Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2005

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Evolucionismo: mais do que teoria científica, um sistema metafísico

  • Consulente: anonimo
  • Localizaçao: – Brasil

Por que vocês não aceitam a teoria da evolução?

 

Prezado sr. Anônimo,
Salve Maria.

A resposta a sua simples pergunta, escrita numa única linha, poderia ocupar centenas de páginas, pois a questão não diz respeito apenas à Biologia, como vulgarmente é colocada, mas também a outras áreas do conhecimento.

O evolucionismo não é somente uma teoria científica, mas um conceito mais geral, que foi aplicado a outros domínios: nada mais é considerado estável. Em última instância, o evolucionismo é um sistema metafísico relativista em que o próprio Deus é considerado como um eterno devir, e não como o ser imutável, “Aquele que é” (Ex. III, 12).
O Padre Teilhard de Chardin — que Stephan Jay Gould, um importante autor evolucionista, julga ter sido o principal responsável pela famosa fraude do Homem de Piltdown (Cfr. Stephan Jay Gould, A Conjuração de Piltdown, in A Galinha e seus Dentes, ed. Paz e Terra, S. Paulo, 1992, pp. 201 a 226, e, do mesmo autor, O Polegar do Panda, Martins Fontes, S. Paulo, pp. 95 a 109) — declarou:
“A evolução é uma teoria, um sistema, ou uma hipótese? É muito mais do que isso. É uma condição geral à qual se devem dobrar todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas; uma condição a que devem satisfação doravante para que possam ser tomadas em consideração e para que possam ser certas”. (Teilhard de Chardin, O fenômeno humano, p. 245).

Julian Huxley, por sua vez, mostra como o dogma da evolução se impõe como o fundamento da moderna religião relativista:
“No tipo de pensamento evolucionista, não há lugar para seres sobrenaturais (espirituais) capazes de afetar o curso dos acontecimentos humanos, nem há necessidade deles. A terra não foi criada. Formou-se por evolução. O corpo humano, a mente, a alma, e tudo o que se produziu, incluindo as leis, a moral, as religiões, os deuses, etc., é inteiramente resultado da evolução, mediante a seleção natural”. (Cfr. J. Huxley, Evolution after Darwin, p. 246, apud Juan Carlos Ossandón Valdés, En torno al concepto de evolución, artigo na revista Philosophica, de Santiago do Chile, Suplemento doutrinário da revista Jesus Christus, número 50, de Buenos Aires).

Essas afirmações – além do exame do que ocorre hoje – confirmam que o evolucionismo é o dogma fundamental do relativismo moderno. Hoje, esse dogma é impingido por repetição contínua e por embebimento a todos, já que toda a sociedade o respira continuamente. No artigo do professor Ossandón Valdés, encontramos uma citação de J.C. Mansfield na qual ele pede que “os estudantes secundários sejam embebidos do pensamento da evolução de tal modo que se acostumem a tudo pensar em termos de processo, e não em termos de situação estática”. É o que se tem praticado em escala mundial, para criar nos jovens uma mentalidade relativista.

Evidentemente existem nuances desse sistema, algumas mais radicais e outras mais “conciliadoras”. No entanto, admitindo-se o evolucionismo, admite-se o princípio de que do inferior viria o superior; do menos, viria o mais. Outros diriam, na tentativa de salvar suas consciências dessa contradição metafísica, que “inferior” e “superior” são termos artificiais, criado pelo homem apenas por uma conveniência prática, mas que na verdade a evolução produz o “diferente”. São aqueles que julgam o homem, e portanto a si mesmos, apenas como um ser “diferente” da ameba, nem inferior, nem superior! São eles, desse modo, amebas pensantes! Quanta tolice!

Veja o sr. que a questão é mais complexa do que parece. Em breve, em nosso site, publicaremos um estudo um pouco mais aprofundado (Evolucionismo: dogma científico ou tese teosófica?) do que caberia nesta mensagem. No entanto, para não deixá-lo totalmente sem resposta, fornecemos-lhe alguns subsídios contra a teoria da evolução, dentre os quais, alguns extraídos desse estudo do Prof. Orlando Fedeli e de anotações de palestras do Prof. Wagner Zucchi.

