Fátima se tornará um santuário interconfessional
Os delegados do Vaticano e das Nações Unidas (ONU) que inspiraram o
Congresso interconfessional anual “O Futuro de Deus”, que ocorreu em
outubro em Fátima, ouviram como o Santuário se transformará num centro
onde todas as religiões do mundo se reunirão para homenagear seus diversos
deuses. O Congresso foi realizado no Centro Pastoral Paulo VI e presidido
pelo Cardeal Patriarca de Lisboa José da Cruz Policarpo.
O reitor do Santuário, Monsenhor Luciano Guerra, disse ao Congresso que
“Fátima mudará para melhor”. Dirigindo-se aos hindus, muçulmanos, judeus,
ortodoxos, budistas e representantes pagãos africanos ele afirmou: “O
Santuário de Fátima, ou a adoração a Deus e a Sua mãe neste Santuário
sagrado, deverá passar pela criação de um santuário onde diferentes
religiões possam se reunir. O diálogo inter-religioso em Portugal, e na
Igreja Católica, está ainda em uma fase muito embrionária, mas o Santuário
de Fátima não é indiferente ao fato e já está atento para ser um lugar
universal de vocação.”
O representante hindu Ansshok Ansraj descreveu como no Extremo Oriente
milhões de hindus já percebem as “vibrações positivas” ao visitarem os
santuários marianos sem prejuízo para sua fé.
Monsenhor Guerra destacou que o próprio fato de Fátima ser um nome
muçulmano e da filha de Maomé é um indicativo que o Santuário deva estar
aberto para a coexistência de várias fés e crenças. De acordo com o
Monsenhor: “Portanto nós devemos assumir que foi esta a vontade da Bem
Aventurada Virgem Maria que tal ocorresse desta forma.” Católicos
tradicionais, contrários ao Congresso, foram descritos pelo Monsenhor como
“antiquados, obtusos, extremamente fanáticos e provocadores.”.
Pela primeira vez, em 86 anos de história de Fátima, todos os delegados
pagãos e cristãos foram convidados para participar de celebrações
ecumênicas. Um dos principais porta-vozes, o teólogo jesuíta Pe. Jacques
Dupuis, insistiu em que as religiões do mundo devam se unir. “A religião
do futuro será uma convergência geral das religiões em um Cristo universal
que satisfará a todas”, ele disse.
O teólogo de origem belga argumentou: “As outras tradições religiosas
do mundo são parte do plano de Deus para humanidade e o Espírito Santo
está operante e presente no budismo, no hinduísmo e em outros escritos
sagrados de fés cristãs e não-cristãs também.”. Em um pedido apaixonado
ele disse: ”A universalidade do reino de Deus permite isto, e isto não é
mais do que uma forma diversificada de compartilharem o mesmo mistério de
salvação. Ao final se espera que o cristão se torne um melhor cristão e
cada hindu um melhor hindu.”.
Um pronunciamento oficial expedido pelo Congresso conclamou todas as
religiões a uma abordagem não proselitista. “Nenhuma religião pode ofuscar
uma outra religião”, continua a declaração, “ou fortalecer-se pela
depreciação de outras e um diálogo aberto é o caminho para erguer pontes e
demolir muralhas de ódio centenárias. O que é preciso é que cada religião
seja integralmente coerente com sua fé e trate cada religião no mesmo pé
de igualdade, sem complexos de inferioridade ou superioridade.”. A
comunicação oficial do Congresso enfatizou que o segredo para a paz entre
todas as religiões está em admitir que as contradições existem entre os
credos e que se concentrem naquilo que as unem em oposição àquilo que as
separam.
Os delegados concordaram que os santuários religiosos, incluindo
Fátima, devam ser renovados a cada 25 anos para refletir as crenças e as
tendências da atualidade. O Santuário de Fátima está para ser submetido a
uma completa reconstrução com um estádio, semelhante a uma basílica,
erguido próximo ao existente que foi erigido em 1921.
Tradução da matéria publicada no The Portuguese News feita por Paulo P.
De Sant´Ana