosseis nosso Senhor, o Senhor que nos amou tanto. Mas, se no passado
o esquecemos, não queremos, Redentor nosso, esquecer-vos no futuro. Vossas penas e vossa
morte serão nosso contínuo pensamento, e elas nos recordarão sempre o amor que nos
tivestes. Maldizemos os dias em que, esquecidos de quanto sofrestes por nós, abusamos
lamentavelmente da liberdade que nos destes para amar-vos e empregamos em desprezar-vos.
Essa liberdade que nos destes, hoje vo-la consagramos. Livrai-nos, ó Jesus, da desgraça
de ver-nos de novo separados de Vós e feitos escravos do demônio. Prendei a vossos pés
nossas almas a fim de que não nos separemos mais de vós. Padre Eterno, pelo cativeiro
que o Menino Jesus padeceu no seio de Maria, livrai-nos das cadeias do demônio e do
inferno.
E Vós, Mãe de Deus, socorrei-nos. Carregai-nos
aprisionados e estreitados ao Filho de Deus. Pois, já que Jesus é vosso prisioneiro,
fará tudo o que mandardes. Dizei-lhe que nos perdoe e que nos faça santo. Ajudai-nos,
nossa Mãe, pela graça e honra que vos fez Jesus Cristo de habitar nove meses em vosso
seio.
Cântico: Adeste, Fideles
7º Dia - 22 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Dor que causou a Jesus cristo a
ingratidão dos homens
Veio para o que era seu e os seus não o
receberam.
(Jo. 1,11)
Em certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos
caminhos gemendo e suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu:
"Como quereis que não chore vendo que o amor não é amado? Vejo Deus
inebriado de amor pelos homens e os homens tão ingratos para com esse Deus". Se
tanto afligia essa ingratidão dos homens a São Francisco, consideremos quanto mais
afligirão ao Coração de Jesus. Tão logo foi concebido no seio de Maria viu a cruel
correspondência que havia de receber dos homens. Tinha vindo do céu para atear o fogo do
amor divino, e esse desejo o tinha feito descer à terra e sofrer um abismo de penas e
ignomínias: "Vim trazer o fogo à terra e que quero senão que se ateie?"
(Lc. 12,49). E depois via o abismo de pecados que cometeriam os homens apesar de terem
sido testemunhas de tantas provas de seu amor. Esse foi, disse São Bernardino de Sena, o
que lhe fez padecer uma dor infinita. Ainda entre nós, quando alguém se Vê tratado
ingratamente por outro é uma dor insuportável, pois a ingratidão freqüentemente aflige
a alma mais que outra dor ao corpo. Que dor, pois, ocasionaria a Jesus, que era nosso
Deus, ver que, por nossa ingratidão, seus benefícios e seu amor seriam pagos com
desgostos e injúrias? "Deram-me males em troca de bens e ódio em troca do amor
que eu lhes tinha". (Ps. 108,5). E ainda hoje se lamenta Jesus Cristo: "Fui
um estrangeiro para meus irmãos" (Ps. 68,9), pois vê que não é amado nem
conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem nenhum nem tivesse sofrido nada
por seu amor.