Sua pergunta foi colocada de modo bastante genérico, mas supomos que o sr. queira argumentos mais na esfera científica do que filosófica. Tentaremos neste espaço restrito, resumir alguns desses argumentos.
Antes, porém, é preciso ressaltar a indissolubilidade da ligação entre evolucionismo e filosofia.

No meio acadêmico, a ingenuidade de alguns cientistas chega ao absurdo de imaginar que o evolucionismo darwiniano é um posicionamento puramente científico, sem nenhuma relação com a história, com a filosofia ou com a religião. Eles imaginam que o evolucionismo surgiu apenas, e tão só, dos estudos científicos de Darwin e de seus seguidores, todos hermeticamente isolados em seus laboratórios, profilaticamente preservados de qualquer contágio metafísico ou teológico.

Separando desse modo o darwinismo de seu contexto histórico e cultural, eles ficam impossibilitados de ter verdadeira compreensão do problema e de seu significado histórico.

Na verdade, o evolucionismo é um capítulo inserido na História da Filosofia e na História da Religião, no Ocidente. Ele só pode ser verdadeiramente entendido em seu contexto cultural.

“( …) o pensamento evolucionista de Darwin não era uma simples hipótese científica que ocorreu para combater idéias religiosas admitidas em certas questões de fato. Era, antes, o produto e, uma parte essencial, de uma Weltanschauung proximamente ligada à produção da revolução industrial e às revoluções políticas, principalmente à Revolução Francesa, estes grandes acontecimentos históricos desenrolados entre os anos 1776 e 1848″. (Howard E. Gruber, op. cit. p. 47). Portanto, o darwinismo só pode ser entendido como parte de uma “visão do mundo” – uma Weltanschauung – revolucionária.

O próprio Darwin em sua Autobiografia confessa que foi ao ler uma obra de Malthus sobre população que teve a idéia da seleção natural, através da luta pela sobrevivência, a qual faria sempre o mais fraco ser eliminado.

Stephan Jay Gould, defensor de um evolucionismo reformado, citando os últimos estudos de Howard E. Gruber e Silvan S. Schweber sobre a vida de Darwin, mostra como o fundador do evolucionismo moderno não se fundamentou na biologia para estabelecer sua teoria.

“Ao ler o relato pormenorizado de Schweber dos momentos que precederam a formulação da teoria da seleção natural por Darwin, fui particularmente tocado pela ausência de influências decisivas a partir de seu próprio campo, a biologia. Os precursores imediatos foram um cientista social [Comte], um economista [Adam Smith] e um estatístico [Adolph Quetelet]” (S. Jay Gould, O polegar do Panda, p.55).

Jay Gould diz que a obra de Schweber demonstra que “as peças finais [da teoria da evolução de Darwin] não surgiram a partir de novos fatos da história natural, mas das incursões intelectuais de Darwin em campos distantes. Ao ler uma extensa revisão do “Cours de Philosophie positive” — o trabalho mais famoso do filósofo [Sic!] e cientista natural [Sic!] Augusto Comte — Darwin ficou particularmente impressionado com a insistência do autor em que uma teoria adequada deve ser profética e, no mínimo, potencialmente quantitativa” (S. Jay Gould, O polegar do panda , p. 55)

“De fato, acredito que a teoria da seleção natural deveria ser vista como uma analogia ampliada – se consciente ou inconsciente da parte de Darwin, não sei — à economia de do laissez-faire, de Adam Smith” (Jay Gould, op. cit. p. 55).

E mais:

“A teoria da seleção natural constitui uma transferência criativa, para a biologia, do argumento básico de Adam Smith a favor de uma economia racional: o equilíbrio e a ordem da natureza não surgem de um controle externo mais elevado (divino) ou da existência de leis operando diretamente sobre o todo, mas sim a partir da luta entre indivíduos pelos seus próprios benefícios (em termos modernos, pela transmissão de seus genes a gerações futuras através do êxito diferencial na reprodução). (Jay Gould, op. cit. p. 56).

