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sexta-feira, outubro 14th, 2011 at 1:08pm

Belo Horizonte/MG: Aulas sobre Encíclicas Papais com o Prof. Alberto Zucchi nos dias 14 e 15.10.2011

MONTFORT ASSOCIAÇÃO CULTURAL

Aulas em Belo Horizonte em 2011

Convidamos todos para as aulas que serão realizadas no próximo final de semana em Belo Horizonte/MG.

Docente: Prof. Alberto Zucchi

Tema: Encíclicas Papais, o Vaticano II e as heresias de ontem e de hoje.

Data e horários:

Sexta-feira - 14/10/2011 às 19h.

Sábado – 15/10/2011: 08 às 17h.

Local: Bairro Prado, próximo da Capela Nossa Senhora do Monte Calvário.

Valor: Gratuito.

• Vagas limitadas! Informações e confirmação de presença pelo tel: 99371185

 


sexta-feira, setembro 2nd, 2011 at 8:35pm

Carta Encíclica Spe Salvi do Santo Padre Bento XVI (Professor Alberto Zucchi) – MONTFORT

Título da aula: Carta Encíclica Spe Salvi do Santo Padre Bento XVI

Apresentação: Guilherme Chenta.

Exposição: Professor Ms. Alberto Zucchi

Data de gravação: 22/08/2011.

Data de publicação: 02/09/2011.

Duração: 130 minutos.

Pauta:

  1. Apresentação:
  2. Introdução 1: a finalidade desta aula sobre a Spe Salvi;
  3. Introdução 2: Os Papas e as encíclicas;
  4. Exposição de alguns pontos da Encíclica Spe Salvi:
    1. A esperança como sentimento;
    2. A esperança como virtude;
    3. O conceito de esperança baseada sobre a fé na Igreja Primitiva e Novo Testamento;
    4. A falsa posição de Lutero sobre a esperança;
    5. A esperança no mundo moderno;
    6. A esperança marxista;
    7. Conclusão;

Bibliografia básica:

PAPA BENTO XVI. Carta Encíclica Spe Salvi. Várias edições.

Vídeo:

Youtube: http://www.youtube.com/user/MontfortAC?feature=mhee

 

Glória TV: http://pt.gloria.tv/?media=190669

Download:

Os downloads – tanto do vídeo, quanto de seu áudio apenas – podem ser facilmente realizados por meio do Glória TV, clicando-se no botão “SAVE” abaixo do vídeo: http://pt.gloria.tv/?media=190669


terça-feira, julho 21st, 2009 at 12:00pm

Caritas in Veritate: valente e surpreendente desafio de Bento XVI ao mundo moderno

     O Papa Bento XVI, sempre corajoso, desta vez surpreende.
 
     O anúncio de uma nova encíclica de caráter social deixava todos em expectativa. Os modernistas ficaram à espera de uma nova encíclica, promovendo o socialismo “cristão”. Tanto mais que se anunciava que a nova encíclica de Bento XVI se inspirava e se dizia que era continuadora da encíclica Populorum Progressio de conhecido sabor marxistóide. De sua parte, os anti modernistas temiam o que se anunciava.
 
     Pois Bento XVI surpreendeu, de novo, a todos.
 
     Na Caritas in Veritate — uma encíclica longa — podem se distinguir os seguintes temas:
  1. Uma introdução tratando da relação dessa encíclica com a Populorum Progressio de Paulo VI. Introdução que nega autoridade a pontos da encíclica de Paulo VI que não se fundamentariam na doutrina tradicional da igreja.
  2. Fundamento doutrinário: a Verdade objetiva.
  3. Fundamento moral: a Caridade baseada na Verdade.
  4. Problemas morais do mundo atual.
  5. Um problema político: a ONU.
  6. Necessidade de uma conversão geral: mudança de mentalidade e de estilo de vida.
      Infelizmente, alguns colocam o problema político concreto – no qual o Papa não fala infalivelmente, mas dá sua opinião, certamente de grande autoridade –  acima da questão metafísica e da doutrina moral, fundamentos de tudo. Essa visão um tanto vesga faz colocar à sombra o que devia ser exposto mais à luz.
 
 

 


 
 
I – RELAÇÃO DA NOVA ENCÍCLICA COM A POPULORUM PROGRESSIO
 
 
     No capítulo I dessa encíclica, Bento XVI fala da relação dela com a encíclica Populorum Progressio de Paulo VI, escrita em 1967, em circunstâncias – lembra Bento XVI -, hoje, bem diversas das que existiam naquele tempo e que, portanto, foram superadas.
 