Ó meu Deus, que caso fazemos, mesmo os cristãos, do amor
de Jesus Cristo? Apareceu um dia Ele ao Beato Henrique Suso como um peregrino que
mendigava de porta em porta, sendo sempre posto fora com injúrias. Quantos são
semelhantes àqueles de quem falou Jó: "Eles diziam a Deus: Retira-te de nós, e
julgavam o Onipotente, como se não pudesse fazer nada; sendo que ele cumulou de bens as
suas casas"(Job,22,17). Nós, ainda que no passado nos tenhamos unido a esses
ingratos, queremos continuar com nossa ingratidão no futuro? Não, porque não o merece
aquele amável Menino que veio do céu padecer e morrer por nós para que o amássemos.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Senhor Jesus, que descestes do céu para que nós vos
amássemos, tomando uma vida cheia de trabalho e a morte numa cruz, como pudemos tantas
vezes dizer-vos: "Retirai-vos de nós", não vos queremos, ó nosso Deus,
se não fôsseis bondade infinita nem tivésseis dado a vida para perdoar-nos, não nos
atreveríamos a pedir-vos perdão; mas sabemos que Vós mesmo nos quereis dar a paz:
"Convertei-vos a mim, diz o Senhor Deus dos exércitos e eu me voltarei para Vós"
(Zach. 1,3). Vós mesmo, Jesus, que sois o ofendido, intercedeis por nós. Não queremos,
pois, ofender-vos ainda uma vez, desconfiados de vossa misericórdia. Arrependemo-nos com
toda a alma de vos ter desprezado, meu sumo Bem. Dignai-vos receber-nos em vossa graça
pelo sangue derramado por Vós. "Pai, não sou digno de ser chamado teu filho"
(Lc.15,21). Não, nosso Redentor e Pai, não somos dignos de ser vossos filhos, porque
tantas vezes renunciamos ao vosso amor; mas Vós nos tornais dignos com vossos
merecimentos. Que só o pensamento da paciência com que suportastes nossos pecados
durante tantos anos e das graças que nos concedestes, depois de todas as injúrias que
vos fizemos, faça-nos viver ardendo nas chamas de vosso amor. Vinde, pois, Senhor, que
não vos expulsaremos mais, vinde habitar nosso pobre coração. Amamo-vos e queremos
amar-vos para sempre, e Vós abrasai-nos sempre mais, com a lembrança do amor que nos
tivestes.
Cântico: Adeste, Fideles
8º Dia - 23 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Amor de deus aos homens no nascimento de
Jesus
Porque apareceu a graça de Deus nosso Salvador a todos os homens,
ensinando-nos que renunciando à impiedade... vivamos piedosamente no presente século, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa do grande
Deus e Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo.
(Tit. 2, 12-14)
Consideremos que a graça salvadora de Deus que se
manifestou a todos os homens foi o profundíssimo amor de Jesus Cristo aos homens. Esse
amor, embora tenha sido da parte de Deus sempre idêntico, nem sempre foi igualmente
manifesto.
Antes fora prometido muitas profecias e encoberto sob o
véu de muitas figuras. Mas, no nascimento do Redentor, deixou-se ver claramente,
aparecendo aos homens o Verbo eterno como menino deitado sobre o feno, gemendo e tremendo
de frio, começando já assim a satisfazer pelas penas que merecíamos e dando-nos a
conhecer o afeto que nos tinha, sacrificando por nós a vida: "Nisto conhecemos a
caridade de Deus, porque Ele deu sua vida por nós". Manifestou-se, pois, a
graça salvadora de Deus, e manifestou-se a todos os homens. Mas porque não o conheceram
todos e ainda hoje há tantos que, podendo, não o conhecem? Porque "a luz veio ao
mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz" (Jo. 3,19). Não o conheceram
nem o conhecem porque não querem conhecê-lo e amam mais as trevas do pecado do que a luz
da graça. Não pertençamos ao número desses infelizes. Se até aqui temos fechado os
olhos à luz, pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos, até o fim de nossa
vida, ter sempre ante os olhos os sofrimentos e a morte de nosso Redentor, para amar a
quem tanto nos amou: "Aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda gloriosa do
grande Deus e Salvador Nosso Jesus Cristo" (Tit. 2,13).