Jay Gould procura minimizar a surpresa — ou o espanto – gerada por sua afirmativa de que a teoria da evolução não se fundamentou, inicialmente, em descobertas biológicas, dizendo:

“Muitas pessoas se sentem perturbadas ao ouvir um tal argumento: não compromete a integridade da ciência o fato de algumas de suas conclusões primárias se originarem, por analogias, da política e da cultura contemporâneas, em vez de se basearem nos dados da própria disciplina” (Jay Gould, op. cit. p. 56).

Tais fatos são comprometedores, sim, pois o evolucionismo tem sido sistematicamente apresentado como uma teoria puramente científica e biológica, quando na verdade não o é.

Haveria muito mais a dizer sobre a relação íntima do evolucionismo com a filosofia anti-católica. Por exemplo, de sua estreita ligação com o materialismo marxista e também com teorias racistas, como o nazismo.

Para satisfazer a curiosidade de nossos leitores e suscitar debates posteriores, citamos aqui apenas um pequeno trecho de um artigo do jornalista Gilles Lapouge:

“Outro caso ilustra os venenos camuflados no seio do darwinismo. É o de Konrad Lorenz, prêmio Nobel, e merecidamente considerado um dos grandes etnólogos da modernidade. Ora, Lorenz, que apela constantemente a Darwin, foi um defensor da seleção artificial e dos ideais racistas sob Hitler. Em 1940, bem jovem ainda, ele publica um artigo incrível que fala de seleção, de pureza racial e até mesmo de eliminação dos seres moralmente inferiores (…). Ele pretende, justamente graças ao darwinismo, estender ao homem as leis do reino animal, o que faria da biologia a única verdadeira ciência do homem, uma ciência ao mesmo tempo moral, política, etc.” (G. Lapouge, Darwin e a evolução, Cultura , nº 95, O Estado de São Paulo , 4 de abril de 1982).

O sr. poderia concordar com tudo o que dissemos sobre o evolucionismo enquanto sistema, e que, de fato, vista sob esse prisma, a aplicação do evolucionismo em outras áreas, que não a da Biologia, geraria uma doutrina absurda e condenável. Mas o sr. poderia argumentar que tudo isso é mera especulação filosófica, feita por maus filósofos e cientistas precipitados, ansiosos por comprovar seu ateísmo baseados na inexistência de um Deus criador, e que, portanto, nada disso interessaria. Diria por fim, que, apesar disso, o evolucionismo biológico é uma ciência comprovada.

Voltemos então ao domíno científico.

O evolucionismo tem suscitado debates não só entre ateus e crentes, mas inclusive entre os próprios cientistas. Portanto, o debate não é simplesmente entre fé e razão — o que é um falso dilema –, como é colocado pela mídia, mas discute-se mais profundamente se a teoria da evolução é uma ciência verdadeira.

A respeito disso, veja o que diz, L. Harrison Matthews, importante geólogo evolucionista:

“O fato de que a evolução é a espinha dorsal da Biologia e que a Biologia está então na posição particular de uma ciência fundamentada numa teoria não comprovada, — é ela então uma ciência ou uma fé? Crer na evolução é então o paralelo exato do crer numa especial criação — ambos são conceitos cujos crentes crêem como verdade, mas que nem um nem outros, até o presente, foi capaz de provar” (L.H. Matthews, Introdução para a “The Origin of Species”, de Charles Darwin, Dent and Sons, London, 1971,p. XI, apud Duane T. Gish, “Evolution: the Challenge of the Fossil Record, Creation-Life Publishers, El Cajon, 7a. ed. 1992,p. 15).

E ainda, Norman Macbeth, textualmente diz: “O Darwinismo não é ciência” (in American Biology Teacher Novembro de 1976, p. 496, apud Duane T. Gish, op. cit.,p.14).