     “Depois, há que avaliar os termos diferentes em que hoje, diversamente de então, se coloca o problema do desenvolvimento” ( Bento XVI, Caritas in veritate, n0 10).
 
     Mais: Bento XVI lembra que o ponto de vista a partir do qual deve ser focalizada a Populorum progressio e todo ensinamento pontifício deve ser o da Tradição da Fé, fora da qual um documento ficaria sem raízes e, portanto, como mero documento sociológico. Logo, sem valor magisterial eclesiástico. 
 
     “Por isso, o ponto de vista correto é o da Tradição da fé apostólica[13], patrimônio antigo e novo, fora do qual a Populorum progressio seria um documento sem raízes e as      questões do desenvolvimento ficariam reduzidas unicamente a dados sociológicos”. (Bento XVI, Caritas in veritate, n0  10).
 
     A Populorum progressio foi escrita em plena Guerra Fria, um ano antes da revolução de maio de 1968, durante o clímax do conflito entre o capitalismo e o comunismo. Propunha-se ela a defender os povos que passavam fome, os pobres contra os ricos. O leit motif daquele tempo era a idéia marxista dos “sub-desenvolvidos” em luta contra os “desenvolvidos”. Se Paulo VI também falava em verdade e caridade, o tom dominante desse seu documento era fundamentalmente econômico-político, enquanto que o fundamento e o tom da nova encíclica de Bento XVI são muito mais teológicos, filosóficos e doutrinários, sem nada da luta de classes marxista.
 
     Apesar disso, Bento XVI preocupa-se em salientar que há continuidade – e não ruptura – nas encíclicas sociais da Igreja, pré conciliares e pós conciliares… Ele nota ainda que há, então, coerência entre as encíclicas sociais da Igreja, mas que Coerência não significa reclusão num sistema, mas sobretudo fidelidade dinâmica a uma luz recebida” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n0  12).
 
     Seria, então, essa fidelidade “dinâmica” que permitiria a mudança de tom entre a Caritatis in Veritate e a Populorum Progressio.
 
     Na realidade, a continuidade entre essas duas encíclicas parece bastante tênue e acidental, pois é mantida apenas pelo uso de certas palavras e expressões, e não por seus respectivos núcleos doutrinários.
 
     Como lembramos, a Populorum Progressio, salientava radicalmente a oposição entre os ricos e os famintos, entre os desenvolvidos e os sub desenvolvidos, pois a luta de classes estava na moda em 1967. A preocupação de Bento XVI é totalmente diferente: nada que lembre a luta de classes e a violência, a que a Populorum progressio faz referência. A Caritas in Veritate está centrada no combate à pós modernidade, com sua negação radical de todos os valores criteriológicos e morais.
 
     Bento XVI propõe-se comemorar 42 anos da Populorum progressio:
 
     “Passados mais de quarenta anos da publicação da referida  encíclica, pretendo prestar homenagem e honrar a memória do grande Pontífice Paulo VI, retomando os seus      ensinamentos sobre o desenvolvimento humano integral e colocando-me na senda pelos mesmos traçada para os atualizar nos dias que correm.(…) Passados outros vinte      anos, exprimo a minha convicção de que a Populorum progressio merece ser considerada como «a Rerum novarum da época contemporânea», que ilumina o caminho da      humanidade em vias de unificação”(Bento XVI, Caritas in Veritate, n0  8).
 
     Trata-se, pois, de uma homenagem…
 
     Por isso, Bento XVI destaca pontos muito genéricos da Populorum Progressio. Cita, da Populorum Progressio, coisas evidentes, afirmações incontestáveis, por serem fundamentais. Por exemplo:
 
     [Entre parênteses estão os números das notas da Caritas in veritate citando a Populorum progressio]. 
 
     “Paulo VI compreendeu claramente como se tinha tornado mundial a questão social [25]  [ele] viu a correlação entre o impulso à unificação da humanidade e o ideal cristão      de uma única família dos povos, solidária na fraternidade comum. Indicou o desenvolvimento, humana e cristãmente entendido, como o coração da mensagem social cristã e      propôs a caridade cristã como principal força ao serviço do desenvolvimento” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n0  13).
 
     Paulo VI, como antes dele Leão XIII na Rerum novarum[35], estava consciente de cumprir um dever próprio do seu serviço quando iluminava com a luz do Evangelho      as questões sociais do seu tempo[36]. 
 
     “A justiça não só não é alheia à caridade, não só não é um caminho alternativo ou paralelo à caridade, mas é «inseparável da caridade» (op cit, n0  1).
     
     Ou que a Igreja nâo quer «de modo algum imiscuir-se na política dos Estados »[11] Paulo VI compreendeu claramente como se tinha tornado mundial a questão social[25].
 
