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Cardeal venezuelano qualifica referendo de «fraude gigantesca»
CARACAS, segunda-feira, 16 de agosto de 2004 - O
cardeal venezuelano José Castillo Lara qualificou esta segunda-feira
de «fraude gigantesca» o referendo que se celebrou esse
domingo na Venezuela sobre a permanência no governo do presidente
Hugo Chávez.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) informou hoje que os votos a favor
da revocação do cargo do presidente da República somaram 41,74% dos
sufrágios válidos (3.576.517 votos) enquanto que os votantes que
aprovaram a permanência no poder do mandatário foram 58.32%
(4.991.483 votos).
O purpurado salesiano explicou esta segunda-feira em declarações a
«Rádio Vaticano» que no referendo se registrou uma «gigantesca
fraude», «pois houve uma afluência às urnas eleitorais que
nunca fora vista na Venezuela, mas os centros eleitorais, mudando as
disposições, puseram na apuração dos votos as pessoas do partido no
governo».
«As pesquisas nas saídas das urnas indicavam que havia cerca de 65%
a favor do “sim”, ou seja, da revocação do mandato, e
somente 35% ou no máximo 40% a favor do presidente», constata o
cardeal, especialista em questões jurídicas e presidente emérito da
Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.
O purpurado denuncia também que nas urnas os representantes
governamentais compraram votos.
«Ao povo pobre davam o equivalente a 50 ou 60 dólares americanos
para votarem no “não”, ou seja, para manter o presidente no governo»,
acrescenta.
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