É curioso notar que a mídia apresenta o “dogma” do evolucionismo como um fato comprovado. Nunca se ouviu dizer, por exemplo, esta importante declaração de Richard Lewontin, um eminente geneticista da Universidade de Harvard e ardoroso defensor do evolucionismo:

“We take the side of science in spite of the patent absurdity of some of its constructs, in spite of its failure to fulfill many of its extravagant primises of health and life, in spite of the tolerance of the scientific community for unsubstantiated just-so stories, because we have a prior commitment, a commitment to materialism. It is not that the methods and institutions of science somehow compel us to accept a meterial explanation of the phenomenal world, but, on the contrary, that we are forced by our a priori adherence to material causes to create an apparatus of investigation and a set of concepts that produce material explanations, no matter how counterintuitive, no matter how mystifying to the uninitiated. Moreover, that materialism is absolute, for we cannot allow a Divine Foot in the door.” (Phillip E. Johnson, “Objections sustained”, InterVarsity Press, Illinois, 1998, p. 71).
["Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas extravagantes promessas em relação à saúde e à vida, apesar da tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não comprovadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não é que os métodos e instituições da ciência de algum modo compelem-nos a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas, ao contrário, somos forçados por nossa prévia adesão à concepção materialista do universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os não iniciados. Além disso, para nós o materialismo é absoluto, não podemos permitir que o "Pé Divino" entre por nossa porta."]

É quase inacreditável. Uma confissão deslavada.

Lewontin diz ainda que o darwinismo é uma ideologia, um conjunto de idéias às quais a realidade deve se adapatar. Ou seja, a realidade não importa!

O que seria da religião se um eminente padre ou bispo do Vaticano dissesse se deve ficar do lado da Igreja pelas razões que Lewontin dá em prol da evolucionismo? Certamente haveria uma repercussão estrondosa. Por que o mesmo não acontece quando Lewontin faz uma confissão dessas?!

Vejamos agora, mais de perto, alguns “fatos comprovados” que os evolucionistas apresentam, bem como alguns problemas encontrados nos “indícios” da evolução.

Seleção natural

Um dos alicerces do darwinismo é a chamada “seleção natural”, a luta pela sobrevivência. Segundo esse princípio, o ser mais apto é aquele que sobrevive. Assim, como resultado desta seleção, as características do mais apto seriam transmitidas e acumuladas por herança genética ao seus descendentes. Estes estariam mais capacitados a sobreviver do que aqueles que possuíssem variações desfavoráveis. Com o tempo, através das gerações, essas variações dariam origem a grandes diferenças, até o surgimento de uma nova espécie. Portanto, ao contrário do que afirmava o lamarckismo — que não discutiremos aqui por se tratar de um teoria refutada até por livros colegiais –, para o darwinismo as causas das mudanças seriam extrínsecas ao organismo.

Ora, se repararmos bem, a seleção natural afirma que o ser mais apto é aquele que sobrevive, e que os que sobrevivem são os que possuem variações favoráveis, ou seja, os mais aptos. Trocando em miúdos, o ser mais apto é aquele que sobrevive, porque aquele que sobrevive é o mais apto! Portanto, como disse certa vez Karl Popper, o famoso filósofo da ciência, a seleção natural é uma tautologia.

A questão por trás de tudo isso não é se a seleção natural ocorre. É óbvio que ela ocorre, e tem o efeito de manter a saúde genética de uma população. Indivíduos nascidos com vários defeitos não sobrevivem até a maturidade sem cuidados especiais, e criaturas que não sobrevivem até se reproduzirem não deixam descendentes. Esses efeitos são inquestionáveis, mas o Darwinismo afirma muito mais do que o simples fato de que as espécies evitam essa deterioração genética. Ele sustenta que esse mecanismo de proteção genética tem um efeito construtivo tão poderoso que, no decorrer de bilhões de anos, é possível, a partir de uma célula bacteriana, gradualmente chegar-se a verdadeiras maravilhas como árvores, formigas, pássaros e homens!