     «Não há, portanto, verdadeiro humanismo senão o aberto ao Absoluto, reconhecendo uma vocação que exprime a idéia exata do que é a vida humana»[37].
 
     Os «messianismos fascinantes, mas construtores de ilusões»[38].
 
     «cada um, sejam quais forem as influências que sobre ele se exerçam, permanece o artífice principal do seu êxito ou do seu fracasso»[39].
 
     «os povos da fome se dirigem hoje, de modo dramático, aos povos da opulência»[40].
 
     “A vocação ao progresso impele os homens a «realizar, conhecer e possuir mais, para ser mais»[41].
 
     O «desenvolvimento autêntico» (…) «deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo»[42].
 
    «O que conta para nós é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até se chegar à humanidade inteira»[43].
 
     Instruída pelo seu Senhor, a Igreja perscruta os sinais dos tempos e interpreta-os, oferecendo ao mundo «o que possui como próprio: um desenvolvimento humano integral no plano      natural, enquanto resposta a uma vocação de Deus criador[48],a visão global do homem e da humanidade»[46].
 
    “Em áreas mais pobres, alguns grupos gozam duma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis      situações de miséria desumanizadora. Continua «o escândalo de desproporções revoltantes»[56].
 
     27. Em muitos países pobres, continua — com risco de aumentar  — uma insegurança extrema de vida, que deriva da carência de alimentação: a fome ceifa ainda inúmeras      vítimas entre os muitos Lázaros, a quem não é permitido — como esperara Paulo VI — sentar-se à mesa do rico avarento[64].
 
     “É o dano que o « superdesenvolvimento » [72] acarreta ao desenvolvimento autêntico, quando é acompanhado pelo « subdesenvolvimento moral »[73].
 
     Muitas vezes pensa-se que o desenvolvimento ou as relativas medidas sócio-econômicas necessitam apenas de ser postos em prática como fruto de um agir comum,      ignorando que este agir comum precisa de ser orientado, porque « toda a ação social implica uma doutrina »[74].
 
     «aquele que está animado de verdadeira caridade é engenhoso em descobrir as causas da miséria, encontrar os meios de a combater e vencê-la resolutamente»[75].
 
     Paulo VI tinha visto claramente que, entre as causas do subdesenvolvimento, conta-se uma carência de sabedoria, de reflexão, de pensamento capaz de realizar uma síntese      orientadora[78].
 
     A dignidade da pessoa e as exigências da justiça requerem, sobretudo hoje, que as opções econômicas não façam aumentar, de forma excessiva e moralmente inaceitável,      as diferenças de riqueza [83].
 
     Não há motivo para negar que um certo capital possa ser ocasião de bem, se investido no estrangeiro antes que na pátria; mas devem-se ressalvar os vínculos de justiça,      tendo em conta também o modo como aquele capital se formou e os danos que causará às pessoas o seu não investimento nos lugares onde o mesmo foi gerado[97].
 
     O espírito empresarial, antes de ter significado profissional, possui um significado humano[98].
 
     Ensinava Paulo VI, não sem motivo, que «todo o trabalhador é um criador»[101].
 
     43. «A solidariedade universal é para nós não só um fato e um benefício, mas também um dever»[105].
 
     «artífices do seu destino»[109].
 
     “Trata-se de um aspeto muito importante do verdadeiro desenvolvimento, porque diz respeito aos valores irrenunciáveis da vida e da família[110].
 
     «São os povos os autores e primeiros responsáveis do próprio desenvolvimento. Mas não o poderão realizar isolados»[114].
 
     “a imensidade de jovens presentes nos povos pobres, que «reclamam a sua parte ativa na construção de um mundo melhor»[119].
 
     “Observava Paulo VI que «o mundo sofre por falta de convicções »[128].
 
     “O espírito, « tornando-se assim ‘‘mais liberto da escravidão das coisas, pode facilmente elevar-se ao culto e à contemplação do Criador” »[150].
 
     “75. Paulo VI já tinha reconhecido e indicado o horizonte mundial da questão social[155].
 
     «desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens»[159].
 
     Portanto, são citações, em geral, sem importância maior.
 
     Em contrapartida, notam-se oposições frontais entre as duas encíclicas. Para Paulo VI, na Populorum progressio, “Desenvolvimento é o novo nome da paz(Paulo VI, Populorum progressio,n0 76).
 
     Para Paulo VI, o ter mais seria necessário para o ser mais:
 
     “Ser libertos da miséria, encontrar com mais segurança a subsistência, a saúde, um emprego estável; ter maior participação nas responsabilidades, excluindo qualquer      opressão e situação que ofendam a sua dignidade de homens; ter maior instrução; numa palavra, realizar, conhecer e possuir mais, para ser mais: tal é a aspiração dos      homens de hoje, quando um grande número dentre eles está condenado a viver em condições que tornam ilusório este legítimo desejo”Paulo VI, Populorum progressio, n0      6. Os destaques são nossos).
 