Assim poderemos confiar fundadamente, segundo as divinas
promessas, alcançar aquele paraíso que Jesus Cristo nos conquistou com seu sangue. Nesta
primeira manifestação vem Jesus Cristo como menino, pobre e desprezado, nascido num
estábulo, coberto de pobres panos e reclinado na palha, mas na segunda aparição virá
sobre um trono de majestade: "E verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do
céu com grande poder e majestade" (Mt. 24,30). Feliz naquela hora quem não o
tenha odiado ou desprezado.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Óh, Santo Menino, agora vos contemplamos sobre a palha,
pobre, aflito e abandonado; mas sabemos que vireis um dia para julgar-nos sobre
esplendoroso trono, rodeado de anjos. Perdoai-nos antes de julgar-nos. Então sereis um
juiz rigoroso, mas agora sois nosso Redentor e nosso Pai misericordioso. Ingratos fomos,
não vos conhecendo por não querer conhecer-vos, e em vez de pensar em amar-vos,
considerando o amor que nos tivestes, só pensamos em satisfazer nosso apetite,
desprezando vossa graça e vosso amor. Em vossas mãos pomos nossa alma, que tantas vezes
nos esforçamos por perder, para que Vós as salveis. "Em tuas mãos entrego meu
espírito: tu me livrarás. Senhor, Deus de Verdade" (Ps. 30,6). Em Vós deposito
minhas esperanças, pois seis que, para resgatar-me do inferno, destes sangue e vida. Tu
me livrarás, Senhor, Deus de Verdade. Não me fizestes morrer quando eu estava em pecado
e me esperastes com tanta paciência para que, entrando em mim, me arrependesse de vos ter
ofendido, começasse a amar-vos e assim pudésseis perdoar-me e salvar-me. Sim, meu Jesus,
quero agradar-vos; arrependo-me de todo o mal e desgosto que vos tenho causado. Salvai-me
por vossa misericórdia e seja minha salvação amar-vos sempre nesta vida e por toda a
eternidade.
Minha amada Mãe, recomendai-me a vosso Filho, fazei-o ver
que sou servo vosso e que em Vós pus minha esperança, pois Ele vos ouve e não vos nega
nada.
Cântico: Adeste, Fideles
9º Dia - 24 de dezembro
Cântico: Puer Natus
Viagem de são josé e de Maria
santíssima a belém
Subiu também José para inscrever-se no
censo com Maria, sua esposa, que estava prestes a dar à luz.
(Lc.10,5)
Tinha Deus decretado que seu Filho nascesse nem sequer na
casa de José, mas numa gruta, num estábulo, do modo mais pobre e penoso que possa nascer
uma criança; já para isso dispôs que César Augusto publicasse um édito no qual
ordenava que fossem todos recensear-se em sua cidade natal. José, ao ter notícia dessa
ordem, certamente hesitou sobre deixar ou levar consigo Maria Santíssima, próxima de dar
à luz, uma vez que não tinha riqueza para proporcionar-lhe uma viagem conveniente, nem
queria, por outro lado, deixá-la sozinha e sem amparo.
Sabia, contudo, Maria que, como anunciara o profeta
Miquéias, devia o Salvador nascer em Belém; por isso, tomando os panos e roupas que
preparara para seu Filho, partiu Ela com José, pobremente, em tempo de inverno, prestes a
dar à luz, para submeter-se à vontade de Deus.
Una-nos a eles, e através das penas e dores da nossa
viagem por esta vida, louvemos a Deus, sejamos-lhe gratos, pedindo-lhe apenas que esteja
sempre conosco Nosso Senhor Jesus Cristo.
Peçamos a José e a Maria que pelo mérito das penas
padecidas em sua viagem, nos acompanhem na viagem que estamos fazendo para a eternidade.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Meu amado Redentor, acompanhado na terra apenas por José e
Maria, ao ir a Belém, permiti-me que vos acompanhe também eu, Vós descestes do céu
para ser meu companheiro na terra, e eu tantas vezes já vos abandonei ofendendo-vos
ingratamente. Quando penso que, tantas vezes, para seguir minhas malditas inclinações,
separei-me de Vós, renunciando a vossa amizade, quisera morrer de dor. Vós viestes para
perdoar-me; assim, pois, perdoai-me imediatamente, pois com toda a alma me arrependo de
vos ter dado tantas vezes as costas e abandonado. Proponho e espero, com vossa graça,
não vos deixar mais nem separar-me mais de Vós. Uni-me, estreitai-me com os suaves
laços de vosso santo amor, meu Redentor e meu Deus.
Maria Santíssima, venho acompanhar-vos em vossa viagem;
não deixeis de assistir-me na que estou fazendo para a eternidade. Assisti-me sempre e,
especialmente, quando me achar no fim de minha vida, próximo ao instante de que depende
estar sempre convosco para amar a Jesus no paraíso, ou estar sempre longe de vós, para
odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me por vossa intercessão, e seja a minha
salvação amar-vos, a vós e a Jesus, para sempre, no tempo e na eternidade. Sois minha
esperança; em vós confio.
Cântico: Adeste, Fideles |