A seleção natural tem limites impossíveis de ultrapassar. Muitos métodos de seleção artificial comprovam esta tese. Os cruzamentos de animais em cativeiro, como o gado, são feitos de forma a melhorar ou alcançar determinadas características desejadas. Entretanto, rapidamente se chega a um limite, e desses cruzamentos nunca se observou o surgimento de uma nova espécie, nem tampouco a estabilidade das modificações introduzidas. Ao contrário, quanto mais um animal é selacionado, mais ele se torna frágil e mais rapidamente ele perde a característica adquirida. Tudo o que é superior é mais frágil. Na natureza, existe uma tendência conservadora que não altera as características da espécie com facilidade. Podemos dizer que a seleção natural é uma força conservativa que previne a aparição de extremos de variação dentro de uma espécie.

Pierre Paul Grace, um importante zoologista francês, conclui que os resultados da seleção artificial são um poderoso testemunho contra a teoria de Darwin: “a seleção artificial nunca produz uma nova espécie”. Se na seleção artificial, controlada, acelerada e direcionada para um fim, não se consegue produzir novas espécies, o que dizer da seleção natural, que se dá ao acaso?!

Homologia

Quando órgãos de espécies distintas têm uma estrutura semelhante, dizemos que são homólogos. Assim, por exemplo, os ossos da asa do morcego são mais ou menos parecidos com os ossos da mão humana. Através da anatomia comparada, os evolucionistas afirmam que os diferentes órgãos teriam uma origem evolutiva comum. Da mesma forma, os chamados órgãos vestigiais representariam indícios dessa origem comum.Quanto mais recente o ancestral, maior a semelhança estrutural.

Esse é um argumento muito usado, e bem ilustrado, na maioria dos livros escolares.

Darwin se perguntava por que Deus criaria seres com os mesmos ossos. Segundo ele, Deus não faria assim (!), como se ele soubesse o que Deus deveria ou não fazer. Ora, Deus criou o Universo com ordem, e para haver ordem é preciso haver semelhanças, ou princípios construtivos. Assim acontece, por exemplo, com as forças de gravidade e eletromagnética, de naturezas distintas, com princípios semelhantes: ambas são proporcionais ao produto dos objetos (massa ou carga elétrica), e inversamente proporcionais ao quadrado da distância.

Apesar das semelhanças dos órgãos, não se verifica que exista uma herança comum. Apesar de parecidos, eles provém de genes diferentes. A origem dessas características comuns não é comum. Cada espécie tem seu desenvolvimento embrionário diferenciado geneticamente.

Adaptações complexas

O evolucionismo presume mudanças nas formas biológicas, bem como o aparecimento de novas estruturas adaptativas, morfológicas e bioquímicas. É exatamente isso que não é explicado. Quando se questiona sobre a origem das complexas adaptações, tais como os membros dos vertebrados, a reprodução sexuada, a língua do pica-pau, etc., são dadas explicações de como essas estruturas são benéficas para os organismos. Ou seja, as vantagens que esses estruturas proporcionam é a razão pela qual elas se desenvolvem (!) Não há explicação, portanto, para a origem dessas estruturas.

Os evolucionistas explicam bem como os organismos estão adaptados ao meio ambiente, mas possuem poucas e más explicações sobre a origem dessas adaptações. O surgimento de novidades morfológicas e bioquímicas é um problema sem solução para os evolucionistas.

No caso do olho, Darwin sugeriu apenas que se atentasse para a variedade de olhos na natureza, uns mais complexos que outros, e imaginou uma sequência gradual que conduzisse de um olho simples para um mais complexo. Entretanto, o famoso evolucionista Ernst Mayr admitiu que os diferentes olhos na natureza não podem se relacionar numa sequência simples-complexo. Ele sugeriu que os olhos provavelmente se desenvolveram mais de 40 vezes na natureza (!)

Não explicar as novidades morfológicas não é a única falha na teoria da evolução. Alguns consideram mais difícil explicar as novidades das estruturas moleculares. As arquiteturas moleculares das células foram recentemente descritas pelo biólogo Michael Behe como sendo sistemas complexos irredutíveis, os quais devem ter todos os componentes presentes numa ordem definida para serem funcionais. Se eles precisam estar todos presentes ao mesmo tempo, como explicar gradações ao longo do tempo?