     Enquanto, pois, a Populorum Progressio acentua a questão da riqueza e da pobreza — a questão do ter mais – Bento XVI acentua o fim transcendente do homem, relativizando o ter, salientando o ser. Por isso, Bento XVI, ao contrário de Paulo VI, não considera que o desenvolviemnto traga a paz que vem do alto:
 
     “Sem a perspectiva duma vida eterna, o progresso humano neste mundo fica privado de respiro. Fechado dentro da história, está sujeito ao risco de reduzir-se a simples      incremento do ter; deste modo, a humanidade perde a coragem de permanecer disponível para os bens mais altos, para as grandes e altruístas iniciativas solicitadas      pela caridade universal. O homem não se desenvolve apenas com as suas próprias forças, nem o desenvolvimento é algo que se lhe possa dar simplesmente de fora. Muitas      vezes, ao longo da história, pensou-se que era suficiente a criação de instituições para garantir à humanidade a satisfação do direito ao desenvolvimento. Infelizmente foi      depositada excessiva confiança em tais instituições, como se estas pudessem conseguir automaticamente o objetivo desejado. Na realidade, as instituições sozinhas      não bastam, porque o desenvolvimento humano integral é primariamente vocação e, por conseguinte, exige uma livre e solidária assunção de responsabilidade      por parte de todos. Além disso, tal desenvolvimento requer uma visão transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus: sem Ele, o desenvolvimento ou é      negado ou acaba confiado unicamente às mãos do homem, que cai na presunção da auto-salvação e acaba por fomentar um desenvolvimento desumanizado.      Aliás, só o encontro com Deus permite deixar de « ver no outro sempre e apenas o outro »[17], para reconhecer nele a imagem divina, chegando assim a descobrir      verdadeiramente o outro e a maturar um amor que «se torna cuidado do outro e pelo outro»[18].(Bento XVI, Caritas in veritate,nO 11. Os destaques são nossos).
 
     Bento XVI coloca-se, portanto, em posição diametralmente oposta ao Paulo VI da Populorum progressio.
 
     Outro reparo feito por Bento XVI é contra o utopismo e o milenarismo que sonham com um mundo feliz sem pobres, sem males e sem miséria pela absolutização do progresso técnico:
 
     “Absolutizar ideologicamente o progresso técnico ou então afagar a utopia duma humanidade reconduzida ao estado originário da natureza são dois modos opostos de      separar o progresso da sua apreciação moral e, consequentemente, da nossa responsabilidade” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n0 14).
 
     Citamos com especial alegria este texto acima, porque ele repete o que havíamos escrito há mais de vinte anos em nosso trabalho sobre Utopias panteístas e Milenarismo gnóstico. (Cfr. Elementos messiânicos na seita ismaelita de Alamut )
 
     Também quanto ao próprio desenvolvimento em si mesmo, a encíclica de Bento XVI diverge da Populorum progressio.
 
     Diz Bento XVI: 
 
     “Paulo VI tinha uma visão articulada do desenvolvimento.  Com o termo «desenvolvimento», queria indicar, antes de mais nada, o objetivo de fazer sair os povos da fome, da      miséria, das doenças endêmicas e do analfabetismo. Isto significava, do ponto de vista econômico, a sua participação ativa e em condições de igualdade no processo      econômico internacional; do ponto de vista social, a sua evolução para sociedades instruídas e solidárias; do ponto de vista político, a consolidação de regimes democráticos      capazes de assegurar a liberdade e a paz”.(Bento XVI, Caritas in veritate, n0 21).
 
     E Bento XVI indica como as expectativas de Paulo VI no desenvolvimento e no progresso não aconteceram:
 
     “Depois de tantos anos e enquanto contemplamos, preocupados, as evoluções e as perspectivas das crises que foram sucedendo neste período, interrogamo-nos até que      ponto as expectativas de Paulo VI tenham sido satisfeitas pelo modelo de desenvolvimento que foi adoptado nos últimos decênios”(Bento XVI, Caritas in veritate, n0 21).
 
     Bento XVI aponta ainda uma contradição no lema revolucionário da igualdade e da Fraternidade:
 
     “A razão, por si só, é capaz de ver a igualdade entre os homens e estabelecer uma convivência cívica entre eles, mas não consegue fundar a fraternidade” (Bento XVI, Caritas      in Veritate, no 19).
 
