
By Elizabeth Day
Fonte: www.news.telephonic.com.uk
Terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Um dos conselheiros sêniores britânicos mais respeitados em ética
médica provocou escândalo ao afirmar que o infanticídio é justificável.
O professor John Harris, um membro do comitê de ética da Associação
Médica Britânica, disse que não era “plausível pensar que existe qualquer
mudança moral ocorrendo durante a jornada pelo canal de nascimento” –
sugerindo que não há diferença moral entre abortar um feto e matar um
bebê.
Os comentários do professor foram feitos durante um debate, sem
cobertura jornalística, ocorrido na última semana a respeito de seleção
sexual, que aconteceu como parte da consulta a respeito de tecnologias
reprodutivas humanas do Comitê de Ciência e Tecnologia Comuns.
O Professor Harris, que também é um professor de bioética na
Universidade de Manchester, foi perguntado acerca do status moral a
respeito dos embriões com o qual concorda, e ele endossou o infanticídio
nos casos de uma criança, portando uma desordem genética que não fora
detectada durante a gravidez.
Ele respondeu: “Eu não acho que o infanticídio seja sempre
injustificável. Eu não acho que seja plausível que exista qualquer mudança
moral ocorrente durante a jornada pelo canal de nascimento.”
Ele evitou dizer em que idade do bebê ele acreditava que o infanticídio
poderia ser permissível.
O Professor Harris, que é um dos fundadores da Associação Internacional
de Bioética e autor de 15 livros sobre a ética da genética, foi condenado
por seus comentários.
Julia Millington, a diretora política do Partido Pró Vida, que propôs a
questão original para o professor Harris, disse que esta confissão foi
“absolutamente aterrorizante”.
“Infanticídio é um assassinato e é contra a lei. É aterrador pensar que
estudantes universitários estão sendo educados por alguém que endosse o
assassínio de bebês recém-nascidos, e é igualmente preocupante descobrir
que tal pessoa é um membro do comitê de ética da Associação Médica
Britânica.”
Ela continuou: “O professor Harris é o bioeticista preferido do Governo
(britânico), um membro da Comissão de Genética Humana, e tem atuado como
consultor do Departamento de Saúde e em várias entidades internacionais.
Em tal clima, alguém se preocupa que um bebê tenha sido abortado no Reino
Unido aos sete meses por ter lábios leporinos?”
O Professor Harris disse que ele mantinha seus comentários, os quais
ele alega terem sidos expostos “em resposta à incitação” dos militantes do
pró vida.
“As pessoas que pensam que existe uma diferença entre o infanticídio e
o aborto tardio deveriam se perguntar: o que aconteceu com o feto no tempo
que ele levou para passar pelo canal de nascimento para o mundo, que mude
seu status moral? Não conheço nada que aconteça nesta hora”.
“É bem conhecido que onde uma anomalia séria não é detectada – quando
você tem um recém-nascido muito seriamente aleijado, ou mesmo um
recém-nascido muito prematuro que sofreu danos cerebrais – o que
efetivamente acontece é que passos são dados para não sustentá-lo em
manter-se em vida”.
“Existe uma prática bem difundida e aceita de infanticídio na maioria
dos países. Devemos ser muito mais avançados sobre a ética de tudo isso, e
fazer a nós mesmos a séria pergunta: o que nós realmente pensamos que seja
a diferença entre um feto bem formado e um recém-nascido?”
“Não há razões óbvias pelas quais devamos pensar diferentemente, de um
ponto de vista ético, sobre um feto que está fora do útero, ao invés de
estar dentro do útero”.
O Professor Harris acrescentou que as famílias individuais deveriam
tomar a decisão sobre o futuro de seus filhos, e que ele não estava
preocupado com o fato de que este curso de ação leve ao infanticídio, por
razões cosméticas.
“Não acredito que existam coisas tais como uma ladeira escorregadia”,
disse. “Acho que nós estamos sempre estamos em uma. É nossa
responsabilidade não evitar fazer escolhas morais”.
“Não devemos tomar uma má decisão agora, porque tememos que ela nos
leve a tomar outras más decisões no futuro. Devemos tomar uma boa decisão,
agora, e ter a coragem de acreditar que iremos tomar uma boa decisão no
futuro também”.
A reverenda Joanna Jepson, uma curadora da Igreja da Inglaterra está
indo à Alta Corte para tentar bloquear abortos tardios por “razões
triviais”, tais como por ter lábios leporinos, disse: “É aterrador ouvir
qualquer pessoa endossando o infanticídio, mas é chocante quando esta
pessoa é responsável pela educação de outras”.
“Isto afirma a necessidade de uma investigação na prática do aborto. Já
temos visto, como no caso do lábio leporino, como a lei precisa prover uma
proteção mais rigorosa para tais bebês mas, com médicos como John Harris
trabalhando, não há dúvida da necessidade fundamental de reafirmar o valor
humano da vida de cada bebê, não importa qual seja seu sexo ou
incapacidade.
Um porta voz da Associação médica britânica disse: “Estes pontos de
vista do professor Harris são pessoais, e não refletem o ponto de vista do
comitê da Associação Médica Britânica, que é totalmente contrária à idéia
de infanticídio”.