Versão em Português do artigo: “L'INTERVENTO.
DI UN CRISTO AMBIENTALISTA NON SO CHE FARMENE
-
Crocifisso: il coraggio di Vassalli”
, do jornalista Dante Pastorelli, publicado no diário
“IL GIORNALE”
no dia 30 de dezembro de 2003, e reproduzido pelo site
UNAVOCE VENETA
(http://www.unavoce-ve.it/01-04-1.htm)
A intervenção.
De um Cristo ambientalista, não sei o que fazer com ele.
Crucifixo: a coragem do senhor Vassali
Dante Pastorelli
"Il
Giornale" (Toscana), 30 dezembro 2003
A guerra ao Crucifixo,
desencadeada há pouco pelo
soi-disant
Imam Adel Smith,
atingiu seu ápice no Advento, período em que os cristãos se preparam
para o nascimento do Menino Jesus. Num hospital da região de Abbruzzo
(Itália), o “furioso muçulmano” lançou pela janela o “cadaversinho”
exposto no quarto em que se encontrava sua mãe, apesar dos protestos
dos outros pacientes. Chegamos, portanto, ao ponto em que, na Itália,
os símbolos da nossa fé podem ser, não só removidos das salas de aula,
mas até ultrajados pelos sequazes de uma religião que sempre
considerou os cristãos como inimigos a serem exterminados. E, talvez
haja algum magistrado prontamente disposto a dar-lhes, mais uma vez,
razão. O velho Papa reagiu, porém, de uma forma extremamente
cautelosa, salientando, na Cruz, “uma fonte de luz, de conforto e
de esperança, um símbolo do amor”: mas, imediatamente, algum alto
prelado, imbuído de falso ecumenismo que considera igual via de
salvação todas as religiões, incluindo aquelas idólatras, porque
também “essas são venerandas” como escreveu infelizmente há
alguns anos o “Osservatore Romano”, nos explicou que as palavras do
Papa não deviam ser lidas de modo “confessional”, para diminuir
o aspecto religioso e de cunho oficial.
Pelos jornais, os bispos Maggiolini (bispo de Como),
Ghirelli (bispo de Imola) e Ricci (bispo de San Miniato),
com declarações diferentes, mas de idêntico teor, falaram da Cruz como
símbolo de civilização e de cultura, de autêntica democracia e
laicismo: Mons. Ricci, em particular, numa articulada polêmica com o
comunista Diliberto, justamente negou a igualdade das religiões,
mas... por que? Porque a Católica é a única religião verdadeira,
revelada pelo único e verdadeiro Deus?... Realmente não: mas porque,
ao contrário das outras, o cristianismo é democrático, pluralista,
leigo, humanitário, bondoso, aberto à solidariedade, promotor de arte,
literatura, filosofia, etc. Por esses motivos o Crucifixo deve
permanecer suspenso às paredes dos edifícios públicos.
Perfeitamente! Tais motivos são humanamente válidos.
Mas é este o significado do Crucifixo para um bispo? Não encontro uma
única alusão ao seu valor transcendente, nem uma única referência à
mensagem salvífica de Cristo. E eu, de um Cristo mecenas, mestre de
laicismo, de democracia, de ambientalismo, de sociologia, etc. não sei
mesmo o que fazer: posso viver muitíssimo bem sem ele. Mas, pelo
contrário, para viver hoje e na eternidade, preciso de um Cristo-Deus,
o Verbo que se fez carne e se imolou para redimir os homens do pecado
original, e, com a Nova Aliança, nos aplacou com o Pai ofendido e
reabriu as portas do Paraíso; eu preciso do Salvador, do Cristo Rei,
do universo, de quem, com o Pai e com o Espírito Santo, é criador,
único Rei dos homens e das nações, a quem são devidas honras públicas,
público culto, porque todo o poder vem de Deus, como Ele mesmo disse a
Pilatos. Não é por acaso que a Igreja instituiu a festa de Cristo Rei,
no final do ano litúrgico.
Mais
firmemente reagiram alguns iluminados leigos. Leia-se a enérgica
entrevista prestada ao “GIORNALE” de 29/10/2003, pelo
ex-ministro socialista e ex-presidente da Corte Constitucional, o
Sr. Giuliano Vassalli: ele, sem hipócritas circunvoluções, afirma
que está acontecendo uma verdadeira e própria invasão islâmica:
penetração social, religiosa, política em larga escala, preocupante
porque, perfeitamente organizada de centrais que operam na Indonésia
e alhures, visa a destruir os próprios fundamentos da nossa
civilização. Em suma, uma cruzada contra o Cristianismo. E ele
exorta ainda à resistência contra quem quer restringir e aniquilar a
nossa liberdade religiosa. Lembro que, há dez anos, um dos pais da
independência da Argélia, Ben Bella, profetizou que o Islã
conquistaria o Ocidente não com armas, mas com o ventre das suas
mulheres. Cá estamos, cá estamos. E, enquanto o Cristianismo corre
aquele perigo mortal porque passou nos séculos, e passa agora,
especialmente na África e na Ásia, os nossos bispos brincam com
sofismas-dialogantes. Senhores bispos e cardeais, vós que deveríeis
ser os “confessores da fé” até o martírio, quando poderemos ouvir de
vós alguma palavra verdadeiramente católica, talvez um pouco
“confessional”? Pedi, por empréstimo, uma migalha da coragem e do
bom senso do leigo senhor Vassalli.
