Fonte: http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2002/nov/18/311.htm
Papa critica lei brasileira sobre divórcio
São Paulo - Ao
defender os valores cristãos da família, em discurso aos bispos do Regional Leste 2
(Minas e Espírito Santo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que
encerraram, no último sábado, sua visita ad limina a Roma - obrigatória, a cada cinco
anos - João Paulo II condenou os representantes da Igreja que manifestam opiniões
contrárias à doutrina sobre a instituição do casamento e a moralidade sexual.
"As opiniões contrastantes de teólogos,
sacerdotes e religiosos, divulgadas pelos meios de comunicação, sobre relações
pré-matrimoniais, controle de natalidade, admissão dos divorciados aos sacramentos,
homossexualidade e lesbianismo, fecundação
artificial, uso de práticas abortivas ou eutanásia, mostram a grande incerteza e a
confusão que perturbam e chegam a anestesiar a consciência de muitos fiéis",
advertiu o papa.
Em seu discurso, só nesta segunda-feira divulgado
pelo Serviço de Informação do Vaticano (VIS), João Paulo II pediu ao
episcopado brasileiro que dê novo impulso à
defesa e promoção da instituição familiar. "Apesar dos valores da tradição
brasileira - como respeito, solidariedade e privacidade, existem fatores sociais que
tendem a desestabilizar o núcleo familiar", observou.
"Há tentativas, na opinião pública e na
legislação civil, de equiparar a família a meras uniões de fato ou de reconhecer como
tal uma união de pessoas do mesmo sexo", disse o pontífice. "Essas e outras
anomalias nos levam a proclamar com firmeza pastoral a verdade sobre o matrimônio e a
família", acrescentou João Paulo II, depois de criticar as leis civis brasileiras
que "favorecem o divórcio e ameaçam a vida ao tentar aprovar oficialmente o
aborto".
O discurso condena campanhas de controle da
natalidade, "que levam à esterilização de milhares de mulheres, sobretudo no
Nordeste". Depois de advertir que "a falta de valores morais abre as portas à
infidelidade e à dissolução do matrimônio", o papa exortou os casados a darem
testemunho da grandeza da vida conjugal e familiar, fundada na fidelidade ao compromisso
assumido diante de Deus.
"Graças ao sacramento do matrimônio, o amor
humano adquire valor sobrenatural", afirmou. O arcebispo de Botucatu, d. Aloysio
Penna, responsável pela pastoral da família na CNBB, disse que João Paulo II está bem
informado, pois é perfeito o quadro que traçou da situação brasileira. "Sobretudo
quando fala da confusão provocada pelos padres que dão aos católicos uma orientação
contrária à doutrina da Igreja", observou d. Aloysio.
José Maria Mayrink