Enquanto publicou centenas de artigos pertinentes a homologia e filogenia molecular de várias proteínas e ácidos nucléicos nos últimos dez anos, o Jornal de Evolução Molecular não publicou nenhum artigo tentando explicar a origem de um simples sistema biomolecular.

A teoria da evolução é falha ao tentar explicar como as estruturas surgem por processos naturais.

Mutação

Como vimos, a explicação mais comum dada pelos evolucionistas para o mecanismo geral que faria uma espécie se tornar outra, seria que a seleção natural agiria sobre indivíduos que apresentaram variações genéticas. Se a variação genética, ou mutação, fosse favorável, a seleção natural tenderia a preservar os indivíduos com essa característica modificada. Ao contrário, se fosse desfavorável, tenderia a extinguir os indivíduos.

De fato, a seleção natural, no sentido mais restrito da palavra, atua sobre as modificação dentro de uma espécie, mas não de forma a criar a diversidade das espécies existentes. O zoólogo francês Pierre-Paul Grasse analisou as mutações em bactérias durante décadas e concluiu que as mutações são meras flutuações hereditárias em torno de um valor médio, mas que não produzem o efeito evolucionário final. Em geral, as mutações são nocivas: 12 mutações são letais para o organismo; as não letais constatadas afetam apenas pontos acessórios ou indiferentes, ou produzem degenerações. Quando as mutações se desviam muito do ponto médio, elas são fatais para o organismo.

Ademais, as mutações são raras. Sua taxa corresponde a 1 por 100.000, ou 0,001%. A probabilidade de ocorrer duas mutações atingindo dois caracteres distintos é de 1 para 10 bilhões! Se a evolução tivesse sido produzida por tentativas de encontrar melhores soluções para adaptações a novos ambientes, a Matemática demonstra que nem haveria tempo, nem material no universo para possibilitar a realização da evolução por “tentativas” ao acaso. Émile Borel calculou o que se chamou de limite de impossibilidade quanto à realização de um acontecimento. Assim, ele demonstrou que o limite de impossibilidade cósmica é da ordem de 10 elevado à potência 200, ou 1 seguido de 200 zeros! Desse modo, “acontecimentos notáveis de probabilidade suficientemente fraca, não se produzem”. Aplicando essa conclusão ao campo da Biologia, Georges Salet calculou que para as mutações produzirem um órgão apenas minúsculo, a idade da Terra teria que ser da ordem de 10 elevado a potência 1000 (ela apenas tem da ordem de 10 elevado à décima potência), ou seja, o tempo necessário para que a evolução tivesse se dado por mutações seria superior à idade do universo!

A hipótese do relojoeiro cego

Em seu livro “O relojoeiro cego”, Richard Dawkins declarou: “A Biologia é o estudo de coisas complexas que dão a aparência de terem sido projetadas para uma finalidade”. Ele explicou que a seleção natural é o relojoeiro cego. Ele está cego porque não vê adiante, não planeja consequências, não tem finalidades em vista. Apesar disso, os resultados vivos da seleção natural nos causam a impressão de terem sido planejados por um relojoeiro. Mais do que cego, ele seria inconsciente, disse Philip Johnson, um crítico darwinista.

Dawkins sugere como mais tarde esse processo ocasionou o desenvolvimente de asas em mámíferos.

“Muitos animais iam de galho em galho, e algumas vezes caíam no chão. Especialmente nos pequenos animais, o corpo resistia ao ar e ajudava na queda, atuando como aerofólio. Qualquer tendência para aumentar a superfície do corpo era favorável, como bater as partes do corpo (asas), ou o crescimento de peles entres as articulações. Não importa quão pequeno eras as primeiras “asas”. Haveria uma certa altura em que os animais poderiam quebrar seus pescoços se caíssem daquela altura. Na zona crítica, qualquer aprimoramento na habilidade de oferecer maior resistência ao ar e impedir a queda, por mínima que fosse, poderia ser a diferença entre a vida e a morte. A seleção natural então favoreceria, lentamente, os primeiros protótipos de asas. Quando essas asas tornaram-se normais, a altura crítica tornaria-se ligeiramente maior. E assim por diante, até surgirem as asas propriamente.”