     Logo, o ideal igualitário é irrealizável.
       
     Poder-se-ia lembrar ainda que a igualdade dos homens foi sempre condenada por todos os Papas, que sempre demonstraram que a igualdade é um mito e que ela não pode existir junto com a liberdade. Dando liberdade completa aos homens, eles se diferenciam. Se se impõe a igualdade, nega-se a liberdade. A igualdade, sendo contra a natureza, ela só pode tentar ser imposta pela violência, o que destrói a liberdade. Stalin e Hitler provaram isso. Os paraísos igualitários sempre tiveram cerca de arame farpado e ninhos de metralhadoras. A igualdade completa só existiu entre os prisioneiros de Auschwitz.
 
     E o Papa atual restringe a sua manifestação magisterial ao âmbito doutrinário, sem pretender dar soluções especificamente econômicas:
 
     “A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer [10] e não pretende «de modo algum imiscuir-se na política dos Estados »[11](Bento XVI, Caritas in Veritate, n9).
 
 
*****
 
 
II – FUNDAMENTO DA CARITAS IN VERITATE:
A VERDADE
 
 
     O que se constata na leitura dessa encíclica “social” de Bento XVI é que ele se aproveitou do tema da economia globalizada para pôr os pingos nos “is” em problemas candentes do mundo atual que envolvem o triunfo da pós modernidade com a destruição de todos os valores. Por isso, o ponto fundamental em que o papa coloca sua encíclica é o da verdade e o do dever que tem o Papa e a Igreja de defenderem a verdade, combatendo o achismo, o subjetivismo e o relativismo da sociedade atual.
 
     Por isso, logo de início, o Papa lembra que:
     
     “defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n0 1).
 
     Bento XVI prossegue então sua luta pelo restabelecimento da primazia da verdade, objetivo fundamental de seu pontificado, para restabelecer a ortodoxia católica arruinada desde o pós Concílio Vaticano II.
 
     Daí, imediatamente, ele procurar corrigir a distorção da idéia de caridade da idéia de amor, palavra tão prostituída em nossos tempos pós conciliares.
 
     Sem a verdade não existe a caridade. A caridade - “o amorrr”, como dizem hoje os padres, em seus sermões vazios, é mero sentimentalismo. E Bento XVI fala em “amor vazio”:
 
     “Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da      fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a      caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba      prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a      caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, a      caridade reflete a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente «Agápe» e «Lógos»: Caridade e Verdade, Amor e Palavra”.      (Bento XVI, Caritas in Veritate, n0 3).
 
     E Bento XVI, argutamente, aproveita a oportunidade para atacar as pragas criteriológicas disseminadas, hoje, no mundo, e particularmente entre os católicos:  o opinionismo, o achismo, o subjetivismo, e o relativismo, que tanto devem sua seiva atual aos ambíguos textos do Concílio Vaticano II.
 
     Diz o Papa:
 
     “A verdade, fazendo sair os homens das opiniões e sensações subjetivas, permite-lhes ultrapassar determinações culturais e históricas para se encontrarem na avaliação do      valor e substância das coisas. A verdade abre e une as inteligências no lógos do amor: tal é o anúncio e o testemunho cristão da caridade. No atual contexto social e cultural,      em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento      útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral. Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser      facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar      para Deus no mundo. Sem a verdade, a caridade acaba confinada num âmbito restrito e carecido de relações; fica excluída dos projetos e processos de construção dum      desenvolvimento humano de alcance universal, no diálogo entre o saber e a realização prática” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n0 4).
 
     Portanto, a caridade na verdade objetiva é o princípio fundamental que deve reger a justiça defendida pela Igreja Católica nas questões sociais.
 
     Nessas questões, a justiça é coroada pela caridade, e a justiça se baseia na verdade, visando o bem comum.
 
     Para Bento XVI, o Papa restaurador da fé, tão arruinada nestes tempos dominados pela mentalidade conciliar de completa ruptura com o passado, a defesa da verdade – mesmo nas questões econômico-sociais – é imprescindível. Daí, ele dizer que, sem a verdade, se cai no empirismo ativista e mesmo na escravidão, pois, como Jesus nos lembrou, é a verdade que nos liberta.
 
     “Sem verdade, cai-se numa visão empirista e cética da vida, incapaz de se elevar acima da ação porque não está interessada em identificar os valores — às vezes nem      sequer os significados — pelos quais julgá-la e orientá-la. A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da      possibilidade dum desenvolvimento humano integral”(Bento XVI, Caritas in Veritate, , n0  9).
 
     E conclui Bento XVI a introdução de sua encíclica reafirmando o dever “Irrenunciávelda Igreja de servir, defender e difundir a verdade.   
 
