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(24/09/2001) O Porta Voz do Vaticano: o uso da força é legítimo se não existem outras alternativas
 

24 de setembro 2.001. Artigo difundido em rede às 14hs 29, hora italiana, 12 hs 29 GMT

Navarro: O Papa não é um "pacifista"

ASTANA (Reuters) -- O Vaticano prefere uma solução não violenta para a crise internacional gerada pelos atentados nos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo comprenderia um recurso às armas por parte de Washington para defender os cidadãos americanos das ameaças futuras. Essa é a posição do Vaticano sobre a crise e sobre a legitimidade moral de uma eventual ação militar americana ilustrada pelo porta-voz da Santa Sé, Joaquim Navarro-Valls à agência de imprensa Reuters, durante a qual afirmou também que o Papa não é "pacifista".

"Por vezes é mais sábio agir antes que permanecer passivos - disse Navarro. Nesse sentido, o Papa não é um pacifista porque é preciso recordar que em nome da paz podem ser feitas grandes injustiças".

O direto à auto defesa
"É certo que se alguém causou um grande dano à sociedade e existe o perigo que golpeie de novo se permanecer livre, tem-se o direito de recorrer à auto defesa para a sociedade que se governa, ainda que os meios escolhidos sejam agressivos", disse Navarro, acrescentando que a auto defesa, por vezes, requer o uso da violência por falta de outras alternativas.

"Por vezes a auto defesa implica uma ação que pode produzir a morte de uma pessoa", disse: "Ou aqueles que praticaram crimes horríveis sejam presos e entregues, e portanto colocados em condições de não poder mais fazer mal, ou se aplica o princípio da auto defesa com todas as suas conseqüências".

Durante sua viagem ao Kazakhstan, o Papa domingo havia definido os ataques aos Estados Unidos como um dia negro para a humanidade e tinha exortado o mundo a não recorrer a uma guerra.

Navarro-Valls recordou que a ética cristã exige uma resposta adequada, quando se aplica o princípio da auto defesa: "A ética cristã ensina, disse ele, que quando a força é utilizada como último recurso para a auto defesa, então o uso da força deve ser proporcionado à ameaça sem golpear pessoas inocentes. O Vaticano considera que qualquer ação militar deve ser dirigida contra o terrorismo e não contra o Islam".

O bem comum está acima da paz
"Na ética cristã, a paz é um valor muito alto, mas o bem comum, seja físico ou moral, está, por vezes, acima dele", precisou Navarro. Nesse contexto é, segundo ele, errado considerar o Papa um pacifista: "Alguns na Europa quereriam apresentar o Papa como um pacifista, assim como alguns na América gostariam de vê-lo como uma pessoa que quer a justiça por qualquer meio.. Ambas as posições estão no erro. O pacifismo - acrescentou Navarro - é um contendor no qual se pode colocar quase qualquer coisa. Por outro lado, a justiça é alguma coisa que deve ser alcançada, mas não às custas de uma outra injustiça".

Com a contribuição da Reuters

 


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