Entretanto, há três falhas nas hipóteses usadas, como já vimos: a sequência de mutações favoráveis que seriam necessárias, a inexistência de fósseis intermediários, e a existência de um paradoxo na seleção natural: como os animais caíam, os seres com asas sub-desenvolvidas deveriam se extinguir e restar somente aqueles sem asas; ou aqueles que ficavam no chão seriam devorados por seus predadores!

O princípio da entropia

Qualquer teoria evolucionista – darwinista ou não – sustenta o desenvolvimento de organismos mais simples para formas mais complexas e adaptadas. Isso contradiz um princípio central da Física: o segundo princípio da termodinâmica, ou seja, o princípio da entropia. Este princípio diz que um sistema físico isolado tende à desordem e uniformidade. Assim, verifica-se que a entropia ou desordem do Universo aumenta.

A teoria sintética da evolução insiste sobre dois pontos que a colocam como um sistema físico fechado:

1) no processo de evolução há a ausência de forças “não-físicas”; 2) a vida é um sistema fechado (a não-hereditariedade dos caracteres adquiridos).

Sobre a complexidade da vida, Giuseppe Sermonti, um importante geneticista italiano, disse:

“A vida tem sofrido várias alterações, mas a transformação do simples ao complexo não tem ocorrido. Esta é uma revelação da biologia moderna: a complexidade bioquímica de um micróbio não é inferior a de uma planta ou animal. A série dos seres vivos desde o elementar ao mais sofisticado não suporta uma evolução molecular. A vida apareceu na Terra já completa, não melhorou, nem envelheceu: tem mostrado uma grande variedade de formas que estão de acordo com as eternas regras imateriais da matemática”.

Os fósseis

Para estudar as formas primitivas de vida surgidas no decorrer da história terrestre, os cientistas recorrem aos fósseis. Nas rochas sedimentares podem ser encontrados restos, ou até indícios, de animais e de vegetais petrificados: são os fósseis.

Os manuais escolares — todos eles evolucionistas primários — costumam apresentar o aparecimento dos seres vivos numa seqüência que insinua a verossimilhança da evolução. Assim, dizem eles que os primeiros seres vivos de que se tem notícia são seres unicelulares; depois teriam surgido os metazoários, os animais de corpo mole, os animais de carapaça, os insetos, os vertebrados, os anfíbios, os répteis, as aves, os mamíferos, e , por fim, o homem. Por que a evolução teria parado no homem? Eles não explicam.

Essa seqüência causa a impressão de que as várias espécies vieram umas das outras, como se tivesse existido um único filão genético. Entretanto, a realidade é bem mais complexa.

Quando se estudam os registros fósseis, o que se encontra é uma grande multiplicidade filo-genética. Cada espécie surge de modo repentino, sem nunca apresentar antecedentes genéticos, e, muitas vezes, desaparece também bruscamente. A pluralidade de seqüências filo-genéticas indica então que os seres vivos não provém uns dos outros. Cada espécie surge de modo abrupto – sem antepassados conhecidos — vive durante um período relativamente extenso sem nunca mudar em sua forma essencial, e desaparece repentinamente, sem ligação genética com as espécies posteriores a ela.

Esse fato é um grande tropeço para a teoria evolucionista.

Se o aparecimento de novas espécies vivas é um mistério para a ciência, o desaparecimento de algumas delas pode ser explicado por fenômenos cataclísmicos — como as orogenias — que poderiam ter aniquilado os seres vivos de uma região ou continente.

Como vimos, calcula-se que seres vivos poderiam ter começado a existir, na Terra, há 3,5 bilhões de anos. Admite-se que os primeiros seres vivos foram micro-organismos unicelulares. Como estes seres unicelulares apareceram e como eles teriam evoluído para seres mais complexos, continua sendo um mistério.