     E se veja com que linguagem e com que tom, bem diferentes do Vaticano II, ele diz isso:
 
     “É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é      irrenunciável. A sua doutrina social é um momento singular deste anúncio: é serviço à verdade que liberta. Aberta à verdade, qualquer que seja o saber donde provenha, a      doutrina social da Igreja acolhe-a, compõe numa unidade os fragmentos em que frequentemente a encontra, e serve-lhe de medianeira na vida sempre nova da sociedade dos      homens e dos povos[12](Bento XVI, Caritas in Veritate, n0 9).
 
     A pregação da verdade é, então, irrenunciável. E só na verdade se encontra a unidade. Este princípio é diametralmente contrário ao que se buscou com o ecumenismo: a unidade no amor e não na verdade. Ora, contra isso, vale o que afirmou Bento XVI nesta sua nova encíclica ao reconhecer que:
 
     “A verdade une os espíritos entre si e fá-los pensar em uníssono, atraindo-os e unindo-os nela(Bento XVI, Caritas in veritate, no 54).
 
     Sem a verdade é impossível a caridade. Sem o conhecimento da verdade é impossivel agir. Mas o agir sem a caridade é estéril. Assim diz Bento XVI lapidarmente:
     
     “A ação é cega sem o saber, e este é estéril sem o amor” (Bento XVI, Caritas in veritate, n0 30).
 
     Viva o Papa!
 
 
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III - CARIDADE E LEI NATURAL
 
     A caridade – o amor – exige a obediência estrita da lei natural, que é expressa pelos dez mandanentos da lei de Deus. Não existe caridade a não ser na observância da lei de Deus. No mundo atual, a grave crise que está levando a humanidade ao maior desastre da história tem como causa a negação da verdade objetiva e da lei de Deus, impressa como lei natural no coração de todos os homens. Por isso, não pode haver cultura verdadeira sem a observância dessa lei divina.
 
     “Existem, em todas as culturas, singulares e variadas convergências éticas, expressão de uma mesma natureza humana querida pelo Criador e que a sabedoria ética da      humanidade chama lei natural[140]. Esta lei moral universal é um fundamento firme de todo o diálogo cultural, religioso e político e permite que o multiforme pluralismo das      várias culturas não se desvie da busca comum da verdade, do bem e de Deus. Por isso, a adesão a esta lei escrita nos corações é o pressuposto de qualquer colaboração      social construtiva. Em todas as culturas existem pesos de que libertar-se, sombras a que subtrair-se” (Bento XVI, Caritas in veritate, n0 59).
 
     Portanto, há religiões que não obedecem a lei natural e que não respeitam a lei da caridade. Poderá se dar liberdade de propaganda a tais religiões? Note-se: liberdade de propaganda, já que ninguém pode ser forçado em sua consciência a praticar uma religião.
 
 
*****
 
IV – ERROS DOUTRINÁRIOS E MORAIS DE NOSSOS DIAS
 
 
1-PANTEÍSMO E GNOSE EM FACE DA NATUREZA: A ECOLOGIA
 
     Outra surpresa se nos depara nessa encíclica, quando, ao tratar da ecologia, Bento XVI corajosamente enfrenta quer o materialismo econômico, quer a gnose adoradora de uma divindade oculta na natureza. Estes dois posicionamentos errôneos em face do ser contrariam a verdade e a caridade, por isso, ao tratar da ecologia – problema da moda, hoje -, Bento VI ataca esses dois erros dialeticamente contrários e iguais, nesta encíclica sobre a caridade na verdade.
 
     Sem dúvida, notam-se, hoje, duas posições face ao problema ecológico:
  1. Uma atitude materialista que vê a natureza apenas como fonte de lucro, sem se proecuoar com as conseqüências de sua exploração sistemática sem medir as conseqüências da sua devastação;
     2.  Uma atitude idolatrizadora na natureza, como se ela fosse habitada por espíritos que chega até ao culto daquilo que os pagãos chamavam de ”Mãe Terra, a Gea.
 
     Ambas posições são condenadas pela Igreja:
 
     “Na natureza, o crente reconhece o resultado maravilhoso da intervenção criadora de Deus, de que o homem se pode responsavelmente servir para satisfazer as suas      legítimas exigências — materiais e imateriais — no respeito dos equilíbrios intrínsecos da própria criação. Se falta esta perspectiva, o homem acaba ou por considerar a      natureza um tabu intocável ou, ao contrário, por abusar dela. Nem uma nem outra destas atitudes corresponde à visão cristã da natureza, fruto da criação de Deus”(Bento      XVI, Caritas in veritate, n0 48).
 
     Num segundo trecho, o Papa Bento XVI torna a repetir a condenação quer da posição materialista, que vê no universo apenas matéria eterna, infinita e onipotente, portanto, divina – panteísmo -, quer de uma posição religiosa que seria gnóstica e não panteísta:  
 
     “A natureza está à nossa disposição, não como «um monte de lixo espalhado ao acaso»[116], mas como um dom do Criador que traçou os seus ordenamentos intrínsecos      dos quais o homem há-de tirar as devidas orientações para a «guardar e cultivar» (Gn 2, 15). Mas é preciso sublinhar também que é contrário ao verdadeiro desenvolvimento      considerar a natureza mais importante do que a própria pessoa humana. Esta posição induz a comportamentos neo-pagãos ou a um novo panteísmo [na realidade a um      posicionamento gnóstico e não panteísta]: só da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, não pode derivar a salvação para o homem. Por outro lado, há que      rejeitar também a posição oposta, que visa a sua completa tecnicização, porque o ambiente natural não é apenas matéria de que dispor a nosso bel-prazer posicionamento      materialista panteísta], mas obra admirável do Criador, contendo nela uma « gramática » que indica finalidades e critérios para uma utilização sapiente, não instrumental nem      arbitrária” (Bento XVI, Caritas in veritate, n48).
 
     Dessas duas posições errôneas, advêm quer a destruição da natureza, por sua exploração materialista (panteísta), quer a consideração gnóstica de que a salvação porviria do contato com o espirito divino sepultado em toda a natureza e que seria preciso libertar.
 
     “Advêm, hoje, muitos danos ao desenvolvimento precisamente destas concepções deformadas. Reduzir completamente a natureza a um conjunto de simples dados reais      acaba por ser fonte de violência contra o ambiente e até por motivar ações desrespeitadoras da própria natureza do homem” (Bento XVI, Caritas in veritate, n48).
 
     Para a concepção católica, a natureza foi dada ao homem para servi-lo e para lhe fornecer vestígios de Deus por meio dos quais ele pode conhecer qualidades invsíveis de Deus através das qualidades das coisas criadas, como diz São Paulo na epístola aos Romanos (I, 20).
 
     Daí escrever Bento XVI:
 
     “Esta [a natureza], constituída não só de matéria mas também de espírito e, como tal, rica de significados e de fins transcendentes a alcançar, tem um caráter normativo      também para a cultura. O homem interpreta e modela o ambiente natural através da cultura, a qual, por sua vez, é orientada por meio da liberdade responsável, atenta aos      ditames da lei moral. Por isso, os projetos para um desenvolvimento humano integral não podem ignorar os vindouros, mas devem ser animados pela solidariedade e a justiça      entre as gerações, tendo em conta os diversos âmbitos: ecológico, jurídico, econômico, político, cultural[117]”. (Bento XVI, Caritas in veritate, n48).
 
 
2 - PROBLEMA DAS RELIGIÕES E A LIBERDADE DE RELIGIÃO
 
     Este último ponto sobre a colaboração entre os povos, na caridade e na verdade, leva então à questão candente da liberdade de religião.
 
     O Vaticano II tomou uma atitude de aproximação e de abertura para todas as formas de religião, chegando a afirmar que, em todas elas, o Espírito Santo podia atuar – sem distinguir se com a graça atual ou a habitual – e que, por isso mesmo, em todas as religiões, se poderia alcançar a salvação.
 
     Muito diferente é o posicionamento de Bento XVI face à liberdade em si mesma, pois ele recusa a noção corrente de liberdade absoluta do homem.
 
     Para a correta aplicação do conceito de liberdade às religiões, Bento XVI exige, antes, que se compreenda o verdadeiro conceito de liberdade.
 
     “Deve-se recuperar o verdadeiro sentido da liberdade, que não consiste no inebriamento de uma autonomia total, mas na resposta ao apelo do ser, a começar pelo ser que      somos nós mesmos”(Bento XVI, Caritas in veritate, no  70).
 