Os metazoários, que são os primeiros seres vivos multi-celulares e complexos, surgem de modo repentino, e sem antecedentes claros, nos registros fósseis.

Os primeiros indícios de vida, que datam do período Pré- Cambriano, são raros. Em 1947, o geólogo australiano R.C. Spring encontrou em Ediacara Hills, no sul da Austrália, depósitos sedimentares marinhos com ricos exemplares fósseis. Novas pesquisas no local enriqueceram ainda mais o tesouro fóssil encontrado. Atualmente, classificaram-se cerca de 600 espécies diferentes provenientes de Ediacara, datando do Pré-Cambriano. Lá foram achados animais marinhos de corpo mole (Jellyfishes) , corais moles, pedaços de vermes com cabeças solidamente escudadas, “penas — marinhas”.Todos estes seres de corpo mole pertenciam, de modo geral, ao filão dos celenterados. (Cfr. Martin F. Glaessner, “Pre-Cambryan Animals”, artigo na revista Science).

Há um fato muito impressionante nos fósseis de Ediacara: ficou comprovado que os fósseis celenterados de Ediacara não são celenterados e echinodermos do mesmo tipo que os do Cambriano. Pelo contrário, são tão diferentes deles que não há possibilidade de terem sido seus ancestrais.

Repentinamente, nas camadas geológicas do Cambriano, aparece um tão grande número de fósseis de tão variados tipos — inclusive com vertebrados — que se fala da “explosão de vida do Cambriano”. Se a teoria darwiniana fosse verdadeira, dever-se-iam encontrar fósseis predecessores desta “explosão de vida cambriana”. Nada existe antes que possa explicar o surgimento de tão grande número de espécies tão diversas e tão complexas. E as espécies encontradas e que sobreviveram durante largos períodos geológicos nunca evidenciaram sinais de evolução.

Até mesmo cientistas insuspeitos de serem anti-evolucionistas confessam que o aparecimento explosivo de novas espécies no Cambriano, sem nenhum antepassado comprovado, constitui o ” maior mistério da história da vida” (George Gaylord Simpson, apud D. T. Gish, op. cit. p. 56). O próprio Eldredge – um dos fundadores a teoria evolucionista do “equilíbrio pontuado” –reconhece que a fauna de Ediacara e a “explosão cambriana” constituem um grande desafio para a Ciência. Entenda-se, para o evolucionismo.

Eldredge tenta solucionar esse mistério dizendo que não se acharam fósseis antecessores da vida cambriana, porque os seres do Pré-Cambriano eram de corpo mole, o que teria impedido a formação de fósseis. Ora, se fosse assim, não se teria podido conhecer a existência dos animais de corpo mole de eras geológicas passadas.

Gish se espanta com essa desculpa esfarrapada de Eldredge, lembrando que, se foram achados indícios de seres microscópicos e de unicelulares, com maior razão podem ser encontrados sinais de vida de animais de corpo mole do Pré-Cambriano, como aliás o foram , em Ediacara. Entretanto, não foram achados, até hoje, os fósseis intermediários entre os seres do Pré-Cambriano e os do Cambriano. Nesse ponto também o evolucionismo darwinista ou moderno carece de comprovação.

Os fósseis são, assim, o principal argumento contra a Teoria da Evolução, segundo o próprio Darwin afirmara, porque não mostram as formas transicionais nas diversas camadas.

Haveria ainda muito a dizer sobre esse problema, como a sequência dos vertebrados, o problema da passagem dos répteis para os mamíferos, o surgimento das aves, os fósseis humanos e ainda as fraudes evolucionistas.

Esta mensagem já vai longa, e como dissemos, poderíamos escrever centenas de páginas para contra-argumentar o evolucionismo.
Esperamos ter elucidado algumas dúvidas acerca do evolucionismo. Deixamos para uma próxima ocasião detalhar um ou outro ponto que o sr. julgar pertinente. Escreva-nos.

Atenciosamente,
Augusto Pinheiro

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