     E Bento XVI mostra como muitas religiões faltam com relação à verdade e ao bem verdadeiro:
 
     “A revelação cristã sobre a unidade do gênero humano pressupõe uma interpretação metafísica do humanum na qual a relação seja elemento essencial. Também outras      culturas e outras religiões ensinam a fraternidade e a paz, revestindo-se, por isso, de grande importância para o desenvolvimento humano integral; mas não faltam      comportamentos religiosos e culturais em que não se assume plenamente o princípio do amor e da verdade, e acaba-se assim por refrear o verdadeiro desenvolvimento      humano ou mesmo impedi-lo. O mundo atual regista a presença de algumas culturas de matiz religioso que não empenham o homem na comunhão, mas isolam-no na      busca do bem-estar individual, limitando-se a satisfazer os seus anseios psicológicos. Também uma certa proliferação de percursos religiosos de pequenos grupos ou      mesmo de pessoas individuais e o sincretismo religioso podem ser fatores de dispersão e de apatia. Um possível efeito negativo do processo de globalização é a tendência a      favorecer tal sincretismo[132], alimentando formas de «religião» que, em vez de fazer as pessoas encontrarem-se, alheiam-nas umas das outras e afastam-nas da realidade.      Simultaneamente às vezes perduram legados culturais e religiosos que bloqueiam a sociedade em castas sociais estáticas, em crenças mágicas não respeitadoras da      dignidade da pessoa, em comportamentos de sujeição a forças ocultas. Nestes contextos, o amor e a verdade encontram dificuldade em afirmar-se, com prejuízo para o      autêntico desenvolvimento” (Bento XVI, Caritas in veritate, n55).
 
     O Vaticano II defendeu ainda – contra todos os ensinamentos pontificios anteriores e contra a Sagrada Escritura — a liberdade de religião tal qual ela foi exigida pela Revolução Francesa e pela democracia liberal. Para o laicismo liberal, todas as religiões seriam iguais. Nenhuma poderia se arvorar como a única verdadeira. Dessa tomada de posiçao liberal e modernista do Vaticano II, nasceu o atual indiferentismo e sincretismo religioso, que faz o mundo de hoje não ter de fato nenhuma religião e a nenhuma considerar realmente verdadeira.
 
     Exatamente este polêmico ponto doutrinário é um dos que estará no centro das discussões entre a Fraterndade Sacerdotal São Pio X e os teólogos do Vaticano, a partir do próximo outono.
 
     Nesta sua encíclica, Bento XVI já apresenta matizes diferentes do que foi dito e decretado pelo Vaticano II.
 
     Ao tratar da liberdade de religião em nossos dias, Bento XVI lembra, antes de tudo, que ela não significa indierentismo religioso. E disso não há dúvida. Pois a liberdade de religião causa o indiferentismo religioso, e são os indiferentes à religião que defendem essa liberdade.
 
     “A liberdade religiosa não significa indiferentismo religioso, nem implica que todas as religiões sejam iguais[133]” (Bento XVI, Caritas in veritate, n56).
 
     Curiosamente, Bento XVI afirma que os governantes, para dar liberdade de religião à sociedade, devem levar em conta a caridade e a verdade, para bem avaliar as culturas e as religiões.
 
     Ora, se for assim, se verá que só o catolicismo é que traz consigo esses valores:
 
     “Para a construção da comunidade social no respeito do bem comum, torna-se necessário, sobretudo para quem exerce o poder político, o discernimento sobre o contributo      das culturas e das religiões. Tal discernimento deverá basear-se sobre o critério da caridade e da verdade. Dado que está em jogo o desenvolvimento das pessoas e dos      povos, aquele há-de ter em conta a possibilidade de emancipação e de inclusão na perspectiva de uma comunidade humana verdadeiramente universal. O critério  “o homem      todo e todos os homens» serve para avaliar também as culturas e as religiões. O cristianismo, religião do «Deus de rosto humano»[134], traz em si mesmo tal critério” (Bento      XVI, Caritas in veritate, n55).
 
     Estabelecido esse critério, o Papa diz que dois erros – o fundamentalismo e o laicismo — combatem a verdadeira religião, prejudicando as pessoas e o progresso da humanidade. Ao falar de fundamentalismo é claro que o Papa está se referindo ao Islã, que exclui a razão, como ele muito bem lembrou em seu famoso discurso de Regensburg. E quando ele fala de laicismo, ele se refere à sociedade democrática ocidental racionalista que, através de uma liberdade de religião indiferentista, exclui todo diálogo entre razão e fé, pois seu racionalismo é ateu: 
      
     “A exclusão da religião do âmbito público e, na vertente oposta, o fundamentalismo religioso impedem o encontro entre as pessoas e a sua colaboração para o progresso da      humanidade. A vida pública torna-se pobre de motivações, e a política assume um rosto oprimente e agressivo. Os direitos humanos correm o risco de não ser respeitados,      ou porque ficam privados do seu fundamento transcendente ou porque não é reconhecida a liberdade pessoal. No laicismo e no fundamentalismo, perde-se a possibilidade      de um diálogo fecundo e de uma profícua colaboração entre a razão e a fé religiosa. A razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé; e isto vale também para a      razão política, que não se deve crer omnipotente.(56)(Bento XVI, Caritas in veritate, n0 56. Os destaques sâo nossos).